sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Ano novinho em Folha


Em uma de suas poesias Carlos Drumond de Andrade diz que para termos um Ano Novo feliz, que mereça esse nome, devemos merecê-lo, e que, dentro de nós, um ANO NOVO espera desde sempre. Depois que li esse texto, suas palavras tal qual um comichão, remexem minhas entranhas me perguntando pelos anos de vida, de obras, de erros, de virtudes, de lágrimas, de feitos, de misérias, de recomeços, de superação, de vitórias e novas lutas constantes... Muitas vezes tempos de cansaço, eu confesso, mas outras tantas vezes, tempos de amor, de redenção e de felicidade.
Há sim, algumas coisas que podemos fazer para que nosso Ano Novo nos traga uma etapa renovada – se não a mais feliz de todas, pelo menos mais feliz do que está agora.
Acredito que essa etapa começa no Natal. Não no dia 25 de dezembro de qualquer ano, mas no Natal particular de cada homem ou mulher... Quando Jesus e toda sua mensagem de amor nascem em nossos corações. Esse dia tem uma estrela guia que brilhará dentro da consciência por todo o sempre. Esse dia tem reis magos que se traduzem em presentes de uma nova constelação de sentimentos e valores que irão reger nossa vida. Nossa gravidade será o bem... Nada fora do bem atrairá tanto nossos sentidos e nosso ser como a fraternidade, a benevolência, a honestidade. Uma nova ordem intergaláctica irá se sobrepor ao nosso mundo material e tudo que sempre nos pressionou e feriu perderá a importância. Simplesmente porque junto com Jesus que nascia, renascíamos dentro de nós, melhorados, robustecidos, enobrecidos e mansos.
Claro que ainda teremos contas a pagar e conflitos a resolver, mas é impressionante como nova visão se fará diante de tudo isso, sem aquele desespero frequente enxergaremos soluções corretas e simples que nem tínhamos percebido. Coisas como pagar uma dívida e gastar apenas o que realmente podemos passarão a ser mais fáceis quando estamos no controle de nossas próprias vidas. Gostar de nós mesmos, corrigir maus hábitos e encontrar alegria em viver, também serão atitudes naturais e acessíveis. Aliás, essas coisas nos são acessíveis... O que nos afastou das resoluções acertadas durante tanto tempo foi a nossa incapacidade de ver, ouvir e interpretar com os sentidos do amor e do bem geral; “Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo. Esta aí toda a Lei e todos os Profetas”
Sim, é provável que durante muito tempo ainda gostemos de roupas novas, carros possantes, casas bem decoradas, conforto em demasia e até algumas frivolidades. “A natureza não costuma dar saltos”. Entretanto, essas regalias não serão mais a nossa razão de viver. Nossa razão de viver será nossa vida, nossa missão e as outras pessoas. Porém, mesmo as outras pessoas e o nosso ego glamoroso que quer chegar ao topo, exercerão uma influencia diferente sobre nós. Porque quem renasce em Jesus procura a justiça em tudo que vai realizar. Assim, fica pouco espaço para enlouquecermos a nós mesmos com estrelismos ou autocomiseração. Menos espaço ainda para nos entregarmos a paixões escravizantes que não reconhecem fronteiras de certo e errado, ou cedermos a chantagens e truques que as pessoas costumam usar quando querem se proteger ou se manterem no controle das situações.
Um ponto de suma importância sobre o Natal do Espírito, é que Ele não é ofertado a você como um presente que alguém ficou dias escolhendo para te dar. Não, ele sempre esteve a sua disposição. Você tem apenas que querer, procurar e pedir humildemente que aconteça em sua vida. Cedo ou tarde você vai pedir.
Pois, a maldade e a escuridão não são um lapso de Deus, nem um ponto fraco da luz. São os objetos que validam o uso do livre arbítrio e do merecimento. Se a única opção que tivéssemos fosse a bondade e a hombridade não haveria mérito algum e escolhê-las. O mérito está em acreditar e honrar a Deus, andar no caminho reto ainda que este pareça ser mais tortuoso. Ter paciência nos momentos de dor, ter resignação quando estamos injuriados, lavar os olhos com as lágrimas da tristeza nos momentos que gostaríamos de obter algum tipo de revanche e depois de tudo ainda perdoar... Não retribuir o mal que nos feito nem em pensamento, e mais, desejar o bem de todos, mesmo daqueles que nos querem mal.
Não significa, pois, não ter defesa, mas fazê-lo com justiça e mansuetude. Não confundindo revidar com defender-se. Uma vez que, o primeiro dá continuidade à miséria humana e o segundo apenas impede que o mal nos atinja. Afinal, não pode a figueira saudável produzir frutos iguais aos da figueira doente, infectada por pragas.
É certo que, toda criatura sem exceção, a seu tempo, perceberá o óbvio, que o bem é bom e faz feliz e, aquele que permanece no mal, sempre sofrerá e não encontrará prazer em existir, a não ser que ilumine a si mesmo com o perdão, o arrependimento e o reforma íntima. Todos aqueles que começarem novas jornadas no bem, serão sim, ajudados. No entanto, quem começar agora viverá em paz e feliz antes. Então, para que adiar?
Renascer em Jesus é educar o ser humano antigo que havia dentro de nós e converter todas as suas rudezas em doçuras, presteza, inteligência e bondade. Aplicar tudo isso para o bem do próximo é estar a um passo dos anjos.

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