Antes de enunciar muito sinteticamente, aquilo que é e o que não é
Espiritismo, achei necessário referir os critérios obrigatórios, que uma
área disciplinar necessita de cumprir, para que seja considerada
científica; necessário é que não seja dogmática e sistemática, isto é,
que não queira ter o privilégio exclusivo da verdade absoluta e que não
se baseie num sistema inalterável e fechado, porquanto, as verdades
científicas são evolutivas e relativas; necessita também de possuir um
corpo teórico bem estruturado e dotado de terminologia própria,
dedicando-se a um objecto de estudo específico; necessita ainda de
adoptar o método científico na pesquisa, para proceder à observação dos
factos; eis os critérios necessários que qualquer área de estudos
necessita de cumprir, para se tornar uma ciência.
Entrando agora no
campo particular do Espiritismo ou Ciência Espírita, e como ainda
existem pessoas que o confundem com determinadas seitas religiosas e com
outras crendices e superstições, achei por bem começar por dizer,
aquilo que não é Espiritismo, e também aquilo que nenhuma relação tem
com a referida Ciência; o Espiritismo não é uma seita a pregar o
fanatismo religioso, nem é do domínio do sobrenatural, aliás, o
sobrenatural não existe, porquanto, tudo se explica por leis naturais;
também não pertence ao grupo das chamadas doutrinas esotéricas e nenhuma
relação tem com as mesmas, tais como: a astrologia, magia, (…), que não
passam de pseudociências, ou seja, não possuem qualquer base
científica, pois que não cumprem os critérios supramencionados, para
serem classificadas como ciências.
O que é então o Espiritismo?
Dando uma simples e curta definição, direi que é uma ciência metafísica
de observação, de conteúdo filosófico e moral; é ciência, porque cumpre
os critérios necessários para se classificar como tal; é do domínio da
metafísica, pois o seu objecto de estudo específico transcende os
limites da física; é ciência de observação, pois que é através da
observação e investigação dos factos espíritas, que se elaboram as
respectivas teorias, sendo que segue a regra axiomática comum a todas as
ciências, de que todo o efeito tem necessariamente uma causa; é uma
ciência de conteúdo filosófico e moral, pois o seu corpo teórico é
constituído por princípios filosóficos e morais, que se apoiam em uma
base científica sólida.
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