A Caminho da Luz

terça-feira, 20 de março de 2012

O Sexo é sinônimo de felicidade ?

Considerando que não somos seres biológicos, mas sim espíritos estabelecidos biologicamente em caráter temporário neste mundo, é óbvio que para continuarmos reencarnados temos que atender às necessidades do corpo que nos serve de instrumento para a nossa manifestação.
Entre as necessidades físicas que obrigatoriamente temos que suprir, o sexo seria uma delas?
Estudando a evolução do sexo a partir da infância compreendida do berço até os cinco anos ou um pouco mais, – isso considerando a precocidade das crianças dos tempos atuais –, vamos observar que nesse período não se percebe qualquer comportamento que revele impulsos sexuais, o que indica que a sexualidade no ser humano não é instintiva como nos animais que desde cedo ensaiam o ato sexual.
Isso posto, somos levados a entender que reencarnamos esquecidos do sexo e que seus impulsos não são orgânicos e só passam a ocorrer quando a libido for acionada através da epífise.
No livro Missionários da Luz, psicografado por Chico Xavier, o espírito Alexandre faz importantes revelações a André Luiz sobre a epífise:
“– Não se trata de órgão morto, segundo velhas suposições – prosseguiu ele. – É a glândula da vida mental. Ela acorda no organismo do homem, na puberdade, as forças criadoras e, em seguida, continua a funcionar, como o mais avançado laboratório de elementos psíquicos da criatura terrestre. (...)A glândula pineal reajusta-se ao concerto orgânico e reabre seus mundos maravilhosos de sensações e impressões na esfera emocional. Entrega-se a criatura à recapitulação da sexualidade, examina o inventário de suas paixões vividas noutra época, que reaparecem sob fortes impulsos”.
“– Ela preside aos fenômenos nervosos da emotividade, como órgão de elevada expressão no corpo etéreo. Desata, de certo modo, os laços divinos da Natureza, os quais ligam as existências umas às outras, na sequência de lutas, pelo aprimoramento da alma, e deixa entrever a grandeza das faculdades criadoras de que a criatura se acha investida”.
Considerando a colocação de Alexandre quando define a epífise como a glândula mental e que através dela é que ligamos nossas existências umas às outras, podemos concluir que ela seria como um chip situado no corpo etéreo onde estão arquivadas todas as experiências vividas em encarnações passadas. Quando acionada na puberdade, faz com que ressurjam no subconsciente os impulsos sexuais inerentes ao psiquismo desenvolvido durante nossas experiências anteriores, os quais não estão submetidos às imposições físicas, daí podendo ocorrer que uma criança do sexo masculino venha a despertar a libido com tendências femininas e vice-versa.
Não é propósito destas considerações aprofundar-se no conhecimento da epífise, mas cabe aqui outra observação de uma das suas prováveis funções, também importante para o nosso conhecimento. Ainda no livro citado, segundo observou André Luiz durante uma manifestação mediúnica, a epífise do médium foi tomada de uma luminosidade intensa, ou seja, durante o transe mediúnico ela foi de alguma forma acionada. Considerando-a como um repositório de arquivos transcendentes, o espírito, no momento em que se comunicava, provavelmente resgatou conhecimentos ali arquivados, adquiridos pelo médium através das vidas sucessivas, o que, como é sabido, lhe facilita elaborar a mensagem que quer passar aos encarnados.
No meu entender, essa seria a função da epífise na mediunidade. Sem qualquer prurido de sabedoria, eu afirmaria que podemos considerá-la como a glândula do animismo.
Voltando ao assunto central deste artigo, concluímos que, diferente das necessidades físicas, o sexo é uma necessidade psíquica.
É inegável que o sexo acabou assumindo um papel preponderante nos conceitos de felicidade da maioria dos homens e mulheres, que passaram a considerá-lo como fonte de prazer.
Entretanto, considerando que a sede incontrolável de sexo, da qual muitos são acometidos, tem sido uma das maiores causas da desagregação familiar, pergunto: o sexo seria tão importante para a união feliz entre um homem e uma mulher?
Embora uma maioria acredite que sim, temos que considerar que estamos em um mundo de expiação e provas; nele renascemos imantados a um determinado espírito com quem vamos realizar a união conjugal para atender às nossas necessidades num mundo com aquelas características. Ocorre que os dois espíritos nem sempre carregam consigo as mesmas afinidades, daí serem raros os casais que alcançam a plenitude em suas relações sexuais e afetivas.
Atendendo a esse processo reeducativo, geralmente o homem frio se une a uma mulher sensual, e vice-versa. Diante dessa situação, um deles terá que reeducar seus impulsos sexuais e, se houver amor realmente, a renúncia deverá comparecer para compor a felicidade a dois com menos sexo. Temos que reconhecer por trás desse contraste um maravilhoso processo criado pelas leis divinas para ajudar o espírito reencarnado a corrigir os excessos praticados em outras vidas, possibilitando-lhe alcançar o reequilíbrio psíquico e emocional.
Por outro lado, se a sensualidade excessiva não se contém, a união que poderia resultar em uma união feliz, com proveito evolutivo dos espíritos envolvidos, acaba desabando em separações ou em traições que comprometerão o futuro do espírito, acarretando sofrimentos ulteriores que poderiam ser evitados.
Já ultrapassamos os horizontes da animalidade. A união entre um homem e uma mulher não é uma união apenas entre macho e fêmea, semelhante à que ocorre no reino animal, mas sim a união de dois espíritos em evolução que buscam o aprimoramento moral e o equilíbrio das forças psíquicas necessárias ao desenvolvimento do verdadeiro amor.
A busca desenfreada das fantasias eróticas como estímulo, que ora se vulgariza em nosso mundo, jamais trará a felicidade conjugal. Muito pelo contrário, acabará corrompendo valores íntimos que deveriam (se) transformar-se em virtudes através da renúncia, com o objetivo de alcançar uma consistente educação e o aprimoramento dos sentimentos.
Para que haja uma perfeita harmonia sexual na vida de um casal, a relação sexual não deve ser imposta na hora em que apenas um dos cônjuges bem entender; deve antes nascer de um envolvimento natural de ambos, para que o prazer não seja unilateral.
Na verdade, felicidade e amor verdadeiro entre dois espíritos é o que perdura até a idade avançada, quando o sexo já não tem nenhuma importância e cede lugar ao afeto carinhoso que nasce da preocupação de fazer o outro feliz.
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