quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Vida comunitária


Vida comunitária

“Queiramos ou não, é da Lei que nossa existência pertença às existências que nos rodeia.” (Emmanuel, “Fonte Viva”, item 154, psicografia de Francisco Cândido Xavier.)


Ninguém consegue viver inteiramente isolado. Influenciamos aqueles que nos rodeiam e recebemos influências do nosso meio.

Interagindo uns sobre os outros, construímos o mundo que vivemos, e, se por ventura, ele não é o oásis de paz que sonhamos ou porto que possa ancorar as nossas aspirações, obviamente, nossos atos e atitudes não estão de acordo com os padrões da dignidade, decência e sublimidade, como deveriam.

Com freqüência, lamentamos os exemplos infelizes e nocivos que as pessoas grassam no meio social, no entanto, raramente nos propomos a verificar que tipo de comportamento estamos divulgando na comunidade. Temos pressa em observar o que os outros fazem e somos lentos demais para perceber o que estamos fazendo.

A construção de um mundo melhor, condizente com os nossos anseios de serenidade é tarefa para todos. Atribuir tal empreitada somente aos governos, líderes religiosos e homens públicos é transferir a nossa cota de participação no desenvolvimento social.

Naturalmente, não podemos menosprezar o esforço daqueles que saem à frente abrindo caminhos para o povo, mas o povo, por sua vez, também não pode deitar nas redes macias da comodidade, à espera dos frutos provindos das árvores que não plantaram. Nossa omissão, no quadro social, é sinal de indiferença.

Se, diante de um incêndio, não podemos de imediato contar com a presença do corpo de bombeiros, não estamos impedidos de jogar alguns baldes de água, tentando diminuir a ira das chamas. Assim, também, no contexto da sociedade em que vivemos. Quando os órgãos responsáveis ainda não puderem resolver os problemas que assolam as pessoas, façamos a nossa parte, ofertemos a nossa cota de contribuição e, por certo, estaremos influenciando aqueles que nos observam, pois ensinamos muito mais pelos exemplos do que pelo que falamos.

Muitas crianças estão com fome. Inúmeros pais deambulam à procura de emprego. Mães choram ao ver os filhos em penúria. Famílias se entristecem ao perceber seus membros caminhando por veredas sombrias e degradantes. Jovens decepcionados e aturdidos procuram nas viciações tóxicas a vazão dos seus dramas. Dores, sofrimento, angústias, desilusões... Quanto ainda temos por fazer!

Assim, sabendo que não vivemos exclusivamente para nós, pensemos em servir, no contexto social em que mourejamos. À medida que nos preocupamos com os outros, pela lei de ação e reação, sem dúvida, os outros, em nos observando o comportamento, nas nossas dificuldades, também se prestarão a nos servir. Há muito já nos fora informado: “é dando que se recebe”.

A vida, sábia como é, sempre nos devolve aquilo que a ela endereçamos. O bem em favor do próximo, aumentado, voltará em nossa direção, nos beneficiando. O mau que fere o irmão, acrescido, retornará para junto de nós, nos prejudicando. Somos livres para decidir.

Imperioso, então, refletirmos maduramente sobre nossos atos e comportamentos, observando com afinco o que realmente estamos oferecendo à sociedade que nos acolhe, uma vez que nossas semeaduras, que são livres, podem estar plantando a nossa felicidade ou... a nossa infelicidade.


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