sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Amar,não sofrer!

"Perguntais se é permitido abrandar as vossas próprias provas: essa questão leva a esta:
é permitido àquele que se afoga procurar se salvar? Àquele que tem um espinho cravado, de o retirar?..."
"... contentai-vos com as provas que Deus vos envia, e não aumenteis sua carga, às vezes tão pesada..." (Cap.V, item 26.)

Sofremos porque ainda não aprendemos a amar, afinal, a lei divina nos incentiva ao amor, como sendo a única forma capaz de promover o nosso crescimento espiritual.

Os métodos reais da evolução só acontecem em nós quando entramos no fluxo educativo do amor.
Sofrer por sofrer não tem significado algum, pois a dor tem como função resgatar as almas para as faixas nobres da vida, por onde transitam os que amam em plenitude.

Temos acumulado inúmeras experiências nas névoas dos séculos, em estâncias onde nossas almas estagiaram, e aprendido invariavelmente que somente repararíamos nossos desacertos e equívocos perante a vida através do binômio "dor-castigo".

Nas tradições da mitologia pagã, aprendemos com os deuses toda uma postura marcada pela dor. A princípio os duelos de Osísis, Set e Horus, do antigo Egito. Mais além, assimilamos "formas-pensamentos" das desavenças e vinganças entre Netuno e Júpiter no Olímpio, a morada dos deuses da Grécia.

Por outro lado, não foi somente entre as religiões idólatras que incorporamos essas formas de convicção, mas também nos conceitos do Velho Testamento, onde exercitamos toda uma forma de pensar, na exaltação da dor como um dos processos divinos para punir todos aqueles que se encontravam em falta.

A palavra "talião" significa "tal", do latim "talis", definida como a "Lei de Talião", ou seja, "Olho por olho, dente por dente". Significa que as criaturas deveriam ter como castigo a dor, "tal qual" fizeram os outros sentirem, sem se levar em conta que a idéia de que se tinha do poder divino era caracterizada por atributos profundamente punitivos.

Jó afirmava: "e Deus na sua ira lhes repartirá as dores", no Gênesis, em se referindo aos castigos da mulher: "multiplicarei os teus trabalhos e em meio da dor darás à luz a filhos", são algumas dentre muitas assertivas que nos levaram a formar crença profundas de que somente o sofrimento era capaz de sublimar as almas, ou reparar negligências, abusos e crimes.

No "Sermão do Monte", Jesus Cristo se refere à Lei de Talião revogando-a completamente: "Ouvistes que foi dito: Olho por olho e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais o mal; mas, se alguém te bater na face direita, apresenta-lhe também a outra". Longa foi a estiagem dos métodos corretivos pela dor, contudo o Mestre instalou na Terra o processo da educação pelo amor.

Apesar de Jesus ter invalidado a Lei do "tal crime, tal castigo", ela ainda prevalece para todos os seres humanos que não encontraram no amor uma forma de "viver" e "pensar".

Realmente, durante muito tempo, a dor terá função dentro dos imperativos da vida, estimulando as pessoas às mudanças e às renovações, por não aceitarem que o amor muda e renova e, portanto, utiliza-se dos "cilícios mentais", como meios de suplícios e tormentos, para se auto-punirem, pondo assim em prática toda sua ideologia de "exaltação à falta/punição".

Crenças não são simplesmente credos, máximas ou estímulos religiosos, mas também princípios orientadores de fé e de idéias, que nos proporcionam direção na vida. São verdadeiras forças que poderão limitar ou ampliar a criação do bem em nossa existência.

Mudar para o amor como método de crescimento, reformulando idéias e reestruturando os valores antigos é sairmos da posição de vítimas, mártires ou pobres coitados, facilitando a sintonização com as correntes sutís e amoráveis dos espíritos nobres que subiram na escala do Universo, amando.

Podemos, sim, "sutilizar" nossas energias carmicas, amando, ou "desgastá-las" penosamente, se continuarmos a reafirmar nossas crenças punitivas do passado.

Reforçar o "espinho cravado" ou não retirá-lo é opção nossa.

Lembremo-nos, porém, de que idéias arraigadas e adotadas seriamente por nós tendem a motivar-lhes a própria concretização.


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