terça-feira, 20 de março de 2012

Tudo começou em 9 ,,,,,,,,,,,,,,,

Tudo começou em 9 de agosto de 1863.
Nessa data, o escritor Allan Kardec recebeu uma comunicação de seus Guias sobre a elaboração de um novo livro que começara elaborar. Já havia lançado O Livro dos Espíritos, em 1857, e O Livro dos Médiuns, em 1861, e a comunicação dizia o seguinte: “Este livro de doutrina terá influência considerável, porque explana questões de interesse capital. Não somente o mundo religioso encontrará nele as máximas de que necessita como também as nações, em sua vida prática, dele haurirão instruções excelentes. Fizeste bem em enfrentar as questões de elevada moral prática, do ponto de vista dos interesses gerais, dos interesses sociais e dos interesses religiosos.”
Pouco mais tarde, em 14 de setembro de 1863, complementavam: “Com esta obra o edifício começa a libertar-se dos andaimes e já podemos ver-lhe a cúpula a desenhar-se no horizonte.”
Os espíritas já sabem que estamos tratando de O Evangelho Segundo o Espiritismo, cuja primeira edição foi lançada em 29 de abril de 1864 com o nome “Imitação do Evangelho Segundo o Espiritismo”.
A inteligência do escritor Allan Kardec se observa na introdução, no prefácio e nos comentários que faz ao longo dos 28 capítulos que formam o terceiro livro da Codificação.
Cuidou o notável e lúcido escritor de incluir apenas questões de moral evangélica, dispensando os assuntos de rituais, dogmas e tudo o mais que causa conflito entre as diferentes doutrinas. Moral é moral, em todos os tempos da humanidade e em todas as nações. Falamos da Moral Divina e não dos costumes disseminados entre os povos, porque estes mudam de país para país e de século para século.
Cada capítulo cuidadosamente elaborado começa, geralmente, com o enunciado do Novo Testamento – texto original – seguido da explicação do autor da obra e finalizado com a mensagem dos Espíritos.
Mesmo nesta composição Allan Kardec demonstrou grande lucidez porque não colocou apenas mensagens de orientadores, mas também de espíritos que faliram no mundo e agora dão testemunho dos erros cometidos, servindo de exemplo para que não repitamos seus enganos. Um dos exemplos é a extraordinária mensagem da Rainha de França (Havre 1863), constante do Capítulo II da obra ora em estudo. Diz ela, num gesto de humildade, que na sua soberba de rainha no mundo esperava ser também rainha na espiritualidade onde encontrou em planos superiores ao seu, muitos homens que mereciam seu desprezo por não terem sangue azul. Deixa como clara lição que perdeu-se pelo orgulho na Terra e que agora sabe que para se ter um lugar no reino dos céus são necessárias a abnegação, a humildade, a caridade em toda a sua celeste prática e a benevolência para com todos.
Deixa claro, como mensagem, que estão iludidos todos os homens que correm para alcançar os bens terrenos como se fossem guardá-los para sempre. Aqui, diz ela, todas as ilusões se somem.
No capítulo XXI, inclui um texto de Jeremias, profeta do Velho Testamento, quando ele já falava dos Falsos Profetas, instruções complementada com grande clareza por João, o Evangelista, quando sugeriu que verifiquemos primeiro se os Espíritos com os quais nos aconselhamos são de Deus. Kardec demonstra com isso que tudo está inter-relacionado. Velho e Novo Testamento são mensagens divinas. Um precisava vir antes do outro porque cada um encontrou a humanidade num momento diferente. Por isso O Evangelho Segundo o Espiritismo, logo no Capítulo I, nos explica que Moisés (ligado ao Velho Texto) foi a primeira revelação. Depois veio Jesus (Novo Texto) até a humanidade ter condições de receber o Espiritismo (Terceiro Texto).
Lembramos que certa vez um pastor protestante perguntou ao Chico Xavier o que era a Bíblia. Chico estranhou que um homem evangélico, conhecedor profundo das escrituras, perguntasse a um espírita sobre tal assunto. Foi quando Emmanuel ofereceu-se para responder e disse: “O Velho Testamento é o grito agoniado da humanidade em busca do Senhor.” E o Novo Testamento, indagou o pastor? “O Novo Testamento é a resposta do Céu.”
Hoje poderíamos complementar que o Espiritismo é a explicação clara dessa resposta, em linguagem acessível a todas as inteligências. E nesse particular O Evangelho Segundo o Espiritismo é chave importante para que os homens entendam os mecanismos da vida. É hoje o livro Espírita mais lido no mundo, vertido para muitos idiomas, inclusive dos países onde o Espiritismo é ainda pouco difundido – Japão, por exemplo.
O Evangelho Segundo o Espiritismo hoje é objeto de estudo nos lares e nas casas espíritas. Não é apenas lido, mas estudado, dissecando-se o conteúdo de cada parágrafo e de cada capítulo.
Kardec fecha a obra com uma coletânea de preces, uma para cada situação. Hoje já sabemos fazer nossas próprias rogativas e agradecimentos, mas quando o livro foi lançado tudo era novidade e essas orientações foram importantes.
O Evangelho Segundo o Espiritismo balançou as estruturas frágeis de outras doutrinas que pregam as penas eternas, porque informou que tudo é provisório e que, conforme prometeu Jesus, nenhuma ovelha do rebanho será perdida. Céu e Inferno estão no coração dos homens e cabe a ele transformar-se para chegar ao Reino dos Céus.

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