quarta-feira, 15 de maio de 2013

Isabel, a princesa que amou o Brasil


 Isabel, a princesa que amou o Brasil




O jornal  O Imortal, no mês de abril de 1988, publicou entrevista de Marcelo Borela de Oliveira com a médium Irene Carvalho, de Brasília, a qual informou que a Princesa Isabel comunicava-se como uma preta-velha, a Mãe Isabel, e que seu trabalho pela libertação dos escravos foi a mais alta missão que desempenhou durante a Coroa.

Na entrevista, a médium informa que, segundo Mãe Isabel, não somente no Brasil, como também em outros países, a raça negra iria se destacar, o que, efetivamente, tem acontecido. Informa também que reencarnado em corpo de cor negra, um Espírito de grande força moral e de persuasão subiria ao poder. (Teria sido o Barack Obama?)

Segundo Irene Carvalho, a Mãe Isabel – que preferia se apresentar como uma preta-velha e não como a Princesa Isabel – informou, em comunicação, que ainda ouvia o clamor do negro escravo que mesmo depois de liberto chorava suas dores, sem ter para onde ir. E que ao assinar a Lei Áurea a sua mão foi conduzida por outra mão mais forte. Uma enorme força brotou dentro dela e, mesmo que quisesse, não poderia retroceder. Foi um momento de enorme emoção, e ela chorou.

O Espírito de Isabel e a missão de extinguir a escravatura

Isabel Cristina Leopoldina Augusta Miguela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon, que ficaria conhecida pelos brasileiros como a Princesa Isabel, nasceu no Paço de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, no dia 29 de julho de 1846, às 18 horas e 26 minutos. Segundo Humberto de Campos, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier no livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho (FEB), ela, filha do Imperador Dom Pedro II e da Imperatriz Tereza Cristina, veio ao planeta em atendimento a um pedido seu ao Plano Espiritual para reencarnar e, assim, colaborar para a emancipação dos escravos, na condição de filha do Imperador.

Por quase quatro décadas, de 1851 a 1889, ela foi a legítima herdeira constitucional do trono brasileiro e entre os anos de 1871 e 1888, num total de três anos e meio, Isabel foi a governante brasileira, preenchendo, conforme a Constituição de 1824, a ausência do Imperador Dom Pedro II em suas viagens ao estrangeiro. Casada com Luís Gastão de Orléans, o Conde d’Eu, um príncipe francês, ela assinou em 28 de setembro de 1871 a Lei do Ventre Livre, que decretava livres os filhos de mulher escrava nascidos a partir daquela data. Em 28 de setembro de 1885 assinou a Lei dos Sexagenários, que libertava os escravos de mais de sessenta anos. E em 13 de maio de 1888 assinou a Lei
Áurea, abolindo a escravidão, que tinha apenas dois dispositivos: o primeiro declara extinta a escravidão no Brasil. E o segundo revoga disposições em contrário.

Repercussão espiritual do ato que extinguiu a escravidão

O livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, registra:

“As falanges de Ismael contavam com colaboradores decididos no movimento libertador, quais Castro Alves, Rio Branco e Patrocínio. A própria princesa Isabel, cujas tradições de nobreza e bondade jamais serão esquecidas no coração do Brasil, viera ao mundo com sua tarefa definida, no trabalho abençoado da abolição.

“(...) Mas Ismael articula do Alto os elementos necessários à grande vitória. O generoso Imperador é afastado do trono, nos primeiros meses de 1888, sob a influência dos mentores invisíveis da Pátria, voltando a Regência à princesa Isabel, que já havia sancionado a lei benéfica em 1871.

“(...) A 13 de maio de 1888 é apresentada à regente a proposta de lei para imediata extinção do cativeiro, lei que D. Isabel, cercada de entidades angélicas e misericordiosas, sanciona sem hesitar, com a nobre serenidade do seu coração de mulher. Nesse dia inesquecível, toda uma onda de clarinadas compassivas descia dos céus sobre as vastidões do Norte e do Sul da Pátria do Evangelho. Ao Rio de Janeiro acorriam multidões de seres invisíveis, que se associaram às grandiosas solenidades da abolição. Junto do espírito magnânimo da princesa, permanece Ismael com a bênção de sua generosa e tocante alegria. Foi por isso que Patrocínio, no arrebatamento de júbilo, se arrastou de joelhos até os pés da princesa, piedosa e cristã. Por toda parte, espalharam-se alegrias contagiosas e comunicativas esperanças.”

No livro Lázaro Redivivo (FEB), o Irmão X (Humberto de Campos), pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, fala-nos sobre a continuidade do trabalho da Princesa Isabel (e dos abolicionistas) após a sua desencarnação, em 14 de novembro de 1921, em Paris. “Supõe você que a Abolição terminou em 13 de maio de 1888? A grande revolução da Princesa Admirável atingiu os ‘escravos físicos’, continuando-se aqui o serviço de libertação dos ‘cativos espirituais’. José do Patrocínio e Luís Gama, Antônio Bento e Castro Alves, André Rebouças e Joaquim Nabuco prosseguem na jornada redentora. A Princesa Isabel não considera o movimento terminado e continua, também, servindo à grande causa, desatando os grilhões da ignorância e acendendo novas luzes na esfera a que você chegará em futuro próximo.”

Perfil de Princesa Isabel, uma mulher piedosa e cristã

O fascículo 36 - Grandes personagens da nossa História (Princesa Isabel), da Abril Cultural, registra o perfil da Princesa Isabel:

“Vestido de chamalote branco bordado, manto de seda verde pendente da cintura, de joelhos diante do trono, a mão direita sobre os Evangelhos (...)

“Baixa, cabelos encaracolados, olhos azuis, rosto redondo, boca pequena, estava sentada na cadeira de alto espaldar. Diante de si a mesa de pastas, papéis, o tinteiro de bronze, as penas de ganso, a caixinha com areia usada para absorver o excesso de tinta. Com letra firme descrevia ao seu pai seu primeiro dia de regência: (...)

A Princesa foi muito além do simples ato de assinar as Lei do Ventre Livre, Lei dos Sexagenários e Lei Áurea. É o que fica-se sabendo pela reportagem de Priscilla Leal (O lado rebelde da Princesa Isabel), na revista Nossa História, de maio de 2006, a qual diz que carta inédita, pinçada do acervo de 3 mil documentos do Memorial Visconde de Mauá, revela que a Princesa defendia a indenização de ex-escravos, a reforma agrária e o voto feminino.


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