quarta-feira, 11 de julho de 2012

GOLPES DUPLOS

GOLPES DUPLOS







Ostensivamente, não teremos prejudicado a qualquer pessoa.
*
Do ponto de vista do acatamento à segurança geral, carregamos a alma tranquila.
*
Quantos de nós, porém, estaremos livres de remorso pelos danos indiretos que tenhamos causado?
*
Não subtraímos dinheiro à bolsa do próximo;
entretanto, se caímos inadvertidamente em pessimismo, comunicando desânimo aos companheiros, afastamo-los de oportunidades preciosas, no terreno de vantagens corretas, com as quais talvez minorassem muitas das grandes necessidades que nos rodeiam.
*
Não preterimos o direito de nossos irmãos nas atividades profissionais a que se afeiçoam, mas se nos prendemos com apego indébito e enfermiço a algum ou a alguns deles, desencorajando-lhes qualquer impulso à renovação, acabamos por impedir-lhes o acesso a encargos superiores, nos quais teriam efetuado maior prestação de serviço em apoio da Humanidade.
*
Não roubamos a alegria dos semelhantes;
todavia, se entramos em desespero, sempre injustificável, instilamos desalento e amargura naqueles que mais amamos, aniquilando-lhes a coragem.
*
Não traímos a ordem, mas toda vez que desertamos, sem claro motivo, do dever que nos cabe, estragamos a confiança naqueles que nos procuram ação ou cooperação, frustrando, de algum modo, a harmonia de que carecem na sustentação da própria tranquilidade.
*
Ninguém é trazido a viver, sentir, imaginar e raciocinar para ocultar-se.
*
Cada um de nós permanece no lugar exato, a fim de realizar o melhor que pode.
*
Efetivamente, somos responsáveis pelo mal que praticamos e pelo Bem que deixamos de fazer, sempre que dispomos de recursos para fazê-lo.
*
E ao lado das culpas que trazemos por ofensas declaradas ou por omissões em serviço, temos ainda as que nascem dos golpes duplos que desferimos, sobre os quais raramente meditamos:
- aqueles do mal que causamos aos outros, depois de causá-lo a nós.
*******************
Emmanuel
Chico Xavier


Nenhum comentário:

Postar um comentário