quinta-feira, 24 de novembro de 2011

NOVO TEMPO, NOVA SENDA



    


                NOVO TEMPO, NOVA SENDA



“E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho,

e por-lhe-ás o nome de Jesus.” (Lucas, 1:31)


No encaminhamento natural da vida, o calendário terreno apresenta-nos os últimos dias do inesquecível ano de 2011.

Mais um ano findando, nova etapa nascendo.

Por certo, todos nós recebemos neste ano, do Plano Espiritual, valiosas oportunidades de crescimento e aprendizado, imersos nos mais variados setores da vida. Desafios vencidos, outros adiados, dor dilacerante, soluções encontradas, esperanças diluídas, projetos guardados, construções a serem eternizadas. “... se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto.” (João, 12:24).

Através da Revelação Espírita, temos aprendido que um dos pontos chave da Evolução espiritual é a interatividade dos seres nos diversos ciclos de vida, através das mais desconhecidas dimensões vibracionais, pertinentes ao oceano cósmico de forças espirituais e materiais em que nos achamos imersos, a fomentar e nutrir as almas, no rumo de plenitude e vida.

Procurando ampliar a visão, em foro de imortalidade, depreende-se que não há exatamente um encerramento de ciclos, pois não temos como dimensioná-los quando estamos vibrando em faixas puramente espaciais ou adentrando em nível atemporal.

O que parece ser o início de um processo na percepção temporal, teve o seu nascimento nos primórdios da evolução, em escalas que promovem nascimento e morte, ressurreição e vida eterna. Já no colóquio terreno, o ser humano tem a sensação de que termina algo, morre alguém, acaba uma relação, começa o dia quando o dia já se faz claro.

Por isso, e pelos demais tesouros que nos reserva o Pai Celestial, estes períodos de tempos, na didática humana e espiritual, ensejam-nos reflexões profundas sobre o passado e as possibilidades de conquista de autoridade moral, sobre nós mesmos. Por mais que o mundo pressione a multidão para adquirir o poder temporal, a mensagem do Senhor é inquestionável e definitiva: “tende bom ânimo, eu venci o mundo.”  (João 16:33) Completamos, o mundo INTIMO. O que difere de vencer no mundo.

A inesquecível chegada do Menino Jesus, comemorada, entre os homens, como festa natalina, representa pontos sublimes ao nível da compreensão do mecanismo que equilibra a própria vida. Mas é inegável que há um painel vibracional no Orbe que enseja sensibilização, fraternidade, doação, valorização da família, reflexões pessoais, compreensão do trabalho, abundância, embora, ao mesmo tempo, escassez.

Para que a Boa Nova desça do “céu” à terra, devemos analisar que o campo íntimo deve estar preparado e as condições de tempo devem ser propícias, para que não haja barateamento dos valores imperecíveis. Detendo em suas mãos o processo do Planejando Maior, o Anjo Gabriel, representando o Espírito de Verdade, anuncia, à Mãe de todas as mães, sua missão: “e eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho”. O ventre foi preparado, como uma terra sagrada, pela mansuetude e pela humildade, acolhendo, dentre todas as prerrogativas, a maior, que tange à responsabilidade diante dos compromissos que a missão traz em si. “e por-lhe-ás o nome de Jesus.”

Os Espíritos, na questão de número 18 de O Livro dos Espíritos, afirmando que para o homem “O véu se levanta a seus olhos, à medida que ele se depura (...)”, nos alertam para o fato de que precisamos estar atentos para, depurando a própria sensibilidade, compreendermos a nossa trajetória e definirmos, em um NOVO TEMPO, e em uma NOVA SENDA, já conscientes do nosso papel, a aliança entre o filho – ser em evolução – com o Pai, que nos sustenta por Amor à nossa vida.

O natal, portanto, pode representar o ponto de interseção entre o que já construímos e o que está para ser trabalhado, com Amor, mesmo que em sacrifício de dor.

Um dos pontos básicos da intrincada senda ascensional é aprendermos a escrever no livro da vida, aproveitando o passado que se revela gradativamente, páginas de valor espiritual, sem, entretanto, percorremos os capítulos inacessíveis, pois que se referem a patamares ainda, para nós, inatingíveis.

Para sermos mais práticos, meditemos na assertiva do Evangelho “Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu.” (João, 3:13). A cada passo dado rumo ao infinito, na busca do conhecimento ou impulsionada pelas circunstâncias, a mente, refletora por excelência, busca no disco da memória reflexos instaurados em passado remoto ou distante. Esta busca é um verdadeiro curso de reminiscência de vidas pregressas que, acionando a vontade, pode promover o burilamento das emoções, no presente, ou definir um “aprisionamento” nas malhas das paixões degradantes, adiando a conquista.

O certo é que a Providência Divina jamais desampara o espírito no roteiro da Luz. É por isso que nos concede o incomensurável espaço dimensional e a didática temporal para aplicar o aprendizado conquistado, na senda escolhida.

Mencionamos estes profundos aspectos da psique, ao leitor amigo, de uma forma bem singela, para que possamos refletir sobre as nossas possibilidades de vencer as imposições do caminho e sobre as responsabilidades que podemos assumir perante nós mesmos. Trata-se do despertar da consciência, uma vez que a felicidade está na proporção direta entre intenção e realização. Difere um pouco de desejo e acerto. É um equívoco desintegrar os sonhos, massacrar a esperança e rasgar os planos pelo simples fato de não ter conseguido erguer uma casa. Situações se nos apresentam, por vezes, nas quais as circunstâncias são totalmente adversas, tornando-as inconclusas, definindo que não houve um respaldo do mais Alto.

Nesta análise o desapontamento perante tais circunstâncias perde a sustentação. Devemos ressaltar que o crescimento está muito mais ligado ao despertamento para uma nova realidade, planejando as ações com inteligência, prudência e humildade, e à realização daquilo que for possível, dentro do campo de trabalho que o Senhor nos revelar. A felicidade deve estar na possibilidade de realização da obra de Deus. “Meu pai trabalha até agora, e eu também.” (João, 5:17)

Se voltarmos nossas atenções apenas para o erro a evolução fica patenteada pelo misticismo dos religiosos tradicionais e pelo desconhecimento da Misericórdia do Senhor, que dá a cada um segundo suas obras, no céu interior.

O versículo “... bendita és tu entre as mulheres.”, do mesmo capítulo do Evangelho de Lucas, no versículo 28, projeta-nos à infinitude da preparação espiritual, que teve em Maria de Nazaré, aquela que receberia o menino Jesus. A representação, dentro de uma visão relativa, refere-se aos nossos sentimentos mais burilados, de nossa sensibilidade mais augusta, de nossas possibilidades mais fertilizantes ou fertilizadas pelos Benfeitores que tutelam nossa vida.

Natal, é nascimento. Nascimento é o Cristo no tempo chamado agora, aguardando a manjedoura dos corações dos mais variados seres, manjedoura que os alimenta nas suas mais diversas dimensões evolutivas, em nível de nascimentos perenes.

Para a nossa acanhada percepção temporal, sugerimos ao leitor amigo que todos nós estabeleçamos os sonhos e as metas para o vindouro 2012.



Transformar o Natal dos homens, em Natal essencialmente de JESUS CRISTO, em NOVO TEMPO e em NOVA SENDA, para que Ele faça de nós, um só com o Pai Celestial.


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