quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Os Mensageiros


Os Mensageiros
Lendo este livro, que relaciona algumas experiências de mensageiros
espirituais, certamente muitos leitores concluirão, com os
velhos conceitos da filosofia, que “tudo está no cérebro do homem”,
em virtude da materialidade relativa das paisagens, observações,
serviços e acontecimentos.
Forçoso é reconhecer, todavia, que o cérebro é o aparelho da
razão e que o homem desencarnado, pela simples circunstância da
morte física, não penetrou os domínios angélicos, permanecendo
diante da própria consciência, lutando por iluminar o raciocínio e
preparando-se para a continuidade do aperfeiçoamento noutro
campo vibratório.
Ninguém pode trair as leis evolutivas.
Se um chimpanzé, guindado a um palácio, encontrasse recursos
para escrever aos seus irmãos de fase evolucionária, quase não
encontraria diferenças fundamentais para relacionar, ante o senso
dos semelhantes. Daria noticias de uma vida animal aperfeiçoada
e talvez a única zona inacessível às suas possibilidades de definição
estivesse justamente na auréola da razão que envolve o espírito
humano. Quanto às formas de vida, a mudança não seria profundamente
sensível. Os pelos rústicos encontram sucessão nas
casimiras e sedas modernas. A Natureza que cerca o ninho agreste
é a mesma que fornece estabilidade à moradia do homem. A furna
ter-se-ia transformado na edificação de pedra. O prado verde ligase
ao jardim civilizado. A continuação da espécie apresenta fenômenos
quase idênticos. A lei da herança continua, com ligeiras
modificações. A nutrição demonstra os mesmos trâmites. A união
de família consangüínea revela os mesmos traços fortes. O chimpanzé,
desse modo, somente encontraria dificuldade para enumerar
os problemas do trabalho, da responsabilidade, da memória

enobrecida, do sentimento purificado, da edificação espiritual,
enfim, relativa à conquista da razão.
Em vista disso, não se justifica a estranheza dos que lêem as
mensagens do teor das que André Luis endereça aos estudiosos
devotados à construção espiritual de si mesmos.
O homem vulgar costuma estimar as expectativas ansiosas, à
espera de acontecimentos espetaculares, esquecido de que a Natureza
não se perturba para satisfazer a pontos de vista da criatura.
A morte física não é salto do desequilíbrio, é passo da evolução,
simplesmente.
À maneira do macaco, que encontra no ambiente humano
uma vida animal enobrecida, o homem que, após a morte física,
mereceu o ingresso nos círculos elevados do Invisível, encontra
uma vida humana sublimada.
Naturalmente, grande número de problemas, referentes à Espiritualidade
Superior, aí espera a criatura, desafiando-lhe o conhecimento
para a ascensão sublime aos domínios iluminados da
vida, O progresso não sofre estacionamento e a alma caminha,
incessantemente, atraída pela Luz Imortal.
No entanto, o que nos leva a grafar este prefácio singelo, não
é a conclusão filosófica, mas a necessidade de evidenciar a santa
oportunidade de trabalho do leitor amigo, nos dias que correm.
Felizes os que buscarem na revelação nova o lugar de serviço
que lhes compete, na Terra, consoante a Vontade de Deus.
O Espiritismo cristão não oferece ao homem tão somente o
campo de pesquisa e consulta, no qual raros estudiosos conseguem
caminhar dignamente, mas, muito mais que isso, revela a
oficina de renovação, onde cada consciência de aprendiz deve
procurar sua justa integração com a vida mais alta, pelo esforço
interior, pela disciplina de si mesma, pelo auto-aperfeiçoamento.

Não falta concurso divino ao trabalhador de boa vontade. E
quem observar o nobre serviço de um Aniceto, reconhecerá que
não é fácil prestar assistência espiritual aos homens. Trazer a
colaboração fraterna dos planos superiores aos Espíritos encarnados
não é obra mecânica, enquadrada em princípios de menor
esforço. Claro, portanto, que, para recebê-la, não poderá o homem
fugir aos mesmos imperativos. É indispensável lavar o vaso do
coração para receber a “água viva”, abandonar envoltórios inferiores,
para vestir os “trajes nupciais” da luz eterna.
Entregamos, pois, ao leitor amigo, as novas páginas de André
Luiz, satisfeitos por cumprir um dever. Constituem o relatório
incompleto de uma semana de trabalho espiritual dos mensageiros
do Bem, junto aos homens e, acima de tudo, mostram a figura de
um emissário consciente e benfeitor generoso em Aniceto, destacando
as necessidades de ordem moral no quadro de serviço dos
que se consagram às atividades nobres da fé.
Se procuras, amigo, a luz espiritual; se a animalidade já te
cansou o coração, lembra-te de que, em Espiritualismo, a investigação
conduzirá sempre ao Infinito, tanto no que se refere ao
campo infinitesimal, como à esfera dos astros distantes, e que só a
transformação de ti mesmo, à luz da Espiritualidade Superior, te
facultará acesso da fontes da Vida Divina. E, sobretudo, recorda
que as mensagens edificantes do Além não se destinam apenas à
expressão emocional, mas, acima de tudo, ao teu senso de filho de
Deus, para que faças o inventário de tuas próprias realizações e te
integres, de fato, na responsabilidade de viver diante do Senhor.
EMMANUEL
Pedro Leopoldo, 26 de fevereiro de 1944.


Nenhum comentário:

Postar um comentário