terça-feira, 22 de maio de 2012

DESOBSESSÃO


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LEITURA PREPARATÓRIA


          A leitura preparatória, que não ultrapassa­rá o tempo-limite de 15 minutos, constituir-se-á, preferentemente, de um dos itens de «O Evan­gelho segundo o Espiritismo», seguindo-se-lhe uma das questões de «O Livro dos Espíritos», com um trecho de um dos livros de comentários evangélicos, em torno da obra de Allan Kardec.
          Efetuada a leitura, o dirigente retirará os livros de sobre a mesa, situando-os em lugar próprio.
          O contacto com o ensino espírita, antes do intercâmbio com os irmãos desencarnados, ain­da sofredores, dispõe o ambiente à edificação moral, favorecendo a integração vibratória do grupo para o socorro fraterno a ser desenvol­vido.
          O conjunto evitará entretecer comentários ao redor dos temas expostos, atento que precisa estar em uníssono, à recepção das entidades enfermas em expectativa, quase sempre aguar­dando alívio com angustiosa ansiedade.
          Repitamos, assim: o dirigente providencia­rá a leitura, aproximadamente quinze minutos antes do momento marcado para o início do in­tercâmbio, pronunciando a prece de abertura, depois de lida a página última, com o que se ini­ciarão, para logo, as tarefas programadas.


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PRECE INICIAL

          Sobrevindo o momento exato em que a reu­nião terá começo, o orientador diminuirá o teor da iluminação e tomará a palavra, formulando a prece inicial.
          Cogitará, porém, de ser preciso, não se alon­gando além de dois minutos.
          Há quem prefira a oração decorada; toda­via, é aconselhável que o dirigente ore com suas próprias palavras, envolvendo a equipe nos sen­timentos que lhe fluem da alma.
          A prece, nessas circunstâncias, pede o mí­nimo de tempo, de vez que há entidades em agoniada espera de socorro, à feição do doente de­sesperado, reclamando medicação substancial. Em diversas circunstâncias, acham-se ligadas desde muitas horas antes à mente do médium psicofônico, alterando-lhe o psiquismo e até mes­mo a vida orgânica, motivo pelo qual o socorro direto não deve sofrer dilação.


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MANIFESTAÇÃO INICIAL DO MENTOR

          Feita a oração inicial, o dirigente e a equi­pe mediúnica esperarão que o mentor espiritual do grupo se manifeste pelo médium psicofônico indicado.
          Essa medida é necessária, porqüanto exis­tem situações e problemas, estritamente relacionados com a ordem doutrinária do serviço, ape­nas visíveis a ele, e o amigo espiritual, na con­dição de condutor do agrupamento, perante a Vida Maior, precisará dirigir-se ao conjunto, lembrando minudências e respondendo a algu­ma consulta ocasional que o dirigente lhe quei­ra fazer, transmitindo algum aviso ou propon­do determinadas medidas.
          Esse entendimento, no limiar do programa de trabalho a executar-se, é indispensável à harmonização dos agentes e fatores de serviço, ainda mesmo que o mentor se utilize do medianeiro tão-só para uma simples oração que, evidente­mente, significará tranqüilidade em todos os se­tores da instrumentação.



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CONSULTAS AO MENTOR


          Começada a reunião, o dirigente, por vezes, tem necessidade de ouvir o mentor espiritual para o exame de assuntos determinados.
          Freqüentemente, é um amigo que deseja acesso à reunião e que não pode ser acolhido sem a consulta necessária; de outras, é a locali­zação mais aconselhável para as visitas que venham a ocorrer, é a ministração de socorro medicamentoso ou magnético a esse ou àquele companheiro que se mostre subitamente necessi­tado de assistência, é a pergunta inevitável e justa em derredor de problemas que sobrevenham no mecanismo da equipe, ou o pedido de coope­ração em casos imprevisíveis.
          Nessas circunstâncias, o dirigente esperará que o mentor finalize a pequena instrução de início, através do médium responsável, e formu­lará as indagações que considere inevitáveis e oportunas.


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MANIFESTAÇÃO DE ENFERMO ESPIRITUAL (1)

          As manifestações de enfermos espirituais irão até o limite de uma hora a uma hora e meia, na totalidade delas, para que a reunião perdure no máximo por duas horas, excluída a leitura inicial.
          O Espírito desencarnado em condição de desequilíbrio e sofrimento utiliza o médium psicofônico (ou mais propriamente, o médium de incorporação), com as deficiências e angústias de que é portador, exigindo a conjugação de bon­dade e segurança, humildade e vigilância no companheiro que lhe dirige a palavra.
          Natural venhamos a compreender no visi­tante dessa qualidade um doente, para quem cada frase precisa ser medicamento e bálsamo. Claro que não será possível concordar com to­das as exigências que formule; no entanto, não é justo reclamar-lhe entendimento normal de que se acha ainda talvez longe de possuir.
          Entendamos cada Espírito sofredor qual se nos fosse um familiar extremamente querido, e acertaremos com a porta íntima, através da qual lhe falaremos ao coração.
          Neste e nos próximos capítulos são indica­das algumas atitudes naturais dos médiuns psicofônicos em transe.


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MANIFESTAÇÃO DE ENFERMO ESPIRITUAL (2)

          Os médiuns esclarecedores, pelo que ouçam do manifestante necessitado, deduzam qual o sexo a que ele tenha pertencido, para que a con­versação elucidativa se efetue na linha psicoló­gica ideal; analisem, sem espírito de censura ou de escândalo, os problemas de animismo ou mis­tificação inconsciente que porventura venham a surgir, realizando o possível para esclarecer, com paciência e caridade, os médiuns e os desen­carnados envolvidos nesses processos de mani­festações obscuras, agindo na equipe com o sen­so de quem retira criteriosamente um desajus­te do corpo sem comprometer as demais peças orgânicas; anulem qualquer intento de discus­são ou desafio com entidades comunicantes, dan­do mesmo razão, algumas vezes, aos Espíritos infelizes e obsessores, reconhecendo que nem sempre a desobsessão real consiste em desfazer o processo obsessivo, de imediato, de vez que, em casos diversos, a separação de obsidiado e obsessor deve ser praticada lentamente; e pra­tiquem a hipnose construtiva, quando necessá­rio, no ânimo dos Espíritos sofredores comuni­cantes, quer usando a sonoterapia para entregá­-los à direção e ao tratamento dos instrutores espirituais presentes, efetuando a projeção de quadros mentais proveitosos ao esclarecimento, improvisando idéias providenciais do ponto de vista de reeducação, quer sugerindo a produção e ministração de medicamentos ou recursos de contenção em favor dos desencarnados que se mostrem menos acessíveis à enfermagem do grupo.


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MANIFESTAÇÃO DE ENFERMO ESPIRITUAL (3)

          No curso do trabalho mediúnico, os escla­recedores não devem constranger os médiuns psicofônicos a receberem os desencarnados pre­sentes, repetindo ordens e sugestões nesse sen­tido, atentos ao preceito de espontaneidade, fa­tor essencial ao êxito do intercâmbio.
          Os esclarecedores permitirão aos Espíritos sofredores que se exprimam pelos médiuns psicofônicos tanto quanto possível, em matéria de desinibição ou desabafo, desde que a integrida­de dos médiuns e a dignidade do recinto sejam respeitadas, considerando, porém, que as manifestações devem obedecer às disciplinas de tempo.
          Os médiuns, sejam eles esclarecedores ou psicofônicos, sustentarão o máximo cuidado para não prejudicarem as atividades espirituais que lhes competem. Alimentando dúvidas e atitudes suspeitosas, inconciliáveis com a obra de carida­de que se dispõem a prestar, muitas vezes põem a perder excelentes serviços de desobsessão, por favorecerem a intromissão de Inteligências perversas.
          Os médiuns de qualquer grupo de desobses­são, como aliás acontece a todo espírita, são chamados a honrar sempre e cada vez mais as obrigações de família e profissão, abstendo-se de todas as manifestações e atitudes suscetíveis de induzi-los a cair em profissionalismo religioso.
          Compreendam os dirigentes e seus assesso­res que o esclarecimento aos desencarnados sofredores é semelhante à psicoterapia e que a reunião é tratamento em grupo, cabendo-lhes, quando e quanto possível, a aplicação dos méto­dos evangélicos. Observando, ainda, que a parte essencial no entendimento é atingir o centro de interesse do Espírito preso a idéias fixas, para que se lhes descongestione o campo mental, de­vem abster-se, desse modo, de qualquer discur­so ou divagação desnecessária.


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MANIFESTAÇÃO DE ENFERMO ESPIRITUAL (4)

          Convém observar que há médiuns psicofô­nicos para quem os Amigos Espirituais desig­nam determinados tipos de manifestantes que lhes correspondam às tendências, caracteres, for­mação moral e cultural, especializando-lhes as possibilidades mediúnicas.
          Urge não confundir esse imperativo do tra­balho de intercâmbio com o chamado animismo ou supostas mistificações inconscientes.


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MANIFESTAÇÃO DE ENFERMO ESPIRITUAL (5)

          Os médiuns esclarecedores permanecerão atentos aos característicos dos manifestantes em desequilíbrio, de vez que entre estes se en­contram, freqüentemente, sofredores que com­parecem pela primeira vez, bem como os rein­cidentes sistemáticos, os companheiros infelizes do pretérito alusivo aos integrantes da reunião e recém-desencarnados em desorientação franca, os suicidas e homicidas, os casos de zoantropia e de loucura, os malfeitores trazidos à desobses­são para corrigendas e os irmãos tocados de exo­tismos por terem desencarnado recentemente em terras estrangeiras, as inteligências detidas no sarcasmo e na galhofa, os vampirizadores conscientes e inconscientes interessados na ocul­tação da verdade, e toda uma extensa família de Espíritos necessitados, nos vários graus de sombra e sofrimento que assinalam a escala da ignorância e da crueldade.
          Imperioso observar que todos são carece-dores de compreensão e tratamento adequados, cada qual na dor ou no problema em que se ex­primem, exigindo paciência, entendimento, so­corro e devotamento fraternais.
          Desobsessão não se realiza sem a luz do ra­ciocínio, mas não atinge os fins a que se propõe, sem as fontes profundas do sentimento.


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ESCLARECIMENTO

          O dirigente do grupo, que contará habitual­mente com dois ou três assessores em exercício para o trabalho do esclarecimento e do amparo reeducativo aos sofredores desencarnados, assumirá o comando da palavra, seja falando dire­tamente com os irmãos menos felizes, através dos médiuns psicofônicos, seja indicando para isso um dos auxiliares.
          A conversação será vazada em termos cla­ros e lógicos, mas na base da edificação, sem qualquer toque de impaciência ou desapreço ao comunicante, mesmo que haja motivos de indu­ção ao azedume ou à hilaridade. O esclarecimen­to não será, todavia, longo em demasia, compreendendo-se que há determinações de horário e que outros casos requisitam atendimento. A pa­lestra reeducativa, ressalvadas as situações ex­cepcionais, não perdurará, assim, além de dez minutos.
          Se o comunicante perturbado procura fi­xar-se no braseiro da revolta ou na sombra da queixa, indiferente ou recalcitrante, o diretor ou o auxiliar em serviço solicitará a cooperação dos benfeitores espirituais presentes para que o necessitado rebelde seja confiado à assistência de organizações espirituais adequadas a isso. Nesse caso, a hipnose benéfica será utilizada a fim de que o magnetismo balsamizante assere­ne o companheiro perturbado, amparando-se-lhe o afastamento da cela mediúnica, à maneira do enfermo desesperado da Terra a quem se admi­nistra a dose calmante para que se ponha mais facilmente sob o tratamento preciso.


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COOPERAÇÃO MENTAL

          Enquanto persista o esclarecimento endere­çado ao sofredor desencarnado, é imperioso que os assistentes se mantenham em harmoniosa união de pensamentos, oferecendo base às af ir­mativas do dirigente ou do assessor que retenha eventualmente a palavra.
          Não lhes perpasse qualquer idéia de cen­sura ou de crueldade, ironia ou escândalo.
          Tanto o amigo que orienta o irmão infortu­nado quanto os companheiros que o escutam abrigarão na alma a simpatia e a solidariedade, como se estivessem socorrendo um parente dos mais queridos, para que o necessitado encontre apoio real no socorro que lhe seja ministrado.
          Forçoso compreender que, de outro modo, o serviço assistencial enfrentaria perturbações ine­vitáveis, pela ausência do concurso mental im­prescindível.
          O dirigente assumirá a iniciativa de qual­quer apelo à cooperação mental, no momento em que a providência se mostre precisa, e ativará o ânimo dos companheiros que, porventura, se revelem desatentos ou entorpecidos, desde que o conjunto em ação é comparável a um dínamo em cujas engrenagens a corrente mental do am­paro fraterno necessita circular equilibradamen te na prestàção de serviço.


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MANIFESTAÇÕES SIMULTÂNEAS (1)

Os médiuns psicofônicos, muito embora por vezes se vejam pressionados por entidades em aflição, cujas dores ignoradas lhes percutem nas fibras mais íntimas, educar-se-ão, devidamente, para só oferecer passividade ou campo de ma­nifestação aos desencarnados inquietos quando o clima da reunião lhes permita o concurso na equipe em atividade. Isso, porque, na reunião, é desaconselhável se verifique o esclarecimento si­multâneo a mais de duas entidades carecentes de auxílio, para que a ordem seja naturalmente assegurada.
Ainda quando o sensitivo tenha as suas faculdades assinaladas por avançado sonambu­lismo, deve e pode exercitar o autodomínio, afei­çoando-se à observação e ao estudo, a fim de colaborar na vigilância precisa, desincumbindo­-se, com segurança, do encargo da enfermagem espiritual que lhe é atribuído.


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MANIFESTAÇÕES SIMULTÂNEAS (2)

          Só se devem permitir, a cada médium, duas passividades por reunião, eliminando com isso maiores dispêndios de energia e manifestações sucessivas ou encadeadas, inconvenientes sob vários aspectos.
          Em todas as circunstâncias, o médium a serviço da desobsessão não se pode alhear da equipe em que funciona, conservando a convic­ção de que dentro dela assemelha-se a um órgão no corpo, e que precisa estar no lugar que lhe é próprio para que haja equilíbrio e produção no conjunto.


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INTERFERÊNCIA DO BENFEITOR

          Em algumas ocasiões, tarefa em meio, apa­rece um ou outro desencarnado em condições de quase absoluto empedernimento.
          Tal desequilíbrio da entidade pode coincidir com algum momento infeliz da mente mediúnica, estabelecendo desarmonia maior.
          O fenômeno é suscetivell de raiar na incon­veniência. Assim sendo, o mentor espiritual, se considerar oportuno, ocupará espontaneamente o médium responsável e partilhará o serviço do esclarecimento, dirigindo-se ao comunicante ou ao médium que o expõe, ficando, por outro lado, o dirigente com a possibilidade de recorrer à in­tervenção do orientador referido, se julgar ne­cessário, rogando-lhe a manifestação pelo psi­cofônico indicado, a fim de sanar o contratempo.


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ATITUDE DOS MÉDIUNS (1)

          O médium de incorporação, como também o médium esclarecedor, não podem esquecer, em circunstância alguma, que a entidade perturba­da se encontra, para eles, na situação de um doente ante o enfermeiro.
          No socorro espiritual, os benfeitores e ami­gos das Esferas Superiores, tanto quanto os companheiros encarnados, quais o diretor da reunião e seus assessores que manejam o ver­bo educativo, funcionam lembrando autoridades competentes no trabalho curativo, mas o médium é o enfermeiro convocado a controlar o doente, quanto lhe seja possível, impedindo a este último manifestações tumultuárias e palavras obscenas.
          O médium psicofônico deve preparar-se dig­namente para a função que exerce, reconhecendo que, não se acha dentro dela à maneira de fan­toche, manobrado integralmente ao sabor das Inteligências desencarnadas, mas sim na posi­ção de intérprete e enfermeiro, capaz de auxi­liar, até certo ponto, na contenção e na reeduca­ção dos Espíritos rebeldes que recalcitram no mal, a fim de que o dirigente se sinta fortaleci­do em sua ação edificante e para que a equipe demonstre o máximo de rendimento no traba­lho assistencial.


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ATITUDE DOS MÉDIUNS (2)

          Ainda mesmo quando o médium é absoluta­mente sonâmbulo, incapaz de guardar lembran­ças posteriores ao socorro efetuado, semidesli­gado de seus implementos físicos dispõe de recur­sos para governar os sentidos corpóreos de que o Espírito comunicante se utiliza, capacitando­-se, por isso, com o auxílio dos instrutores es­pirituais, a controlar devidamente as manifesta­ções.
          Não se diga que isso é impossível. Desobses­são é obra de reequilíbrio, refazimento, nunca de agitação e teatralidade.
          Nesse sentido, vale recordar que há médium de incorporação normal e médium de incorpora­ção ainda obsidiado. E sempre que o médium, dessa ou daquela espécie, se mostre obsidiado, necessita de socorro espiritual, através de esclarecimento, emparelhando-se com as entidades perturbadas carecentes de auxílio.
          Realmente, em casos determinados, o me­dianeiro da psicofonia não pode governar todos os impulsos destrambelhados da Inteligência de­sencarnada que se comunica na reunião, como nem sempre o enfermeiro logra impedir todas as extravagâncias da pessoa acamada; contu­do, mesmo nessas ocasiões especiais, o médium integrado em suas responsabilidades dispõe de recursos para cooperar no socorro espiritual em andamento, reduzindo as inconveniências ao mí­nimo.


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MAL-ESTAR IMPREVISTO DO MÉDIUM

          Todo serviço na Terra prevê a possibilidade de falhas compreensíveis.
          O automóvel, comumente, sofre perturba­ções em determinados implementos, a meio da viagem.
          Um tear interrompe a tecelagem pela exaus­tão de uma peça.
          Na desobsessão, o mal-estar é suscetível de sobrevir num médium ou num dos colaborado­res em ação, principalmente no que tange a uma crise orgânica francamente imprevista.
          Verificado o incidente, o companheiro ou a irmã necessitada de assistência permanecerá fora do círculo em atividade, recolhendo o ampa­ro espiritual do ambiente, quando o mal-estar não seja de molde a se lhe aconselhar o recolhi­mento imediato em casa.


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EDUCAÇÃO MEDIÚNICA (1)

          Evite o médium as posições de desmazelo na acomodação entre os companheiros, quando se ache sob a influência ou presença dos desencar­nados em desequilíbrio, e controle as expressões verbais, empenhando-se em cooperar na adminis­tração do benefício aos Espíritos sofredores, frustrando a produção de gritos e a enunciação de palavras torpes.
          Não olvidem os medianeiros que o recinto empregado nos serviços da desobsessão é com­parável à intimidade respeitável de um hospital.


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EDUCAÇÃO MEDIÚNICA (2)

          Os medianeiros psicofônicos nunca admi­tam tanto descontrole que cheguem ao ponto de derribar móveis ou quaisquer objetos, tumul­tuando o ambiente.
          Lembrem-se de que não se encontram à re­velia das manifestações menos felizes que ve­nham a ocorrer.
          Benfeitores desencarnados estão a postos, na reunião, sustentando a harmonia da casa, e resguardarão as forças de todos os médiuns em serviço para que se desincumbam com limpeza e dignidade das obrigações que lhes assistem.


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EDUCAÇÃO MEDIÚNICA (3)

          Atitude positivamente desaconselhável é a de permitir que comunicantes enfermos ensaiem qualquer impulso de agressão.


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EDUCAÇÃO MEDIÚNICA (4)

          Dever inadiável impedir que os manifestan­tes doentes subvertam a ordem com pancadas e ruídos que os médiuns psicofônicos conseguem facilmente frustrar.


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EDUCAÇÃO MEDIÚNICA (5)

          Os médiuns psicofônicos evitem a. todo custo, em qualquer período da reunião, vergar a cabeça sobre os braços.
          Essa atitude favorece o sono, desarticula a cooperação mental e propicia ensejo a fácil hipnose por parte de enfermos desencarnados.


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INTERFERÊNCIA DE ENFERMO ESPIRITUAL

          No curso da manifestação de determinado Espírito menos feliz, é possível a interferên­cia de outra entidade desditosa ou perturbada que compareça, arrebatadamente, por intermé­dio desse ou daquele médium psicofônico ainda fracamente habilitado ao controle de si próprio.
          Em alguns lances da desobsessão, o Espí­rito que interfere chega mesmo a provocar elementos outros do conjunto, citando-os de forma nominal para que se estabeleçam conversações marginais sem nenhum interesse para o escla­recimento.
          O dirigente tomará providências imediatas para que se evite desarmonia ou tumulto, designando sem delonga o assessor que se incumbirá da necessária solução ao problema, a fim de que a interferência não degenere em perturbação, comprometendo a ordem e a segurança do esforço geral.


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RADIAÇÕES

          Rogando aos companheiros reunidos vibra­ções de amor e tranqüilidade para os que so­frem, o diretor do grupo, terminadas as tarefas da desobsessão propriamente ditas, suspenderá a palavra, pelo tempo aproximado de dois a qua­tro minutos, a fim de que ele mesmo e os inte­grantes do círculo formem correntes mentais com as melhores idéias que sejam capazes de ar­ticular, seja pela prece silenciosa, seja pela ima­ginação edificante.
          Todo pensamento é onda de força criativa e os pensamentos de paz e fraternidade, emiti­dos pelo grupo, constituirão adequado clima de radiações benfazejas, facultando aos amigos es­pirituais presentes os recursos precisos à for­mação de socorros diversos, em benefício dos companheiros que integram o círculo, dos desen­carnados atendidos e de irmãos outros, necessi­tados de amparo espiritual a distância.
          Um dos componentes da equipe, nomeado pelo diretor do conjunto, pode articular uma prece em voz alta, lembrando, na oração, os enfer­mos espirituais que se comunicaram, os desen­carnados que participaram silenciosamente da reunião, os doentes dos hospitais e os irmãos carecentes de socorro e de alívio, internados em casas assistenciais e instituições congêneres.


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PASSES


          Os médiuns passistas, logo que o conjunto entre no silêncio necessário às radiações, segundo as instruções traçadas pelo dirigente, se des­locarão dos lugares que lhes sejam habituais e, conquanto se mantenham no trabalho íntimo das ideações construtivas, para auxiliarem no apoio vibratório aos sofredores, atenderão aos passes, ministrando-os a todos os componentes do grupo, sejam médiuns ou não.
          Semelhante prática deve ser observada re­gularmente, de vez que o serviço de desobsessão pede energias de todos os presentes e os instru­tores espirituais estão prontos a repor os dis­pêndios de força havidos, através dos instrumen­tos do auxílio magnético que se dispõem a ser­vi-los, sem ruídos desnecessários, de modo a não quebrarem a paz e a respeitabilidade do recinto.
          Fora dos momentos normais, os médiuns passistas atenderão aos companheiros necessitados de auxílio tão-só nos casos de exceção, respeitando com austeridade disposições estabe­lecidas, de modo a não favorecerem caprichos e indisciplinas.


53
IMPREVISTOS

          O grupo deve contar com imprevistos.
          Existem aqueles de natureza externa a que não se pode dar atenção, quais sejam chamamentos inoportunos de pessoas incapacitadas ainda para compreender a gravidade do trabalho socorrista que a desobsessão desenvolve, ba­tidas à porta já cerrada, por irmãos do círculo, iniciantes e retardatários, ainda não afeitos àdisciplina, ruídos festivos da vizinhança e barulhos outros, produzidos vulgarmente por insetos, animais, viaturas, etc.
          Há, porém, os embaraços no campo interno
da reunião, dentre os quais se destacam a luz apagada de chofre ou o mal-estar súbito de al­guém.
          Nesses casos, o dirigente da casa tomará providências imediatas para que os problemas em curso se façam compreensivelmente aten­didos.


54
MANIFESTAÇÃO FINAL DO MENTOR

          Aproximando-se o horário de encerramento, o dirigente da reunião, depois de verificar que todos os assuntos estão em ordem, tomará a pa­lavra, explicando que as atividades se acham na fase terminal, solicitando aos presentes pensa­mentos de paz e reconforto, notadamente a benefício dos sofredores.
          Em seguida, recomendará aos médiuns pas­sistas atenderem ao encargo que lhes compete e solicitará da assembléia a continuidade da atenção e do silêncio, para que o médium indica­do observe se o orientador espiritual da reunião ou algum outro instrutor desencarnado deseja transmitir aviso ou anotação edificante para es­tudo e meditação do agrupamento. Se a casa dispõe de aparelho gravador, é importante que a máquina esteja convenientemente preparada e em condições de fixar a palavra provável do co­municante amigo.
          Na hipótese de verificar que o orientador desencarnado não deseja trazer nenhum aviso ou instrução, o médium indicado dará ciência disso ao dirigente, a fim de que ele profira a prece final e, em seguida, declare encerrada a reunião.


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GRAVAÇÃO DA MENSAGEM


          O diretor da reunião, se existe no grupo a possibilidade de gravação da mensagem final, que possa servir na edificação comum, não se alheará do trabalho dessa natureza, conquanto designe esse ou aquele companheiro para au­xiliá-lo.
          Responsabilizar-se-á diretamente pelo ma­terial de que os benfeitores espirituais se uti­lizarão, fazendo-se zelador atencioso do aparelho gravador e dos respectivos implementos, compreendendo que os serviços programados para cada reunião devem ser executados sem atrope­los ou omissões.
          O grupo ouvirá atenciosamente a palavra do comunicante amigo, seja ele o orientador da casa ou algum benfeitor recomendado por ele.
          Freqüentemente, o visitante encaminhado à reunião pelo mentor pode não ser um luminar da Espiritualidade Maior, e sim um companheiro recém-convertido à Verdade, disposto a relatar as próprias experiências, quase sempre esmal­tadas de lembranças dolorosas, ocorrência essa que se verifica objetivando-se o conforto ou a edificação.
          De qualquer modo, a palavra do visitante espiritual, pelo médium, deve ser ouvida com o respeito máximo, procurando-se nela, acima de qualquer preceito gramatical, o sentido, a lógi­ca, a significação e a diretriz.


56
PRECE FINAL

          A oração final, proferida pelo dirigente da reunião, obedecerá à concisão e à simplicidade.


57
ENCERRAMENTO

          Terminada a prece final, o diretor, com uma frase breve, dará a reunião por encerrada e fará no recinto a luz plena.
          Vale esclarecer que a reunião pode termi­nar, antes do prazo de duas horas, a contar da prece inicial, evitando-se exceder esse limite de tempo.


58
CONVERSAÇÃO POSTERIOR Á REUNIÃO

          Claro que terminada a reunião se sintam os integrantes da equipe inclinados a entrelaçar pensamentos e palavras na conversação cons­trutiva, porqüanto, se a alegria da obrigação cumprida não lhes marca o íntimo, algo existe na equipe a ser necessariamente retificado.
          Euforia de confraternização, reconforto do dever nobremente atendido.
          Não raro, surge a oportunidade da prosa afetiva em torno de um café ou enquanto se es­pera condução.
          Falemos, cultivando bondade e otimismo.
          Importante que a palestra não descambe para qualquer expressão negativa.
          Se um dos desencarnados sofredores emitiu conceitos menos felizes, ou se um dos médiuns em ação não conseguiu desincumbir-se corretamente das atribuições que lhe foram conferidas em serviço, evitem-se com empenho reprovações, criticas, motejos, sarcasmos.
          Compreendamos que uma equipe para a de­sobsessão se desenvolve e se aperfeiçoa com ser­viço e tempo, como qualquer outra empresa pro­dutiva, e algum comentário desairoso, destacan­do deficiências e males, constitui prejuízo na obra do progresso e na consolidação do bem.


59
REOUVINDO A MENSAGEM

          Ainda no recinto ou nos dias subseqüentes, é aconselhável que os lidadores da desobsessão, quando seja necessário, reouçam a mensagem educativa, obtida na fase terminal das tarefas, caso haja sido gravada. Procurar — repita­mos — nas frases do comunicante a essência e a orientação. Por outro lado, abster-se do impul­so da divulgação, sem estudo.
          Cabe refletir que as primeiras instruções para a criatura reencarnada se verificam no pla­no doméstico. A criatura humana recebe dos pais e dos instrutores do lar conselhos e indicações inesquecíveis, mas, por isso, nem todos podem ser ençaminhados às tipografias para o trabalho publicitário. Ninguém se lembrará de enviar uma advertência maternal qualquer para a imprensa, conquanto um aviso de mãe seja sempre uma peça preciosa para os filhos a que se destine.
          O dirigente, na hipótese da recepção de men­sagens destinadas à propagação, precisará joeirá-las em rigorosa triagem, solicitando, para esse fim, o concurso de companheiros habituados às lides culturais e doutrinârias, com autoridade bastante para emitir opiniões, verificando, igualmente, se as instruções obtidas não coincidem, na forma literal, com essa ou aquela página espírita, mediúnica ou não, já consagrada na lei­tura comum, embora o fundo moral seja res­peitável.



60
ESTUDO CONSTRUTIVO DAS PASSIVIDADES

Ë interessante que dirigente, assessores, mé­diuns psicofônicos e integrantes da equipe, fin­da a reunião, analisem, sempre que possivel, as comunicações havidas, indicando-se para exame proveitoso os pontos vulneráveis dessa ou da­quela transmissão.
As observações fraternas e desapaixonadas, nesse sentido, alertarão os companheiros da me­diunidade quanto a senões que precisem evitar e recordarão aos encarregados do esclarecimento pequenas inconveniências de atitude ou pala­vra nas quais não devem reincidir.
De semelhante providência, efetuada com o apreço recíproco que necessitamos sustentar uns para com os outros, resultará que todos os com­ponentes da reunião se investirão, por si mes­mos, na responsabilidade que nos cabe manter no estudo constante para a eficiência do grupo.
         Se os médiuns esclarecedores julgam conve­niente a atenção desse ou daquele médium psicofônico em determinado tema de serviço espi­ritual, chamá-lo-ão a entendimento particular, evitando-se a formação de suscetibilidades, sa­lientando-se que os próprios médiuns psicofôni­cos, se libertos de teias obsessivas, são os pri­meiros a se regozijarem com o exame sincero do esforço que apresentam.


61
SAÍDA DOS COMPANHEIROS

          A saída dos companheiros realizar-se-á nos moldes da discrição seguidos na entrada.
          Evitar-se-ão gritos, gargalhadas, referên­cias maliciosas, anedotário picante.
          O serviço da desobsessão reclama a tranqüi­lidade e o respeito que se deve a um sanatório de doenças mentais.
          Considerem os companheiros dessa semen­teira de amor que estão sendo, muitas vezes, seguidos e observados por muitos enfermos desen­carnados que lhes ouviram, com interesse, as exortações e os ensinos, no curso da reunião, e será contraproducente, além de indesejável, qualquer atitude ou comentário pelos quais os tare­feiros do socorro espiritual desmanchem, invigilantes, os valores morais que eles próprios cons­truíram na consciência e no ânimo dos Espíritos beneficiados.


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COMENTÁRIOS DOMÉSTICOS


          De volta a casa, convém que os servidores da desobsessão silenciem qualquer nota inconveniente acerca de transmissões, influências, fe­nômenos ou revelações havidas na reunião.
          Se os comunicantes se referirem a proble­mas infelizes, como sejam crimes, ofensas, má­goas ou faltas diversas, cabe-nos recordar que a obra da desobsessão, no fundo, é libertação das trevas de espírito e não existe libertação das sombras sem esquecimento do mal.
          Conversas acerca de quaisquer maníf esta­ções ou traços deprimentes do amparo espiritual efetuado estabelecem ímãs de atração, criando correntes mentais de ação e reação entre os comentaristas e os que se tornam objeto dos co­mentários em pauta, realidade essa que faz de todo desaconselháveis as referências sobre o mal, de vez que funcionam à maneira de bisturis visíveis, revolvendo inutilmente as chagas men­tais dos enfermos desencarnados que foram aten­didos, arrancando-os do alívio em que estão mer­gulhados, para novas síndromes de angústia.
          Isto, porém, não impede que médiuns escla­recedores, médiuns psicofônicos e companheiros outros analisem determinadas passagens da pa­lavra ou da presença das entidades sofredoras, em círculo íntimo, para estudo construtivo, com efeitos na edificação do bem, ao modo de espe­cialistas num simpósio conduzido com discrição.


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ASSIDUIDADE


          Assiduidade é lição que colhemos na escola da Natureza, todos os dias.
          Lavradores enriquecem os celeiros da Hu­manidade, confiando na pontualidade das estações.
          A desobsessão, para alcançar os objetivos libertadores e reconfortativos a que se propõe, solicita lealdade aos compromissos assumidos.
          Aprendamos, durante a semana, a remover os empecilhos que provavelmente nos visitarão no dia e na hora prefixados para o socorro es­piritual aos desencarnados menos felizes.
          Observemos a folhinha, estejamos atentos às obrigações que os Benfeitores Espirituais depositam em nossas mãos e nas quais não deve­mos falhar.
          Muito natural que a ausência não justifi­cada do companheiro a três reuniões consecuti­vas seja motivo para que se lhe promova a ne­cessária substituição.


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BENEFÍCIOS DA DESOBSESSÃO


          Erraríamos frontalmente se julgássemos que a desobsessão apenas auxilia os desencarnados que ainda pervagam nas sombras da mente.
          Semelhantes atividades beneficiam a eles, a nós, bem assim os que nos partilham a experiência quotidiana, seja em casa ou fora do reduto doméstico, e, ajuda, os próprios lugares espaciais em que se desenvolve a nossa influência.
          Reuniões dedicadas à desobsessão consti­tuem, bastas vezes, trabalho difícil, pois, em muitas circunstâncias, parece cair em monotonia desagradável, não só pela repetição freqüente de manifestações análogas umas às outras, como também porque a elas comparecem, durante lar­go tempo, entidades cronicificadas em rebeldia e presunção. Isso, porém, não pode e não deve desencorajar os tarefeiros desse gênero de ser­viço, de vez que nenhum pesquisador encarnado na Terra está em condições de avaliar os bene­fícios resultantes da desobsessão quando está sendo corretamente praticada.
          Todos possuímos desafetos de existências passadas, e, no estágio de evolução em que ainda respiramos, atraímos a presença de entidades menos evolvidas, que se nos ajustam ao clima do pensamento, prejudicando, não raro, involun­tariamente, as nossas disposições e possibilida­des de aproveitamento da vida e do tempo. A de­sobsessão vige, desse modo, por remédio moral específico, arejando os caminhos mentais em que nos cabe agir, imunizando-nos contra os pe­rigos da alienação e estabelecendo vantagens ocultas em nós, para nós e em torno de nós, numa extensão que, por enquanto, não somos capazes de calcular. Através dela, desaparecem doenças-fantasmas, empeços obscuros, insuces­sos, além de obtermos com o seu apoio espiri­tual mais amplos horizontes ao entendimento da vida e recursos morais inapreciáveis para agir, diante do próximo, com desapego e compreensão.


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REUNIÓES DE MÉDIUNS ESCLARECEDORES

          Os médiuns esclarecedores não podem alhear-se do imperativo de entendimento recíproco e estudo constante em torno das atividades que lhes dizem respeito.
          Para isso, reunir-se-ão, periodicamente, ou quando lhes seja possível, para a troca de impressões, à luz da Doutrina Espírita, analisan­do tópicos do trabalho ou apresentando planos entre si com o objetivo de melhoria e aperfeiçoa­mento do grupo.
          Semelhantes reuniões são absolutamente necessárias para que se aparem determinadas arestas da máquina de ação e se ajustem provi­dências a benefício das obras em andamento. Esses ajustes, à maneira de sodalícios doutriná­rios, constituem, ainda, meios de atuação segu­ra e direta dos mentores espirituais do grupo para assumirem medidas ou plasmarem adver­tências, aconselháveis ao equilíbrio e ao rendi­mento do conjunto.
          Os médiuns esclarecedores não devem es­quecer que, ao término de cada tarefa de desobsessão, quase sempre ficam indagações e te­mas de serviço que, com tempo e madureza de raciocínio, merecem analisadas, a benefício geral.


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REUNIÕES DE ESTUDOS MEDIÚNICOS

          As reuniões de estudos mediúnicos, de or­dem geral, no grupo, são necessárias.
          No curso delas, em dias e horários que não sejam os prefixados para a desobsessão, os esclarecedores e os companheiros ouvirão os me­dianeiros da equipe, registrando-lhes as consul­tas e impressões, a fim de que os problemas sus­citados pelas faculdades e indagações de cada um sejam solucionados à luz dos princípios espí­ritas conjugados ao Evangelho de Jesus.
          Aconselha-se-lhes o estudo metódico de «O Livro dos Médiuns», de Allan Kardec, e todas as obras respeitáveis que se relacionem com a mediunidade.
          Os benfeitores desencarnados e os Espíritos familiares estudam sempre a fim de se tornarem mais úteis na obra da educação e do consolo jun­to da Humanidade Terrestre.
          É imprescindível que os lidadores encarna­dos estudem também.


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REUNIÕES MEDIÚNICAS ESPECIAIS


          Em determinadas circunstâncias, as reuniões mediúnicas podem surgir como sendo necessárias a fins determinados.
          Nessa hipótese, realizar-se-ão sem qualquer prejuízo para as reuniões habituais.
          Para que isso aconteça, porém, é claramente preciso que o mentor espiritual do agrupamento trace instruções especiais.
          Noutros casos, o próprio grupo, através do dirigente, proporá ao mentor espiritual a realização de reuniões dessa natureza para atender a equações de trabalho socorrista, consideradas de caráter urgente.


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VISITA A ENFERMO

          Algumas vezes, a equipe dedicada a desob­sessões é chamada ao contacto com determinado enfermo, retido no próprio lar.
          Indiscutivelmente que a visita deve ser feita, havendo possibilidades para isso, aconselhando-se, porém, que o grupo se faça representar por uma comissão de companheiros junto ao doente.
          Essa comissão terá o cuidado de recolher o endereço do irmão necessitado, para que o grupo preste a ele a assistência possível.
          Na visita a qualquer doente, a equipe deve abster-se da ação mediúnica, diante dele, no que tange à doutrinação e ao socorro aos desencar­nados sofredores, reservando-se semelhante ta­refa para o recinto dedicado a esse mister.


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VISITA A HOSPITAL


          Um grupo dedicado ao trabalho da desobses­são é constantemente requestado à prestação de serviço. Em meio aos pedidos diversos de con­curso e auxílio, aparecem as solicitações de vi­sita a hospitais.
          Considerando a hipótese do atendimento, é
importante que o conjunto de serviço se repre­sente por irmãos do círculo habilitados a desincumbir-se da obrigação, de modo construtivo, isto é, mantendo no trato com o enfermo ou com os enfermos atitudes edificantes de reconforto, sem mostras de impressionabilidade doentia e sem manifestações mediúnicas extemporâneas, das quais, em tantos casos, se prevalecem os Espíritos conturbados para agravar sintomas e perturbações nos irmãos alienados ou doentes a que se vinculam em processos obsessivos.
          A comissão representativa do agrupamento anotará nomes e endereços dos visitados, para cooperação oportuna, dosando a ministração de conceitos em torno dos temas da obsessão, quando em conversa com os enfermos ainda despro­vidos de conhecimento espírita, a fim de que a orientação curativa se lhes implante na mente, a pouco e pouco, de maneira segura.
          É imperioso observar que os médiuns psi­cofônicos auxiliarão com mais eficiência se puderem conhecer, de perto, os enfermos que lhes solicitam socorro, e os médiuns esclarecedores muito aproveitarão no trato com os estabeleci­mentos de cura mental, aprendendo a técnica de conversar com os Espíritos perturbados, no exemplo e na experiência dos enfermeiros dig­nos, junto aos doentes complexos. Urge também que o comando socorrista observe as normas vi­gentes na organização hospitalar visitada, com­portando-se de tal modo que não lhe fira os prin­cípios.


70
CULTO DO EVANGELHO NO LAR

          Todo integrante de uma equipe de desobses­são precisa compreender a necessidade do culto do Evangelho no lar.
          Pelo menos, semanalmente, é aconselhável se reúna com os familiares ou com alguns parentes, capazes de entender a importância da iniciativa, em torno dos estudos da Doutrina Espírita, à luz do Evangelho do Cristo e sob a co­bertura moral da oração.
          Além dos companheiros desencarnados que estacionam no lar ou nas adjacências dele, há outros irmãos já desenfaixados da veste física, principalmente os que remanescem das tarefas de enfermagem espiritual no grupo, que reco­lhem amparo e ensinamento, consolação e alívio, da conversação espírita e da prece em casa.
          O culto do Evangelho no abrigo doméstico equivale a lâmpada acesa para todos os imperativos do apoio e do esclarecimento espiritual.


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CULTO DA ASSISTÊNCIA

          Outro aspecto de serviço que os obreiros da desobsessão não podem olvidar, sem prejuízo, é a assistência aos necessitados.
          Entidades sofredoras ou transviadas, a quem se dirige a palavra instrutiva nas reuniões do agrupamento de socorro espiritual, acompanham, em muitos casos, aqueles mesmos que as exortam aos caminhos da paciência e da caridade, examinando-lhes os exemplos.
          A assistência aos necessitados, seja através do pão ou do agasalho, do auxílio financeiro ou do medicamento, do passe ou do ensinamento, em favor dos que atravessam provações mais difíceis que as nossas, não é somente um dever, mas também valioso curso de experiências e li­ções educativas para nós e para os outros.
          Nesse propósito, é impossível igualmente es­quecer que os irmãos em revolta e desespero, que nos ouvem os apelos à regeneração e ao amor, não se transformam simplesmente à força de nossas palavras, mas, sobretudo, ao toque moral de nossas ações, quando as nossas ações se patenteiam de acordo com os nossos ensina­mentos.


72
ESTUDOS EXTRAS

          É forçoso que os seareiros da desobsessão não se circunscrevam, em matéria de atividade espírita, aos assuntos do grupo.
          A fim de enriquecerem o próprio grupo com valores necessários à educação coletiva e à renovação de cada companheiro, é imprescindível aceitem o estudo nobre, qualquer que ele seja, nos arraiais da Doutrina Espírita ou fora deles, para que progridam em discernimento e utilida­de na obra de recuperação que lhes cabe, ilumi­nando convicções e dissipando incertezas.
          Aprender sempre e saber mais é o lema de todo espírita que se consagra aos elevados princípios que abraça.
          E na faina da desobsessão é preciso ente­souremos conhecimento e experiência, para que os instrutores Espirituais nos encontrem maleá­veis e proveitosos na extensão do bem que nos propomos cultivar e desenvolver.


73
FORMAÇÃO DE OUTRAS EQUIPES

          O conjunto de colaboradores da desobses­são, por força do trabalho realizado, costuma dilatar-se, em número, gradativamente, mas não admitirá integrantes novos sem que esses integrantes demonstrem a preparação natural, a ser adquirida nas reuniões públicas de Doutrina Espírita.
          Baseado em «O Livro dos Médiuns» (item 332), ultrapassada a quota de quatorze participes do conjunto, o diretor da casa auxiliará os com­panheiros excedentes na formação de nova equi­pe que, temporariamente, pode agir e servir sob a orientação do agrupamento em que nasceu.
          O círculo novo contará, desse modo, com instruções sadias para consolidar-se, à maneira de aparelho consciente, cujas peças se ajustarão ao lugar próprio, esparzindo frutos de fraterni­dade e esclarecimento no amparo efetivo aos que sofrem, porqüanto o rendimento do serviço lhe e, em tudo, o fator básico.
          A obra redentora da desobsessão continua­rá, dessa forma, providencialmente garantida pelos corações decididos a trabalhar pelos compa­nheiros mentalmente tombados em perturbação e conflitos, depois da morte, e pelos que, na Terra mesmo, padecem aflitivos processos de obsessão oculta ou declarada, para a supressão dos quais só o amor e a paciência dispõem de fortaleza e compreensão suficientes para sustentar a tare­fa libertadora até ao fim. Isso porque a obsessão é flagelo geminado com a ignorância, e, se ape­nas a escola consegue dissipar as sombras da ignorância, somente a desobsessão poderá remo­ver as trevas de espírito.

Fim

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