quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Um exemplo de humildade















Espírito: Vianney - Cura d'Ars

Um exemplo de humildade






Um exemplo de humildade


A história da humanidade é cheia de fatos interessantes, de pessoas que marcaram fortemente sua época, seja pela crueldade, seja pela bondade, pela humildade ou outra virtude qualquer.

            Os feitos que geralmente mais impressionam são as vidas dedicadas ao bem comum, ao progresso de todos.

Uma dessas vidas, marcadas pela dedicação, a benevolência e a humildade, é a de João-Maria Batista Vianney.

Ele nasceu no seio de uma família pobre, humilde e muito religiosa, em Dardilly, perto de Lyon, França, a 8 de maio de 1786. Era um garoto diferente dos demais da sua idade, pois o que mais gostava de fazer era orar e praticar o recolhimento. Aprendera desde cedo a orar com a família, tomou gosto por essa prática, e encontrava nas preces fervorosas o alimento para sua alma e um meio de aliviar o sofrimento dos seus semelhantes.

Desde criança o pequeno Vianney alimentava o sonho de ser padre, mas dois obstáculos se apresentavam quase intransponíveis: a pobreza e a escassa inteligência. A escassez de dinheiro poderia ser solucionada, bastava que alguém custeasse seus estudos, já que para ser padre precisaria estudar muito e sobretudo aprender o latim, mas a falta de inteligência parecia comprometer definitivamente o seu sonho.

Todavia, o jovem sonhador não abandona seus objetivos e encontra um amigo que resolve ajudá-lo nos estudos de teologia: o padre Balley.

Depois de tantas lutas, de muito sofrimento e persistência, sempre com a ajuda de Balley, no dia 13 de Agosto de 1815, Vianney foi ordenado padre, aos 29 anos de idade, na cidade de Grenoble, França.

Naqueles tempos chamados “os séculos das luzes”, os dotes da razão eram considerados a verdadeira grandeza dos homens, e assim o futuro do padre Vianney parecia não ser muito animador, pois esses dotes lhe faltavam.

Por causa da sua falta de instrução, as queixas dos seus colegas contra ele eram constantes. Numa dessas ocasiões, em que um grupo estava reclamando de Vianney, ao bispo, este lhes respondeu: “Não sei se ele é instruído, sei que é iluminado”.

 Realmente o padre Vianney era diferente. Naturalmente simples, de autêntica humildade, dele se irradiava algo superior à inteligência. Possuía uma visão mais elevada das coisas e das situações, e isso se manifestava nos conselhos que dava, na maneira de conversar com as pessoas, de ouvir os problemas e sugerir soluções.

                     

Conta-se que antes de ser ordenado padre, um dia Vianney chegou ao local onde o Vigário e demais padres discutiam, em assembleia, se seria ou não viável ordená-lo e lhe dar a responsabilidade de uma paróquia, já que Vianney era muito burro, segundo eles.   Ao ouvir o que o diziam a seu respeito, Vianney esperou que os padres se retirassem, aproximou-se do Vigário e lhe disse: “Sr. Vigário, se Sansão derrotou o exército dos Filisteus, armado com apenas uma mandíbula de burro, o que o sr. não fará com um burro inteiro?”

Somente quem possui uma real grandeza de alma é capaz de propor uma questão como essa.

Como os padres de Ecully não se cansavam de reclamar de Vianney, ao bispo, talvez porque a luminosidade dele lhes ofuscasse o brilho, ele foi transferido para a paróquia da Aldeia de Ars-em-Dombes. Era uma pequena aldeia com cerca de 300 habitantes, e foi por isso que o padre Vianney ficou conhecido como o Cura d’Ars.

Era 9 de fevereiro de 1818, uma sexta feira nevoenta, o dia em que o padre Vianney chegou em Ars, para cuidar de uma capela quase abandonada, e cuja população se interessava mais pelos cabarés que por Deus.

A capela estava sempre vazia, então o padre Vianney se colocava diante do altar singelo e fazia o que mais amava fazer: orava.

Ele pedia a Deus, com fervor, que lhe inspirasse um jeito de despertar nos corações endurecidos de Ars, um desejo sincero de voltar-se para as coisas divinas, pelo menos um dia na semana.

E logo lhe veio a ideia de ir visitar as pessoas em seus lares, antes que saíssem para o trabalho, e lhes contar histórias de santos, de pessoas que tiveram vida exemplar. Foi assim que em poucos anos os cabarés estavam vazios e a capela precisou ser ampliada para acolher os novos fiéis, que agora vinham até das localidades vizinhas para visitar aquele padre humano, sensível e terno, que sabia entender as misérias humanas e consolar os aflitos. Além disso, ele curava os doentes com apenas um aperto de mão...

         

Quando algum padre lhe perguntava qual o segredo de tudo aquilo, o padre Vianney lhe respondia: “Você já passou alguma noite em oração?”

Ele acreditava no poder da oração e na resposta de Deus.



No dia 4 de agosto de 1859, o Cura d’Ars abandona o corpo, mas não abandona a vida. Hoje ele é considerado, pelos católicos, como o padroeiro dos padres.



Após sua morte esse nobre Espírito continua a servir, e foi pela sua grandeza de alma que Erasto o recomenda para ajudar, com sua força magnética, na cura de uma possessão, que Kardec publica na Revista Espírita de janeiro de 1864:

“Para o Espírito encarnado que se acha, como Júlia, em estado de possessão, é necessário um magnetizador experimentado e perfeitamente convicto da verdade espírita. É necessário que ele seja, além disso, de uma moralidade irreprochável e sem presunção. Mas, para agir sobre o Espírito obsessor, é necessária a ação não menos enérgica de um bom Espírito desencarnado. Assim, pois, dupla ação: terrena e extraterrena; encarnado sobre encarnado; desencarnado sobre desencarnado; eis a lei. Se até agora tal ação não foi realizada, foi justamente para vos trazer ao estudo e à experimentação dessa interessante questão. É por isto que Júlia não se livrou mais cedo. Ela devia servir aos vossos estudos.

“Isto vos demonstra o que deveis fazer de agora em diante, nos casos de possessão manifesta. É indispensável chamar em vossa ajuda o concurso de um Espírito elevado, gozando ao mesmo tempo de força moral e fluídica, como, por exemplo, o excelente cura d’Ars, e sabeis que podeis contar com a assistência desse digno e Santo Vianney. Além disso, nosso concurso será dado a todos os que nos chamarem em seu auxílio, com pureza de coração e fé verdadeira.

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