quarta-feira, 27 de março de 2013

João Batista, o precursor

João Batista, o precursor

Antes  da vinda de Jesus, reencarnaram na Terra muitos missionários, com o objetivo de preparar o povo da época para receber os ensinamentos do Mestre.

Entre esses missionários estava  João (Yohanan, em hebraico), que ficou conhecido como João, o Batista, porque batizava nas águas do Rio Jordão. Segundo relata o Evangelho de Lucas, 1:5, ele era filho de Zacarias, sacerdote da classe da Abias, um dos 24 grupos que serviam no Templo de Jerusalém;  e de Izabel, uma das filhas de  Aarão e prima de Maria de Nazaré.

João Batista nasceu seis meses antes do nascimento de Jesus. Gabriel, o mesmo Espírito que anunciou a Maria o nascimento de Jesus, também anunciou o nascimento de João. Diz Lucas, 1:7, que eles não tinham filhos, porque Isabel era estéril e ambos estavam em idade avançada. Por isso, Zacarias não acreditou em Gabriel. Segundo o versículo 20 do mesmo capítulo do Evangelho de Lucas, ele ficou mudo, só voltando a falar quando do nascimento do filho.

A obra A Vida Diária nos Tempos de Jesus,  de Henri Daniel-Rops (Edições Vida Nova), informa que os judeus não tinham sobrenome, embora isto não signifique que o sentimento familiar não fosse altamente desenvolvido entre eles. “O filho recebia necessariamente o nome do pai, como acontece com os árabes hoje. O menino era chamado ‘filho de fulano’, ben em hebraico e bar em aramaico: por exemplo, João ben Zacarias, ou Yesua ben José.

Conhecido também  como a Voz que clama no deserto, João Batista é  uma das figuras mais proeminentes do Novo Testamento, que preparou os caminhos para a vinda de Jesus. Batizava com água, ato simbólico que representava o arrependimento. Jesus submeteu-se ao batismo de João, não só porque era um costume da época, mas por ser o sinal através do qual passaria a ser conhecido pelas multidões. O Evangelho de  Marcos, 1:5 e 6,  registra que toda a província da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém iam ter com ele, que andava vestido de pelos de camelo e com cinto de couro e comia gafanhotos e mel silvestre.

O citado livro de Henri Daniel-Rops informa que havia, na época, 800 espécies comestíveis de gafanhotos, quatro em uso corrente. Algumas vezes, eram cozidos com água salgada. O sabor era parecido com o do camarão. Alguns tinham a cor do camarão; outras vezes retiravam a cauda e a cabeça e colocaram no sol para secar. Eram colocados num recipiente com mel ou vinagre ou moídos e transformados em pó. Esse pó, de sabor amargo, era misturado com farinha de trigo para fazer um biscoito muito apreciado, parecido com aqueles que os cozinheiros chineses produzem com o nome de “pó de camarão”.

Preso por Herodes Antipas pela raiva que despertara nele quando João o acusou de violar a lei judaica ao casar-se com Herodíades, mulher de seu meio-irmão Herodes Felipe, João Batista foi degolado num banquete oferecido por Herodes, quando   a filha de Herodíades, Salomé, dançou para o rei e tanto lhe agradou que este prometeu dar a ela o que pedisse. Instigada pela mãe, que odiava João pelas acusações feitas a ela, Salomé pediu a cabeça de João Batista. Embora relutante, mas obrigado a cumprir a palavra, Herodes mandou cortar a cabeça do profeta e entregou-a à enteada numa bandeja. Cumpriu-se, assim, a lei da causa e efeito, pois João, na encarnação como o profeta Elias, ordenou que decapitassem os profetas de Baal (I Reis, 18:40).

Jesus disse que João Batista era o maior entre os nascidos de  mulheres, ou seja, o Espírito mais evoluído que os Espíritos dos demais profetas. Para tanto, além de ter sido a reencarnação do profeta Elias, certamente teve muitas reencarnações. Investido da missão fulgurante de ser o precursor da vinda de Jesus (Lucas, 1:17), João Batista usou o batismo pela água como a fórmula por ele eleita para atrair as multidões, preparando-as para melhor assimilar os ensinamentos que Jesus viria revelar.

No folheto O Batismo (O Clarim), Cairbar Schutel explica que o batismo de Jesus é o batismo do Espírito e do fogo, uma graça invisível que vem do Alto e que produz, em todos os que a receberam, a fé sincera, a prática das virtudes ativas e os esforços para a regeneração e a formação do  caráter. E essa graça que vem do Alto é forte e marca como o fogo. Emmanuel, em O Consolador (FEB), diz que “Os espiritistas sinceros, na sagrada missão de paternidade, devem compreender que o batismo, aludido no Evangelho, é o da invocação das bênçãos divinas para quantos a eles se reúnem no instituto sacrificado da família. (...) O espiritista deve entender o batismo como o apelo do seu coração ao Pai de Misericórdia, para que os seus esforços sejam santificados no trabalho de conduzir as almas a Ele confiadas no instituto familiar, compreendendo, além do mais, que esse ato de amor e de compreensão divino deve ser continuado por toda a vida, na renúncia e no sacrifício, em favor da perfeita cristianização do trabalho e da dedicação”.


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