sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Caridade, alma do Espiritismo






            A Caridade é a alma do Espiritismo; ela resume todos os deveres do homem para consigo mesmo e para com os seus semelhantes, razão por que se pode dizer que não há verdadeiro Espírita sem Caridade.
            Mas a Caridade é ainda uma dessas palavras de sentido múltiplo, cujo inteiro alcance deve ser bem compreendido; e se os Espíritos não cessam de pregá-la e defini-la, é que, provavelmente, reconhecem que isto ainda é necessário.

            O campo da Caridade é muito vasto; compreende duas grandes divisões que, em falta de termos especiais, podem designar-se pelas expressões Caridade beneficente e Caridade benevolente.
 Compreende-se facilmente a primeira, que é naturalmente proporcional aos recursos materiais de que se dispõe; mas a segunda está ao alcance de todos, do mais pobre como do mais rico.
Se a beneficência é forçosamente limitada, nada além da vontade poderia estabelecer limites à benevolência.
            O que é preciso, então, para praticar a Caridade benevolente?
 Amar ao próximo como a si mesmo.
 Ora, se se amar ao próximo tanto quanto a si, amar-se-o-á muito; agir-se-á para com outrem como se quereria que os outros agissem para conosco; não se quererá nem se fará mal a ninguém, porque não quereríamos que no-lo fizessem.

            Amar ao próximo é, pois, abjurar todo sentimento de ódio, de animosidade, de rancor, de inveja, de ciúme, de vingança, numa palavra, todo desejo e todo pensamento de prejudicar; é perdoar aos inimigos e retribuir o mal com o Bem; é ser indulgente para as imperfeições de seus semelhantes e não procurar o argueiro no olho do vizinho, quando não se vê a trave no seu; é esconder ou desculpar as faltas alheias, em vez de se comprazer em as pôr em relevo, por espírito de maledicência; é ainda não se fazer valer à custa dos outros; não procurar esmagar ninguém sob o peso de sua superioridade; não desprezar ninguém pelo orgulho.
Eis a verdadeira Caridade benevolente, a Caridade prática, sem a qual a Caridade é palavra vã; é a Caridade do verdadeiro Espírita, como do verdadeiro Cristão; aquela sem a qual aquele que diz: Fora da Caridade não há Salvação, pronuncia sua própria condenação, tanto neste quanto no outro mundo.


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