terça-feira, 29 de novembro de 2011

MENDACIDADE

MENDACIDADE


Costume arraigado no inconsciente humano, em decorrência dos hábitos doentios do passado, a mendacidade também resulta dos processos insalubres da educação doméstica, especialmente nas famílias atrabiliárias, caracterizadas por desajustes de vária ordem.

A família é o laboratório no qual se forjam os valores morais edificantes, mediante as contribuições valiosas do amor e da disciplina, corrigindo-se condutas enfermiças e trabalhando-se valores espirituais que devem predominar em a natureza de cada um dos seus membros.

O que não se conseguir em formação da personalidade nos anos infanto-juvenis, no seio doméstico, muito mais difícil se apresentará ao longo dos outros períodos, em impositivos de reeducação.

Por essa razão, é mais fácil e proveitoso criar-se hábitos morigerados e saudáveis na infância, quando se insculpe o aprendizado no cerne do ser, do que mais tarde, quando o comportamento já conduz fixações destituídas de equilíbrio e de ética.

Entre os vícios que florescem nos clãs desajustados, a mendacidade ocupa um papel de relevo, em razão da falta de compostura dos seus membros em relação à verdade.

O desrespeito ao correto e veraz, a desconsideração pela maneira como os fatos sucedem, desbordam em referências adulteradas, em comentários desairosos, que primam pelo cinismo das conclusões.

Perdendo-se os parâmetros em torno dos acontecimentos, mente-se com muita naturalidade, investindo-se na imaginação exacerbada e tornando-se impossibilitado de proceder a qualquer narrativa conforme o sucedido.

Da mentira pura e simples à perfídia, nesses casos, é somente um passo, assim como da permanente máscara de hipocrisia afivelada à face ao fingimento sistemático, torna-se um costume habitual.

Prolongando-se esse comportamento, as suas vítimas desajustam-se e atormentam-se em razão da falta de dimensão da verdade negligenciada.

Tanto se acostumam com a maneira incorreta de agir, que se fazem incapazes de manter a serenidade, o equilíbrio, quando estão no grupo social em que se movimentam.

No íntimo, sabem discernir o certo do errado, compreender que laboram em campo de alto risco, qual seja o da mentira, em razão de ser facilmente descobertos, no entanto, a astúcia, que também é um remanescente ancestral da evolução, ilude-os, estimulando novos argumentos totalmente injustificáveis.

Dessa forma, vivem conflitos emocionais que se agravam com a sucessão do tempo, em razão do medo constante de serem desveladas as suas mazelas, sendo levados ao ridículo que merecem, mas se negam a reconhecer.

Vive-se, em consequência, numa sociedade que se deslumbra com o fausto, a ilusão, a mendacidade, como fenômenos perfeitamente naturais, mas felizmente insustentáveis e decepcionantes.

O ser humano educado é veraz em todos os momentos, assumindo as responsabilidades da sua conduta, mesmo quando experimentando dissabores e angústias.

O compromisso com a verdade não lhe permite negaceá-la, aceitando o suborno da fantasia que se dilui como névoa ao sol da realidade.

A instabilidade da conduta, no entanto, em relação aos acontecimentos do cotidiano, a falta de ponderação e recato em referência aos fatos, dão-lhe lugar à perda da autoestima e, consequentemente, da saúde emocional.

Alguns quadros de depressão psicológica têm início na ausência do autoamor no paciente, que, se não amando, considera-se indigno de ser também amado, porque reconhece a abjeção interior em que se encontra

Não se encorajando a enfrentar os desafios existenciais que se lhe acumulam no íntimo como efeito da mendacidade, disfarça o conflito que sofre com novas arremetidas da imaginação.

O desenvolvimento intelecto-moral saudável é estruturado nos alicerces da realidade, no convívio com os pensamentos elevados e as programações edificantes de contínua vigilância moral, propiciando-se renovação de atitudes, que facultam estímulos salutares para a evolução.

Descobrindo de quanto é capaz, o indivíduo sai da névoa do desequilíbrio e enfrenta a claridade dos acontecimentos, esforçando-se para acompanhar a marcha do progresso, mediante engajamento seguro nas suas fileiras.

Ser veraz se lhe desenha na mente como adequada condição de pessoa inteligente que opta pelo que é lícito e real, em vez das tumultuadas fugas para a mentira e a hipocrisia.

É medida de bom-tom o reconhecimento das possibilidades que se encontram ao alcance de todos os indivíduos, cada qual estabelecendo as suas metas e campos de trabalho, sem apego ao passado nem ansiedade pelo futuro.

Delineando uma programação existencial, o seu início deve expressar-se de dentro, do íntimo para o exterior, alterando os hábitos mentais perniciosos em que se comprazia e fruindo o bem-estar das novas conquistas a pouco e pouco logradas.

Nesse empreendimento muito pessoal e profundamente psicoterapêutico, modificam-se as paisagens interiores da sua realidade, favorecendo-o com alegria espontânea, que é resultado do destemor de qualquer tipo de acontecimento, podendo seguir adiante em perfeita identificação com a vida.

Ninguém se subtrai à verdade, permanecendo indefinidamente mergulhado nos densos nevoeiros da mendacidade e do despautério.

A marcha do progresso é inestancável, não permitindo a pessoa alguma permanecer por tempo indefinido na retaguarda.

Quando ao viandante faltam as forças e a sua é a opção do estacionamento, as irrefragáveis Leis da Vida impõem-se-lhe, arrastando-o a princípio, a fim de que prossiga com o próprio esforço depois.

Nos transtornos de comportamento, além dos fatores endógenos e exógenos, identificados pelos estudiosos das doutrinas psicológicas, predominam os de natureza espiritual, obsessivos, que defluem dos comportamentos indignos do ora encarnado em relação àqueles que ficaram no Mais Além e vêm cobrar-lhe a necessária reparação.

Mantendo os comportamentos levianos e mendazes de ontem, oferecem campo psíquico para que se instalem as enfermidades espirituais que requerem cuidadosos procedimentos específicos, a fim de auxiliar o perseguidor e amparar o perseguido.

Essas ocorrências têm lugar nos campos mentais e morais dos pacientes que se facultam o prosseguimento da insensatez, quando dispõem do valioso arsenal do amor e da prece, da paciência e da correção de conduta, da caridade e da abnegação...

Enfermos da alma, portanto, são todos aqueles que optam pela mendacidade que os conduz ao abismo, podendo libertar-se do vício perverso, utilizando-se das contribuições insubstituíveis do Evangelho de Jesus...

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