quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O REMORSO






O REMORSO

  Muitas pessoas imaginam que não há grandes diferenças entre o remorso e o arrependimento.

No livro Aborto à Luz do Espiritismo, Eliseu Florentino da Mota Jr. escreve que:

▬  “Dentre as causas determinantes das anomalias psíquicas, é induvidoso que o remorso assume especial relevância.


  Porquanto, ao contrário do arrependimento, que é o primeiro passo para a reabilitação diante de um erro cometido, ele determina o surgimento do complexo de culpa, levando a pessoa que eventualmente tenha errado a crises nervosas, chegando mesmo à loucura”.

Dessa forma, podemos entender claramente essa diferença, deixando para reflexão o quanto o remorso é prejudicial para o indivíduo.
 

  Sempre nos questionamos quando deixamos alguma questão mal resolvida ou de não haver uma reconciliação, isto acontece quando o nosso desafeto venha a falecer. Conseqüentemente, o remorso bate à nossa mente por termos protelado a solução de problemas, algumas vezes simples, outras não.

Mas poderiam ter sido resolvidos ou esclarecidos com uma conversa sincera entre as partes envolvidas. Porém, nosso orgulho acaba sendo predominante fazendo que a conciliação não se realize.


  Recentemente duas pessoas queridas de minha convivência estavam brigadas, cujo amor entre si eu conhecia, porém o orgulho fazia com que a reconciliação fosse evitada. Uma noite disse a uma das partes que seu desafeto estava doente, que imaginasse se essa pessoa viesse a falecer...

O remorso iria ser grande por não ter se reconciliado enquanto podia. Minutos depois, essa pessoa pegou o telefone e se reconciliou com a outra.

▬  Neste caso correu tudo bem, mas quantos deixam isso para depois:

   O tempo não é eterno e o amanhã pode ser muito tarde.
   Devemos pensar que o presente é agora.
   E o futuro pode não existir.

Vitor Ronaldo Costa em seu livro Gerenciando as Emoções explica que:

▬  “Se alguém alimenta um sentimento de culpa, em decorrência de um mal cometido intencionalmente, o bom-senso recomenda que se busque a solução do impasse na prática inadiável de uma atitude enobrecida.

▬  A anulação do remorso sugere a tomada de duas providências essenciais:

   O cultivo da humildade.
   E o pedido de perdão”.

No livro O Céu e o Inferno, capítulo VI, intitulado “Criminosos Arrependidos”,  Allan Kardec descreve o contato feito com um jovem padre de nome Verger que havia assassinado em 3 de janeiro de 1857, Monsenhor Sibour, arcebispo de Paris, quando saia da Igreja de Saint-Étienne-du-Mont.
 

  Verger foi condenado à morte e em 30 de janeiro executado. Em nenhum momento mostrou-se arrependido do seu crime. Ele foi evocado no mesmo dia de sua execução e três dias depois. Nestes contatos, quando Verger foi indagado:

▬  “Qual a vossa punição?”, ele respondeu:

   Sou punido por que tenho consciência da minha falta, e para ela peço perdão a Deus.

   Sou punido porque reconheço a minha descrença nesse Deus, sabendo agora que não devemos abreviar os dias de vida de nossos irmãos.

   Sou punido pelo remorso de haver adiado o meu progresso, enveredando por caminho errado, sem ouvir o grito da própria consciência que me dizia não ser pelo assassínio que alcançaria o meu desiderato.

Deixei-me dominar pela inveja e pelo orgulho; enganei-me e arrependo-me, pois o homem deve esforçar-se sempre por dominar as más paixões. O que, aliás, não fiz”.
 

  Quando tiramos a vida de alguém estamos retardando nossa evolução e cortando a oportunidade de nosso irmão dar seqüência à sua. Além do mais, é um pecado que corrói a nossa consciência por um ato indigno de nossa parte. É muito triste chegar ao Mundo Espiritual e sentir na consciência o remorso. 

Deus nos dá a oportunidade de reparação, é parte de nossa evolução colocar em prática os ensinamentos morais de Jesus. O perdão faz parte destes ensinamentos e é providencial, deixando-se de lado o orgulho, que não leva a nada.


  Dessa vida, a única coisa positiva que levamos são as nossas boas obras, que são realizadas por meio da caridade. Quando falamos em caridade, seu sentido é amplo, começamos por ajudar aqueles que temos por desafeto.

Vamos analisar a situação, não somos santos, mas todos sujeitos a erros. Vamos nos colocar no lugar de nosso desafeto e imaginar se não agiríamos da mesma forma.


  Uma reflexão profunda pode ser essencial para essa reconciliação. O tempo é curto, devemos guardar momentos felizes e aprender com os tristes. São esses momentos alegres que nos fazem refletir sobre quanto somos queridos.

As amizades e a família são algo que devemos saber aproveitar, pois representam momentos de compartilhar experiências e reparar erros cometidos em outras vidas ou até mesmo nesta.

▬  Todo ato indigno, como:

   O aborto.
   O suicídio.
   A traição, entre outros, é prejudicial a nós mesmos.

Elizeu Florentino descreve em seu livro a diferença do remorso para o arrependimento, em se tratando de aborto praticado, quando arrependimento leva a pessoa a reparar o seu erro adotando uma criança ou trabalhando em lugares que cuidam de crianças carentes, enquanto o remorso é patológico à medida que o autor da conduta abortiva é levado ao monoideísmo, o que causa anomalias psicológicas e psíquicas.


  André Luiz no livro Nosso Lar, descreve as palavras de consolo do benfeitor Clarêncio:

▬  “Aproveita os tesouros do arrependimento, guarda a bênção do remorso, embora tardio, sem esquecer que a aflição não resolve problemas”.

Dias atrás, recebi um e-mail que conta a história de uma senhora de 87 anos, de nome Rose.

Em determinado momento ela comenta o mal que faz o remorso, mas sua história é tão comovente e bonita que me sinto na obrigação de reproduzir este e-mail por completo por se tratar de uma lição de vida maravilhosa

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