quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Transição e regeneração:

 Transição e regeneração: o cumprimento da lei do progresso

Todo período de transição possui uma característica marcante: a coexistência de elementos representativos do período atual em que se encontra com elementos que marcam o novo período em que se adentrará. A passagem da Terra, de um mundo de provas e expiações para um mundo de regeneração, é o cumprimento de uma das leis da natureza, a lei do progresso, que postula que tudo se transforma incessantemente, sempre com o objetivo do melhoramento lento e gradual com destino à perfeição. Assim sendo, constatamos sinais inequívocos do mundo de regeneração que se anuncia e ao mesmo tempo convivemos com as velhas estruturas materialistas.

Dentre as evidências que nos permitem falar num ensaio para um mundo regenerado, vemos uma enorme busca por espiritualidade, que se verifica ao longo de toda a pirâmide social. Os mais abastados em termos materiais sentem um vazio existencial causado pela futilidade e pela descartabilidade da sociedade capitalista materialista. Aqueles que se encontram em condição de penúria e miséria se questionam o porquê de tanto sofrimento, buscando respostas existenciais que transcendem nossa precária condição humana. E é somente pelas vias da espiritualidade e da conquista do bem-estar íntimo que será possível o equacionamento desses problemas que afligem o ser humano na atualidade.

Além da questão do desabrochar da espiritualidade, percebemos outros indícios da transição que vivemos, a exemplo do surgimento das instituições protetoras, como as grandes organizações defensoras dos direitos humanos e dos direitos das minorias historicamente excluídas; a repulsa instintiva contra idéias perversas; a diminuição das barreiras com o incrível aumento da comunicação entre os povos, proporcionado pela fantástica Revolução da Informação em escala global; idéias grandes e generosas que dão suporte às reformas úteis que deverão ser levadas a cabo para reestruturar as instituições humanas falidas.

Todos os movimentos progressistas da História, no entanto, sempre encontraram forte oposição naqueles que persistem na defesa das idéias retrógradas interessadas na manutenção do status quo atual das sociedades humanas. Por isso, o choque de pensamento que se trava no contexto da coexistência de elementos novos e reformistas será a grande marca dos tempos que se aproximam. As mudanças que virão sepultar o velho estado de coisas da Terra não serão puramente materiais, mas se processarão, sobretudo no campo das idéias.

Nesse sentido, a mola propulsora da transformação para a regeneração será a aliança da ciência com a religião, que ocorrerá quando a religião, adotando a racionalidade das crenças no lugar do fanatismo cego e da intolerância, verá nascer um renovado tipo de fé religiosa, indestrutível, porque terá origem na fé raciocinada e será revestida com as luzes da razão, rejeitando definitivamente os dogmas aprisionadores do espírito humano.

Quanto à ciência, passará a reconhecer a ligação fundamental das leis do mundo material com as leis do mundo espiritual, abandonando definitivamente o paradigma materialista que sustentou o pensamento científico por séculos, e promovendo a integração dos conceitos religiosos com os fundamentos científicos. Portanto, cairão os dogmas, o materialismo e a incredulidade, pois haverá o suporte sólido da razão a guiar a ação e a fé humanas, como magistralmente sintetizou Allan Kardec: “Fé inabalável só o é aquela que pode enfrentar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade”.

Enfim, a Terra verá surgir uma nova era de progresso moral quando livrar-se terminantemente do ranço materialista e quando a lei do mais forte for substituída pela fraternidade universal, dando lugar a sociedades humanas regidas por uma ordem social harmônica e justa, pautadas pela cooperação entre os homens e pela prática integral e irrestrita da Caridade na sua mais pura expressão cristã.


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