domingo, 24 de fevereiro de 2013

Efeitos do Pensamento Segundo o Espiritismo

Efeitos do Pensamento Segundo o Espiritismo


Podemos observar como ao longo do século XX, não apenas surgiram importantes elementos para comprovar a realidade da ação do pensamento em nossas vidas, como experimentos em reconhecidos centros de pesquisa do mundo através da sujeição de pessoas a testes rigorosos ou instrumental revolucionários, comprovaram essa verdade. Sem os recursos sofisticados citados, todavia, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, Allan Kardec apurou dados não apenas surpreendentes como merecedores de reflexão, notadamente no que se refere aos efeitos do pensamento. Concluiu o pesquisador que as irradiações ou emanações resultantes do pensamento não apenas circulam por um campo fluídico imponderável e invisível - atmosfera fluídica da Terra -, como também estão impregnados e revestidos por uma variação fluídica peculiar a cada individualidade.
Assim como nossa impressão digital, dado que, apesar dos bilhões de seres compreendidos pela Humanidade, não se repete, independentemente da raça, etnia, povo. Chama tal fluido perispiritico, tão imponderável como a luz, a eletricidade ou o calor, sendo percebido apenas pelos efeitos que revela. Embora ainda hoje somente visível por pessoas dotadas de percepções mediúnicas mais pronunciadas, no estado de emissão, o pensamento se apresenta sob a forma de feixes luminosos, muito semelhantes à luz elétrica difundida no vácuo.


A propósito, o pesquisador Ernesto Bozzano, em seu livro PENSAMENTO E VONTADE (feb), transcreve interessante depoimento de dois celebres médiuns videntes – Annie Besant e Charles Leadbeater -, em que dizem que “um pensamento implicando uma aspiração pessoal de quem o formulou, volteia, ao derredor do seu criador, pronto sempre a reagir benéfica ou maleficamente, cada vez que o sinta em condições passivas”. Afirmam que “alguns assumem forma, representando graficamente os sentimentos que os originaram. A usura, a ambição, a avidez, produzem formas retorcidas, como que dispostas a apreender o cobiçado objeto. O pensamento preocupado com a resolução de um problema, produz filamentos espirais. Os sentimentos endereçados a outrem, sejam de ódio ou de afeição, originam “formas-pensamento” semelhantes aos projéteis. A cólera, por exemplo, assemelha-se ao ziguezague do raio, o medo provoca jatos de substância pardacenta, quais salpicos de lama”.

Kardec revela ainda que o fluído característico de cada pensamento, naturalmente, denota matizes diversos, conforme os indivíduos que o emitem; ora vermelho fraco, ora azulado ou acinzentado, qual ligeira bruma. Geralmente, espalha sobre os corpos circunjacentes uma coloração amarelada, mais ou menos forte. Considera que a qualidade desse efeito está relacionada com o motivo e o estado evolutivo do emissor. Afirma não existirem obstáculos para esse fluído que penetra e atravessa todos, existindo apenas uma força capaz de ampliar ou restringir sua ação: a vontade. Por sinal, seu mais poderoso princípio. Pela vontade, dirigem-se lhe os eflúvios através do espaço, saturam-se dele alguns objetos, ou faz-se que ele se retire dos lugares onde superabunda. Aprofundando suas análises, Kardec diz que nós mesmos, na essência, como Espíritos, somos a individualização do fluido do qual tudo que há na Criação deriva: o Fluido Cósmico Universal.


Assim, cada Ser adquire propriedades características, que distinguem uns dos outros. Nem mesmo a morte apaga esses caracteres de individualização. Cada um de nós tem, pois, fluido próprio, que nos envolve e acompanha como a atmosfera acompanha cada Planeta, sendo muito variável a extensão da irradiação dessas atmosferas individuais. Em repouso, essa irradiação fica circunscrita. Atuando a vontade, pode alcançar distâncias infinitas. A vontade como que dilata o fluido, como o calor os gases.


As diferentes atmosferas individuais se entrecruzam e misturam, sem jamais se confundirem, exatamente como as ondas sonoras se conservam distintas, a despeito da imensidade de sons que simultaneamente abalam o ar. Cada indivíduo é centro de uma onda fluídica, cuja extensão se acha em relação com a força da vontade, do mesmo modo que cada ponto vibrante é centro de uma onda sonora. Das qualidades peculiares a cada fluido, resulta a atração ou repulsão entre eles, as simpatias ou antipatias sem causas determinantes.


Na área de abrangência da atmosfera de um indivíduo, a impressão agradável ou não que sentimos. Entre pessoas cujos sentimentos não partilhamos, os fluidos característicos nos provocam sensação desagradável. Havendo comunhão de objetivos e intenções, experimentamos a harmonia. Acentua que “ninguém pode imaginar a quantas influências estamos assim submetidos à nossa revelia”. Acrescenta Kardec que “em nos movimentando, cada um de nós leva consigo sua atmosfera fluídica como o caracol leva sua concha, sendo que esse fluido deixa vestígios de sua passagem”.


Tratando das influências recíprocas, lembra que, em todas as coisas, duas forças iguais se neutralizam e a fraqueza cede à força. Não sendo todos dotados da mesma energia fluídica, entende-se por que nuns, esse fluido é quase irresistível, enquanto em outros é nulo, sendo algumas pessoas muito sensíveis à sua ação, enquanto outras, refratárias. Nada a ver com força ou fraqueza física, corporal. Comentando sobre a ação que o homem exerce sobre as coisas, assim como sobre as pessoas que o cercam, Kardec observa que, a experiência demonstra que se pode atuar sobre o espírito dos homens, à revelia deles.


Um pensamento elevado, fortemente vibrado, pode conforme sua força, influenciar de perto ou de longe pessoas que nenhuma ideia fazem da maneira por que ela lhes chega, do mesmo modo que muitas vezes aquele que o emite não faz ideia do efeito produzido pela sua emissão. É esse um jogo constante das inteligências humanas e da ação reciproca de umas sobre as outras. Acresça-se a isso a das inteligências dos desencarnados e imaginai o poder incalculável dessa força composta de tantas forças reunidas.


Se se pudesse suspeitar do imenso mecanismo que o pensamento aciona e os efeitos que ele produz de um indivíduo para outro, de um grupo de seres a outro grupo, e, afinal, da ação universal dos pensamentos das criaturas umas sobre as outras, o homem ficaria assombrado. Sentir-se ia aniquilado diante dessa infinidade de pormenores, diante dessas inúmeras redes ligadas entre si por uma potente vontade e atuando harmonicamente para alcançar um único objetivo: o progresso universal. Entendendo a transmissão do pensamento, apreciará em todo seu valor a lei da solidariedade, ponderando que não há um pensamento, seja virtuoso ou de outro gênero, que não tenha ação real sobre o conjunto de pensamentos humanos e sobre cada um deles.


Se o egoísmo o levava a desconhecer as consequências para outrem, de um pensamento perverso, pessoalmente seu, por esse mesmo egoísmo ele se verá induzido a ter bons pensamentos, para elevar o nível moral da generalidade das criaturas, atentando nas consequências que sobre si mesmo produziria um mau pensamento de outrem.


Concluindo suas apreciações sobre o pensamento, Kardec indaga: que serão senão consequência da transmissão do pensamento, esses choques misteriosos que nos advertem da alegria ou do sofrimento de um ente caro? Não é a um fenômeno do mesmo gênero que devemos os sentimentos de simpatia ou de repulsão que nos arrastam para certos Espíritos e nos afastam de outros?

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