terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O RECURSO

O RECURSO

Começaste o dia recebendo a visita de um amigo, a falar-te da leviandade de um
parente que te acusou por faltas que não cometeste.
Para logo te desmandaste na irritação e na revolta.
Em seguida, vieram as compras, segundo a lista de encomendas que formulaste
na véspera.
Alguns artigos, no entanto, não chegaram nas condições esperadas e, sem
qualquer hesitação, devolveste o material recebido com ásperas reclamações.
Logo após, observaste que o vizinho, involuntariamente, provocou pequeno defeito
no sistema de esgotos, prejudicando-te o banheiro, por alguns minutos.
De imediato, chamaste às contas o amigo da vizinhança, admoestando-o com
severidade agressiva, sem ao menos aceitar-lhe o pedido de desculpas, enunciado
com humildade.
Não passou muito tempo, notaste que a governanta não efetura a limpeza da casa,
conforme as minudências de tuas instruções.
E à frente da senhora que te serve com atenção à vida familiar, dirigiste a ela um
sermão esbrazoado de exigências.
Assim atravessaste as horas, lastimando a vida, gritando contra determinadas
pessoas, maldizendo parentes, criticando, condenando, ironizando e ferindo aos que
te rodeiam.
Em sobrevindo a noite, trazias o corpo abatido, como que vergastado por farpas
invisíveis.
Clamaste contra a doença e te declaraste com os nervos destrambelhados.
Por fim, em certo momento, pediste chorando para que alguém te descobrisse
um remédio ou um recurso contra as tuas angústias e contrariedades, amarguras e
desesperações.

É por isso que estamos aqui a rogar-te com respeito:
- Experimenta o perdão.

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