quarta-feira, 15 de junho de 2011

Ocupação e Missão dos Espíritos
Allan Kardec assevera:“Os Espíritos exercem sobre o mundo uma acção incessante. Com os homens, as relações dos Espíritos são constantes. Os bons Espíritos nos convidam ao bem, nos sustentam nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação; os maus nos convidam ao mal: é para eles um prazer ver-nos sucumbir e cair no seu estado.”

O médium, pelo fato de ser portador de certos recursos orgânicos, torna-se a ponte, o meio, o intermediário entre os Espíritos e os homens.
Segundo Kardec:“Todo aquele que sente, num grau qualquer a influência dos Espíritos, é, por esse motivo, médium.”Lembra, ainda o Codificador, que“Esta faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo.

A comunicabilidade dos Espíritos com os encarnados não é um facto recente, mas antiquíssimo, com a única diferença que, no passado, era apanágio dos chamados iniciados e na actualidade, com o advento do Espiritismo, tornou-se fenómeno generalizado a todas as camadas sociais.
Lembra Kardec, que A prática mediúnica é um dos recursos utilizados pela Espiritualidade Maior para socorrer e assistir a estes Espíritos;.
Aprendemos com a Doutrina Espírita que a faculdade mediúnica por si só não basta.
O importante está na conduta moral daquele que é seu portador.

Porque na base do intercâmbio espiritual está a lei de sintonia que diz que cada um será assistido por Espíritos em afinidade com seus sentimentos e suas emoções;A influência dos Espíritos sobre os nossos pensamentos e actos é tão grande que “muito freqüentemente são eles que vos dirigem.” [LE - qst 459]
Esta influência pode ser boa ou má, fugaz ou duradoura e se estabelece através de uma corrente mental.
O Espírito identifica o seu pensamento com o nosso e vai introduzindo em nosso campo mental as suas idéias, sugestões e emoções.
É
fundamental a compreensão de que esta influenciação só se concretiza através da sintonia mental, estando o Espírito e o encarnado em condições morais equivalentes.Lembram os autores espíritas que pensar é vibrar, é entrar em relação com o universo espiritual que nos envolve, e, conforme a espécie das emissões mentais de cada ser, elementos similares se lhe imanizarão, acentuando-lhes as disposições e cooperando com ele em seus esforços ascensionais ou em suas quedas e deslizes.Quando Kardec perguntou aos Espíritos [LE - qst 467] se o homem poderia se afastar da influência dos Espíritos que os incitam ao mal, elas responderam:“Sim, porque eles só se ligam aos que os solicitam por seus desejos ou os atraem por seus pensamentos.
”A influência dos Espíritos sobre o homem vai depender também da natureza desses Espíritos
.Os Espíritos infelizes, de mente ultrajada, misturam-se em nossas atividades comuns, perambulam no ninho doméstico, participam das conversações, seguem com os comensais, de quem muitas vezes se irmanizam em processos de dependência mútua.
Perturbam-se e perturbam; sofrem e fazem sofrer; odeiam e geram ódios; amesquinhados em si mesmos, amesquinham os outros; infelicitados, infelicitam
.Já a acção dos Espíritos superiores é outra. Os bons Espíritos só aconselham para o bem, suscitam bons pensamentos, desviam os homens da senda do mal, protegem na vida os que se lhes mostram dignos de protecção e neutralizam a influência dos Espíritos imperfeitos.Podemos observar pelo exposto, que muitos pensamentos que povoam a nossa mente não têm origem em nós mesmos, mas sim em entidades desencarnadas. Disseram os Espíritos [LE - qst 460]:“Vossa alma é um Espírito que pensa; não ignorais que muitos pensamentos vos ocorrem, a um só tempo, sobre o mesmo assunto e freqüentemente bastante contraditórios. Pois bem: nesse conjunto há sempre os vossos e os nossos, e é isso o que vos deixa na incerteza, porque tendes em vós duas idéias que se combatem.”Com relação à maneira de distinguirmos o nosso pensamento do pensamento estranho, as entidades disseram [LE - qst 461]:“Quando um pensamento vos é sugerido, é como uma voz que vos fala. Os pensamentos próprios são, em geral, os que vos ocorrem no primeiro impulso. De resto, não há grande interesse para vós essa distinção, e é frequentemente útil não o saberdes: o homem age mais livremente; se decidir pelo bem, o fará de mais boa vontade; se tomar o mau caminho, sua responsabilidade será maior.”

Os Espíritos têm ocupações e missões a desempenhar. Além do trabalho de se melhorarem pessoalmente, incumbe-lhes executar a vontade de Deus, concorrendo, assim, para a harmonia do Universo. A ocupação dos Espíritos é contínua. Essa acção contínua, contudo, nada tem de penosa para os Espíritos Superiores, uma vez que eles não estão sujeitos à fadiga e, segundo Allan Kardec, repousam mudando o tipo de tarefa, sem deixarem de produzir.Os Espíritos inferiores e imperfeitos também desempenham função útil, embora, muitas vezes, não se apercebam disso. Mostra Kardec que muitos fenômenos da natureza, como as tempestades e outros, surgem, muitas vezes, a partir da atuação de Espíritos primitivos que, agindo em massa, sob a coordenação de outras entidades mais elevadas, permitem que o fenômeno ocorra.Os Espíritos devem percorrer todos os diferentes graus da escala evolutiva para se aperfeiçoarem. Assim, todos devem habitar em toda parte e adquirir o conhecimento de todas as coisas. Mas há tempo para tudo.
Os Espíritos de maior envergadura são incumbidos de auxiliar o progresso da humanidade, dos povos e indivíduos, dentro de um círculo de idéias mais ou menos amplas, mais ou menos especiais e de velar pela execução de determinadas coisas. Alguns desempenham missões mais restritas e, de certo modo, pessoais ou inteiramente locais, como assistir enfermos, os aflitos, velar por aqueles de quem se constituíram guias e protetores, dirigi-los, dando-lhes conselhos ou inspirando-lhes bons pensamentos.Pode-se dizer que há tantos gêneros de missões quanto as espécies de interesses a resguardar.Os Espíritos se ocupam com as coisas deste mundo de acordo com o grau de evolução em que se achem. Os superiores só se ocupam do que seja útil ao progresso. Já os inferiores se sentem ligados às coisas materiais e delas se ocupam.As missões mais importantes são confiadas somente àqueles que Deus julga capazes de as cumprir e incapazes de desfalecimento ou comprometimento.Ao lado das grandes missões confiadas aos Espíritos superiores, há outras de importância relativa em todos os graus, concedidas a Espíritos de todas as categorias.Todas as inteligências concorrem, pois, para a obra geral, qualquer que seja o grau atingido, e cada uma na medida de suas forças, seja no estado de encarnação ou no espiritual. Por toda a parte há atividade, desde a base ao ápice da escala, instruindo-se, coadjuvando-se, em mútuo apoio, dando-se as mãos para alcançarem o zénite.
.7.
Todos nós temos bons Espíritos vinculados a nós, muitas vezes, desde o nascimento, que nos tomaram sob a sua proteção. Cumprem junto a nós a missão de um pai junto ao filho: a de nos conduzir no caminho do bem e do progresso, através das provas da vida. Eles se sentem felizes quando correspondemos a sua solicitude e sofrem quando nos vêem sucumbir. Lembra Kardec que seus nomes pouco importam, mas que, na maioria das vezes, são almas vinculadas a nós pelos laços afetivos, estruturados em vivências em comum nas diversas reencarnações.São sempre superiores, do ponto de vista evolutivo, aos seus tutelados e estão sempre junto deles nos momentos de necessidade.
Kardec utiliza a expressão “Anjo Guardião” quando deseja referir-se a um Espírito protector de alta envergadura moral, que tem sob a sua tutela todo um grupo de almas afins.Alguns Espíritos protectores especializam-se em determinadas áreas e exercem a sua acção de forma mais efectiva nesses sectores. Assim, temos Espíritos protectores das artes, dos desportos, das ciências diversas, das cidades, dos bairros, dos centros espíritas, etc.André Luiz, examina o tema de forma bem racional.
“Os anjos da sublime vigilância, seguem-nos a longa estrada evolutiva; desvelam-se por nós, dentro das Leis que nos regem.
Anjo, segundo a acepção justa do termo, é mensageiro.
Há mensageiros de todas as condições e de todas as procedências.Anjo da guarda, é uma expressão que define o Espírito celeste que vigia a criatura em nome de Deus. Em qualquer religião convivem connosco os Espíritos familiares de nossa vida e de nossa luta. Dos seres mais embrutecidos aos mais sublimados, temos a corrente de amor, cujos elos podemos simbolizar nas almas que se querem ou que se afinam umas com as outras, dentro da infinita gradação do progresso.
A família espiritual é uma constelação de Inteligências, cujos membros estão na Terra e nos céus. Aquele que já pode ver mais um pouco auxilia a visão daquele que ainda se encontra em luta por desvencilhar-se da própria cegueira.
Todos nós, por mais baixos nos revelemos na escala da evolução, possuímos, não longe de nós, alguém que nos ama, a impelir-nos para a elevação.



Nenhum comentário:

Postar um comentário