sexta-feira, 12 de abril de 2013

Ouvir e praticar


Ouvir e praticar

Com efeito, aquele que ouve a Palavra e não a pratica, assemelha-se ao homem que, observando seu rosto no espelho, limita-se a observar e vai embora, esquecendo-se logo da sua aparência.
(Tiago 1, 23)

Entre os crentes, muitos reservam uma hora da semana para culto ao Senhor. Alguns ainda reservam resíduo de tempo de fastidioso dia para oratório ao Criador e aos seus emissários de luz. Contudo, mais raros são aqueles que se propõem a atitude reflexiva de auto-iluminação e reforma de sua conduta. Os evangelhos são permanentes convites de auto-reflexão sobre nossa natureza íntima, não apenas para a individuação junguiana, mas como caminho para o exercício da doutrina de Jesus. De forma contrária, do que valem as mais bem estruturadas doutrinas, sejam sociais, econômicas, políticas, religiosas ou quaisquer outras,  ficam apenas no campo das ideias? Sem farta prática de aplicação? É morta em si mesmo, pois que ganham vida quando se agitam em nossas mãos e nossos pés.
A fé, quando dilatada como verdade em nossas consciências, não é apenas olhos que contemplam, são mãos que constroem e pés que caminham. A fé sem obras, analisada por Tiago, é a figueira sem frutos, seca por Jesus. (Mateus 21, 19)
As obras, propostas pelo missivista, dizem respeito à prática da benemerência, a caridade paulina (Coríntios 13), mas também à transformação moral quando nos convida a “visitar os órfãos e as viúvas em suas tribulações e guardar-se livre da corrupção do mundo”, sendo esta a “religião pura perante Deus”. (Tiago 1, 27)
Comer a quem tem fome, beber a quem tem sede, livrar-se da opinião de outrem através do valioso silêncio reflexivo – “esteja pronto para ouvir e lento para falar” (Tiago 1, 19) - a fim de encontrar em nossa consciência a própria Lei Divina, consoante com o  Evangelho de Jesus.
Vivência religiosa é diferente de prática de ofício religioso, simples liturgia, letra sem espírito, ouvir sem viver. Vivência religiosa, independente de denominação de credo, é vida, é movimento ascensional para o Criador, é a prática do bem para outrem e para nós próprios, seguindo a lógica da sementeira para a colheita dos frutos da paz e da felicidade. 

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