quinta-feira, 2 de maio de 2013

O INÍCIO DA CODIFICAÇÃO ESPÍRITA


O INÍCIO DA CODIFICAÇÃO ESPÍRITA

Amigo leitor, já falamos em postagens anteriores um pouco sobre ”O mundo em que viveu Allan Kardec”, é chegado o momento de falar de uma forma direta deste homem que em nossa opinião é um Espírito altamente evoluído e preparado.
No século XIX, reencarna um Espírito muito evoluído , que recebeu o nome de Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais tarde foi conhecido como Allan Kardec.
Em uma análise criteriosa sobre a vida dele, percebe-se claramente que elle foi enviado pela Espiritualidade Maior na condição  de um Espírito Missionário do Cristo, e com seu papel definido, entretanto estava sujeito de falir em sua missão diante de uma série de fatores da época.
No inicio do trabalho da codificação Allan Kardec esbarrou com uma oposição ferrenha, tanto no campo religioso como no campo filosófico, mas felizmente ele obteve êxito em sua missão, graça ao belo trabalho dos Espíritos Superiores, com abordagens assertivas em toda obra e pelas refutações elegantes feitas por Allan Kardec ao seus opositores em matérias escritas na Revista Espírita.
Tudo isso antecedeu num século de mudança, em detrimento da Revolução Francesa; nós aproveitamos o ensejo para convidarmos o Amigo Leitor para refletir sobre alguns pontos que acreditamos serem pontos cruciais que colaboraram para que Consolador Prometido fosse instalado na França primeiramente:

 Naquela época, na França reencarnaram espíritos vinculados com compromissos intelectuais, sociais, filosóficos, científicos, entretanto, a França tornava-se o "centro cultural do mundo ocidental", e a divulgação de uma nova Doutrina religiosa vindo daquele país iria gerar grande repercussão em todo o globo.

Na mensagem intitulada "Kardec e Napoleão", ditada pelo espírito Humberto de Campos ao nosso saudoso médium Chico Xavier, deixa claro que Napoleão Bonaparte é a reencarnação do Imperador Caio Júlio César, antigo ditador Romano, e que na mesma época nas Gálias, região onde hoje se encontra a França, vivera o druida Allan Kardec.

No século XIX muitos Espíritos compromissados com o Cristo reencarnaram para auxiliar na Codificação, direta ou indiretamente.
Ambos os espíritos Kardec e Napoleão voltaram a reencarnar para levarem para a França uma luz para aquele povo. Kardec conseguiu de forma íntegra seguir com seus compromissos espirituais, codificando uma Doutrina que iria trazer um bem para toda uma coletividade, enquanto Napoleão Bonaparte acabou desvirtuando-se de seu compromisso espiritual devido à ganância, o poder, enveredando para os caminhos equivocados que não do bem.

A Revolução Francesa, desenvolvendo o bem precioso da liberdade, e Kardec, codificando a Doutrina dos Espíritos, fornecem à humanidade uma nova cosmovisão do indivíduo, da sociedade e dos mundos que nos circulam, propiciando-nos o consolo da vida após a morte, e indicando-nos o caminho para uma vivência mais útil e harmoniosa.
Para que a codificação acontecesse um dos fatores facilitadores foi o inicio da liberdade de expressão religiosa no século XIX imposto pelo Governo. Tudo já programada pela Providência Divina .
Emmanuel retrata com muita propriedade este fato:

(...) Muitas reformas, porém, se haviam verificado após os movimentos sanguinolentos iniciados em 89. Mormente na França, semelhantes renovações foram mais vastas e numerosas. Além de se beneficiar o governo de Luís XVIII com as imitações do sistema inglês, vários princípios liberais da Revolução foram adotados, tais como a igualdade dos cidadãos perante a lei, a liberdade de cultos, estabelecendo-se, a par de todas as conquistas políticas e sociais, um regime de responsabilidade individual no mecanismo de todos os departamentos do Estado. A própria Igreja, habituada a todas as arbitrariedades na sua feição dogmática, reconheceu a limitação dos seus poderes junto das massas, resignando-se com a nova situação . (...)
Em uma série de postagens anteriores, citamos uma das figuras importantes desta época, e que trouxe uma grande colaboração indiretamente para que todo processo ocorre-se o Educador Pestalozzi “ O Pai Espiritual de Rivail”.
Segundo o saudoso filosofo espírita Herculano Pires:
“Pestallozzi foi o guia seguro que levou o menino Denizard Rivail ao desenvolvimento segundo a expressão kantiana, de toda a sua perfectibilidade possível”.

Nós comungamos da idéia de alguns escritores espíritas que defendem a idéia de que o Sr. Hippolyte Leon Denizard Rivail e Pestalozzi reencarnaram no mesmo tempo com grandes missões nas lides educacionais, e que mais tarde toda vivência e herança cultural deixada do Ancião para Rivail teve uma grande colaboração para que ele realizasse a codificação da Doutrina dos Espíritos. É perceptível o método racional e catedrático de expor os assuntos nas obras codificadas por Allan Kardec, e que assemelha-se o método Pestalozziano.
Emmanuel no livro A Caminho da Luz, mostra a responsabilidade deste Espírito missionário que é Allan Kardec :

(...) A tarefa de Allan Kardec era difícil e complexa. Competia-lhe reorganizar o edifício desmoronado da crença, reconduzindo a civilização às suas profundas bases religiosas.
O Século XIX foi tomado pelo materialismo, apesar de encontrarmos na história alguns pontos isolado de alguns vultos históricos de Alta Espiritualidade , que de certa forma vieram preparar o terreno para que o Consolador Prometido instalasse naquela época.

Observando a Europa do Século XIX encontraremos muitas barreiras que Allan Kardec encontrou para dar inicio em teu trabalho de Codificador , o escritor Brito Farias, narra em sua obra “O Mundo interior” que:
(...) A Terceira Revelação chegava na "hora H". O século XIX vivia a filosofia do desespero, e o nada era a "suprema libertação" que todos esperavam. 
O criticismo, o positivismo, o materialismo e o pessimismo reduziam a vida a uma simples agregação de matéria, que com a morte se extinguiria. Como justificar a vida, se o nada era o fim de tudo? 
Portanto, viver era um contrassenso, uma aberração da Natureza. 
Todos esses sistemas de filosofia negativista eram a consequência inevitável, fatal, da corrupção mesma da Igreja, "corrupção de que resultava, a um só tempo, a decadência da fé nas almas cristãs, e a reação dos espíritos independentes, interessados na obra da civilização e ávidos do conhecimento da verdade" (...)
Dando sequencia nessa linha de raciocínio vamos extrair um trecho de uma obra do celebre Lamennais, o famoso filósofo e teólogo francês na primeira metade do século XIX em Apud L ‘Illustration, 1869, pp. 237/8. “Afirma que então se vivia a praga do século, a indiferença em matéria de Religião.”

Outro filosofo suíço Charles Sebrktan, no século XIX vem dizer:
(...) No meio de todo esse caos, desse século de tempestade e de enfraquecimento, que se faz devorar pelo ceticismo e maldiz seu mal, sem querer curá-lo (...).
Ao refletirmos sobre esses pequenos trechos destes confiáveis autores, temos uma percepção de como viviam as pessoas daquela época e como a humanidade se encontrava com a fé abalada e com os valores morais invertidos.

Emmanuel na obra A Caminho da Luz nos diz:
(...)“Cumpre-nos assinalar as dolorosas provas da França, depois dos seus excessos na Revolução e nas campanhas napoleônicas. Depois das revoluções de 1830 e 1848, mediante as quais se efetuam penosos resgates por parte dos indivíduos e das coletividades, surge a guerra franco-prussiana de 1870.
A grande nação latina, por causas somente conhecidas no plano espiritual, é esmagada e vencida pela orgulhosa Alemanha de Bismarck, que, por sua vez, embriagada e cega no triunfo, ia fazer jus às dores amargas de 1914 -1918.
Paris, que assistira com certa indiferença às dores dos condenados do Terror, comparecendo aos espetáculos tenebrosos do cadafalso e aplaudindo os opressores,sofre miséria e fome em 1870, antes de cair em poder dos impiedosos inimigos, em 28 de janeiro de 1871. 
As imposições políticas do imperador Guilherme, em Versalhes, e as amarguras coletivas do povo francês nos dias da derrota, significam o resgate dos desvios da grande nação latina.
Uma humanidade que já estava com suas esperanças quase findadas, diante de tanta incredulidade, incertezas, duvida existenciais , e uma fé abalada.
As religiões existentes daquela época não conseguiam trazer as respostas que as pessoas buscavam.
A criatura humana estava sequiosa de esperança, cheia de descontentamento da miséria social, das questões políticas, que envolvia um grande jogo de interesses pessoal da classe dominante.
Ao lermos o Livro Evangelho Segundo Espiritismo, vamos encontrar diversas instruções dos Espíritos, onde eles trazem conforto, aconselhamento, e lenitivo para “os irmãos” evidentemente que todas lições servem para todos nós no dias atuais, mas se reportarmos para o século XIX e pela situação que os Franceses viviam , veremos que todas lições caem como uma luva para aquele povo que vivia sem esperança. Para sua apreciação vamos colocar  alguns trechos para compararmos com a situação da época.
Segue abaixo trechos do E.S.E.

Justiça das aflições.
(...)Mas, então, pergunta-se: por que sofrem uns mais do que outros? Por que nascem uns na miséria e outros na opulência, sem coisa alguma haverem feito que justifique essas posições? Por que uns nada conseguem, ao passo que a outros tudo parece sorrir? Todavia, o que ainda menos se compreende é que os bens e os males sejam tão desigualmente repartidos entre o vício e a virtude; e que os homens virtuosos sofram, ao lado dos maus que prosperam. A fé no futuro pode consolar e infundir paciência, mas não explica essas anomalias, que parecem desmentir a justiça de Deus.

O Duelo 
(...)Há crime no homicídio em duelo; a vossa própria legislação o reconhece. Ninguémtem o direito, em caso algum, de atentar contra a vida de seu semelhante: é um crime aos olhos de Deus, que vos traçou a linha de conduta que tendes de seguir.Adolfo, bispo de Argel. (Marmande, 1861.)

Não vim destruir a Lei
(...) Sim, meus filhos, o mundo está abalado; os bons Espíritos vo-lo dizem sobejamente; dobraivos à rajada que anuncia a tempestade, a fim de não serdes derribados,Fénelon. (Poitiers, 1861.)


A França deparava com uma situação de descontentamento social e espiritual. Os dogmas religiosos existentes já não nutriam espiritualmente aquele povo que esperava depois da Revolução Francesa, a tão dita: “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”.
Os franceses esperavam encontrar uma luz no fim do túnel, “Fiat Lux”, e com o advento do Consolador Prometido “A luz se fez”.

A LUZ SE FEZ

Tudo começou com a invasão organizada dos Espíritos Superiores trazendo a lume a Codificação da Doutrina dos Espíritos, coordenada pelo Mestre Lionês Hypollite Leon Denizar Rivail, que ficaria conhecido mundialmente e pela eternidade como o Sr.Allan Kardec.
Começara nesse momento uma nova fase, aquela prometida por Jesus: 
“Se me amais, guardai os meus mandamentos, e eu rogarei a meu Pai e ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: - O espírito da Verdade, que o não pode receber, porque o não vê e absolutamente o não conhece”. Mas, quanto a vós, conhecê-lo-eis, porque ficará convosco e estará em vós. – Porém, O Consolador, que é o Santo Espírito que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito (São João 14:15 a 17:26),


O que motivou Allan Kardec a fazer a codificação da Doutrina dos Espíritos? 
Qual era a base religiosa de Rivail? E o que o motivou a conhecer as famosas correntes Espiritualistas da época?
Allan Kardec tinha convicção no trabalho proposto pelos Espíritos, que era a codificação da Doutrina?
Quem foi os participantes deste trabalho de codificação?
Como foi a escolha dos médiuns que contribuíram para que o trabalho acontecesse? Como foi a análise das comunicações feita por Allan Kardec e como foi seu critério de análise das psicografias?
Como foi a reação da igreja católica na época com a codificação da Doutrina dos Espíritos?

A Terceira revelação encerrou-se”... “Com o Ultimo segundo do dia de 18 de abril de 1857...”
“(...) Tudo quanto Allan Kardec, investido de sua nobre missão e inspirada pelo Alto pelo Espírito da Verdade, escreveu a partir desse derradeiro segundo, sem exceção – acrescenta (p. XXVIII)-, foi feito segundo os fundamentos lançados por ordem e sob o ditado do primeiro Livro dos Espíritos mas de conformidade com o critério humano do Missionário.

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