terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Sobre o Espírito Cárita


1 - Sobre o Espírito Cárita
 Não se pode dizer quem, de fato, foi esse Espírito quando encarnado. Há quem diga, por tradição, que, no passado, esse Espírito tenha sido a figura de Irene, que foi martirizada em Roma no ano 305, quando das perseguições do Imperador Diocleciano. Canonizada por sua religião, veio a ser conhecida como Santa Irene - ela e suas irmãs foram convertidas ao Cristianismo. Diocleciano determinou perseguição aos cristãos, e ela foi acusada de possuir "livros proibidos" e, por isso mesmo, foi condenada à fogueira, enquanto suas irmãs foram degoladas à sua frente. Como disse, é uma informação desprovida de provas, que se deve considerar apenas e tão somente como especulativa, valendo-se do fato que, na mensagem reproduzida abaixo, do Espírito Cárita, estar colocado que ele (o Espírito) foi martirizado em Roma.

2 - Sobre a Prece de Cáritas
A prece de Cáritas foi psicografada na noite de Natal, 25 de dezembro, do ano de 1873, ditada pela pelo Espírito Cáritas. A prece de cáritas não se encontra no livro " O Evangelho Segundo o Espiritismo”, mas ela (a prece) está no livro "Rayonnements la Vie Spirituelle", de autoria da W. Krell , que, além dessa prece, psicografou, ainda, as comunicações: "Como servir a religião espiritual"e "A esmola espiritual". . Esse livro ainda é editado na Bélgica.

Wallace Leal V. Rodrigues, que foi um dos que traduziram a prece, se valeu da segunda edição do livro referido, editado pela Union Spirite Belga/1949. Nessa edição a palavra é CARRIT. Segundo ele, como em francês ou francês-belga não há duplo erre (RR), o nome correto para o Espírito seria Cárita. Devido ao aportuguesamento desse vocábulo, acabou por ficar Cáritas, como é mais conhecido no Brasil. Nas traduções de O Evangelho Segundo o Espiritismo manteve-se Cárita.
 A médium, Madame W. Krell, era respeitada em sua época, tida como uma excelente médium, o que nos leva a dar crédito à prece como sendo do mesmo Espírito que ditou as mensagens que se encontram no Evangelho Segundo o Espiritismo.

3 - Algumas observações
 A palavra caridade é o aportuguesamento da palavra cárita, que, por sua vez deriva da palavra Caritates, cujo significado é amor. Por isso encontra-se no texto contido na carta do apóstolo Paulo aos Coríntios as duas traduções: caridade e amor .. "Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, se não tivesse amor" ou, em outras traduções, "ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos se não tivesse caridade". São duas palavras cujo significado é o mesmo. Por isso caridade não é o ato material, mas o ato revestido de sentimento.
 Em função do significado da palavra Cáritas (aportuguesada) ser amor, esse nome foi utilizado por uma organização católica, de âmbito internacional, chamada Cáritas Internacional, que no Brasil se chama  Cáritas do Brasil", cuja missão é amparar as pessoas necessitadas por meio de educação, instrução e qualificação profissional. A primeira instituição Cáritas surge na Alemanha, em 1897, e o nome da instituição foi inspirado na afirmação de São Paulo: "Caritas Christus urget nos!" (2Cor 5,14). (traduzindo: “O amor de Cristo nos impulsiona”).

Veja que o nome Cáritas foi utilizado pelo Espírito e também por um órgão religioso católico, creio que ambos inspirados no significado da palavra, que é AMOR.
Com esse significado, ou seja, amor, uma das mensagens do Espírito Cárita, contida no Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo XII, item 13, toma uma feição mais carinhosa, meiga e, ao mesmo tempo, de profundo significado para a beneficência: Vejamo-la:
Chamo-me Caridade (Amor); sigo o caminho principal que conduz a Deus. Acompanhai-me, pois conheço a meta a que deveis todos visar.
Dei esta manhã o meu giro habitual e, com o coração amargurado, venho dizer-vos: Oh! meus amigos, que de misérias, que de lágrimas, quanto tendes de fazer para secá-las todas! Em vão, procurei consolar algumas pobres mães, dizendo-lhes ao ouvido: Coragem! há corações bons que velam por vós; não sereis abandonadas; paciência! Deus lá está; sois dele amadas, sois suas eleitas. Elas pareciam ouvir-me e volviam para o meu lado os olhos arregalados de espanto; eu lhes lia no semblante que seus corpos, tiranos do Espírito, tinham fome e que, se é certo que minhas palavras lhes serenavam um pouco os corações, não lhes reconfortavam os estômagos. Repetia-lhes: Coragem! Coragem! Então, uma pobre mãe, ainda muito moça, que amamentava uma criancinha, tomou-a nos braços e a estendeu no espaço vazio, como a pedir-me que protegesse aquele entezinho que só encontrava, num seio estéril, insuficiente alimentação.
Alhures vi, meus amigos, pobres velhos sem trabalho e, em conseqüência, sem abrigo, presas de todos os sofrimentos da penúria e, envergonhados de sua miséria, sem ousarem, eles que nunca mendigaram, implorar a piedade dos transeuntes. Com o coração túmido de compaixão, eu, que nada tenho, me fiz mendiga para eles e vou, por toda a parte, estimular a beneficência, inspirar bons pensamentos aos corações generosos e compassivos. Por isso é que aqui venho, meus amigos, e vos digo: Há por aí desgraçados, em cujas choupanas falta o pão, os fogões se acham sem lume e os leitos sem cobertas. Não vos digo o que deveis fazer; deixo aos vossos bons corações a iniciativa. Se eu vos ditasse o proceder, nenhum mérito vos traria a vossa boa ação. Digo-vos apenas: Sou a caridade e vos estendo as mãos pelos vossos irmãos que sofrem.
Mas, se peço, também dou e dou muito. Convido-vos para um grande banquete e forneço a árvore onde todos vos saciareis! Vede quanto é bela, como está carregada de flores e de frutos! Ide, ide, colhei, apanhai todos os frutos dessa magnificente árvore que se chama a beneficência. No lugar dos ramos que lhe tirardes, atarei todas as boas ações que praticardes e levarei a árvore a Deus, que a carregará de novo, porquanto a beneficência é inexaurível. Acompanhai-me, pois, meus amigos, a fim de que eu vos conte entre os que se arrolam sob a minha bandeira. Nada temais; eu vos conduzirei pelo caminho da salvação, porque sou - a Caridade (o amor). - Cárita, martirizada em Roma. (Lião, 1861.)

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