sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Guardiões Da Moral Alheia


Guardiões Da Moral Alheia




Temos visto alguns (muitos) espíritas confundirem a moral com moralismo e até, em outro lado, como algo secundário, pois vêem a doutrina tão somente em seu aspecto cientifico e filosófico e por – alguns – entenderem a moral “apenas” como conseqüência decorrente da filosofia espírita que nasce das observações cientificas levadas a efeito por Kardec não merece maior destaque deles e até ignoram o aspecto moral da doutrina considerando-o menor perante os aspectos científico e filosófico, como se fossem separados e separáveis os três aspectos da doutrina.  Só que o que não percebem é que esse ‘ “apenas” como conseqüência’ é o objetivo do próprio Espiritismo, pois está implícito na fala de Allan Kardec quando ele diz que a doutrina espírita tem como objetivo a reforma moral da humanidade.

Mas, os que rechaçam o aspecto moral o fazem também por pressões dos que supervalorizam tanto a moral que transformam a moral cristã, a moral espírita em moralismo e não vêem a moral como conseqüência de um esclarecimento que a própria pessoa logrou alcançar e se propôs a conscientemente seguir, mas vêem e tentam impo-la, como uma obrigação que, no fundo, ela mesma ainda não atingiu, ou seja, é o moralismo.

Mas, o que vem a ser exatamente a “moral”? Segundo os espíritos responderam a Kardec na questão 629 de O Livro dos Espíritos, moral é a regra de bem proceder, ou seja, de distinguir o bem do mal. Aí entra outra questão: como saber, como distinguir o bem do mal, se a moral se atinge assim? Esta dúvida é respondida na questão 630 a qual afirma que O bem é tudo que é conforme à lei de Deus; o mal, tudo o que lhe é contrário. Assim, fazer o bem é proceder de acordo com a lei de Deus  e fazer o mal é infringi-la.

Quando no Livro dos Espíritos se diz que o progresso intelectual engendra o progresso moral, tornando compreensíveis o bem e o mal, quer APENAS dizer que, sem o desenvolvimento da capacidade de pensar, que só se atinge, como se deduz , atingindo a escala hominal, o homem não teria como conhecer o que é bem e o que é mal ou seja, isso leva a inferir que o desenvolvimento moral se atinge quando e quanto mais esclarecido for o homem e isto não tem nada a ver com inteligência, como muitos poderão (e querem) pensar, mas com intelecto que é bem diferente de inteligência e a moral bem compreendida e praticada impede que o moralismo.

      A Moral é uma das opções do livre arbítrio, em relação ao sistema de regras existentes. É aquilo que passamos a exigir de nós mesmos, a que nos submetemos sem qualquer ameaça exterior, e que ninguém pode impor, a não ser para si mesmo.


(...) Olhar o mundo e as pessoas com respeito, sem esperar nada em troca, é uma ação da moral, que só pode ser julgada pela consciência.

Quando não te permites tudo, sem esperar nada em troca, é porque a moral encontrou abrigo na mente daquele que optou em ser livre, solidário, e humanista. A este respeito as regras, chamamos de moralidade.

No Moralismo a ação moral procura impor uma vontade, quer por uma ameaça ou temor religioso. O certo ou errado, não é mais uma opção pessoal, e sim um comando do terceiro, que prega uma moral, que muitas vezes não é sequer a dele.

O Moralismo se utiliza da moral, para pregar a intolerância, o preconceito e o puritanismo, que não garantem o bem-viver, na medida em que segrega, cria fronteiras e abismos, entre as pessoas, que sequer se conhecem, e não possuem um referencial moral comum.

Se a moral é um sistema de regras, e a moralidade é o respeito a essas regras, o moralismo é a apropriação indevida da moral, para servir às falácias, amplamente utilizada, pelas pessoas, políticos e gestores descomprometidos com o bem comum.

Ser Guardião da Moral Alheia é demonstrar que não sabe cuidar da própria moral, visto que ignora um dos ensinamentos de Jesus que diz “não julgueis para não serdes julgados”, embora o termo “julgueis” esteja traduzido erradamente, pois “julgar” é ato necessário e que fazemos a todo instante, até por ser parte da razão humana, logo o termo que me parece mais apropriado de ser usado na tradução seria “não PREJULGUEIS para não serdes julgados”.

E exemplifico, dando mostras de como se tem sido guardiões da moral alheia: quando se policia alguém por supor que esse alguém esteja falando “mal” de outrem, mesmo que esse outrem seja um espírito.

Para começar: o que é falar “mal” de quem quer que seja? É descrever fatos sobre o mesmo ou é falar com a intenção única de denegrir o analisado? É analisar a pessoa sem segundas intenções ou é fazer de conta que não viu, não sabe e deixar que o erro se perpetue em nome da caridade?

Inclusive isso, de estudar e sondar os males da sociedade, bem como os defeitos alheios está nas questões 903 e 904 de O Livro dos Espiritos e a única ressalva que os espíritos fazem é de que “Se é com o fito de criticar e divulgar, há muita culpa, porque isso é faltar com a caridade”, ou seja, por criticar e divulgar entende-se simplesmente para fazer fofocas, sem nenhuma finalidade de aprendizado próprio ou geral. (ou seja, fito = propósito, objetivo, intenção. "Se a pessoa estuda os erros de alguem com APENAS a intenção de criticar e divulgar)

Além do mais, moral é vista como regra de bem proceder e tem caráter geral, ou seja, de lei, tanto que ocupa toda a terceira parte do Livro dos Espiritos - DAS LEIS MORAIS. Nota-se um erro de duas pontas: da ponta que minimiza a moral a quase zero e também um erro da ponta dos moralistas, que muitas vezes são os primeiros a cobrar dos outros uma moral que eles próprios não praticam.

Moral cristã restringe a idéia; moral do Cristo, ao contrário, alarga, amplia, estende a idéia, pois o espiritismo veio relembrar a mensagem do Cristo que estava esquecida pelos homens. Entre a moral do Cristo e a moral espírita, não há diferenças, assemelham-se, são convergentes, já dizia Kardec que fala dos espíritas cristãos, ao se referir aos espíritas verdadeiros, ou seja, àqueles que se esforçam por domar as suas más tendências e são reconhecidos pela transformação moral, para sugerir o grau de sinceridade com que o espírita vive a moral espírita, que nada mais é do que a moral do Cristo, o qual segundo a questão 625 é o guia e modelo oferecido aos homens e a moral do Cristo é a escolhida, porque segundo Kardec, não há outra melhor.


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