domingo, 27 de maio de 2012

Assim Caminha a Humanidade


                    Assim Caminha a Humanidade
 

O ponto inicial da humanidade se perde na noite dos tempos, nas eras remotas da pré-história quando os primeiros primatas deixaram o habitat seguro das árvores em troca do caminhar bípede. Caminhar que os levou os mais diferentes pontos da terra e através dos milênios lhes proporcionou a capacidade de usar os braços no manejo de ferramentas cada vez mais sofisticadas.


Neste lento caminho de evolução, dos quais os registros arqueológicos nos dão o testemunho, o despertar da espiritualidade pode ser datado das primeiras manifestações de pensamento abstrato. Destas primeiras manifestações restam as figuras esculpidas da idade da pedra e as pinturas em cavernas que hoje assombram os visitantes em Lacaux e Altamira entre outras.

E com o despertar da espiritualidade vieram as cerimônias fúnebres, características do homem moderno com certeza absoluta e do homem de neanderthal com grande possibilidade. Estas cerimônias começaram com a disposição dos cadáveres em um local especial e aos poucos ganharam complementos, como adereços e objetos adicionados ao local do enterro, desenvolvendo-se finalmente até os megalíticos e dolmens das civilizações esquecidas dos últimos milênios antes da escrita.


Quando surge a escrita, são civilizações já em pleno desenvolvimento que se apresentam aos olhos do historiador, com um pensamento religioso bastante complexo. Por exemplo, na Mesopotâmia e no Egito, que são as que temos melhores testemunhos. Outro exemplo, do qual nos restaram imponentes ruínas e tradições orais antiquíssimas, é a civilização do Vale do Indo.


Seguindo-se o desenvolvimento destas civilizações primitivas se encontram os primórdios do monoteísmo entre os semitas, as doutrinas esotéricas no Egito Antigo e a extraordinária filosofia dos Vedas na Índia.


E a adolescência da humanidade começa a se formar a partir do segundo milênio antes de Cristo. Talvez seu inicio possa ser datado do reinado de Akhenaton, o faraó que passou a história por trazer a primeira grande revolução religiosa de que se tem noticia, ao buscar estabelecer o culto de um Deus único em uma civilização politeísta. Talvez, poucos séculos depois, no momento em que Moisés apresentou ao povo de Israel as tábuas com as leis de Deus, que consagraram o "Não Matarás" como um dos principais deveres morais da humanidade.


Outro momento que poderia talvez datar a idade em que a humanidade sai de sua infância é a iluminação de Sidharta Gautama, que após uma sacrificada busca encontrou a solução para o problema do sofrimento humano. Solução que se baseia na compreensão da transformação permanente do universo e na necessidade de uma conduta ética sólida. Conduta cuja base é a compaixão por todos os seres sencientes - que sentem e sofrem - e o respeito profundo por todas as formas de vida.


Mas se nenhum destes momentos for escolhido há um outro, que com certeza absoluta, fecha este período de transição. É o instante em que um homem de origens humildes, de um pequeno vilarejo tão pobre que praticamente não deixou restos para a posteridade e que nem aparece nas listas de cidades de seu tempo, diante da multidão de famintos e desfavorecidos da sorte proclama "Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o reino dos Céus". E neste mesmo dia, diante da mesma assembleia de pequeninos da Terra, ele ensina a começar a oração chamando a Causa Primeira de todas as coisas de "Pai Nosso".


De lá para cá se passaram dois milênios e chegamos ao ponto em que estamos passando da adolescência para a maturidade. Começamos esta nova passagem possivelmente no Século das Luzes, em que a ciência se tornou a senhora das mentes e corações ocidentais, que a propagariam pelo restante das terras atingidas por suas embarcações de comércio e de guerra. Já estávamos nela - chegados os tempos anunciados por Jesus - quando os Espíritos mobilizaram-se para chamar a atenção do homem aos fenômenos mediúnicos e, com a diligência de Kardec, legaram a humanidade a Doutrina dos Espíritos.


E no século XX vivemos as crises desta passagem, em que a humanidade indecisa entre as ilusões da juventude e as obrigações da maturidade, lançou-se indecisa nos braços do materialismo, com a busca desenfreada do bem-estar material a qualquer preço.


Agora no XXI estamos diante do desafio de ir adiante. E para irmos adiante necessitamos nos libertar do fardo que o materialismo tem imposto a toda sociedade. O mundo material não é um fim por si mesmo, é apenas meio para o desenvolvimento das possibilidades do espírito, e a vida material é o instrumento didático por excelência. Somos alunos de uma mesma escola e a solidariedade deve sobrepor-se a competição e ao egoísmo. Os problemas econômicos e sociais só tomaram o vulto que tem hoje porque foram erroneamente colocados em primeiro lugar sobre a dignidade do ser humano, sobre a possibilidade gigantesca que temos de encontrar soluções para os problemas mais difíceis, quando deixamos de lado os interesses mesquinhos e praticamos o "amar a Deus sobre todas as coisas e ao Próximo como a nós mesmos".


Viver bem, construir sociedades economicamente prósperas, progredir a ciência material, são bens inestimáveis, mas se voltam contra o próprio homem quando levados a seu extremo em detrimento das necessidades do espírito imortal. E nada representa melhor isso do que o homem contemporâneo saturado de produtos químicos necessários a manter seu organismo em funcionamento diante do stress de uma vida agitada, agitada devido à necessidade de se desdobrar para auferir os rendimentos necessários para custear uma infinidade de pequenos prazeres transitórios. E a cada prazer transitório conquistado, em vez da satisfação encontra o homem o desencanto e a frustração daquilo não durar mais. E outro exemplo é a juventude que se interna nos "barzinhos" da vida para consumir álcool sem moderação, quando não cai vitima das drogas.


E é este homem contemporâneo, ainda na fase de crises de final de juventude da humanidade, que recusando-se a reconhecer as limitações de seu modelo materialista de vida, quer avançar sobre os poucos terrenos ainda sagrados. Fala-se no aborto eugênico, na eutanásia "piedosa", na pena de morte e no suicídio assistido.


Tudo isto passará a medida que a humanidade amadurecer e o papel do Espiritismo é ajudar nesta transição. E nada mais eficaz do que mostrar de forma convincente a realidade da vida do espírito. E mostrar que toda esta caminhada da humanidade, desde os tempos pré-históricos mais longínquos, aos dias de hoje, segue uma grande linha mestra que é o desenvolvimento do homem. Do pensamento abstrato aos cultos primitivos, dos cultos primitivos as grandes religiões, das grandes religiões ao uso individual da razão, do uso individual da razão ao ser ético e espiritualizado do porvir.


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