sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

FILHOS


FILHOS
Os laços do sangue não criam forçosamente os liames
entre os Espíritos. O corpo procede do corpo, mas o Espírito não
procede do Espírito, porquanto o Espírito já existia antes da
formação do corpo. Não é o pai quem cria o Espírito de seu
filho; ele mais não faz do que lhe fornecer o invólucro corpóreo,
cumprindolhe,
no entanto, auxiliar o desenvolvimento
intelectual e moral do filho, para fazêlo
progredir.
O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – Cap. XIV, Item 8
Entre os casais, surge comumente o problema do abandono, pelo qual o
parceiro lesado é compelido à carência afetiva. Criaturas integradas na comunhão
recíproca, o afastamento uma da outra provoca, naturalmente, em numerosas
circunstâncias, o colapso das forças mais íntimas naquela que se viu relegada a
escárnio ou esquecimento. Justo observar que toda criatura prejudicada usufrui o
direito de envidar esforços na própria recuperação. Análogo princípio prevalece nas
conjunções do sentimento, sempre efetuadas com fins determinados em vista. O
companheiro ou a companheira menosprezada no círculo doméstico detém a
faculdade de refazer as condições que julgue necessárias à própria euforia, com base
na consciência tranquila. Não existem obrigações de cativeiro para ninguém nos
fundamentos morais da Criação. Um ser não dispõe de regalias para abusar
impunemente de outro, sem que a vítima se veja espontaneamente liberta de
qualquer compromisso para com o agressor. Em matéria afetiva, porém, se a união
sexual trouxe filhos à paisagem terrestre, é razoável que as Leis da Vida reconheçam
na criatura lesada a permissão de restabelecer a harmonia vibratória em seu mundo
emotivo, logicamente dentro da ética que sustenta a tranquilidade da vida intima;
entretanto, essas mesmas Leis da Vida rogam, sem impor, às vítimas da deslealdade
ou da prepotência que não renunciem ao dever de amparar os filhos, notadamente se
esses filhos ainda não atingiram a puberdade que lhes traçará começo à compreensão
dos problemas sexuais que afligem a Humanidade. Em sobrevindo semelhantes
crises, haja no parceiro largado em desprezo uma revisão criteriosa do próprio
comportamento para verificar até que ponto haverá provocado a agressão moral
sofrida e, embora se reconheça culpado ou não, que se renda, antes de tudo, à
desculpa incondicional, ante o ofensor, fundindo no coração os títulos ternos que
tenha concedido ao companheiro ou à companheira da comunhão sexual no título de
irmão ou de irmã, de vez que somos todos espíritos imortais, interligados perante
Deus, através dos laços da fraternidade real. Aprenda o parceiro moralmente
danificado que só pelo esquecimento das faltas uns dos outros é que nos

endereçaremos à definitiva sublimação e que nenhum de nós, os filhos da Terra, está
em condições de acusar nos domínios do sentimento, porquanto os virtuosos de hoje
podem ter sido os caídos de ontem e os caídos de hoje serão possivelmente os
virtuosos de amanhã a quem tenhamos talvez de rogar apoio e bênção, quando a
Justiça Eterna nos venha descerrar a imensidão de nossos débitos, acumulados em
existências que deixamos para trás nos arquivos do tempo. Homem ou mulher em
abandono, se tem filhos pequeninos, que se voltem, acima de tudo, para essas aves
ainda tenras do pábulo doméstico, agasalhandoas
sob as asas do entendimento e da
ternura, por amor a Deus e a si mesmos, até que se habilitem aos primeiros contactos
conscientes com a vida terrestre, antes de se aventurarem à adoção de nova
companhia; isso porque podem usar a atribuição natural que lhes compete, no que se
refere a possíveis renovações, sem se arriscarem a agravar os problemas dos filhos
necessitados de arrimo e sem complicarem a própria situação perante o futuro.

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