sábado, 29 de junho de 2013

Estudo das leis morais





Hoje o nosso estudo é sobre a lei de sociedade, que nos faz refletir sobre a importância do convívio em grupo, para benefício de todos.

"766. A vida social é natural?

— Certamente. Deus fez o homem para viver em sociedade. Deus não deu inutilmente ao homem a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação.

767. O isolamento absoluto é contrário a lei natural?

— Sim, pois os homens buscam a sociedade por instinto e devem todos concorrer para o progresso, ajudando-se mutuamente.

768. O homem, ao buscar a sociedade, obedece apenas a um sentimento pessoal ou há também nesse sentimento uma finalidade providencial, de ordem geral?

O homem deve progredir, mas sozinho não o pode fazer não possui todas as faculdades; precisa do contato dos outros homens. No isolamento ele se embrutece e se estiola.

Comentário de Kardec: Nenhum homem dispõe de faculdades completas e é pela união social que eles se completam uns aos outros, para assegurarem o seu próprio bem-estar e progredirem. Eis porque, tendo necessidade uns dos outros, são feitos para viver em sociedade e não isolados.

769. Concebe-se que, como principio geral, a vida social esteja nas leis da Natureza. Mas como todos os gostos são também naturais, por que o do isolamento absoluto seria condenável, se o homem encontra nele satisfação?

— Satisfação egoísta. Há também homens que encontram satisfação na embriaguez; aprovas isso? Deus não pode considerar agradável uma vida em que o homem se condena a não ser útil a ninguém.

770. E que pensar dos homens que vivem em reclusão absoluta para fugirem ao contato pernicioso do mundo?

— Duplo egoísmo.

770 – a) Mas se esse retraimento tem por fim uma expiação, com a imposição de penosa renúncia, não é meritório?

Fazer maior bem do que o mal que se tenha feito, essa é a melhor expiação. Com esse retraimento, evitando o mal o homem cai em outro, pois esquece a lei de amor e caridade.

771. Que pensar dos que fogem do mundo para se devotarem ao amparo dos infelizes?

— Esses se elevam ao se rebaixarem. Têm o duplo mérito de se colocarem acima dos prazeres materiais e de fazerem o bem pelo cumprimento da lei do trabalho.

771 – a) E os que procuram no retiro a tranqüilidade necessária a certos trabalhos?

— Esse não é o retiro absoluto do egoísta; eles não se isolam da sociedade, pois trabalham para ela.

772. Que pensar do voto de silêncio prescrito por algumas seitas desde a mais alta Antiguidade?

— Perguntai antes se a palavra é natural e por que Deus a deu. Deus condena abuso e não o uso das faculdades por ele concedidas. Não obstante, o silêncio é útil porque no silêncio te recolhes, teu espírito se torna mais livre e pode então entrar em comunicação conosco. Mas o voto de silêncio é uma tolice. Sem dúvida, os que consideram essas privações voluntárias como atos de virtude tem boa intenção, mas se enganam por não compreenderem suficientemente as verdadeiras leis de Deus.

Comentário de Kardec: O voto de silêncio absoluto, da mesma maneira que o voto de isolamento, priva o homem das relações sociais que lhe podem fornecer as ocasiões de fazer o bem e de cumprir a lei do progresso.

774. Há pessoas que deduzem, do abandono das crias pelos animais, que os laços de família entre os homens não são mais que o resultado de costumes sociais e não uma lei natural. Que devemos pensar disso?

— O homem tem outro destino que não o dos animais; por que, pois, querer sempre identificá-los? Para ele, há outra coisa além das necessidades físicas; há a necessidade do progresso. Os liames sociais são necessários ao progresso e os laços de família resumem os liames sociais; eis porque eles constituem uma lei natural. Deus quis que os homens, assim, aprendessem a amar-se como irmãos. (Ver item 205.)"

O convívio coletivo é fundamental para evolução do homem.

Olhando sob o aspecto social, os homens com os seus diferentes conhecimentos e experiências, podem contribuir uns com os outros, realizando os mais elaborados projetos. Como se construiria uma casa, sem os profissionais que fabricam os tijolos, o cimento, as telhas, os canos? E sem os que transportam tudo isso? Nessa simples analogia já percebemos que sozinhos nosso meio de ação é limitado, mas em grupo podemos ir muito além.

E mesmo que possuíssemos todos estes profissionais para construir e transportar os elementos da casa. Ainda precisaríamos de alguém que coordenasse a obra. Assim, cada um é útil na sua linha de atuação, com os seus conhecimentos e habilidades, e pode beneficiar inúmeras pessoas com isso.

Olhando pelo aspecto espiritual, penetramos mais fundo nesta questão. Onde o homem poderia exercer suas virtudes se vivesse isolado? Como aprenderia a ter paciência se não fosse diariamente submetido a situações de estresse? Como conseguiria ter forças para lutar contra os vícios se não estivesse exposto a eles diariamente? Faria o bem a quem, se vivesse isolado?

A vida social portanto, nos fornece todos os meios de identificarmos as nossas falhas morais e nos dá todas as ocasiões para exercitarmos nossas virtudes. É a grande escola da vida.

A vida em família acentua mais ainda esse aspecto, pois quando não gostamos de nossa cidade, podemos nos mudar. Quando não gostamos de nosso emprego, podemos trocar por outro. Mas nossa família, querendo ou não, não podemos trocá-la. E é por isso que ela é a maior ferramenta de progresso que dispomos, pois dela não podemos escapar, temos que enfrentar todas as situações adversas que ela nos proporcionar, seja por nossa causa ou por causa dos outros.

Assim, vemos quão importante é viver coletivamente. Deus sempre nos dá todas as ferramentas de que precisamos para o nosso progresso e age por meios tão sutis que pensamos ser obra do acaso.

Só depende de nós usarmos essas ferramentas para nossa evolução.

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