segunda-feira, 1 de abril de 2013

O PROBLEMA DA REENCARNAÇÃO

O PROBLEMA DA REENCARNAÇÃO

                 É bastante conhecida a divergência entre o que se convencionou chamar o Espiritismo latino e o anglo-saxão. Essa divergência se verificou em torno de um ponto essencial: a doutrina da reencarnação. Os anglo-saxões, particularmente os inglês es e americanos, aceitaram a revelação espírita com uma restrição, não admitindo o princípio reencarnacionista. Por muito tempo, êsse fato serviu de motivo a ataques e
críticas ao Espiritismo, o que não impediu que o movimento seguisse naturalmente o seu curso. A codificação kardequiana, cujos princípios giram praticamente em tôrno da lei da reencarnação, foi repelida pelos anti-reencarnacionistas. Veja-se como Comam Doyle se refere ao Espiritismo francês, logo no início do capítulo vinte e um dêste livro: “O Espiritismo na França se concentra na figura de Allan Kardec, cuja teoria característica consiste na crença da reencarnação”. Não obstante, o próprio Conan Doyle, e outros grandes espíritas inglêses e americanos, admitiam a reencarnação. E a resistência do meio tem sido bastante minada, na Inglaterra e nos Estados Unidos, principalmente depois da última guerra. Em “A Nova Revelação”, Conan Doyle se coloca numa posição curiosa, que dará ao leitor brasileiro uma ideia exata da sua atitude neste livro. Logo no prefácio, declara que muitos estudiosos têm sido atraídos pelo aspecto religioso do  Espiritismo, e outros pelo científico,  acrescentando: “Até agora, porém, que eu saiba, ainda ninguém tentou demonstrar a exata relação que existe entre os dois aspectos do problema. Entendo que, se me fôsse dado lançar alguma luz sobre esse ponto, muito teria eu contribuído para a solução da questão que mais importa à humanidade”. Isto era escrito entre 1927 e 28, cerca de sessenta anos após o passamento de Kardec. E todos sabemos que Kardec deixou perfeitamente solucionado o problema, ao apresentar o Espiritismo como uma doutrina tríplice: filosófica, científica e religiosa. Vemos, assim, que Conan Doyle, neste ponto como em tantos outros, pensava paralelamente a Kardec, esperando, por assim dizer, o momento em que a codificação kardequiana aparecesse no mundo, sem suspeitar que ela já existia e estava ali mesmo, ao seu lado, para lá do Estreito da Mancha. Em nada, porém, esses fatos prejudicam o valor e a significação desta obra. Servem mesmo para documentar uma fase 11 do imenso processo de desenvolvimento do Espiritismo. Os estudiosos da doutrina e da sua história terão neste livro uma visão panorâmica dêsse fato histórico extraordinário, ainda não compreendido pelo mundo, que é o aparecimento e a propagação de uma nova revelação espiritual, nos tempos modernos. E nada melhor para exprimi-lo do que a admirável imagem usada por Conan Doyle, logo no capítulo primeiro, ao comparar as modernas manifestações espíritas a “uma invasão devidamente organizada”, invasão do mundo por um exército espiritual, incumbido de dominá-lo pela fôrça do bem e orientálo para os rumos finais da  perfeição humana. (Texto extraído do Livro A_historia_do_espiritismo. págs. 10 e 11 de ARTHUR CONAN DOYLE).

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