sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

UNIÃO INFELIZ


UNIÃO INFELIZ
Qual o fim objetivado com a reencarnação?
Expiação, melhoramento progressivo da Humanidade.
Sem isto, onde a justiça?
O LIVRO DOS ESPÍRITOS – Questão 167
Dolorosa, sem dúvida, a união considerada menos feliz. E, claro, que não
existe obrigatoriedade para que alguém suporte, a contragosto, a truculência ou o
peso de alguém, ponderandose
que todo espírito é livre no pensamento para definirse,
quanto às próprias resoluções. Que haja, porém, equilíbrio suficiente nos casais
unidos pelo compromisso afetivo, para que não percam a oportunidade de construir
a verdadeira libertação.
Indiscutivelmente, os débitos que abraçamos são anotados na Contabilidade
da Vida; todavia, antes que a vida os registre por fora, grava em nós mesmos, em
toda a extensão, o montante e os característicos de nossas faltas. A pedra que
atiramos no próximo talvez não volte sobre nós em forma de pedra, mas permanece
conosco na figura de sofrimento. E, enquanto não se remove a causa da angústia, os
efeitos dela perduram sempre, tanto quanto não se extingue a moléstia, em
definitivo, se não a eliminamos na origem do mal. Nas ligações terrenas,
encontramos as grandes alegrias; no entanto, é também dentro delas que somos
habitualmente defrontados pelas mais duras provações. Isso porque, embora não
percebamos de imediato, recebemos, quase sempre, no companheiro ou na
companheira da vida íntima, os reflexos de nós próprios.
É natural que todas as conjunções afetivas no mundo se nos figurem como
sendo encantados jardins, enaltecidos de beleza e perfume, lembrando livros de
educação, cujo prefácio nos enleva com a exaltação dos objetivos por atingir. A
existência física, entretanto, é processo específico de evolução, nas áreas do tempo,
e assim como o aluno nenhuma vantagem obterá da escola se não passa dos
ornamentos exteriores do educandário em que se matricula, o espírito encarnado
nenhum proveito recolheria do casamento, caso pretendesse imobilizarse
no êxtase
do noivado. Os princípios cármicos desenovelamse
com as horas. Provas, tentações,
crises salvadoras ou situações expiatórias surgem na ocasião exata, na ordem em que
se nos recapitulam oportunidades e experiências, qual ocorre à semente que,
devidamente plantada, oferece o fruto em tempo certo. O matrimônio pode ser
precedido de doçura e esperança, mas isso não impede que os dias subsequentes, em
sua marcha incessante, tragam aos cônjuges os resultados das próprias criações que
deixaram para trás. A mudança espera todas as criaturas nos caminhos do Universo
a fim de que a renovação nos aprimore. A jovem suave que hoje nos fascina, para a

ligação afetiva, em muitos casos será talvez amanhã a mulher transformada, capaz
de impornos
dificuldades enormes para a consecução da felicidade; no entanto, essa
mesma jovem suave foi, no passado – em existências já transcorridas –, a vítima de
nós mesmos, quando lhe infligimos os golpes de nossa própria deslealdade ou
inconsequência, convertendoa
na mulher temperamental ou infiel que nos cabe
agora relevar e retificar. O rapaz distinto que atrai presentemente a companheira,
para os laços da comunhão mais profunda, bastas vezes será provavelmente depois o
homem cruel e desorientado, suscetível de constrangêla
a carregar todo um calvário
de aflições, incompatíveis com os anseios de ventura que lhe palpitam na alma. Esse
mesmo rapaz distinto, porém, foi no pretérito – em existências que já se foram – a
vítima dela própria, quando, desregrada ou caprichosa, lhe desfigurou o caráter,
metamorfoseandoo
no homem vicioso ou fingido que lhe compete tolerar e
reeducar. Toda vez que amamos alguém e nos entregamos a esse alguém, no ajuste
sexual, ansiando por não nos desligarmos desse alguém, para depois somente depois
surpreender nesse alguém defeitos e nódoas que antes não víamos, estamos à frente
de criatura anteriormente dilapidada por nós, a ferirnos
justamente nos pontos em
que a prejudicamos, no passado, não só a cobrarnos
o pagamento de contas certas,
mas, sobretudo, a esmolarnos
compreensão e assistência, tolerância e misericórdia,
para que se refaça ante as leis do destino. A união suposta infeliz deixa de ser,
portanto, um cárcere de lágrimas para ser um educandário bendito, onde o espírito
equilibrado e afetuoso, longe de abraçar a deserção, aceita, sempre que possível, o
companheiro ou a companheira que mereceu ou de que necessita, a fim de quitarse
com os princípios de causa e efeito, liberandose
das sombras de ontem para elevarse,
em silenciosa vitória sobre si mesmo, para os domínios da luz.

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