terça-feira, 28 de junho de 2011

SEXO - AMOR - ASCETISMO

SEXO - AMOR - ASCETISMO


Amigos,


Apenas lembro, aqui, duas coisas: uma acerca da energia sexual e do poder do amor; outra, acerca do ascetismo.

- a energia sexual é, em nosso mundo, uma das mais poderosas forças; isso foi reconhecido, inclusive, por sábios autores de livros bíblicos pois, após a criação, a primeira recomendação atribuída ao Criador de todas as coisas foi: “crescei e multiplicai-vos”.

Certamente, mais poderoso do que essa força, é o sentimento de amor, tão enaltecido por Jesus e Paulo, como a mais excelsa das virtudes.

Não me refiro a esse sentimento de amor/afeto, amizade, admiração, respeito, cumplicidade, identificação, dependência, atração, necessidade; refiro-me ao amor/Amor, só encontrado naqueles que conheceram a verdade que liberta de todas as amarras e dependências que nos prendem à vida e ao mundo. Esse é, na verdade, o verdadeiro amor, o genuíno, que não necessita da análise das conseqüências ou das condições para se tornar ação; não necessita de vontade ou esforço; é espontâneo e natural. Esse é o verdadeiro amor, sentimento ainda desconhecido pelo mundo, e que torna, quem o possui e o manifesta, rico de felicidade, mesmo que lhe custe sofrimentos ou a perda da vida. Como dizem os que o experimentaram, com a cessação das ilusões com que interpretamos a vida e, a ela e a seus atrativos nos prendemos, desperta-lhes, ao perceberem a realidade de sua verdadeira identidade, um amor quase insuportável pelos semelhantes. Compreendem, então, que estes necessitam de conhecer aquela verdade que eles já conhecem e, muitos, por toda vida, até que a morte lhes cerre os lábios, tentam apontar o caminho que eles mesmos já trilharam.

- quanto ao ascetismo, sua interpretação necessita, em face do que foi colocado pelo amigo Moura, ser repensada. O verdadeiro asceta é aquele que, depois de observar a totalidade da vida, o mundo e o sofrimento dos homens; depois de perceber que ciências, psicologias, filosofias e crenças não têm a solução para o sofrimento, tenta encontra-la, não através de dores provocadas em si mesmo, desprezando o corpo como coisa inútil, mas buscando-a dentro dele mesmo. É, portanto, a busca, não do sofrimento físico, com alguns entendem, mas da libertação e do fim da incerteza e da ignorância.


Buscam, investigam, comparam, questionam a vida em todos seus níveis, dos miseráveis sofredores, humanos ou não, aos poderosos aparentemente envoltos em felicidade; dos efeitos das tragédias naturais, à desditas produzidas pelo homem; e, compreendendo, afinal, que o fim dos sofrimentos não é oferecido, senão de modo efêmero, nem pela saúde, nem pela riqueza, pelo poder e prestígio, pelas alegrias, aventuras, desejos e ideais concretizados, honestidade, satisfação de necessidades de qualquer natureza, vícios e sexo, nem em afetos de toda espécie, ou pela pratica de sacrifícios por amor ao próximo, mergulham neles mesmos, ensimesmando e meditando.


Esse trabalho, eventualmente, os leva a ver que a solução está aqui mesmo, junto a todos, como uma imensidade que tudo permeia e que, incessantemente, a todos chama. Percebe-a, mas ela lhe escapa, pela perturbação nascida dos movimentos da vida, dos ruídos das cidades, das atenções dos semelhantes, dos toques do telefone, do barulho dos motores, do alarido. Então, como um ladrão ambicioso, que sabe que atrás da parede a sua frente, está aquele tesouro que, mesmo inconscientemente, sempre desejou, e na impossibilidade de derrubá-la, se desespera, fere as mãos nas tentativas infrutíferas, mas não desiste: a solução para todos os problemas do mundo está ali, ele já sabe, bem perto dele.


Então se aparta do movimento e dos ruídos, da confusão e se isola na busca do silêncio e da tranqüilidade, onde está a estreita porta para a luz. Eventualmente e, como o corisco que, inopinadamente, corta o céu, lhe vem a libertação de todas as algemas e, como disse Jesus, com o amor que daí nasce, cobre a multidão dos pecados. Assim, outro sábio se referiu a essa empresa, afirmando: “cada homem que se liberta, elimina o ódio de milhões”. Aquilo que, de início, para alguns desavisados se afigurara nada mais que egoísmo, se transforma em doação total ao mundo, verdadeira ascese do espírito.


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