domingo, 12 de maio de 2013

Ter espiritualidade é ser religioso?


Ter espiritualidade é ser religioso?

   A espiritualidade é fundamental na recuperação do adicto em jogo, alimentos, álcool ou sexo. Mas ao perguntar o que é ser espiritual as respostas são: ir mais à sinagoga (ou igreja), estudar Torá (Bíblia), rezar mais, etc. Será que religião e espiritualidade são a mesma coisa? O ser humano é classificado de homo sapiens. Será? O termo homo é indicativo dos homonídeos – macacos, gorilas, chimpanzés, orangotangos. O termo sapiens significa “intelecto”. Ora, será que somos apenas orangotangos intelectuais? Somos apenas gorilas pensantes? Twerski discorda!

O ser humano aprende com o passado. Os humanos analisam seus erros e de outros como nós – e podem decidir não repeti-los. O humano pensa na razão de sua existência, visando agir para melhorar e alcançar o aperfeiçoamento. Os animais, não. Animais podem se tornar melhores, mais produtivos e mais bonitos, mais isto depende da evolução biológica. O homem melhora porque é sua vontade e o deseja.

O homem é capaz de suprir uma vontade ou necessidade. Ele jejua, o animal busca comida. O homem decide movido por ética ou moral. O homem controla seu ímpeto entre o certo e o errado. Sua decisão é moral e ética. O homem se sacrifica pelos outros. O espírito humano é a soma destas características, e a espiritualidade existe para todos porque implementa todas as capacidades únicas do ser humano.
O compulsivo – e não importa sua compulsão – não exerce a espiritualidade. Não aprende com o passado e não percebe que beber, jogar, drogar-se ou comer demais causarão problemas novamente. Pensam que desta vez será diferente.

Ignoram o propósito da vida, que para eles é alcançar o objecto de sua compulsão. Ignoram a consequência da autodestruição contínua, afastamento dos mais queridos, rupturas familiares, etc. Não são livres para tomar decisões morais ou éticas e lhes é difícil ser bons com os não envolvidos com sua dependência! Não são espirituais.
A responsabilidade dos não compulsivos é ensinar a espiritualidade praticando-a. Ser espiritual não implica ligar-se a uma religião. Mas na busca ao propósito da existência, aí sim, há presença Divina. Ao pensar na razão da vida, o mundo, na verdade, tem razão de ser. E isto só ocorreria se alguém o tivesse criado com um propósito específico.

Chegamos, assim, à ideia da existência de Deus. Porém haverá quem queira ser espiritual sem a Presença Divina. Este poderá não encontrar resposta para sua busca para a razão de sua existência. Imaginemos que ele pense como tornar-se uma pessoa melhor.

O que significa ser uma pessoa melhor? E a mais respeitada? Para os judeus, o Talmud faz quatro perguntas simples e tem quatro respostas simples. A verdadeira riqueza do rico está em satisfazer-se com o que tem. Mais poderoso é quem domina a si próprio, não aos outros. A pessoa mais respeitada respeita seus semelhantes, honra os demais e não recebe honrarias e o grande sábio aprende com os outros. 
Para ser uma pessoa melhor, é preciso definir o que é melhor. Definições como poder, dinheiro, prestígio, etc, não satisfazem. É nessa resposta que religião se funde com espiritualidade, e juntas nos dão uma visão completa. Antes de ser altruístas precisamos ser espirituais.

Espiritualidade é importante no casamento, amizade, educação dos filhos, etc, pois com ela o casamento é mais feliz; a amizade mais duradoura; a criação dos filhos mais bem sucedida.
A busca da espiritualidade é um despertar. Alguns despertaram para ela e logo voltaram a dormir. Espirituais por um mês recaíram nos antigos hábitos. A espiritualidade requer empenho na recuperação contra a dependência química e para quem nunca tocou em álcool ou químicos. É necessário trabalhar para encontrar a espiritualidade. Para ser um bom ser humano, devemos praticar tudo aquilo que nos faz melhores do que os animais. 
Assim, pode existir espiritualidade independentemente da religião? Pode sim, de certa forma. Mas, dissociada da religião, mais cedo ou mais tarde a espiritualidade deixa muitas perguntas sem respostas. A espiritualidade é um programa sensacional para a pessoa se tornar o mais digno dos seres humanos.

E por que este privilégio deveria ser exclusivo dos alcoólicos e viciados em droga? Todas as pessoas deveriam ter o privilégio de se tornar a melhor das pessoas. Por isso, defendo o “Programa dos Doze Passos”, que permite à pessoa ser um digno e verdadeiro ser humano. Se pensar bem, sabia disso tudo. Mas é bom recordar esses pontos para implementá-los. Mas, por favor, seja generoso consigo mesmo. Como já se lembraram de todas estas qualidades, não as esqueçam na próxima semana!

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