quinta-feira, 17 de maio de 2012

TEMPO DE VIVER

TEMPO DE VIVER
Irmão Saulo
Desde que o homem começou a pensar, a tomar consciência de si mesmo e do mundo, o problema do tempo o
preocupou. Muitos equacionaram esse problema, mas ninguém o resolveu. O primeiro aforismo de Hipócrates
aparece em latim na forma clássica de Ars longa, vita brevis que Camões repete neste verso: “Para tão curta vida,
tão longa arte!” O simpósio espírita semanal de Uberaba teria também de enfrentar esse problema, mas agora
dispondo da solução espírita.
O Eclesiastes afirma que Deus fez tempo para tudo. Em A Gênese de Allan Kardec, temos uma definição do
tempo que nos mostra a sua relatividade. Esta concepção da relatividade do tempo se acentua na doutrina das
vidas sucessivas, das existências palingenésicas que são solidárias entre si. Para cada existência, um determinado
tempo – o tempo necessário à execução das tarefas que o espírito traz como sua incumbência inalienável na
reencarnação.
Assim, o aforismo Ars longa, vita brevis corresponde apenas a uma visão limitada das coisas. Deus nos concede
tempo para tudo, mas não nos exíguos limites de uma encarnação. Camões via a extensão infinita da arte, em que
poderia criar sem cessar, mas se angustiava com o tempo exíguo de que dispunha. Não obstante, além dos limites
existenciais ele poderia dispor do ilimitado da vida que se amplia na duração em termos de imortalidade. Assim
como o dia é curto para a execução de um trabalho, mas podemos prolongá-la com o dia seguinte, assim
acontece na sucessão das encarnações.
As Filosofias da Existência nos reclamam atenção para o aqui e o agora, mas o existencialismo espírita,
valorizando essas categorias no momento que passa, não se esquece de que já dispusemos do ontem e
disporemos do amanhã. No tempo anterior, no ontem, condicionamos o aqui e o agora à execução de
determinadas tarefas e Deus nos concede hoje o tempo para isso. Se aproveitarmos bem o tempo concedido, ele
não nos parecerá insuficiente. Se o esbanjarmos condicionaremos o amanhã a novas angústias de tempo.
É assim que podemos entender os versos finais de Luciano dos Reis: Deus dá tempo igual a todos não
menospreza ninguém. Reclamamos do tempo o que devíamos reclamar de nós mesmos, pois o que nos falta
neste momento corresponde exatamente ao que esperdiçamos ainda há pouco. Se aproveitarmos com inteligência
e cuidado cada minuto que passa, veremos que Deus nos concedeu tempo para tudo o que temos realmente de
fazer nesta vida.
Do livro "Astronautas do Além", de Francisco Cândido Xavier e J.Herculano Pires - Espíritos diversos

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