quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Um dedo de Prosa

Um dedo de Prosa

Filhos:
Vamos acalmar nosso coração, condição básica para o trabalho com o
Cristo. Não há tempo para tergiversações de ordens diversas. Há
necessidades em nós. Assim vamos refletir algumas posturas íntimas
nossas de cada dia:
Amemos, ainda que já o façamos. Amor em quantidade é diferente do amar
qualitativamente. Dispensemos o acúleo de pensamento, neste momento, do
pleonasmo. Se esta palavras nos é incomodativa, ainda não conseguimos
amar, estando, se muito, nas primícias insondáveis do amor. Parece-nos
que mesmo que o tempo nos seja mestre profundo, padecemos desde muito,
de uma profunda surdez espiritual!
Somos joguetes nas mãos de nossos próprios engodos. Não culpemos outrem
de vez que eles já têm remorsos acerbos, sem necessitar de nossos
pregos, na alma!
Retiremos de nossos corações os visgos da amargura, de vez que estamos
peregrinos de uma trilha difícil aprendizado onde encontraremos seres
cujas lagrimas já escassearam em função do vento de nossa indiferença,
solicitando de nós, novamente, apoio!
Quantas vezes declinamos do convite ao aprendizado por estarmos
vinculados às poalhas da leviandade do mundo?
Quantas vezes alcunhamos de amor as putrefatas ondas vilãs da paixão?
Até quando far-nos-emos vítimas do acutelamento efetivo, fugindo em
bizarra correria, das lições imortais do convertido de Damasco?
Até quando nos entregaremos à lutas séricas junto aqueles que
deveríamos estar em sinergia?
Se ontem queimamos irmãos nas fogueiras inquisitoriais, qual a razão
de fazermos hoje de nossa existência vulcões imensos de dor?
Se as rosas da fraternidade florescem ao largo de nosso caminho,
concitando-nos ao trabalho nas ondas benévolas da caridade, qual a razão
pela qual nós, filhos do calvário, temos fugido dos testemunhos
edificantes da Casa do Caminho, de Pedro?
Que fizemos dos abraços fraternos que levávamos às taperas paupérrimas
que hoje fogem de nosso olhar?
Que fizemos daquela prosa amiga que antes aliviavam almas em
sofrimento?
De que servem tantos estudos doutrinários sem a prática doutrina
subindo a vielas profundas da dor, levando farnel de alimentos nos
ombros?
Qual a razão da existências de tantos disciplinadores com chibatas, e
tão poucas criaturas amorosas, que nos ensine a disciplina com harmonia,
primícias da luz?
Qual é o motivo de amarmos menos, a guisa de não errar? Afinal qual o
problema do erro? Não seria melhor tratá-lo com humanidade e, amar mais?
Onde anda o pão-preto que partilhávamos com os mais necessitados sob os
viadutos da dor de nossos próximos, estes viadutos, nossos pavilhões de
indigências?
Onde anda nossas visitas aos presídios que nos mostrariam quão réprobos
estamos na Lei?
Temos feito caridade em casa?
Temos dado, efetivamente, nosso afeto e compreensão, às crianças e aos
jovens?
Por fim: temos feito a caridade para atender nossa consciência, ou ao
rogo do Cristo?
Respostas que demorarão. Estamos hibernando, por tempo certo, nas
grutas incipientes do labor ocioso, com muita teoria, repletos de
escombros à nossa volta!
Deveríamos, à guisa de respeito mínimo ao mestre e àqueles que são
carentes de tudo no veio da mente, selar nosso verbo, de vez que nosso
pensamento viaja, à luz, a ferir almas imersas em mágoas, torturas e
amarguras íntimas, imersas em sonhos e engodos íntimos. Filhos do
calvário que somos desde sempre, ainda amamos o brilho, esquecendo
convenientemente a conquista do perene. Entregamo-nos cada vez mais ao
efêmero, esquecendo-nos de cultivar em nós a dignidade, a moral, a ética
e a luz possível.
Pensemos: se a mangueira tem a humildade para esperar a chuva
transformar sua semente em ente que alça os braços ao céu, seria crível
pensar que estamos livres da Lei? A evolução é fruto que se colhe
maduro. Não podemos, à guisa de manga verde, ingeri-la com sal. Chega
para todos, aqui ou aí, o momento do testemunho. A falta de um ou outro
trabalhador não deve estancar o trabalho. O cristianismo redivivo não
demanda um líder aqui ou acolá. Demanda respeito, amor, ética, diálogo,
alteridade, fraternidade o que, lamentavelmente, tem-se tornado chama
débil em muitos corações.
Desencarnados que somos temos por obrigação levar-vos ao despertar do
coração. Não ouvirão, de nós, inverdades nem sofismas. Só verdades. O
amigo fala do que necessitamos, o outro alimentará nossa queda.

Nenhum comentário:

Postar um comentário