Uma vez que a crescente divulgação e vulgarização do Espiritismo, está a
tornar-se cada vez mais evidente, sendo que é devido a esta Ciência
Espírita, que se estão a divulgar e vulgarizar novos valores, pode
dizer-se que a mesma, é assim a principal responsável e grande
impulsionadora, de toda uma reforma, essencialmente moral e filosófica,
que se está a operar em toda a sociedade; segue-se daí que essa mesma
reforma, toda ela ideológica, está a influenciar a educação em si, ou
seja, a educação está a ser fortemente influenciada pelos Ideais
Espíritas-Cristãos, daí a crescente generalização da expressão: Educação
Espírita. Mas, ao mesmo tempo, que a educação está a ser influenciada
pela reforma que se está a realizar na sociedade, também a educação é a
principal alavanca dessa mesma reforma, pois que é através do processo
educativo e da consequente interiorização de novos valores, que a
sociedade se vai reformando, aos poucos e poucos; entre educação e
reforma, estabelece-se assim uma relação dialéctica e recíproca, se
assim me é lícito exprimir, sendo que, o Espiritismo constitui-se por
seu turno, como a base científica sólida em que assentam ambas.
O
que é, e em que consiste então a educação espírita? Muito resumidamente,
é toda e qualquer educação, que esteja em concordância com os
princípios do Espiritismo; sendo assim, todos aqueles que queiram Educar
segundo o Espiritismo, não poderão pois negligenciar os preceitos de
amor, verdade, justiça e caridade, que deverão estar sempre presentes no
acto educativo, não só em palavras, mas, e essencialmente em actos,
porquanto, quem diz uma coisa e faz outra, não ensina o que diz, ensina o
que faz; ou seja, e como exemplo: educadores injustos que falam de
justiça aos seus educandos, mas que não adequam aos seus próprios actos,
as palavras que proferem, não ensinam aos educandos o preceito de
justiça, antes lhes ensinam a injustiça, pois que os actos têm mais
força do que as palavras; assim sendo, e uma vez que, jamais se poderá
ensinar a justiça ou qualquer outra virtude, quando não se é possuidor
dela, segue-se que, não basta falar sobre a virtude aos educandos,
necessário é que os educadores sejam virtuosos, para que possam dar o
exemplo.
Uma vez que com este exemplo, acabei por invocar o preceito
de justiça, necessário se faz agora, aprofundar o respectivo conceito
relativo de justiça, pois que apreender a Justiça em si mesma, não nos é
para já possível, no grau de adiantamento espiritual em que nos
encontramos, porquanto, só Deus e os seus Mensageiros Directos, ou seja,
os Espíritos Superiores e os Espíritos Puros, é que sabem, em que
consistem os Arquétipos em si mesmos, dos quais, a Justiça faz parte.
Podemos entretanto, elaborar uma definição relativa de justiça, tentando
para isso aproximarmo-nos o mais possível do que será um conceito de
justiça puro, se assim me é lícito exprimir, ou seja, livre dos defeitos
e preconceitos humanos, porquanto, as mais das vezes, cada um tenta
elaborar a definição de justiça que mais lhe convém; ora, esta é a
primeira de muitas outras falhas; tentarei portanto, ser o mais
imparcial possível na elaboração do referido conceito, sendo que o
mesmo, nada encerrará de absoluto, antes será relativo, pois que ao
fazê-lo, estou limitado ao meu grau de adiantamento moral e intelectual;
por este motivo, irei ainda socorrer-me, como é óbvio, das Máximas
Morais, ensinadas pelo Espírito Humano mais Elevado Espiritualmente, que
viveu no Planeta Terra, há mais ou menos dois mil anos atrás, ou seja:
Cristo; porquanto, na História da Humanidade, e considerando todos os
espíritos missionários, nenhum houve, que tivesse igualado a
Superioridade Moral do Cristo.
Direi então, que a justiça, conceptual
e relativamente falando, consiste em não ferir susceptibilidades,
respeitando a unidade, diversidade e integridade pessoais, física e
moralmente falando; consistindo ainda no respeito e estipulação dos
direitos de cada um e correspondentes obrigações, e no respeito pela
diversidade cultural existente nas mais diversas sociedades; eis, que a
justiça, nos aparece deste modo, como a pedra basilar da ordem social,
quer em termos de uma organização social, quer em termos das
inter-relações, que se estabelecem entre os diversos seres sociais.
Segue-se que, para que esta definição relativa de justiça, se torne mais
completa, é necessário recorrer aos princípios universais preconizados
por Cristo, considerando-os como as máximas morais, que deverão reger a
conduta pública e privada, de cada um de nós, independentemente das
diferenças sociais, culturais, raciais, étnicas, biológicas,
psicológicas, (…), que nos caracterizam enquanto seres humanos;
porquanto, só assim é que se pode alcançar a justiça e a harmonia
sociais, a um nível global; para isso, é necessário não fazer aos
outros, o que não gostaríamos que os outros nos fizessem, tratando os
nossos semelhantes, como gostaríamos de ser tratados por eles, tendo em
conta, como já foi referido, a enorme diversidade cultural dos nossos
dias; eis, os princípios universais a que me referia e que foram
instituídos por Cristo; todos aqueles que assim procederem, quer seja na
vida pública, quer na privada, agirão de acordo com as regras
universais de conduta, que constituem a bem dizer, os fundamentos da
Justiça Espírita-Cristã.
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