quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Como se encontra o atual cenário espírita na pátria do evangelho ? Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/artigos-espiritas/como-se-encontra-o-atual-cenario-espirita-na-patria-do-evangelho

 Lemos recentemente o primeiro aviso espiritual sobre a missão da Pátria do Evangelho, ditada em 1873 pelo Espírito Ismael! Sublinhamos na mensagem lida os seguintes trechos: “o Brasil tem a missão de cristianizar. É a Terra da Fraternidade. A Terra de Jesus. A Terra do Evangelho. Não foi por acaso que tomou o nome de Vera Cruz, de Santa Cruz. Na Era Nova que se aproxima, abrigará um povo diferente pelos costumes cristãos. Cumpre reconhecer em Jesus, o chefe espiritual [do Brasil]. A missão dos espíritas no País é divulgar o Evangelho, em espírito e verdade. Os que quiserem bem cumprir o dever, a que se obrigaram antes de nascer, deverão, pois, reunirem-se debaixo deste pálio trinitário: Deus, Jesus e Caridade. Onde estiver esta bandeira, aí estarei eu, Ismael.!” (1)
Após a leitura dessa histórica mensagem, deliberamos analisar o atual  cenário espírita na Pátria do Evangelho. Propomos ao caríssimo leitor fazer conosco um ligeiro check-up do atual movimento espírita nas terras do “Cruzeiro do Sul”. Sem muito esforço de apreciação, identificaremos uma redução acentuada do número de militantes sérios e comprometidos com a Codificação Kardeciana. Lamentavelmente, assistimos irromper-se o espírito elitista junto às muitas instâncias doutrinárias; vemos crescer a volúpia da oficialização das cobranças de taxas para ingresso nos eventos ditos “espíritas”. Promovem-se insistentemente a espetacularização da oratória e do conhecimento doutrinário “decorado” através de congressos, simpósios, workshop, palestras ou conferências realizados quase sempre em lugares esplêndidos.
A Internet tende a democratizar a informação mundial e poderia ser o grande instrumento de divulgação dos princípios espíritas, porém o “olho grande” nos  lucros através das vendas de livros psicografados caros (cuja renda deveria destinar-se a obras assistenciais), salvo raras exceções, estão sendo proibidos para “download” com a evocação do execrável argumento materialista dos  tais “direitos autorais” (mas, os autores são os espíritos, ou não?). É urgente um basta aos especuladores ambiciosos, que continuam industrializando Jesus através do Espiritismo. Cremos que se o Chico Xavier tivesse plena noção de que os livros que doou seriam alvo de ganância financeira, ele não os doaria, com certeza! É necessária a abolição dessa nefasta corretagem doutrinária em que comerciantes avarentos transformam o Espiritismo em balcão de negócios inaceitáveis.
O Espiritismo, no aspecto meramente humano das suas atuais diretrizes, ostentando convênio de agrado ou de cessão com as infiltrações mundanas do materialismo, do ganho financeiro supostamente justificado pelo assistencialismo de superfície, não se tem diferenciado da competição entre as empresas comerciais que só visam ganhar mercado, clientes e muitos cifrões.
Emmanuel advertiu, entre outras coisas (como observaremos mais abaixo), que os diretores de centros espíritas agenciam muito mais assembléias para discutir modos de angariar dinheiro e haveres para o custeamento de projetos desnecessários, e às vezes até supérfluos, do que para instruir doutrinariamente os frequentadores da instituição. Por essas razões, é importante analisar equilibradamente o movimento espírita brasileiro de hoje.
O incomparável médium Chico Xavier advertiu há algumas décadas que a mensagem espírita não pode se distanciar do povo. É “preciso fugir da tendência à elitização no seio do movimento espírita. É necessário que os dirigentes espíritas, principalmente os ligados aos órgãos unificadores, compreendam e sintam que o Espiritismo veio para o povo e com ele dialogar. É indispensável que estudemos a Doutrina Espírita junto às massas, que amemos todos os companheiros, sobretudo os espíritas mais humildes, social e intelectualmente falando, e das massas nos aproximarmos com real espírito de compreensão e fraternidade [isso não se consegue com os shows dos eventos pagos, protagonizados por alguns pregadores que comercializam as palestras que realizam]. Se não nos precavemos, daqui a pouco estaremos em nossas casas espíritas apenas falando e explicando o Evangelho de Cristo às pessoas laureadas por títulos acadêmicos [que não abrem mão de manter o burlesco “Dr.” antes dos endeusados nomes e sobrenomes] ou intelectuais e confrades de posição social mais elevada. Mais do que justo evitarmos isso (repetiu várias vezes) a “elitização” no Espiritismo, isto é, a formação do “espírito de cúpula”, com evocação de infalibilidade, em nossas organizações.”(2)
Numa das entrevistas concedidas a Jarbas Leone Varanda, publicada no jornal uberabense, Chico exprobra mais uma vez: “a falta de maior aproximação com irmãos socialmente menos favorecidos, que equivale à ausência de amor, presente no excesso de rigorismo, de formalismo por parte daqueles que são responsáveis pelas nossas instituições; o médium mineiro reprova a preocupação excessiva com a parte material das instituições, com a manutenção, por exemplo, de sócios contribuintes ao invés de sócios ou companheiros ligados pelos laços do trabalho, da responsabilidade, da fraternidade legítima; é a preocupação com o patrimônio material ao invés do espiritual e doutrinário; é a preocupação de inverter o processo de maior difusão do Espiritismo fazendo-o partir de cima para baixo, da elite intelectualizada para as massas, exigindo-se dos companheiros em dificuldades materiais ou espirituais uma elevação ou um crescimento, sem apoio dos que foram chamados pela Doutrina Espírita a fim de ampará-los na formação gradativa.” (3)
O mestre lionês certifica que “quando as idéias espíritas forem aceitas pelas massas, os sábios se renderão à evidência”. (4) Não podemos permitir a “deturpação da mensagem dos Espíritos, como aconteceu com o Cristianismo legalizado por Constantino, em 313, e posteriormente oficializado como religião do Império romano por Teodósio, em 390. A Doutrina dos Espíritos veio para consertar o Cristianismo, todavia, na sua feição evangélica primitiva. Os líderes que se transviarem das legítimas mensagens espíritas cristãs sofrerão as severas sanções das Leis do Criador, em face da invigilância, pois com as Leis de Deus não se pode brincar.
Corroborando a tese de Humberto de Campo sobre a missão cristã do nosso país no contexto mundial, Emmanuel registra - “achamo-nos todos à frente do Brasil, nele contemplando a civilização cristã, em seu desdobramento profundo. Nele, os ensinamentos de Jesus encontram clima adequado à vivência precisa.”(5)  “Embora nos reconheçamos necessitados da fé raciocinada com o discernimento da Doutrina Espírita, é forçoso observar que não é a queda dos símbolos religiosos aquilo de que mais carecemos para estabelecer a tranquilidade e a segurança entre as criaturas, mas sim a nova versão deles, porquanto sem a religião orientando a inteligência cairíamos todos nas trevas da irresponsabilidade, com o esforço de milênios volvendo , talvez, à estaca zero, do ponto de vista da organização material na vida do Planeta.” (6)
Culminamos nossos argumentos relembrando que se “o Brasil puder conservar-se na ordem e na dignidade, na Justiça e no devotamento ao progresso que lhe caracterizam os dirigentes, mantendo o trabalho e a fraternidade, a cultura e a compreensão de sempre, para resolver os problemas da comunidade e, com o devido respeito à personalidade humana e com o devido acatamento aos outros povos, decerto que cumprirá os seus altos destinos de pátria do Evangelho, na qual a Religião e a Ciência, enfim unidas, se farão as bases naturais da felicidade comum através da prática dos ensinamentos vivos de Jesus Cristo.” (7)


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