A Caminho da Luz

sábado, 13 de outubro de 2012

JESUS E INGRATIDÃO

JESUS E INGRATIDÃO
Os sentimentos de amor, justiça, caridade e gratidão são inerentes à natureza humana, her deira natural do bom, do nobre, do belo. Toda via, porque ainda se demora em crescimento de valores, mais vinculada atavicamente aos instin tos primitivos, não se manifestam essas quali dades, que devem ser cultivadas com esforço até que se expressem por automatismos defluentes da sua elevação interior.
Em razão disso, são mais comuns as mani festações agressivas, as rebeldias, as ingratidões que aturdem, mantendo um clima mental e emo cional belicoso entre os homens.
A ingratidão, que é desapreço, apresenta-se como grave imperfeição da alma, que deve ser corrigida.
O ingrato é enfermo que se combure nas chamas do orgulho mal dissimulado, da insa tisfação perversa. A si todos os direitos e mé ritos se atribui, negando ao benfeitor a mínima consideração, nenhum reconhecimento.
Olvidando-se, rapidamente, do bem que lhe foi dispensado, silencia-o, mesmo quando não pensa que o recebido não passou de um dever para com ele, insuficiente para o seu grau de importância.
A ingratidão é chaga moral purulenta no indivíduo, que debilita o organismo social onde se encontra.
Assim, os ingratos são numerosos, sempre soberbos, e auto-suficientes, em dependência mórbida, porém, dos sacrifícios dos outros.
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Jesus sempre admoestava os ingratos que lhe cruzavam o caminho.
Nunca lhe faltaram no ministério estes in felizes.
No admirável fenômeno de cura orgânica dos dez leprosos, patenteiam-se a ingratidão dos beneficiados e a interrogação do Mestre, diante daquele que havia retornado para agradecer: On de estão os outros? Não foram dez os curados?
Nove se haviam ido, apressados, para o go zo e a algaravia, recuperados por fora, sem liberação da doença interna, que desapareceria so mente a partir do momento em que fossem agra decer, modificando-se psicológica e moralmente.
Na tragédia do Calvário, não se encontrava presente nenhum dos que foram beneficiados pelas Suas mãos, e estes haviam sido muitos.
Ele iluminara olhos apagados; abrira ouvidos moucos; ofertara som aos lábios silencio sos; equilíbrio a mentes tresvariadas; movimen tos a membros mortos; vida a catalépticos; recu peração orgânica a portadores de males inumerá veis e, no entanto, ficou esquecido por todos eles. Não obstante o bem que receberam, fu gindo do reconhecimento, os ingratos viram-se diante de si mesmos, das consciências molesta das pelos remorsos, tornando a enfermar e mor rendo, pois que deste fenômeno biológico nin guém escapa.
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O Mestre conhecia as debilidades morais do homem e sempre se preocupava em alcançá-las, a fim de que as pretendidas curas alcançassem as matrizes das doenças, onde as mesmas se originam, erradicando-as, de modo que não voltas sem a produzir miasmas e males perturbadores.
A Sua era uma constante proposta de reno vação de metas, de atitudes, de pensamentos.
Sendo o exemplo máximo, pedia que O vis sem, isto é, que Lhe tomassem a conduta de desapego das paixões cáusticas e cuidassem de uma só coisa necessária, que é o reino de Deus em butido no coração.
Na busca do mais importante, o seu encon tro elimina o secundário, que deixa de ter valor, para ceder lugar ao essencial, que é o necessário.
Os homens, porém, na superficialidade dos seus interesses, anelam apenas pelo imediato, que lhes satisfaz num momento, deixando-os ansio sos outra vez.
Por imaturidade espiritual, ceifam a árvore de onde retiram os frutos de hoje, acreditando, com ingenuidade, que não terão fome amanhã. E quando esta se apresenta novamente, não têm onde recolher o alimento.
Assim agem os ingratos.
Toldam a água da fonte que os desseden tou; queimam o trigal que lhes deu o pão; cor tam a planta frutífera que os alimentou; afastam o amigo generoso que os socorreu.
Em contrapartida, vivem a sós, amesquinha dos, em si mesmos por conhecerem o íntimo.
Desconfiados, neurotizam-se; arbitrários, são desamados; soberbos, passam ignorados.
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Não te preocupes com os ingratos dos teus caminhos de amor.
Prossegue, ofertando luz, sem te inquieta res com a teimosia da treva.
Onde acendas uma lâmpada, a claridade aí derramará dádivas.
Os teus beneficiários que te abandonaram, esqueceram ou se voltaram contra ti, aprende rão com a vida e compreenderão, mais tarde, o que fizeram.
Recordarão das tuas atitudes e buscarão pas sar adiante o que de ti receberam.
Não é, portanto, importante, o tratamento que te dêem em retribuição, mas sim, o que prossigas fazendo por eles.
Joanna de Ângelis (espírito), psicografia de Divaldo Franco. Livro: Jesus e Atualidade
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JESUS E TORMENTOS
Genericamente, o homem tem sido considerado como a massa física e mental, ainda incompleta, que demanda o túmulo e ali se consome.
As religiões reportam-se à alma com um destino adrede fixado para o futuro, repousando na ociosidade ou padecendo na punição intérmina.
O mundo é, para os primeiros, um lugar de prazeres imediatos com a inevitável presença do sofrimento, que faz parte da sua imperfeição; para os segundos, é vale de lágrimas ou lugar de degredo.
De um lado, a simplista informação do nada após a morte; do outro, a fatalidade preestabelecida, violando os códigos do querer, do lutar, do vencer.
Uma e outra corrente de pensamento conduz, inevitavelmente, aos tormentos.
Aqui, o gozo até a lassidão dos sentidos, e ali, a amargura frustrante. a castração da alegria em mecanismos de evasão da realidade.
Fundamentados nessas propostas, surgem aqueles que vivem para fruir e os que se recusam à satisfação.
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Jesus foi o protótipo da felicidade.
Amava a Natureza, os homens, os labores simples com os quais teceu as Suas maravilhosas parábolas.
Não condenava as condições terrenas, não as exaltava.
Na posição de Mestre ensinava como se devia utilizá-las, respeitando-as, com elas gerando alegria entre todos, abençoando-as.
Como Médico das almas propunha vivê-las sem pertencer-lhes, assinalando metas mais elevadas, que deveriam ser conquistadas com esforço pessoal.
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Os tormentos humanos procedem da consciência de culpa de cada criatura.
Originário de outras existências corporais, o Espírito herda as suas ações, que ressurgem em forma de efeitos.
Quando aquelas foram saudáveis, estes se lhe fazem benfazejos. O inverso é, igualmente, verdadeiro.
Dos profundos arcanos da individualidade surgem as matrizes das aflições que se lhe estabelecerão no ser como processos depuradores, facilitando a instalação das enfermidades, dos tormentos, das insatisfações.
Da mesma forma, criam-se-lhe as condições favoráveis para a existência, fácil ou árdua, no lar caracterizado por problemas sócio-econômlco-morais, ou enriquecido de amor e recursos que lhe favorecem a jornada.
No ser profundo, imortal, encontram-se as raízes dos fenômenos que agora lhe repontam sobre o solo da organização carnal.
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Os teus tormentos atuais são tormentos que engendraste em vidas passadas.
Atormentaste com impiedade e agora sofres sem conforto. Afligiste sem misericórdia e ora padeces sem afeição. Inquietaste com perversidade e hoje te perturbas sem consolo. O teu íntimo é um caldeirão fervente.
Os conflitos se sucedem e sais de um para outro desespero. Tens dificuldade em exteriorizá-los, verbalizá-los, aliviando-te. Fobias, complexos, recalques dominam-te a paisagem mental e te sentes
um fracassado. Retempera o ânimo, porém, e sai do refúgio dos teus tormentos para a luz
clara da razão. Ninguém está, na Terra, fadado ao sofrimento. aos conflitos destruidores. Todos retornam ao mundo para aprender, recuperar-se, reconstruir. Na ausência do amor-ação, aparece-lhes a dor-renovação. Assim, dispõe-te à paz, à libertação dos tormentos e lograrás alcançá-las.
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No inolvidável encontro de Jesus com a mulher de vida libertina, que Lhe lavou os pés com ungüento de lágrimas, enxugando-os com os seus cabelos, temos a psicoterapia para todos os tormentos.
Disse Ele ao anfitrião que o censurava mentalmente por aceitar a atitude da pobre atormentada:
Ela muito amou, e, por isso, os seus pecados lhe serão perdoados. Fitando-a com ternura e afeição, recomendou-lhe: Vai-te em paz, a tua fé te salvou.
O amor que se converte em reparação de erros é a eficiente medicação moral para todas as chagas do corpo, da mente e da alma.
Ama e tranqüiliza-te, deixando os teus tormentos no passado, e, ressuscitando dos escombros. ressurge, feliz, para a reconstrução sadia da tua vida.
Joanna de Ângelis (espírito), psicografia de Divaldo Franco. Livro: Jesus e Atualidade
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JESUS E REPOUSO
Há, no homem, sempre presente, um imenso desejo de repousar, espairecer, sair do trabalho, refazer energias.
Programas de férias se sucedem em todas as quadras do ano, com excursões, esportes, divertimentos.
Quem reside nos campos deseja viajar às cidades; quem trabalha nas montanhas busca as praias; quem vive nos trópicos anela pelo frio e as recíprocas são verdadeiras.
A febre das viagens toma conta das criaturas.
Aquele que as não realiza, sente-se diminuído, marginalizado, sem status social.
Por extensão, todos desejam realizar o seu plano alternativo de espairecimento e descanso.
Um grande número se entrega a trabalhos esfalfantes durante o ano para economizar e realizar o seu sonho nas férias.
Labora até a exaustão, assume compromissos para pagar depois, a expensas de juros escorchantes no resgate penoso, a fim de gozar hoje.
Comenta-se sobre as facilidades para viajar, as vantagens, e tudo são apenas palavras.
Trata-se de um modismo.
Com raras exceções, as viagens são penosas e as excursões exaustivas. Pouco repouso e muito incômodo. As alegrias e entusiasmos do começo emurchessem à medida que passam os dias, substituídos pelo sono irregular, pelas indisposições, pelas horas intérminas de espera em hotéis abarrotados, com serviços deficientes e outros percalços.
A propaganda bem apresentada fala da exceléncia de tudo, que a realidade demonstra não ser verdade.
Na ocasião do retorno, quando não acontecem problemas muito comuns em tais ocasiões, recompõem-se as aparências a fim de impressionar aqueles que ficaram, e os comentários exagerados afloram aos lábios sorridentes dos felizardos, que agora partem para a faina de regularizar ou recuperar os gastos, cansando-se muito mais.
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Toda mudança de atividade faculta renovação de energias e dá novas motivações.
Um bom balanço de labores define quais as opções de que se dispõe como alternativas para o bem-estar.
O homem necessita, sem dúvida, de férias, de repouso, de espairecimento, que lhe proporcionam alegrias e refazimento para prosseguir trabalhando.
Expedientes excitantes, planos extravagantes, movimentação contínua e horários preestabelecidos constituem esforços desnecessários, com desperdício de energias.
A preocupação com trajes, a aparência, o tormento das compras de novidades e lembranças, exaurem o sistema nervoso, que se desgoverna, gerando irritação e mau humor.
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Jesus comentou que o Pai até hoje trabalha e Ele também trabalha.
O trabalho é lei da vida, tanto quanto o é o repouso. Este, porém, não é paralisação, ociosidade, nem corrida da busca de coisa-nenhuma.
Como repouso entenda-se tranqüilidade interior, recuperação de forças, conquista de otimismo, estar de bem com a vida.
Proporcionar-se relaxação, leitura agradavel esporte sadio, convivência com pessoas experientes, joviais, alegres, sem ruídos, viajar em calma para tomar contato com outros lugares, costumes, indivíduos, sem pressa, constituem método eficaz para um bem utilizado repouso.
Igualmente, meditar, no próprio lar; orar, buscando sintonia com as nascentes do pensamento superior; confraternizar com os sofredores, confortando-os e ajudando-os; asserenar-se, escutando melodias de profundo conteúdo emocional, são recursos valiosos e técnicas de repouso que podem ser aplicados em qualquer lugar, nas horas possíveis.
Basta entrar no quarto, fechar a porta e conversar com Deus, conforme ensinou Jesus ao referir-se à técnica da oração. O quarto é o mundo íntimo e a porta é o acesso ao exterior. Nesse lugar silencioso ouvirás Deus.
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No teu programa de saúde física e mental inclui o repouso como necessidade prioritária.
Cuida, porém, do que farás como recurso repousante.
Aproveita a ocasião para descobrires-te, conheceres-te melhor e identificar O que, em verdade, te é indispensável, selecionando com rigor aquilo que necessitas para uma vida saudável, abandonando ou dando menos valor aos demais.
Repouso, sim, com ação edificante.
Joanna de Ângelis (espírito), psicografia de Divaldo Franco. Livro: Jesus e Atualidade

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