sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Culpa tóxica

Culpa tóxica
A culpa tóxica acontece quando a culpa natural corrompe-se. Isso se manifesta como um sentimento perturbador de dominação, mas sem ser algo especificamente ruim, como se toda a sua vida tivesse algo errado. Esse tipo de culpa é o mais difícil de lidar, porque surge de padrões antigos, ou samskaras, alojados no subconsciente.
Como pode expiar o seu pecado ou perdoar-se de algo quando não sabe o que fez – ou quando acredita que o que fez é essencialmente irreparável? Até certo ponto, esse tipo particular de culpa parece ser produto despretensioso da cultura judaico-cristã, um resíduo da doutrina do pecado original. Os textos yóguicos como Bhagavad Gita e o Yoga Sutra não reconhecem a culpa não específica, embora falem um pouco sobre pecado, karma e como evitar ou se purificar das transgressões.
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Normalmente as pessoas experimentam culpa tóxica de duas maneiras: primeiro, ela simplesmente está lá, como uma característica da sua personalidade; um sentimento que pode espontaneamente vir para sua consciência em alguns momentos, fazendo que se sinta mal ou sem valor. Segundo, isso pode ser disparado por algo externo – algum erro que cometeu ou a desconfiança de alguém. Se estiver carregando a culpa tóxica nas suas costas, leva muito tempo para se dar conta – um erro no escritório, uma briga com o marido/esposa ou um telefonema da sua mãe podem levar a isso. Em casos extremos, as pessoas sentem que estão pisando em ovos, com medo de fazer algo que exponha sua maldade inata. Por isso é importante aprender como reconhecer os sentimentos de culpa tóxica de modo que isso não o atinja.

Raízes da culpa

Muitas vezes a raiz da culpa tóxica tem origem na infância. Os erros que seus pais ou professores trataram como um grande problema, por exemplo, um treino religioso, especialmente aqueles que falam sobre o pecado original, pode nos encher de sentimentos de culpa que não têm base real.
Alguns crentes na doutrina da reencarnação – a ideia de que as circunstâncias do presente são determinadas por padrões de vidas passadas – enxergam a culpa tóxica como um resíduo kármico das ações de vidas passadas estocadas no nosso sistema sutil. Um texto antigo de Yoga Tibetana, chamado A Roda das Armas Afiadas, lista transgressões passadas nas quais certos problemas do presente têm origem e dá remédios para atenuá-los. Muitas práticas yóguicas purificatórias – especialmente a repetição diária de mantras – serviço desinteressado (Karma Yoga) e oferendas – são consideradas remédios para sentimentos de culpa.
Mas não há dúvidas de que a culpa tóxica pode ter origem na construção cumulativa de algo específico, mágoas irreparáveis que causou nesta vida. Quando está se torturando porque traiu uma namorada ou duas, ou mesmo porque negligenciou ligar para seus pais ou praticar exercícios regulares, então terá de praticar algo justo que o libertará da culpa. Além disso, um yogi no caminho do despertar muitas vezes desenvolve mais consciência. Uma vez que comece a se manter nos padrões éticos do caminho espiritual, torna-se mais difícil deixar-se levar por um comportamento insensível ou prejudicial. Ao mesmo tempo, pode manter alguns velhos hábitos descuidados e sem consciência. Por isso, apesar das suas boas intenções, às vezes faz coisas que sabe que não são boas para si mesmo e para os outros – e sente-se culpado.
Mas se quiser olhar mais fundo, provavelmente achará que o seu sentimento de culpa tóxica tem pouco a ver com aquilo que fez. E ainda deixa esse sentimento ainda mais tóxico. Quando sofre desse tipo de culpa dominante, qualquer tipo de infração que comete torna-se mais assustador por causa do peso dos seus sentimentos de culpa, que o deixam paralisado.

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