A Caminho da Luz

domingo, 12 de maio de 2013

A verdade é a melhor forma de ser delicado


A verdade é a melhor forma de ser delicado



Um mundo evoluído é composto por pessoas que possuem muito o que ofertar e ofertam intensamente. Ou seja, eles se permitem estabelecer trocas, visando compartilhar o conhecimento e gerar ajuda mútua.
Se você quer ser uma boa pessoa deve desenvolver habilidades e qualidades. O ser humano é ação, portanto serão estas habilidades e qualidades que poderá ofertar. Se um amigo não consegue aprender matemática e você sabe a matéria, poderá ofertar seu conhecimento. Ele será beneficiado e você também.
A vida boa é feita de trocas intensas. Estas trocas intensas existem quando temos o que ofertar e estamos prontos para aprender e livres para crescer. É exatamente neste ponto que grande parte do ser humano fica paralisado. Orgulho, vaidade, ilusão, fantasias, etc., atuam para afastá-lo da realidade e diminuir a troca. A oferta facilmente incomoda estas pessoas – que refugiam na hipocrisia.
Até 30 anos atrás era comum descrever uma mulher grávida assim: “ela está num estado interessante”. O corpo da mulher grávida devia ficar escondido. Na década de 1960 uma atriz ousou pousar para fotos com o barrigão de grávida. Muitas pessoas horrorizaram. Se a mente da pessoa condicionada sequer permitia que ela usasse a palavra grávida, imagine impacto de ver o corpo grávido. Atualmente a gravidez é linda. Todas as mulheres tiram fotos da barriga para guardar de lembrança. O que mudou?
A mulher engravida porque fez sexo, talvez tenha tido prazer. Gravidez é o resultado desta relação sexual consentida e prazerosa da mulher. É a prova máxima de que ela transou e transa. O prazer feminino sempre foi um tabu e uma das formas deste tabu aparecer é dizer: “estado interessante”. Uma bobagem, pensamos hoje. Uma forma de delicadeza e educação pensavam as pessoas do passado. Elas mantinham e perpetuavam um preconceito contra as mulheres e ainda se consideravam bondosas e educadas.
A atriz, Leila Diniz, colocou sua roupa de praia e mostrou que “dava, deu e continuaria a dar”. Somos todos beneficiários das atitudes libertadoras destas pioneiras. A atriz ofertou o que estava preparada para ofertar. Ajudou muita gente a superar preconceitos e curtir mais a vida. Para a maioria da sua época foi uma pessoa indelicada e escandalosa.
Os que querem acabar com o prazer das pessoas continuam sempre a agir, tentando usar palavras bonitas para criar a ilusão de bondade, caridade, amizade, amor. Por isto é muito importante refletir, para não manter preconceitos achando que está sendo delicado.
Também é muito importante não permitir que as trocas de conhecimento e os debates de idéias sejam inibidos pelos que apostam na mediocridade. Lembre: procure desenvolver muitas qualidades e habilidades, e oferte-as para o mundo. Haverá aqueles que irão lhe censurar por ofertar o que é bom, e você não deve se inibir por causa destas pessoas – são os hipócritas, pouco dispostas a aprender.
Se você entrar na internet, irá encontrar milhões de vídeos. Alguns divulgarão ideias que você é contra, não os julgue. Se não tem nada para lhe ensinar, afaste-se. Afaste-se sem dó nem piedade. Se for bom, assista-os várias vezes. Agora, você pode e deve ter sua opinião, você pode mostrá-la (se assim decidir), mesmo que o outro não goste.
Deve haver uma motivação nobre na sua atitude: amor, respeito, vontade de ajudar. Você deve embasar suas ideias e deve estar aberto para também aprender e perdoar aqueles que se sentirem ofendidos. Quando Jesus não permitiu o apedrejamento da prostituta ele foi contra uma lei religiosa. Ele colocou seu ponto de vista e inibiu a ação dos homens que iriam se divertir com a desgraça alheia. Ele cortou o ímpeto assassino daquelas pessoas ofertando suas qualidades sob a forma de palavras. Todos foram beneficiados, a vítima e os prováveis assassinos. A verdade é: Jesus se posicionou, Jesus se colocou e ofertou. Ele também ofertou quando derrubou as mesas dos cambistas dentro do Templo sagrado de Jerusalém. Ele deu uma grande oportunidade para as pessoas refletirem sobre aquela situação.
Quando a pessoa desenvolve habilidades e qualidades é natural que ela oferte. Ao ofertar ela intervém no mundo e o mundo responde. O ponto de equilíbrio não está na hipocrisia e nem em criar regras que só servem para perpetuar preconceitos e sofrimentos. O ponto de equilíbrio está em não ser reativo.
Ensine sua mente a não reagir. Vou dar um exemplo: tem gente que acha que se perder o preconceito contra homossexual terá que gostar de homossexuais. Este é o pensamento típico de uma mente reativa. A mente clara, não reativa, considera neutro o outro ser homossexual. É uma opção pessoal de cada um, não precisa gostar e nem desgostar.
Pense, por exemplo, no tal “casamento gay”. Por que pessoas que não são gays têm tanto interesse em dar palpite na vida dos outros? O julgamento faz as pessoas ficarem olhando para fora delas, ao invés de olharem para ela.A grande luta da evolução se dá dentro da pessoa. Foi o que aconteceu no momento que Jesus disse: “quem nunca pecou que atire a primeira pedra”. Pessoas que se apressavam em olhar para o outro (a prostituta) passaram a olhar para sua própria vida. Neste momento o “pecado” da prostituta ficou menor e o interesse em agredi-la acabou.
Esta é a regra da oferta, quando ela não é uma simples reação: ofertamos o que temos de bom dentro de nós. Quase nunca reagimos ao que é externo e jamais deixamos o que é externo a nós nos dominar. Ofertamos o que temos de bom dentro de nós, banhado em bondade e em verdade.
O perdão constante é muito importante porque é a principal forma de treinarmos nossa mente para sair da reatividade. Através do perdão diminuímos a influência externa e focamos no que realmente é importante para nossa evolução. É assim que em muitos momentos deixamos, por exemplo, de cultivar raiva, para nos tornar neutros e ESCOLHER vibrar, pensar, sentir o que é nobre.
Por outro lado, sempre duvide de quem enche sua boca de palavras bonitas, normalmente elas serão chavões recheados de hipocrisia. Jamais confunda palavras bonitas com nobreza e verdade. Os exemplos que dei mostram o quanto você pode se enganar. As palavras bonitas podem reproduzir preconceitos, manter injustiças, desprezar pessoas ou animais. Se palavras bonitas resolvessem algo, o planeta Terra seria um paraíso. É na ação que buscamos nossa redenção, desenvolvemos qualidades e habilidades e então ofertamos através do serviço. É na ação que você poderá separar o medíocre da bondade, a verdade da hipocrisia e assim por diante.
No mais, pode falar besteiras, pode dizer sua opinião, pode ser crianção, etc.
A verdade é a melhor forma de ser delicado. Muito sofrimento é poupado, muita alegria é conquistada, muito aprendizado é gerado. Mas, não se esqueça, estou falando da verdade que é fruto das habilidades e qualidades que você desenvolveu. É a verdade que é apresentada como um serviço e um ato de respeito ao mundo e a si mesmo. É como a palavra de um pai que frustra um filho para que este aprenda e desenvolva. Nem sempre serão palavras lindas, mas sempre deverão ser educativas e amigas. Nem sempre o filho entenderá e aceitará, mas o pai sabe que é aquilo que ele pode ofertar de melhor para o filho. E o pai sabe que faz todo o esforço para tornar-se cada vez melhor e poder ofertar cada vez mais, mesmo que o filho tenha dificuldade de aproveitar. Ele continuará a ofertar sempre, porque quem desenvolve habilidades e qualidades vive melhor assim, ofertando.
Nada melhor do que ofertar a verdade que você pratica, vive, experiencia, que vem embalada (não necessariamente em belas palavras) em vibrações de carinho, amor, serviço e gratidão.
Se você ler as palavras abaixo e se sentir constrangido é porque sua mente ainda está reativa e pouco propensa a tornar neutras as palavras que por si mesmo não dizem nada: buceta, caralho, pinto.
Se sua mente reagiu gerando incômodo com estas palavras é porque uma cadeia de sentimentos e valores inúteis agiu dentro de você te aprisionando. O estímulo vem de fora e te controla a partir de dentro de sua mente. Perdoar, tornar neutro e não aderir a conceitos culturais é a melhor forma da sua mente se focar no que interessa, que com certeza não são as palavras isoladas.
A mente clara é uma mente neutra. Para ela é irrelevantes o uso das palavras vagina ou buceta (ou outras quaisquer). O foco é a verdade, o aprendizado, o ofertar e o servir intensamente. O foco é o fluir e o compartilhar. Por isto, ela não se impressiona se uma pessoa usa frases “lindas ou feias”, o foco é o conteúdo e a oportunidade de aprender algo. O foco é o respeito pela forma de expressão do outro, pois é assim que as ideias circulam livremente e podem cumprir sua função de propiciar experiências e oportunidades.

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