quarta-feira, 1 de maio de 2013

Automatismo e corpo espiritual,,,,EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS



Automatismo e corpo espiritual
AUTOMATISMO FISIOLÓGICO — Compreensível salientar que o
princípio inteligente, no decurso dos evos, plasmou em seu próprio veículo de
exteriorização as conquistas que lhe alicerçariam o crescimento para maiores
afirmações nos horizontes evolutivos.
Dominando as células vivas, de natureza física e espiritual, como que
empalmando-as a seu próprio serviço, de modo a senhorear possibilidades
mais amplas de expansão e progresso, sofre no plano terrestre e no plano
extraterrestre as profundas experiências que lhe facultarão, no bojo do tempo,
o automatismo fisiológico, pelo qual, sem qualquer obstáculo, executa todos os
atos primários de manutenção, preservação e renovação da própria vida.
ATIVIDADES REFLEXAS DO INCONSCIENTE —Sabemos que, em nos
propondo aprender a ler e escrever, antes de tudo nos consagramos à
empresa difícil de assimilação do alfabeto e da escrita, consumindo energia
cerebral e coordenando o movimento dos olhos, dos lábios e das mãos, em
múltiplas fases de atenção e trabalho, de maneira a superar nossas próprias
inibições, para, depois, conseguirmos ler e escrever, mecanicamente, sem
qualquer esforço, a não ser aquele que se refere à absorção, comunicação ou
materialização do pensamento lido ou escrito, por quanto a leitura e a grafia terse-
ão tornado automáticas na esfera de nossa atividade mental.
Nessa base de incessante repetição dos atos indispensáveis ao seu
próprio desenvolvimento, vestindo-se de matéria densa no plano físico e
desnudando-se dela no fenômeno da morte, para revestir-se de matéria sutil no
plano extrafísico e renascer de novo na Crosta da Terra, em inumeráveis
estações de aprendizado, é que o princípio espiritual incorporou todos os
cabedais da inteligência que lhe brilhariam no cérebro do futuro, pelas
chamadas atividades reflexas do inconsciente.
TEORIA DE DESCARTES — Atento a isso e espantado diante do
gigantesco patrimônio da mente humana é que Descartes, no século 17,
indagando de si mesmo sobre a complexidade dos nervos, formulou a “teoria
dos espíritos animais” que estariam encerrados no cérebro, perpassando nas
redes nervosas para atender aos movimentos da respiração, dos humores e da
defesa orgânica, sem participação consciente da vontade, chegando o filósofo
a asseverar que esses “espíritos se conjugavam necessariamente refletidos”,
aplicando semelhante regra notadamente aos animais que ele classificava por
máquinas desprovidas de pensamento.
Descartes não logrou apreender toda a amplitude dos caminhos que se
descerram à evolução na esteira dos séculos, mas abordou a verdade do ato
reflexo que obedece ao influxo nervoso, no automatismo em que a alma evolui
para mais altos planos de consciência, através do nascimento, morte,
experiência e renascimento na vida física e extrafísica, em avanço inevitável
para a vida superior.
AUTOMATISMO E HERANÇA — Assim como na coletividade humana o
indivíduo trabalha para a comunidade a que pertence, entregando-lhe o
produto das próprias aquisições, e a sociedade opera em favor do indivíduo
que a compõe, protegendo-lhe a existência, no impositivo do aperfeiçoamento
constante, nos reinos menores o ser inferior serve à espécie a que se ajusta,

labora em benefício dele, amparando-o com todos os valores por ela
assimilados, a fim de que a ascensão da vida não sofra qualquer solução de
continuidade.
Se, no círculo humano, a inteligência é seguida pela razão e a razão pela
responsabilidade, nas linhas da Civilização, sob os signos da cultura,
observamos que, na retaguarda do transformismo, o reflexo precede o instinto,
tanto quanto o instinto precede a atividade refletida, que é base da inteligência
nos depósitos do conhecimento adquirido por recapitulação e transmissão
incessantes, nos milhares de milênios em que o princípio espiritual atravessa
lentamente os círculos elementares da Natureza, qual vaso vivo, de forma em
forma, até configurar-se no indivíduo humano, em trânsito para a maturação
sublimada no campo angélico.
Desse modo, em qualquer estudo acerca do corpo espiritual, não podemos
esquecer a função preponderante do automatismo e da herança na formação
da individualidade responsável, para compreendermos a inexeqüibilidade de
qualquer separação entre a Fisiologia e a Psicologia, por qüanto ao longo da
atração no mineral, da sensação no vegetal e do instinto no animal, vemos a
crisálida de consciência construindo as suas faculdades de organização,
sensibilidade e inteligência, transformando, gradativamente, toda a atividade
nervosa em vida psíquica.
EVOLUÇÃO E PRINCÍPIOS COSMOCINÉTICOS — Os dias da Criação,
assinaladas nos livros de Moisés, equivalem a épocas imensas no tempo e no
espaço, porque o corpo espiritual que modela o corpo físico e o corpo físico
que representa o corpo espiritual constituem a obra de séculos numerosos, pacientemente
elaborada em duas esferas diferentes da vida, a se retomarem no
berço e no túmulo com a orientação dos Instrutores Divinos que supervisionam
a evolução terrestre.
Com semelhante enunciado não diligenciamos, de modo algum, explicar a
gênese do espírito, porque isso, por enquanto, implicaria arrogante e
pretensiosa definição do próprio Deus.
Propomo-nos simplesmente salientar que a lei da evolução prevalece para
todos os seres do Universo, tanto quanto os princípios cosmocinéticos, que
determinam o equilíbrio dos astros, são, na origem, os mesmos que regulam a
vida orgânica, na estrutura e movimento dos átomos.
O veículo do espírito, além do sepulcro, no plano extrafísico ou quando
reconstituído no berço, é a soma de experiências infinitamente repetidas,
avançando vagarosamente da obscuridade para a luz. Nele, situamos a
individualidade espiritual, que se vale das vidas menores para afirmar-se —,
das vidas menores que lhe prestam serviço, dela recolhendo preciosa
cooperação para crescerem a seu turno, conforme os inelutáveis objetivos do
progresso.
GÊNESE DOS ÓRGÃOS PSICOSSOMÁTICOS — Todos os órgãos do
corpo espiritual e, conseqüentemente, do corpo físico foram, portanto,
construídos com lentidão, atendendo-se à necessidade do campo mental em
seu condicionamento e exteriorização no meio terrestre.
É assim que o tato nasceu no princípio inteligente, na sua passagem pelas
células nucleares em seus impulsos ameboídes; que a visão principiou pela
sensibilidade do plasma nos flagelados monocelulares expostos ao clarão
solar, que o olfato começou nos animais aquáticos de expressão mais simples,
por excitações do ambiente em que evolviam; que o gosto surgiu nas plantas,

muitas delas armadas de pêlos viscosos destilando sucos digestivos, e que as
primeiras sensações do sexo apareceram com algas marinhas providas não só
de células masculinas e femininas que nadam, atraídas uma para as outras,
mas também de um esboço de epiderme sensível, que podemos definir como
região secundária de simpatias genésicas.
TRABALHO DA INTELIGÊNCIA — Examinando, pois, o fenômeno da
reflexão sistemática, gerando o automatismo que assinala a inteligência de
todas as ações espontâneas do corpo espiritual, reconhecemos sem
dificuldade que a marcha do princípio inteligente para o reino humano e que a
viagem da consciência humana para o reino angélico simbolizam a expansão
multimilenar da criatura de Deus que, por força da Lei Divina, deve merecer,
com o trabalho de si mesma, a auréola da imortalidade em pleno Céu.
Pedro Leopoldo, 26/1/58.



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