domingo, 28 de abril de 2013

A lavra de nosso Coração


A lavra de nosso Coração
A lavra de nosso coração é feita em caminhos, às vezes, desprovidos de 
lógica e da razão.
Na lavra de nosso coração encontram-se, ainda que subliminares o amor, 
a mágoa, as vibrações boas ou más, o sofrimento, a saudade, os 
sentimentos depressivos, pois como auto-agricultores dos valores da 
alma, encontramo-nos muito, ainda, mais próximos do início do “Curso 
superior, em Cristo, do Desapego”. Bem o disse, e tais palavras 
retumbam, por séculos seguidos,  em nossos ouvidos, Paulo de Tarso: “Eu 
já não vivo, o Cristo vive em mim”. Eis nossa meta.
Na lavra de nosso coração plantamos, desde imemoriais tempos, 
planícies, planaltos e vales de dores e ilusões, esquecendo-nos de nossa 
proverbial inaptidão para colheita. Dizemos, hoje, que sofremos, mas 
talvez se pudéssemos vermo-nos em etapas primevas de evolução, 
sentiríamos constrangidos em nos classificarmos como humanos, pelo que 
dizemos que muitas vezes, a ignorância é uma bênção.
Na lavra de nosso coração não deveria ter qualquer eixo de sectarismo, 
a qualquer pretexto, pois a lavra de nosso coração, é plantio fecundo 
para ascendermos aos braços de Deus, todos de braços dados, 
irmanando-nos em igualdade filial, em profundo respeito à alteridade que 
nos entranha individualmente e reciprocamente. Em um futuro logo ali não 
seremos conhecidos pelo ideário escravista que impusermos, mas pela 
liberdade que aprouvermos aos nossos iguais, na melodia libertária do 
amor. Seria muito útil para nossos corações e consciências que 
pudéssemos nos ver como os nosso amados e sofredores cães sarnentos, que 
se lambem instintivamente para se curarem mutuamente. Somos todos, de 
uma certa forma, escombros de nossos passados ignóbeis. Nada mais útil 
aprender com a dor e o amor do outro, de vez que a única coisa que temos 
em comum, na ação, no fazer, é a colheita, mas sempre existirá cada qual 
com seu cadinho de fel.
A lavra de nosso coração é imensa, pois em nossa imensa maioria não 
conseguimos, ainda, equilibrar nossos sentimentos com a cal vigorosa da 
razão e com mel de profunda doçura do amor despretensioso. Somos, em 
parte labaredas e, em parte refrigérios uns dos outros, mas não 
conseguimos a sinergia  calor-frescor em nós para distribuir amor, 
incondicional amor, que cure corações à mão cheias, que estejam, na 
ausência de quem os ame, nos vales dolorosos da angústia e da dor.
A  lavra de nosso coração, por momentos, ser-nos-á de misantrópica dor, 
pois nos escrínios de nosso ontem, temos lamaçais de inadequações de 
proceder, nos quais abandonamos entes amados e queridos, em busca da 
lascívia e da corrupção do espírito, pelo que hoje respiramos o ar da 
saudade, alimentamo-nos de uma solidão insípida e carpimos lágrimas de 
ingratidão e abandono, colheita nossa por tempo certo, de nossa própria 
herança...
A lavra de nosso coração para ser eficaz deverá ser eivada de lógica, 
razão, bom-senso, ausência completa de auto-violência, ética e caridade. 
Se não seguirmos por esta trilha estreita, mas verdadeira, corremos o 
risco de sermos sugados, ressonância e sintonia, para estados mentais 
umbralinos vinculados à ilusão.
Na lavra de nosso coração não devemos ter pressa. Começa hoje e só Deus 
sabe quando termina.
Que Jesus e Maria de Nazaré nos abençoe – Deus conosco. Paz inefável!

Nenhum comentário:

Postar um comentário