terça-feira, 20 de março de 2012

Aura nossa de cada instante

Denomina-se aura a carapaça em formato ovóide existente em torno do corpo físico, resultante de forças físico-químicas e mentais produzidas pelos nossos pensamentos e sentimentos; é fulcro energético, peculiar a cada indivíduo, revelando o campo magnético em que ele se situa.
Todos os seres vivos, por isso, dos mais rudimentares aos mais complexos se revestem de um “halo energético” que lhes corresponde à natureza. No homem, contudo, semelhante projeção surge profundamente enriquecida e modificada pelos fatores do pensamento contínuo que, em se ajustando às emanações do campo celular, lhe modelam, em derredor da personalidade, o conhecido corpo vital ou duplo etéreo de algumas escolas espiritualistas
A nossa aura se modifica a cada instante, numa alternância de relâmpagos incessantes, provocados pelo teor dos pensamentos, dos sentimentos preservados e das emoções que identificam as nossas tendências. Serve de instrumento de identidade aos seres espirituais que nos circundam. Estudiosos que se aprofundam na origem, constituição e função da aura humana, informam que as cores nela vistas pelos clarividentes têm significados próprios, diagnosticando as condições morais, espirituais e físicas do indivíduo. Por exemplo, azul: sublimação de Espírito; branco-azulado: pureza, amor e caridade; alaranjado: ambição e orgulho; vermelho: paixões violentas, raiva, sensualidade; preto: ódio, vingança e ação maléfica; cinzento: depressão, tristeza e egoísmo. Atentemos para o que nos diz André Luiz.
Ante ligeira pausa, alonguei o olhar pela multidão bem vestida. Quase todas as pessoas, ainda aquelas que ostentavam nas mãos delicados objetos de culto, revelavam-se mentalmente muito distantes da verdadeira adoração à Divindade. O halo vital [aura] de que se cercavam definia pelas cores o baixo padrão vibratório a que se acolhiam. Em grande parte, dominavam o pardo-escuro e o cinzento-carregado. Em algumas, os raios rubro-negros denunciavam cólera vingativa que, a nossos olhos, não conseguiriam disfarçar. Entidades desencarnadas, em deplorável situação, espalhavam-se em todos os recantos, nas mesmas características. (Destacamos.)
Sobre a realidade da aura na identificação de quem somos e como estamos a cada instante, destacamos do livroSexo e destino o momento em que o médico de Nosso Lar se aproxima de Marina, jovem que vivia momentos de contradição amorosa com seu patrão, esposo de quem ela era enfermeira:
Aproximei-me reverentemente da jovem, no propósito de sondá-la em silêncio e colher-lhe as vibrações mais íntimas; contudo, recuei assustado. Estranhas formas-pensamento, retratando-lhe os hábitos e anseios, em contradição com os nossos propósitos de socorrer a doente [patroa de Marina], fizeram-me para logo sentir que Marina se achava ali, a contragosto. A sua mente vagueava longe... Quadros vivos de esfuziante agitação ressumavam-lhe na cabeça... De olhar parado, escutava, adentro de si própria, a música brejeira da noite festiva, que atravessara na véspera, e experimentava ainda na garganta a impressão do gim que sorvera, abundante. Apesar de surgir-nos, superficialmente, à guisa de menina crescida, sob o turbilhão de névoa fumarenta, exibia telas mentais complexas, a lhe relampaguearem na aura imprecisa. (Destacamos.)
Observamos que a condição de contragosto, o pensamento voltado para a agitação da noite anterior, a bebida alcoólica que tomara na véspera faziam com que a aura de Marina se apresentasse de forma irregular, faiscando incessantemente, revelando quem era ela naquele momento.
Em Obreiros da vida eterna é narrado o episódio em que o fogo purificador se aproxima dos habitantes das regiões umbralinas. Naquele momento, muitos dos presentes pedem ajuda para dele se safar, abrigando-se na Casa Transitória, esta então preparando-se para afastar-se do local, levando consigo os que estivessem com propósitos sinceros de se reformar intimamente. Um deles que ali mourejava se aproxima de André Luiz, posta-se de joelhos e implora por piedade, afiançando que está disposto a reabilitar-se! Nesse instante a irmã Luciana se aproxima, fixa bem o implorante e declara:
Oh! como é horrível a atividade mental deste pobre irmão! Veem-se-lhe no halo vital[aura] deploráveis lembranças e propósitos destruidores. Está amedrontado, mas não convertido. Pretende alcançar a nossa margem de trabalho para se apropriar dos benefícios divinos, sem maior consideração. A aura dele é demasiadamente expressiva… (Destacamos.)
Aprendemos com esse texto:
a) nem sempre as nossas palavras estão consonantes com o nosso íntimo; podemos enganar irmãos inexperientes, ingênuos e crédulos, mas não os Espíritos esclarecidos;
b) pela mudança constante da nossa aura para melhor é que os Espíritos amigos e inimigos atestam se estamos mesmo realizando a reforma íntima que buscamos demonstrar com atos exteriores.
Pelo estado aural em que nos encontramos, os Espíritos nos identificam e por ela atraímos para nosso convívio entidades espirituais que se nos assemelham pelo teor vibratório. Logo, é oportuno lembrarmo-nos da importância e função que ela tem no processo de intercâmbio com os Espíritos em qualquer situação e, em especial, numa reunião mediúnica.
A aura é, portanto, a nossa plataforma onipresente em toda comunicação com as rotas alheias, antecâmara do Espírito, em todas as nossas atividades de intercâmbio com a vida que nos rodeia, através da qual somos vistos e examinados pelas Inteligências Superiores, sentidos e reconhecidos pelos nossos afins, e temidos e hostilizados ou amados e auxiliados pelos irmãos que caminham em posição inferior à nossa. Isso porque exteriorizamos, de maneira invariável, o reflexo de nós mesmos, nos contatos de pensamento a pensamento, sem necessidade das palavras para as simpatias ou repulsões fundamentais.
A aura do médium, quando equilibrada e fortalecida pelas suas virtudes e elevados pensamentos e sentimentos, exerce forte atração na entidade conturbada que será assistida por seu intermédio, sendo aquela envolvida de forma a não resistir ao magnetismo de amor que lhe apazigua o íntimo e refrigera as dores. Acompanhemos o que nos relata Philomeno de Miranda:
Observamos que o inditoso vingador, atraído pelo magnetismo do Guia, dulcificado por primeira vez, acercou-se do médium em profundo transe inconsciente e, envolvido pela aura e fluidos que se exteriorizavam do sensitivo, incorporou-o. (Destacamos.)
Durante o Diálogo Fraterno, o atendente deverá estar com sua aura em equilíbrio, detendo energias matizadas de sentimento de fraternidade a fim de que, ao acolher o irmão que o procura, tenha condições vibratórias para ajudar eficientemente, amenizando suas angústias, anestesiando suas dores. É ainda o Irmão Philomeno que relata:
Receava a nobre senhora não suportar as últimas dores. Encontrava-se enferma, e embora não desfalecesse na fé, em circunstância alguma, acusava-se cansada, receosa, desalentada...Vencida por choro convulsivo, apoiou-se no intimorato espírita e, sob a sua aura fortificante, dele recebeu a energia revigorante de que necessitava. Paulatinamente foi-se acalmando, recompondo-se.
Prezado leitor, diante de todas essas informações sobre a função de nossa aura, fulcro energético construído por nós mesmos ao longo da vida, só nos resta tomar um pouco mais de cuidado com essa construção que pode assumir configuração distinta a cada instante; que pode nos aproximar dos bons Espíritos ou deles nos distanciar, permitindo, assim, que se juntem a nós entidades menos evoluídas, causando-nos sérios prejuízos e impedindo-nos que sejamos colaboradores mais eficientes na Seara de Jesus. Convém perguntemos a cada instante como está a nossa aura e como poderemos melhorá-la.

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