quarta-feira, 16 de maio de 2012

Francisco Cândido Xavier - Evolução em Dois Mundos -

Evolução e corpo espiritual
Primórdios da vida
Procurando fixar idéias seguras acerca do corpo espiritual, será
preciso remontarmos, de algum modo, aos primórdios da vida
na Terra, quando mal cessavam as convulsões telúricas, pelas
quais os Ministros Angélicos da Sabedoria Divina, com a supervisão
do Cristo de Deus, lançaram os fundamentos da vida no corpo
ciclópico do Planeta.
A matéria elementar, de que o eletrão é um dos corpúsculos base 5,
na faixa de experiência evolutiva sob nossa análise, acumulada
sobre si mesma, ao sopro criador da Eterna Inteligência, dera
nascimento à província terrestre, no Estado Solar a que pertencemos,
cujos fenômenos de formação original não conseguimos por
agora abordar em sua mais íntima estrutura.
A imensa fornalha atômica estava habilitada a receber as sementes
da vida e, sob o impulso dos Gênios Construtores, que
operavam no orbe nascituro, vemos o seio da Terra recoberto de
mares mornos, invadido por gigantesca massa viscosa a espraiarse
no colo da paisagem primitiva.
Dessa geléia cósmica verte o princípio inteligente, em suas
primeiras manifestações...
Trabalhadas, no transcurso de milênios, pelos operários espirituais
que lhes magnetizam os valores, permutando-os entre si,
sob a ação do calor interno e do frio exterior, as mônadas celestes
exprimem-se no mundo através da rede filamentosa do protoplasma
de que se lhes derivaria a existência organizada no Globo
constituído.
 Na Esfera Espiritual, em que estagiamos, o eletrão é também partícula
atômica dissociável. (Nota do Autor espiritual)Séculos de atividade silenciosa perpassam, sucessivos...
Nascimento do reino vegetal
Aparecem os vírus e, com eles, surge o campo primacial da
existência, formado por nucleoproteínas e globulinas, oferecendo
clima adequado aos princípios inteligentes ou mônadas fundamentais,
que se destacam da substância viva, por centros microscópicos
de força positiva, estimulando a divisão cariocinética.
Evidenciam-se, desde então, as bactérias rudimentares, cujas
espécies se perderam nos alicerces profundos da evolução, lavrando
os minerais na construção do solo, dividindo-se por raças
e grupos numerosos, plasmando, pela reprodução assexuada, as
células primevas, que se responsabilizariam pelas eclosões do
reino vegetal em seu início.
Milênios e milênios chegam e passam...
Formação das algas
Sustentado pelos recursos da vida que na bactéria e na célula
se constituem do líquido protoplásmico, o princípio inteligente
nutre-se agora na clorofila, que revela um átomo de magnésio em
cada molécula, precedendo a constituição do sangue de que se
alimentará no reino animal.
O tempo age sem pressa, em vagarosa movimentação no berço
da Humanidade, e aparecem as algas nadadoras, quase invisíveis,
com as suas caudas flexuosas, circulando no corpo das águas,
vestidas em membranas celulósicas, e mantendo-se à custa
de resíduos minerais, dotadas de extrema motilidade e sensibilidade,
como formas monocelulares em que a mônada já evoluída
se ergue a estágio superior.
Todavia, são plantas ainda e que até hoje persistem na Terra,
como filtros de evolução primária dos princípios inteligentes em constante expansão, mas plantas superevolvidas nos domínios da
sensação e do instinto embrionário, guardando o magnésio da
clorofila como atestado da espécie.
Sucedendo-as, por ordem, emergem as algas verdes de feição
pluricelular, com novo núcleo a salientar-se, inaugurando a reprodução
sexuada e estabelecendo vigorosos embates nos quais a
morte comparece, na esfera de luta, provocando metamorfoses
contínuas, que perdurarão, no decurso das eras, em dinamismo
profundo, mantendo a edificação das formas do porvir.
Dos artrópodos aos dromatérios e anfitérios
Mais tarde, assinalamos o ingresso da mônada, a que nos referimos,
nos domínios dos artrópodos, de exosqueleto quitinoso,
cujo sangue diferenciado acusa um átomo de cobre em sua estrutura
molecular, para, em seguida, surpreendê-la, guindada à condição
de crisálida da consciência, no reino dos animais superiores,
em cujo sangue – condensação das forças que alimentam o veículo
da inteligência no império da alma – detém a hemoglobina por
pigmento básico, demonstrando o parentesco inalienável das
individuações do Espírito, nas mutações da forma que atende ao
progresso incessante da Criação Divina.
Das cristalizações atômicas e dos minerais, dos vírus e do
protoplasma, das bactérias e das amebas, das algas e dos vegetais
do período pré-câmbrico aos fetos e às licopodiáceas, aos trilobites
e cistídeos aos cefalópodes, foraminíferos e radiolários dos
terrenos silurianos, o princípio espiritual atingiu espongiários e
celenterados da era paleozóica, esboçando a estrutura esquelética.
Avançando pelos equinodermos e crustáceos, entre os quais
ensaiou, durante milênios, o sistema vascular e o sistema nervoso,
caminhou na direção dos ganóides e teleósteos, arquegossauros e
labirintodontes para culminar nos grandes lacertinos e nas aves
estranhas, descendentes dos pterossáurios, no jurássico superior,chegando à época supracretácea para entrar na classe dos primeiros
mamíferos, procedentes dos répteis teromorfos.
Viajando sempre, adquire entre os dromatérios e anfitérios os
rudimentos das reações psicológicas superiores, incorporando as
conquistas do instinto e da inteligência.
Faixas inaugurais da razão
Estagiando nos marsupiais e cretáceos do oceano médio, nos
rinocerotídeos, cervídeos, antilopídeos, eqüídeos, canídeos, proboscídeos
e antropóides inferiores do mioceno e exteriorizando-se
nos mamíferos mais nobres do plioceno, incorpora aquisições de
importância entre os megatérios e mamutes, precursores da fauna
atual da Terra, e, alcançando os pitecantropóides da era quaternária,
que antecederam as embrionárias civilizações paleolíticas, a
mônada vertida do Plano Espiritual sobre o Plano Físico 6 atravessou
os mais rudes crivos da adaptação e seleção, assimilando os
valores múltiplos da organização, da reprodução, da memória, do
instinto, da sensibilidade, da percepção e da preservação própria,
penetrando, assim, pelas vias da inteligência mais completa e
laboriosamente adquirida, nas faixas inaugurais da razão.
Elos desconhecidos da evolução
Compreendendo-se, porém, que o princípio divino aportou na
Terra, emanando da Esfera Espiritual, trazendo em seu mecanismo
o arquétipo a que se destina, qual a bolota de carvalho encerrando
em si a árvore veneranda que será de futuro, não podemos
circunscrever-lhe a experiência ao plano físico simplesmente
6 As expressões “Plano Físico” e “Plano Extrafísico”, largamente usadas
nestas páginas, foram utilizadas por nós, à falta de termos mais precisos
que designem as esferas de evolução para os Espíritos encarnados e
desencarnados, pertencentes ao “habitat” planetário. (Nota do Autor
espiritual)

considerado, porquanto, através do nascimento e morte da forma,
sofre constantes modificações nos dois planos em que se manifesta,
razão pela qual variados elos da evolução fogem à pesquisa
dos naturalistas, por representarem estágios da consciência fragmentária
fora do campo carnal propriamente dito, nas regiões
extrafísicas, em que essa mesma consciência incompleta prossegue
elaborando o seu veículo sutil, então classificado como protoforma
humana, correspondente ao grau evolutivo em que se encontra.
Evolução no tempo
É assim que dos organismos monocelulares aos organismos
complexos, em que a inteligência disciplina as células, colocandoas
a seu serviço, o ser viaja no rumo da elevada destinação que lhe
foi traçada do Plano Superior, tecendo com os fios da experiência
a túnica da própria exteriorização, segundo o molde mental que
traz consigo, dentro das leis de ação, reação e renovação em que
mecaniza as próprias aquisições, desde o estímulo nervoso à
defensiva imunológica, construindo o centro coronário, no próprio
cérebro, através da reflexão automática de sensações e impressões
em milhões e milhões de anos, pelo qual, com o auxílio das Potências
Sublimes que lhe orientam a marcha, configura os demais
centros energéticos do mundo íntimo, fixando-os na tessitura da
própria alma.
Contudo, para alcançar a idade da razão, com o título de homem,
dotado de raciocínio e discernimento, o ser, automatizado
em seus impulsos, na romagem para o reino angélico, despendeu
para chegar aos primórdios da época quaternária, em que a civilização
elementar do sílex denuncia algum primor de técnica, nada
menos de um bilhão e meio de anos. Isso é perfeitamente verificável
na desintegração natural de certos elementos radioativos na
massa geológica do Globo. E entendendo-se que a civilização
aludida floresceu há mais ou menos duzentos mil anos, preparando
o homem, com a bênção do Cristo, para a responsabilidade,
somos induzidos a reconhecer o caráter recente dos conhecimentos
psicológicos, destinados a automatizar na constituição fisiopsicossomática
do espírito humano as aquisições morais que lhe
habilitarão a consciência terrestre a mais amplo degrau de ascensão
à Consciência Cósmica.

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