domingo, 15 de abril de 2012

Sou mais que isso, Mãe!!! (Amanda, uma princesa "anencéfala)

O relato de Danilo, Pai de Amanda, que a 2 anos, ele e sua esposa foram brindados com uma linda princesa "anencéfala", um presente de Deus... uma oportunidade única. (palavras de Danilo)

O casal ficou muito entristecido com a decisão do STF. Danilo nos escreveu e enviou este artigo juntamente com o áudio, o qual compartilhamos na Rede Amigo, com autorização do casal.

"pois apenas de pensar no assunto já nos afligimos, não apenas por abraçarmos a Doutrina Libertadora, mas por questões que vão além de uma simples decisão médica, como se estivéssemos extraindo uma verruga ou um cisto, como se aquele ser fosse apenas um pedaço de carne"concluiu Danilo.

Foto de Amanda

Sou mais que isso, Mãe!!!

Tivemos a triste notícia da favorabilidade do STF (Supremo Tribunal Federal) pela interrupção da gestação de crianças anencéfalas.
Não vamos aqui destacar as inúmeras crianças que tiveram sobrevidas extendidas, mas sim analisar pela ótica Espírita o fato.
Em verdade a descriminalização do aborto do irmãos anencéfalos apresenta um claro retrocesso moral. Queremos dizer que na realidade apenas remontamos ao nosso estágio evolutivo natural. É a externalização da qualidade moral que ainda nos é própria e por isso seremos responsabilizados naturalmente. Quer dizer, que viviamos numa aparente moral melhorada e agora apenas mostramos o que somos ainda em essência. Imperfeitos, egoístas, orgulhosos e vaidosos. Sob um outro prisma é ainda o tramite de um processo de transição pelo qual estamos passando.
Aqueles defensores da bancarrota moral deixarão em breve a orbita vibratória que acompanha o Planeta, que seguirá o seu curso, e aqueles irmãos que teriam, por necessidade, a prova ou a expiação do doloroso reajuste pelas vias da matéria e da anencefalia, não serão de todo prejudicados, sem prejuízo de nossas responsabilidade, é claro, pelo amor do criador serão remanejados e direcionados a orbes em que ainda terão este direito e supostamente pela inversão dos papeis terao no futuro a oportunidade de reajustarem-se diante da contabilidade divina e logicamente, junto aos autores e defensores da expressão do egoísmo e da vaidade através da justiça dos homens.
Nem tudo está perdito, entretanto, ainda cabe o apelo ao corações escolhidos para tal oportunidade bendita, que os bondosos irmãos espirituais ainda assim consigam acesso aos corações desses pais para que levem a sua missão a termo. Lamentamos sim o fato e reservamo-nos no direito de defender a vida acima de tudo. Sabemos o quanto é deselegante o uso de exemplos próprios para defender idéias, mas diante da estupefação que nos toma, recordamos aqueles dias em que a esposa relatava haver tido momentos com a filha que havia de vir e diante do emocionado relato, uma ressalva era feita: - Ela trás consigo algo de diferente. Ela parece um pouco “lerdinha”.
Algum tempo se passou e novamente fomos brindados pela graça da visita, levada a efeito por vias da mediunidade. Identicas as percepções captadas e a mesma ressalva. Os encontros foram sustados, por questões obvias e alguns meses se passaram. Eis que em 13 de novembro de 2009 era concebida a filha tão esperada e amada. A confirmação foi feita algum tempo depois e por motivo que ainda ignorávamos, novos exames foram pedidos. Era fevereiro de 2010 e o diagnóstico foi dado. Portávamos uma linda princesa, futura irmã do nosso primeiro filho, entretanto trazia indícios de uma grave “mal formação” (no vocabulário médico). E isso significa muito, inclusive um prognóstico sombrio. Por mínimas possibilidades de evolução e/ou atenuação do quadro até o sexto mês da gestação decidimos esperar com Jesus, na certeza que ele sempre está no leme.
Os dias correram e os poucos que sabiam do caso nos amparavam os sentimentos, sim doridos, e acima de tudo esperavam e oravam conosco pela manutenção dos desígnios de acordo com as necessidades de cada um dos envolvidos para que fosse, como sempre, feito o melhor. Ao sexto mês o diagnóstico fazia-se inalterado e nos restava agora aguardar e amar aquela pequena princesa com os refolhos mais nobres de nossa alma, sabendo que aquela criaturinha viria e poderia permanecer por curto período. E assim foi feito. Amanos como nunca. Nos cuidamos como se um tesouro precioso nos tivesse sido confiado por aquele tempo incerto.
Finalmente  o grande dia, esperado e não esperado chegou. Esperado pois a Amada Amanda deixaria o ventre bendito que a abrigou com tanto amor para o mundo aqui fora e não esperado pois havia um clima de despedida no ar.  Uma sensação de incerteza e uma vontade de prolongar indefinidamente aquela gestação pois assim manteríamos a proximidade física e o seu calorzinho.
E foi em 29 de julho de 2010 que vinha a lume a pequena beleza, a preciosidade minúscula, ali ofegante e VIVA... Por alguns segundos, alguns minutos, algumas horas, alguns dias. Os quais vivemos quais  se fossem os mais ardentes dias de nossa existência. Ela estava ali... surpreendentemente VIVA e ativa.
Aos nossos toques, correspondia com arrepios e pequenos espasmos. Respirava, alimentava-se e tinha funções relativamente normais...
Como isso??? A doutrina nos explica na questão 344 de O Livro dos Espíritos... que a ligação entre o espírito e o corpo a que se destina começa na concepção, mas não se completa senão no nascimento.” É a mesma pergunta que fazemos agora aos seres pró morte...
Como isso? Privar o ser e os seus de momentos tão necessários, especiais e únicos. Abreviar a vida que a ignorância sombreis?!
Oh infelicidade do ser egoísta que por muito não poderá sentir a utilidade de fazer pelo outro o que também gostaria que se lhe fizesse.
De um dia ver chegar pelas vias da espiritualidade amiga seu rebento passageiro em braços amigos e agradecidos por terem levado a termo pela obrigação da manutenção da vida pelo tempo estrito e necessário. Privar-se de um dia ver a pérola cultivada pelo amor, correr em campos floridos com marcas atenuadas pelo reajuste bendito da reformação física e perispiritual, podendo em breve lançar-se  a novas experiências (agora menos dolorosas) que de outra forma poderia demorar-se por séculos. Um ave à Vida, um pleito de gratidão pela confiança e pelo amor da eterna filha dos nossos corações... tão amada Amanda. Muita paz aos corações Sempre

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