A Caminho da Luz

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O Genial Léon Denis

O Genial Léon Denis
 
 
Assistimos à ruína das religiões, ou melhor, dos ritos e formas culturais, porque a religião, em seu princípio, em sua essência, isto é, o vôo da Alma para o Infinito, a aspiração das Inteligências para o ideal divino, a religião é indestrutível, quanto o é a Verdade, inesgotável quanto o amor, inalterável quanto a beleza. O que deve perecer e tende, dia a dia, a extinguir-se, são as velhas fórmula dogmáticas, o farisaísmo antigo, as disciplinas envelhecidas. É todo o aparelhamento sacerdotal e o culto dos ídolos. A Religião Católica, em particular, abate-se ao peso de suas faltas seculares. A Igreja Romana, desde há muito, não passa de potência política. Seus pontífices desconheceram a própria missão; seus padres perderam o senso da iniciação profunda e sagrada dos primeiros cristãos. Assim se acentuou, pela abolição da Concordata e pela atitude do papa, durante a última guerra, a ruptura entre a Igreja e a sociedade moderna, a cisão entre o espírito de Roma e o do século. * * * Assistimos igualmente ao desabamento da Ciência, não da verdadeira Ciência, como o pretendia Brunetière, porque esta não pode perecer – (a trabalhadora que jamais depõe a sua balança) –, mas da ciência materialista, a que dominou o mundo durante mais de cem anos. Há meio século, Ernest Renan publicava um livro sobre o Futuro da Ciência, livro habilmente concebido, que teve certa voga, e no qual profetizava a desaparição, em breve termo, do mistério que, sob formas diversas, surge em desafio ao pensamento humano. O mistério subsistiu... Multiplicou-se, mesmo, graças à recente descoberta da radioatividade dos corpos e do desenvolvimento dos fenômenos psíquicos.

Outros exemplos farão ver até que ponto a ciência oficial, proclamando vitórias sobre a Matéria, mostrou-se impotente para resolver as grandes questões que têm tratado da Alma humana e de suas faculdades. Nos seus Enigmas do Universo, escreveu Haeckel: “Enquanto o enigma da substância, que recapitula todos os outros enigmas, não for resolvido, nada se terá feito para a satisfação do espírito humano.” Um dos mestres da ciência moderna, Henri Poincaré, a quem a morte surpreendeu em meio de seus trabalhos, demonstrava, em uma de suas últimas obras, que a Ciência é, ainda, uma hipótese, e confessava que as leis da Física estão para rever-se. D'Arsonval teve quase a mesma linguagem, em seu curso no Colégio de França. Vejamos agora o que dizia sobre o mesmo assunto William James, reitor da Universidade de Harvard, nas últimas páginas de seu belo livro: A Experiência Religiosa. Ele declara não poder, “sem ouvir uma demonstração interior”, colocar-se na atitude do homem de ciência qu e não vê nada fora da sensação e das leis da Matéria.”. E algumas linhas mais adiante: “Toda experiência humana, em sua viva realidade, impele-me irresistivelmente a sair dos estreitos limites em que a Ciência pretende confinar-se. O mundo real é diferentemente constituído, muito mais rico e mais complexo que o da Ciência.”. É precisamente esse mundo real, o mundo psíquico, que a maior parte dos nossos sábios não quer conhecer; em vez de estudar, como deveriam, a vida, em suas altas manifestações, perdem-se na análise infinitesimal; não vêem, por assim dizer, senão o pó das coisas e das idéias. Faltaram sempre à ciência oficial a independência e a liberdade; apartou-se do caminho, submetendo-se servilmente à autoridade da Igreja; em seguida, enfeudou-se às doutrinas materialistas do século XVIII e, em seguida, ao panteísmo germânico. Enfim, depois de quase um século, tornou-se o satélite do Positivismo, essa doutrina incompleta, que se desinteressa sistematicamente do maior problema que o espírito humano quer e deve resolver o da sua origem e de seu destino. Ela se limita a arrastar pelo mundo fórmulas secas e banais, semelhantes à “Vitória-aptera”, que, desprovida de asas, se achava condenada a rastejar, sem poder elevar-se do solo. A Ciência céptica havia posto a lei do número na base de tudo. Desde então, a vida tornou-se uma espécie de álgebra, cujas equações nos levaram a uma ou a muitas incógnitas. Era andar em sentido contrário ao da Natureza; porque o homem existe para criar e não para decompor; para agir, e não unicamente para analisar. Esse sistema negativo havia tornado estéreis os trabalhos dos sábios, e foi assim que vimos, desde muito, ir, pouco a pouco, apagando-se, sob nossos olhos, os caracteres e as consciências, a arte, o ideal e a beleza. Com efeito, a Ciência desconheceu a lei da estética, consagrando o naturalismo que disseca a vida, em lugar de desenvolvê-la. Em moral, preconizou o determinismo, que erige em princípio a i mpotência do esforço e a renúncia à ação. Na ordem social, a pulverização, ao infinito, dos poderes e das responsabilidades, dando em resultado, por momentos, a um estado de coisas que confina com a desordem e a confusão. A Ciência, que tinha por missão construir uma sociedade sobre bases novas, destruiu sem nada edificar. Perdendo de vista as grandes altitudes, os grandes focos do pensamento, a Ciência céptica resfriou o coração humano; destruiu o grau elevado que poetiza a vida, que a torna suportável. Eis por que as gerações que surgem se mostram desenganadas e reclamam outra coisa.

O problema político não oferece menor gravidade. Sob a pressão dos acontecimentos, a maior parte das instituições monárquicas desmoronou-se e a democracia triunfante estendeu-se sobre suas ruínas; em seu seio, porém, surgiu uma crise intensa. Crescem e espalham-se os elementos de anarquia. Os destinos da ciência materialista e os do Socialismo atual estão em correlação; inspiram-se pelos mesmos métodos e pelas mesmas fórmulas. É preciso convir, a democracia socialista de nossos dias está em desacordo com o próprio princípio da Revolução. Esta era essencialmente individualista; queria dar a cada um a livre iniciativa de seus atos pessoais. O regime atual age diferentemente; tende a nivelar as individualidades fortes, e a passar logicamente da igualdade de direito à igualdade de fato. Vai ao coletivismo, isto é, à negação da pessoa humana e à sua absorção no todo social. O “Estadismo” não nos desembaraçaria das mediocridades; bem ao contrário, seria, por natureza, o seu proteto r. Não é também a regulamentação do trabalho, pela coletividade, que dará ao proletariado a felicidade que os utopistas do dia fazem luzir a seus olhos. Os homens são iguais, dir-se-á. Em seu sentido histórico restrito, a fórmula pode parecer exata; mas não se poderia tratar aqui de igualdade real, absoluta. Se os homens são iguais em direito, serão sempre desiguais em inteligência, em faculdades, em moralidade. Afirmar o contrário seria negar a lei da evolução, que, naturalmente, não age com a mesma eficácia sobre todos os indivíduos. O homem livre na terra livre! Tal será o ideal social do futuro. Mas, é preciso ter em conta a necessidade preliminar de outro fator: a Fraternidade, que só pela harmonia pode estar em equilíbrio com a liberdade. Têm fugido os séculos, desde a idade heróica dos primeiros cristãos, quando estes vendiam quanto possuíam, para que os Apóstolos distribuíssem, entre todo o preço dessa venda, segundo as necessidades de cada um. Esse princípio de verd adeira fraternidade, lembrado por Mabli aos homens da Revolução, onde se encontrará? Não é decerto nos costumes atuais, que o egoísmo caracteriza; é nas aspirações da Alma humana, nesse movimento que agita os povos de um extremo a outro da Terra; é no longínquo das idades futuras!... * * * Acabamos de passar em revista as ruínas a que o século XX já assistiu. Falemos agora das renovações que prepara e que executará. É sempre na ordem intelectual que as grandes renovações começam. As idéias precedem e preparam os fatos. É a lógica da História e a lei do progresso humano. O abuso dos métodos e dos processos de análise tem estado a ponto de nos perder. Conseqüentemente, é mister preparar as grandes sínteses, as concepções de conjunto. Eis que se estabelece um novo ponto de vista para todas as coisas. Para aplicar métodos novos são precisos homens novos. Para a ciência livre de amanhã, são necessários espíritos livres. Enquanto os homens destas gerações, submetidos à disciplina da Igreja ou da Universidade, não tiverem desaparecido, apenas se poderá esboçar a obra de redenção do espírito humano. A Igreja com suas confissões e a Universidade com seus exames quebrantaram a elasticidade da Alma e oprimiram os surtos do pensamento. As vocações e as inteligências retraíram-se; ninguém teve o tempo e o espaço necessário para sentir e viver plenamente.


Prepara-se, entretanto, o trabalho de renovação. O século XIX e o começo do XX viram aparecer os precursores. Os gênios não tardarão em vir. Em cada época da História, conta-se certo número de Espíritos que pertencem mais ao século seguinte do que àquele em que vivem. Shakespeare escreveu: “Os grandes acontecimentos projetam diante de si sua sombra, antes que sua presença abale o Universo.” Ora, os precursores viram essa sombra grandiosa desenhar-se-lhes no caminho, em formas móveis e poderosas; pressentiram os fatos e adivinharam as leis. Era o sinal de sua eleição intelectual e de sua vocação; mas, havia ali também a razão do seu isolamento, de seu abandono, de seus sofrimentos em meio à multidão, que os não podíamos compreender. Acontecimentos surgiram com grandeza trágica. Durante mais de um quatriênio os povos se chocaram com abalos formidáveis. A guerra prosseguiu em sua obra de ruína e de morte, ao mesmo tempo em que varria muitos erros, ilusões e quimeras. Ao sopro da tempestade, rasgaram-se as nuvens e apareceu um canto de céu azul. O décimo nono século foi o século da Matéria; o vigésimo será o do Espírito. O décimo nono, perscrutando a Natureza, fez surgir desconhecidas energias; o vigésimo revelar-nos-á forças espirituais superiores a tudo quanto o homem sonhou, e o estudo dessas forças nos conduzirá à solução do problema da vida e da morte. Os precursores são grandes diante da História! São eles que esclarecem a marcha da Humanidade na imensa estrada de seus destinos. Assemelham-se aos concorrentes do stadium antigo, de que fala Lucrecio, e que passaram de mão em mão o facho da inspiração. Sem eles, as renovações intelectuais do mundo não encontrariam os caminhos abertos, nem os espíritos preparados. Entre eles podemos citar, de nossos dias: Allan Kardec, Jean Reynaud, Flammarion, Victor Hugo, Crookes, Myers, Lodge, etc. O livro de Myers, sobre A Personalidade Humana, termina por uma bela síntese experimentalista. O autor demonstra que é preciso, primeiramente, explicar o homem ao próprio homem. O aprender a conhecer o homem leva ao conhecimento de Deus e do Universo. É o que havia recomendado o poeta inglês Pope, em seu Ensaio sobre o homem. Mas as gerações passam, e é sempre esquecido esse estado essencial do homem interior. O século XIX consagrou incalculáveis recursos, imensos laboratórios ao estudo do universo material; estendeu prodigiosamente o campo de suas observações e de suas experiências; mas, o mundo ignorava ainda a constituição íntima do ser humano e as leis de seu destino. Encontraram-se, pois, nossos legisladores na impossibilidade de governar. Como, com efeito, dirigir homens, administrar povos, quando se ignora ou se finge ignorar o grande princípio da vida? Daí surgiu o mal-estar de que sofre hoje nosso país. O formidável problema do trabalho, com suas múltiplas dificuldades, tem por origem esse erro capital. Não quis ver na pessoa humana mais que um corpo a nutrir e explorar, e, pa rtindo daí, só houve a preocupação das necessidades materiais. A luta pela vida tornou-se tão brutal quanto o era no tempo dos bárbaros. O mal é grande, e não será sanado com sistemas empíricos. Nem no Socialismo, sob a fórmula atual, nem no Catolicismo serão encontrados os remédios.

Faz-se mister, em primeiro lugar, descobrir as causas para nos atermos a elas. Ora, estas são, por assim dizer, constitucionais ao homem. Seus erros, eis o que é preciso corrigir; suas paixões, eis o que é preciso combater, agindo menos sobre as massas do que sobre o indivíduo. É ao todo, com efeito, que se deve esclarecer e corrigir; é preciso cultivar e desenvolver o homem interior em cada personalidade viva, se quisermos passar do reino da Natureza ao do Espírito. Para a ciência nova, são necessários homens que conheçam a fundo as leis superiores do Universo, o princípio da vida imortal e a grande lei da evolução, que é uma lei de amor, e não uma lei de bronze, conforme o disse Haeckel. Existe uma doutrina, ao mesmo tempo – velha quanto o mundo, e jovem quanto o futuro, porque é eterna, sendo a Verdade; uma doutrina que resume todas as noções fundamentais da vida e do destino; é o Espiritismo, e o livro de Myers, acima citado, é o seu comentário científico. O Espiritismo f az erupção no mundo; espalha-se por toda parte. Qual é a sociedade sábia, a revista hebdomadária, o jornal cotidiano, que não se ocupa de seus fenômenos, de suas manifestações, ainda que para negá-los, criticar, mascarar ou combater? O Espiritismo é a questão do momento presente, o problema universal. Não é mais possível quedar indiferente em face dele. E é precisamente porque essa invasão espiritual enche os dois mundos e preocupa o pensamento humano, que acreditamos dever insistir sobre os deveres que nos incumbem para com essa nova fé, essa ciência, jovem e forte, que oferece provas irrefutáveis da vida depois da morte, e contém, em gérmen, todas as ressurreições do futuro!... Relembramos, ao terminar, o caráter sensível do Espiritismo moderno. Não é um sistema novo que se vem juntar a outro, nem um conjunto de teorias vãs. É um ato solene do drama da evolução que começa uma revelação que ilumina, ao mesmo tempo, as profundezas do passado e do futuro, que faz surgir do pó dos séculos as crenças adormecidas, as anima com uma nova chama e, completando-as, as faz reviver. É um sopro poderoso que desce dos Espaços e corre sobre o mundo; sob sua ação, todas as grandes verdades se revelam. Majestosas, emergem do crepúsculo das idades, para desempenhar o papel que o pensamento divino lhes assinala. As grandes coisas se fortificam no recolhimento e no silêncio. No olvido aparente dos séculos, colhem energias novas. Retraem-se e preparam-se para os empreendimentos futuros. Acima das ruínas dos templos, das civilizações extintas e dos impérios desmoronados, acima do fluxo e do refluxo das marés humanas, uma voz poderosa se eleva; e esta voz clama: Os tempos são vindos, os tempos são chegados! Das profundezas estreladas descem à Terra os Espíritos em legião, para o combate da luz contra as trevas. Não são mais os homens, os sábios e os filósofos que trazem uma doutrina nova. São os Gênios do Espaço que vêm e sopram em nossos pensamentos os ensinos cham ados a regenerar o mundo. São os Espíritos de Deus! Todos quantos possuem o dom da clarividência os percebem pairando acima dos seres da Terra, tomando parte em nossos trabalhos, lutando ao nosso lado para o resgate e a ascensão da Alma humana.

Grandes feitos se preparam. Que se ergam os trabalhadores do pensamento, se querem participar da missão oferecida por Deus a todos os que amam a Verdade e a ela servem.

LÉON DENIS. O GRANDE ENIGMA.

As Sombras do Passado Trabalhando para um melhor futuro

As Sombras do Passado Trabalhando para um melhor futuro
Estamos, sempre, assombrados com pensamentos e palavras criadas em idas
era. Somos quais discos arranhados em ladainha túmulo-berço,
berço-túmulo, por tempo incerto. Dentre nossas inúmeras sombras podemos
citar algumas que são campeãs na repetência, no corpo, de nossa
individualidade: desorientações infundadas, paixões inesquecíveis, medos
e, a particular falta de tempo.
Quanto às desorientações, poderíamos até alegar alguma neurose não
vivida em nível consciencial ou algum desajuste orgânico. Ora, se todo
médico fosse deixar de exercer sua clínica devida a probabilidade de
morte real dos pacientes, a terra seria um cemitério a céu aberto. O que
temos em nós é uma liga profunda composta de preguiça e indisciplina,
ambas na mesma proporção. Não obstante, não nos culpemos tanto. Somos
herdeiros de um passado nefasto e, em função de nossas provas do
dia-a-dia, temos nossa mente cansada de nosso passados dolorosos.
Todos, encarnados ou não, estamos imersos em oceanos profundos de
inquietações, que se nos sobrecarregando, leva-nos à desorientação pela
perda de contato com a realidade. Devemos buscar a felicidade possível.
Chega uma hora para nós em que merecemos paz, no qual no cálice de fel
se esgota. Nem por estarmos por singulares dores da alma, não podemos
conceber um futuro doce, sem plantarmos presente real. Para tanto,
devemos agir, na medida do possível, com um sorriso no rosto. Antes de
desorientarmos, pensemos, reflitemos mais e falemos menos. Se ainda não
construimos em nós uma cidade viva de paz e, desistimos na primeira
tentativa, imaginemos, por momentos, o que seria de nós se Jesus
desistisse da missão a que veio em desorientação improfícua?
A maior paixão amor doente não pode suplantar a beleza das gotas
diárias do amor saudável. O homem, sem qualquer exclusão de gênero,
nunca se satisfaz com as conquistas nos vários setores da vida. Tudo
aquilo que destoa do amor despretensioso, do amor oblativo, do amor
construtor de valores para o espírito, no porvir, é câncer que carcome
as teias da nossa alma, visgando nossos sentimentos ignóbeis a ondas
energéticas de menor teor energético. Se em nome de grande amores
construídos aos poucos constroem-se universos eivados de realizações
perenes, em nome de paixões avassaladoras, destruímos , desamamos,
escravizamos e destruímos sonhos, pessoas e amores. A guisa de reflexão:
A paixão é a sombra que macula o coração do homem-fera. Ora, para se
viver um ter grande amor mister se faz ter senso e siso e, nas malhas
das farpas que nos chegam, converter cada lágrima em diamante, cada
espinho em gotas de mel, cada sentimento de dor, em sorriso.
Quem não tem medo vive fora da realidade, assim todos, absolutamente,
todos temos medo. O medo é sombra para aqueles que em idas caminhadas,
neste vales de dores, lançaram medo em corações vinculados à inocência.
Todo animal tem medo do desconhecido. O mesmo ocorre com o homem. A
total ignorância de nossas escapadelas mentais no passado, embora possa
parecer empeço de vulto, de fato nos é posologia divina. O sentimento de
medo já nos é antibiótico objetivo, para que na dúvida, não incorramos
em mais erros. Vejamos o medo inato da morte. A morte deveria ser nossa
amiga, como de fato o é. Nosso problema maior jamais será a morte, mas à
qualidade com a qual impulsionamos nossa vida, aqui cabendo o seguinte:
Somos amigos de nossa vida ou meros viventes gozadores de recursos que
não nos pertencem ? Aqueles que vivem a vida em plenitude da felicidade,
encaram a morte com harmonia e paz, sem medo. Ao contrário, se vivem a
vida em atitudes denegridas e perdulárias, tentam de todas as formas
esconder da morte, desestabilizam qualquer ambiente, são belicosos em
resumo, morrem de medo da morte. caso contrário, ou não tem A nossa
luta não é para evitarmos o medo, mas vivenciá-lo na plenitude da razão,
lógica e bom-senso, prelúdios divinos do bem realizado.
A única pessoa que não ligava para o tempo era Jesus, ser atemporal,
amoroso, vinculado às ondas benévolas da eternidade lucificada. Todos
somos chorões, sempre alegando falta de tempo, sendo que de fato,
nosso principal problema se encontra com a falta de comprometimento:
Temos tempo invejável para criticar esta ou aquela missiva vindas de
carteiros à serviço do mestre, mas nunca encontramos tempo para criar
algo de nós mesmos, para ajudar nosso próximo, tão carente de nossa
bruxuleante luz; temos tempo disciplinar para escrever normas,
disciplinas, regras que não suportaríamos, para nossos próximos, mas
nunca temos tempos para estudo de nossos próprios erros; dizemo-nos
injustiçados por este ou aquele irmão, eis que não nos damos tempo para
a reflexão profunda antes de ferir-lhe o coração, com a nossa língua;
Temos todo o tempo do mundo para criticar a flama carismática alheia,
mas nunca temos tempo para refletir sobre as nossas, em nós. São
desculpimos insanos, pois, de fato nosso maior problema com o tempo é
transformá-lo em sombras de nossa caminhada à guisa desculpista.
Não somos cutelos. Somos amigos a exercer a função. Buscamos, com
singelas palavras, prover-vos de uma melhor qualidade de vida, visando
caminhada hígida. O raiar da nova era bate-nos à porta. A chave estará
clara para nós na medida em que pudermos alijar de dós as tralhas acima
citadas, sombras insepultas, algemas da alma. Todos os aspectos
circunstanciais acima são de diagnósticos complexos, em nível de
coração. Não obstante as doenças de base, localizadas no passado, são de
dedução simples: falta de amor, falta de perdão, falta de coragem, Falta
de nãos em momentos certos, falta de fé, carências não ou mal
trabalhadas, mau gerenciamento do bem, para nosso próprio bem. E, se
algum momento sentirdes solidão, lembrei objetivamente do salmista, no
Salmo XXIII: O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará. Deitar-me faz em
verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranqüilas. Refrigera a minha
alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome. Ainda que
eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque
tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam. Preparas uma
mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com
óleo, o meu cálice transborda. Certamente que a bondade e a misericórdia
me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do SENHOR
por longos dias.
Paulo Viotti, com a ajuda dos amigos espirituais

Compadece-te

Compadece-te

Compadece-te de todos aqueles que não podem ou não sabem esperar.
Estão eles em toda parte.
Quase sempre são vítimas da inquietação e do medo.
Observa quantos já transpuseram as linhas da própria segurança.

São casais que não se toleram nas primeiras rusgas do matrimônio e desfazem a união em que se compromissaram, abraçando riscos pelos quais, em muitas circunstâncias, cedo se encaminham para sofrimento maior;

são mães que rejeitam os filhos que carregam no seio, entregando-se à prática do aborto, recusando a presença de criaturas que se lhes fariam instrumentos de redenção e reconforto no futuro, caindo, às vezes, em largas faixas de doença ou desequilíbrio;

são homens que repelem os problemas inerentes às tarefas que lhes dizem respeito, escapando para situações duvidosas, sob a alegação de que procuram distração e repouso, quando apenas estão dilapidando a estabilidade das obras que, mais tarde, lhes propiciariam refazimento e descanso;

são amigos doentes ou desesperados que se rebelam contra os supostos desgostos da vida e se inclinam para o suicídio, destruindo os recursos e oportunidades que transportariam para a conquista da vitória e da paz em si mesmos;

são jovens, famintos de liberdade e prazer que, impedidos naturalmente do acesso a satisfações imediatas, se engolfam no abuso dos alucinógenos, estragando as faculdades com que o tempo os auxiliaria na construção da felicidade porvindoura.

Façamos algo por eles, os nossos irmãos que ignoram ou que não querem aceitar os benefícios da serenidade e da esperança.

Pronuncia algumas frases de otimismo e encorajamento;
escreve algum bilhete que os reanime para a bênção de viver e servir;
estende simpatia em algum gesto espontâneo de gentileza;
repete consideração e concurso amigo nos diálogos que colaborem na sustentação da paz e da solidariedade.

Não te declares sem possibilidade de contribuir, nem digas que tens todas as tuas horas repletas de encargos e serviços dos quais não te podes distanciar.
Faze algo, no erguimento do Bem.
Nas realizações da fraternidade, quem Ama faz o tempo.
**************
Meimei
Chico Xavier

Com Amor

Com Amor

Todo discípulo do Evangelho precisará coragem para atacar os serviços da redenção de si mesmo.
Nenhum dispensará as armaduras da fé, a fim de marchar com desassombro sob tempestades.
O caminho de resgate e elevação permanece cheio de espinhos.
O trabalho constituir-se-á de lutas, de sofrimentos, de sacrifícios, de suor, de testemunhos.
Toda a preparação é necessária, no capitulo da resistência;
entretanto, sobre tudo isto é indispensável revestir-se nossa alma de caridade, que é Amor Sublime.
*
A nobreza de caráter, a confiança, a benevolência, a fé, a ciência, os dons e as possibilidades são fios preciosos, mas o Amor é o Tear Divino que os entrelaçará, tecendo a túnica da perfeição espiritual.
*
A disciplina e a educação, a escola e a cultura, o esforço e a obra, são flores e frutos na árvore da vida, todavia, o Amor é a Raiz Eterna.
*
Mas, como amaremos no serviço diário?
Renovemo-nos no espírito do Senhor e compreendamos os nossos semelhantes.
*
Auxiliemos em silêncio, entendendo a situação de cada um, temperando a bondade com a energia, e a fraternidade com a justiça.
*
Ouçamos a sugestão do Amor, a cada passo, na senda evolutiva.
Quem Ama, compreende; e quem compreende, trabalha pelo mundo.
*************
Emmanuel
Chico Xavier

DIANTE DA PAZ

DIANTE DA PAZ


Entendendo-se a paciência, à maneira de ciência da Paz, não procures a Paz, à distância, de vez que ela reside em ti mesmo.
* * *
A Paz, no entanto, baseia-se na lei da troca que mantém o equilíbrio do Universo, através do binômio “dar e receber”.
Semeia a Paz, a fim de que a recolhas.
Quando te não seja possível providenciar a segurança do ambiente fustigado de inquietação, mentaliza a Paz por intermédio da palavra e do pensamento.
* * *
Ante os enfermos, cala os assuntos suscetíveis de criar agitação e oferece-lhes a tranquilidade, relacionando temas capazes de garanti-la.
Entretanto, se o verbo não te for facultado, envia ideia de reconforto e encorajamento aos doentes, diligenciando proteger-lhes as forças mentais, ameaçadas de desgoverno.
***
Surpreendendo a discórdia, permanece com a verdade e aclara o caminho, mas emite pensamentos de paz, no rumo dos irmãos em contenda;
e, se podes falar, pronuncia a frase edificante que consiga ajudar a extinguir os focos de perturbação ou desequilíbrio.
* * *
Renteando com alguma criatura menos feliz, por maiores sejam os motivos que a tornem pouco simpática, rememora os vínculos de fraternidade que nos unem fundamentalmente uns aos outros e procura ampará-la mentalmente, abençoando-lhes a presença com silenciosas mensagens de amor e renovação.
* * *
Se recebes notícias acerca das aflições e provas de alguém, endereça a esse alguém pensamentos de compreensão e consolo que lhe favoreçam o reajuste.
* * *
Conversando, acalma os que te ouvem.
Escrevendo, articula imagens de otimismo e confiança, serenidade e alegria.
* * *
Lembrando amigos ou inimigos, envia-lhes votos de êxito nas tarefas e compromissos que abracem.
* * *
Seja a quem seja, auxilia como e quanto puderes, afim de que todos os que se comunicam contigo permaneçam em Paz e Alegria.
* * *
Cada consciência, na Excelsa Criação de Deus, é núcleo de vida independente na Vida Imperecível.
* * *
Reflete na importância de tua própria imortalidade e recorda, onde estejas, que a paz de teu ambiente começa invariavelmente de ti.
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EMMANUEL
Chico Xavier




terça-feira, 25 de setembro de 2012

CANÇÃO DA FÉ

CANÇÃO DA FÉ
Se a tua fé não vê ou ainda não viu
A presença da lágrima ou do espinho
Para vencer nos lances do caminho,
Os perigos da marcha e as surpresas da treva.
Se a tua fé não ouve ou ainda não ouviu,
Entre as flores que leva
Desde o berço da crença até agora,
O insulto em que a maldade se avigora,
A fim de que lhe dês,
Outra vez e outra vez,
O apoio da paciência e a lição da bondade...
Se a tua fé não encontrou ainda
Algo que a desagrade,
Na tarefa bem-vinda
Que te impele a servir ao amor e á verdade.
Se a tua fé não teve ou ainda não tem
Ofensas a perdoar e injúrias a esquecer,
No sublime dever
De amparar, socorrer ou levantar alguém...
Se enfim, a tua fé não conheceu
Angústia ou desabrigo,
Se ela não sofre ou ainda não sofreu
Golpes do orgulho vão,
Escárnio, desafio, tentação,
Para que aprendas, coração amigo,
Resistência e humildade,
A tua fé, portanto,
Não passa, por enquanto,
De um sonho que não veio à realidade!...
Porque a fé verdadeira
Que redime e renova a Humanidade,
E vale, em tudo para a vida inteira,
A fé que tanto ama e anda de rastros
Quanto vibra e se eleva para os astros,
Fé valente e profunda,
Que inspira, exemplifica, ergue e fecunda,
Será sempre obtida na batalha,
Na Terra ou Mais Além,
No coração que luta ou se estraçalha
Para a glória do Bem.
(Maria Dolores/Francisco Cândido Xavier. Livro: Coração e Vida)

EM TORNO DA ORAÇÃO

EM TORNO DA ORAÇÃO
Antes de pedir pão à Providência Divina, não menosprezes o esforço por obtê-lo.
Antes de rogar a paz em teu benefício, não olvides a consciência reta, para que a tranqüilidade não te abandone.
É preciso lembrar que as súplicas humanas não devem estorvar as concessões Divinas.
Sendo a Terra nossa escola multimilenária, cada aprendiz, dentro dela, recolhe a lição que lhe cabe. É por isso que vemos, a cada passo, dificuldades materiais que preservam a integridade do espírito, moléstias que funcionam por mazelas do corpo, em favor da higiene da alma e inibições físicas que asseguram a defesa do coração contra a descida ao despenhadeiro.
Aprendamos a ver nos infortúnios de agora os elementos vivos que nos garantirão a felicidade depois.
Campo a dentro do Espiritismo com Jesus, não podemos abraçar na prece a válvula de escape injusto. Sabemos que a Ordem Universal não nos perde de vista e que todos recebemos hoje de acordo com as nossas obras de ontem. Assim sendo, mantenhamos a oração como escada de luz, no intercâmbio com o plano Superior, à procura da inspiração divina, de modo a sermos mais úteis ao próximo e mais conscientes em nós mesmos.
E, não desconhecendo a nossa obrigação de aprender e servir, infatigavelmente, peçamos ao Senhor não para que a nossa cruz se desfaça antes do momento oportuno, mas que se nos amplifique a resistência nos ombros a fim de que a suportemos com a dignidade devida.
Valiosa é a prece que transforma situações e paisagens exteriores, embora muitas vezes nos aumente os compromissos; entretanto, é imperioso não esquecer, que a oração mais sublime é aquela que nos renova por dentro, ajudando-nos a crescer mentalmente para discernirmos com segurança e amparando-nos a visão íntima para que estejamos, cada dia, não na pauta de nossos próprios desejos, mas segurando a vontade sábia e misericordiosa de Deus.
(Emmanuel/Francisco Cândido Xavier. Livro: À Luz da Oração)

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

CORAGEM NO CAMINHO

CORAGEM NO CAMINHO
Se chegaste aos dias anuviados de pranto, à vista de ocorrências infelizes,
acende a luz da esperança e caminha adiante, olvidando na retaguarda o que
te possa parecer aflição e desengano.
Outro dia, com novas emoções, espera-te amanhã, renovando-te a vida.
Circunstâncias inesperadas te deslocaram da segurança em que
vivias, arrojando-te nas dificuldades do começo da existência...
Esquece quantos te surgiram por instrumentos de inquietação e lembra
-te de que as oportunidades de trabalho continuam brilhando para os que não
se deixam vencer pelo desânimo.
Pessoas queridas talvez se te hajam transformado em obstáculos à
paz, compelindo-te à travessia de espessas nuvens de lágrimas...
Esquece os que se acomodaram com atitudes irrefletidas e pensa nas
dedicações sinceras que te felicitam as horas.
Alguém a quem amas, enternecidamente, haverá falhado nos
compromissos assumidos, relegando-te ao abandono...
Esquece o menosprezo de que terás sido objeto e conserva a imagem
desse alguém no tesouro de tua gratidão pela felicidade que te deu e
prossegue em frente, na certeza de que a vida te ofertará estradas novas para
a aquisição de alegrias diferentes.
Acontecimentos calamitosos te impeliram a vacilar nos fundamentos
da fé, ainda insegura...
Esquece, porém, os fatos amargos e adianta-te na jornada para diante,
valorizando os recursos espirituais de que dispões, recordando que o Céu
continua alentando a última planta das últimas faixas do deserto e revigorando
o verme da mais oculta reentrância de abismo.
Seja qual seja o tipo de provocação que te incline ao desalento, vence o
torpor da tristeza e segue para a vanguarda de tuas próprias aspirações.
Da imensidão da noite, nascerá sempre o fulgor de novo dia.
Não te permitas qualquer parada nas sombras da inércia.
Trabalha e prossegue em frente, porque a bênção de Deus te espera em
cada alvorecer.
Livro “PALAVRAS DO CORAÇÃO” – Espírito: MEIMEI –
Médium: FRANCISCO CÂNCIDO XAVIER.

A Viagem

A Viagem
O aprendiz chegou ao recanto de antigo orientador da vida cristã e
perguntou, em seguida às saudações costumeiras:
- Instrutor, posso acaso receber as suas indicações quanto ao melhor caminho
para o encontro com Deus?
A resposta do mentor não se fez esperar:
- A viagem para o encontro com Deus é repleta de obstáculos por vencer...
Espinheiros, precipícios, charcos e pedreiras perigosas...
Silenciando o interpelado, o moço prosseguiu:
- Isso tudo conheço... Já visitei vários templos da Índia, quando estive por
vários dias na intimidade de faquires famosos, todos eles revestido de
faculdades supranormais; arrisquei-me a cair nos despenhadeiros do Tibet
para conviver com os monges santos; orei na grande Pirâmide do Egito;
demorei-me na Palestina, procurando registrar impressões da paisagem na qual
Jesus viveu, no entanto, estou saciado de excursões à procura da Divina
Presença...
O orientador escutou com humildade e esclareceu, em seguida:
- Sim, é verdade que todas essas peregrinações e práticas auxiliam na busca
do Supremo Senhor, mas, ao que me parece, há um engano de sua parte...
E arrematou:
- A viagem para o encontro com Deus é para dentro de nós.


(Obra: Agora é o Tempo - Chico Xavier/Emmanuel)

MAIS PACIÊNCIA

MAIS PACIÊNCIA


Na atualidade do mundo, não será demasiado rogar sempre mais paciência a quantos nos possam ouvir, em louvor da paz de que necessitamos para a execução das tarefas a que fomos chamados.

São tantas as inquietações que hoje assoberbam as criaturas encarnadas, que toda pessoa humana, com suficiente responsabilidade de viver, está na condição do motorista correto e seguro que se vê, quando em ação, impelido a pensar por si e pelos outros que lhe cruzem o caminho, de modo a se prevenir contra acidentes.

Por isso mesmo, no trânsito das atitudes e das palavras, ouve com mais paciência quaisquer alegações que te sejam endereçadas para que explosões de azedume não apareçam.

Ninguém pode calcular toda a extensão dos prejuízos de uma bomba detonada.

Em vista disso, quanto mais longo o estopim da tolerância, mais probabilidades de se evitar o desastre.

Se o companheiro ou a companheira, compromissados na formação do lar se desentendem, que a vítima cultive mais paciência, permanecendo no lugar de trabalho que a vida lhe confiou, frustrando naquele que agride a queda em débitos mais amplos.

Se teus filhos se deixam embair por idéias negativas, conserva mais paciência diante deles, a fim de que não se te desvinculem violentamente do amor, caminhando talvez sem defesa ao encontro de tragédias passionais evitáveis.

Se teus familiares não te compreendem, sustenta mais paciência para com eles, a fim de que a desarmonia doméstica não se cristalize, criando sofrimentos inúteis, dentro de casa.

Se os amigos escolhem estradas diferentes das tuas, conquanto observes os perigos a que se expõem, aceita-os com mais paciência, de maneira que possas auxiliá-los na travessia das provas que serão impelidos a facear.

Em qualquer situação difícil, aparentemente insolúvel, usa mais paciência, porque a paciência é construção da alma sobre os alicerces da fé em Deus e, aplicando mais paciência onde estiveres, em quaisquer tribulações, que, porventura, te apareçam, claramente vencerás.


pelo Espírito Emmanuel - Do livro: Inspiração, Médium: Francisco Cândido Xavier

ADVERSÁRIOS

ADVERSÁRIOS


Quando o Mestre nos recomendou amor aos inimigos, não nos induziu à genuflexão improdutiva à frente dos nossos adversários.

Ninguém precisa oscular o lodo escuro do pântano a fim de auxiliá-lo.

Ninguém necessita introduzir um espinho no próprio coração, a pretexto de aniquilar-lhe a expressão dilaceraste.

O senhor pede entendimento.

Imaginemo-nos na posição dos nossos inimigos, gratuitos ou não, e observemos como seria a nossa conduta se estivéssemos em lugar deles.

Permanecerá o nosso adversário em nossa posição de madureza espiritual quando conseguimos examiná-lo com segurança moral?

Terá tido as mesmas oportunidades de que já dispomos para semear o bem?

Guardaríamos o coração sem fel se nos demorássemos na posição onde se encontram muitas vezes, dominados pela ignorância ou pelo desespero?

Assumiríamos conduta diferente daquela que lhes assinala as atividades, se fôssemos constrangidos a atravessar a zona empedrada em que jornadeiam?

Dificilmente chegaríamos a conclusões afirmativas.

Jesus, por isso, pede acima de tudo, esquecimento do mal e disposição sincera para o bem, com atitudes positivas de boa vontade, a fim de que os nossos adversários nos identifiquem, com mais clareza, as boas intenções.

Recebemos o inimigo como instrutor e auxiliá-lo-emos a dilatar a visão que lhe é própria.

A compreensão é a raiz da verdadeira fraternidade.

Aprendamos, assim, a perceber a luz onde luz se encontra, afim de que nos armemos contra o poderio das trevas em nosso coração.

A boa vontade realiza milagres em nossa vida, se estamos realmente disposto a caminhar para os cimos da vida.

Lembremo-nos de que Jesus, até hoje, está trabalhando no auxílio aos inimigos e o único caminho por Ele escolhido para esse apostolado de amor, é o caminho do sentimento, porque só aquele que sabe conquistar o coração dos adversários pela cooperação e pela boa vontade pode, efetivamente, inflamar-se ao Sol do Amor Eterno, com a vitória sobre si mesmo, na subida espinhosa e santificante para a Glória Imortal.


pelo Espírito Emmanuel - Do livro: Tarefa Espírita, Médium: Francisco Cândido Xavier

CANDIDATO A REDENÇÃO

CANDIDATO A REDENÇÃO


Integrado nos fluidos comburentes a se lhe derramarem da própria alma, o Espírito desditoso, com sede de esquecimento no corpo de carne, pedia em pranto:

- Senhor, por piedade, concedei-me a graça de renascer no planeta físico! Percebo agora a extensão de meus débitos e a enormidade de meus crimes! Feri vossa Lei, espalhando miséria e destruição!... E sofro, Senhor, por desleixo meu, o resultado de minha imprevidência delituosa! Trago em minhas entranhas o inferno que acendi em mim mesmo!...Ó Benfeitor da Eternidade, conduzi-me, de novo, à escola da Terra, a fim de que eu possa, por algum tempo, olvidar minhas horrendas feridas...Dai-me o câncer, a lepra ou outra enfermidade, Senhor, em cuja virulência bendita expungirei de meu ser o veneno da culpa! Encarcerai-me num corpo paralítico em cuja armadura ressecada eu consiga olvidar o pretérito, regenerando os meus infelizes pensamentos! Entregai-me às provas da idiotia, em que me redima, detende meu Espírito arrependido num leito de chagas terrestres em cujos tormentos acrisole o coração entenebrecido no desespero! Dai-me o aleijão, a cegueira, a epilepsia, a forma torturada, a fome e a nudez, mas ajudai-me a renascer no mundo com a graça do esquecimento!...

Nisso, quando mais comoventes se lhe faziam as lágrimas, comparece junto dele benemérito Amigo Espiritual, que lhe diz, bondoso:

- Acalma-te, meu irmão! Tuas súplicas foram ouvidas! A Divina Bondade conferir-te-á nova bênção no campo dos homens... Não precisarás, porém, recorrer à morféia, à imobilidade, ao pênfigo ou à mutilação para o resgate das tuas dívidas... Afirma-nos o Senhor: -“misericórdia quero, não sacrifício...” Voltarás ao mundo em berço acolhedor e servirás ao Espiritismo, com Jesus, na condição de médium amigo da redenção... Aprenderás que o amor cobre a multidão de nossos pecados e afeiçoar-te-ás ao bem de todos, buscando no bem de todos a luz de teu próprio bem!...

Enlevado com a promessa, o mísero brandou, esperançoso e desafogado:

- Louvada seja a Bondade Infinita de Deus!

- Oh! sim, cultivarei o serviço aos meus semelhantes na concessão com que o Céu me agracia! Saberei usar a benevolência em todos os lances da luta! Abraçarei os humildes e compreenderei os orgulhosos para ajudá-los com amor! Tolerarei sem revolta flagelações e calúnias, consagrar-me-ei ao desprendimento das posses materiais! Respirarei na Terra, mentalizando a Compaixão Celeste para saber auxiliar sem recompensa e entender sem exigir! Sim! Serei médium e sofrerei amando, como Jesus nos amou!...

Recolhido a grande hospital de socorro, a breve tempo conseguia habilitar-se para o novo renascimento.

Mergulhado em rendas de ilimitado carinho, ressurgiu num corpo abençoado e perfeito, em lar simples e generoso que o acariciou com alegrias puras, qual santuário que o preparasse na direção de uma festa de luz.

Foi assim que, alcançando a maioridade corpórea, o candidato ao serviço do bem foi conduzido naturalmente à província de trabalho em que lhe competia a execução dos votos que formulara.

Entretanto, ao contacto inicial com as bênçãos da tarefa, sentiu que a dúvida e a irritação lhe visitavam o campo íntimo.

Em toda parte, surpreendia incompreensão e discórdia, censura e suspeita constantes...

Amedrontado perante a luta que se esboçava feroz, pediu, certa feita, numa sessão de fraternidade e intercâmbio, a orientação do Benfeitor Espiritual que o ajudava no templo espírita em que se lhe sediavam as esperanças primeiras, e, tão logo saudado pelo Instrutor, rogou compungidamente:

- Que fazer, meu amigo, diante das sombras que me entravam os movimentos?
- Perdoa e ajuda, meu filho – respondeu-lhe o mensageiro benevolente.

- E quando alguém me crive de calúnia e maldade?
- Ajuda e perdoa para que a luz do entendimento se faça vitoriosa.

- E a desconfiança? como agir perante as criaturas que me experimentam com aspereza e sarcasmo?
- Perdoa e ajuda, aguardando o tempo.

- E as pessoas cruéis que me procuram, tocadas de más intenções, à maneira do animal que se sacia nas águas de um poço, agitando o lodo que lhe dorme no seio?
- Ajuda e perdoa para que se renovem um dia...

-Sofro com as mistificações que, por vezes, me assaltam... Como proceder diante daqueles que me ensombram a inspiração, compelindo-me ao desencanto?
- Perdoa e ajuda sem repousar, recebendo em tais lições do caminho o justo apelo à tua construção de humildade... De quando em quando, a mistificação auxiliar-te-á a entender que os talentos do Alto não te pertencem, ensinando-te o respeito ante a Bondade Celestial.

- Vejo-me cercado pela exigência daqueles que me interpretam à conta de malfeitor, solicitando-me as horas para o resvaladouro do crime...Como tratá-los na rota de minha fé?
- Perdoa e ajuda sempre.

- Mas de que modo agir com ignorantes e ingratos, com as raposas da astúcia e com os lobos da crueldade que pretendem senhorear minhas forças?
- Ajuda e perdoa constantemente.

- Ainda mesmo quando não me desculpem as fraquezas e não me auxiliem na solução das próprias necessidades?
- Sim, meu filho – acentuou o benfeitor -, é imprescindível ajudar e perdoar sem descanso.

Levantou-se o consulente para a despedida, e após o encerramento da reunião, com fervorosa prece, o candidato à mediunidade que pedira o câncer e a lepra, a cegueira e a mutilação, a paralisia e o infortúnio, para ressarcir o passado delituoso, retirou-se da casa e ninguém mais o viu.


pelo Espírito Irmão X - Do livro: Contos Desta e Doutra Vida, Médium: Francisco Cândido Xavier

domingo, 16 de setembro de 2012

Seja feliz


Eis uma ordem preciosa: seja feliz! Quantas vezes dizemos isso uns aos outros, desejando, intensamente, que se torne realidade?

Em verdade, cada um de nós deveria ter como meta, em sua vida, ser feliz.

Quase sempre, criamos infelicidade para nós mesmos, através de nossas atitudes.

E, no entanto, nunca se falou tanto, como na atualidade, em ser feliz, em conquistar valores positivos. Parece ser a tônica do momento.

Parece que as pessoas estão descobrindo o propósito da Divindade para conosco.

O mundo não é um local onde nascemos para sofrer, embora o sofrimento possa fazer parte de nossas vidas.

Não é um local onde viemos somente para nos esfalfarmos em conquistas materiais, mesmo que necessitemos trabalhar para nos sustentarmos, para adquirirmos certo conforto.

O importante é se ter a certeza que podemos melhorar muito nossa qualidade de vida, se desejarmos.

Vejamos algumas dicas:

Não se preocupe, em demasia.
Quem se estressa o tempo todo, pode desencadear problemas cardíacos. E não consegue ver o lado bom das coisas.

Concentre-se e termine.
Isto é, faça uma coisa de cada vez.
Termine uma tarefa e depois passe para a seguinte.
Não queira fazer muitas coisas ao mesmo tempo.
O Mestre de Nazaré, há mais de dois milênios, prescreveu que a cada dia bastam as suas próprias preocupações.

Mande a raiva embora.
Ela faz as artérias se contraírem, a taxa de batimentos cardíacos disparar e deixa o sangue mais grosso e fácil de coagular.
Quando tiver que enfrentar alguma situação exasperante, conte até dez. Isso faz o cérebro passar da emoção para o pensamento racional.
Respire fundo.
Pense e não reaja.
A Sabedoria Nazarena prescrevia que perdoássemos aos nossos inimigos.

Cuide do lado espiritual.
Você pode participar de determinada religião, exercitar a sua fé.
Ou pode meditar, passar algum tempo sozinho, prestar serviços a uma boa causa.
Lecionava Jesus: Amai o vosso próximo como a vós mesmos.

Controle as imagens do cérebro.
Não exagere nas observações e não alimente ideias negativas.

Não alimente a sua carga emocional com pensamentos como:
Esse emprego vai me matar.

Sorria. Ria. Ouça música alegre.
Isso relaxa os vasos sanguíneos e aumenta o fluxo do sangue.
Seu corpo se sentirá melhor.
Recomendava o Nazareno: Alegrai-vos...

Alimente a sua mente com coisas positivas.
Escolha leituras que lhe façam bem, que o motivem à serenidade, a reflexões altruístas.

Sábio foi o Mestre Jesus nos conclamando a que tivéssemos vida e vida em abundância. Isto quer dizer, qualidade de vida, que contempla o espiritual, o emocional, o físico.

Pensemos nisso e alteremos nossa forma de nos conduzir nesta Terra. Em pouco tempo, sentir-nos-emos mais leves, felizes, tudo olhando com as lentes positivas de quem está disposto a contribuir para a paz do mundo que, sempre, começa na nossa própria intimidade.

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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A REENCARNAÇÃO

A REENCARNAÇÃO

Uma vez colocados esses princípios, consagremos esta meditação a estudar as idades da vida humana: a mocidade, a idade madura, a velhice, à luz dessa grande lei, sendo a morte sua coroação e apoteose. Desses estudos surgirá o grande princípio espiritualista da reencarnação, o único que explica o mistério do ser e do seu destino. É preciso renascer é esta a lei comum do destino humano, que também evolve em um círculo do qual Deus é o centro. Ninguém dizia Jesus a Nicodemos verá o reino de Deus isto é, não compreenderá a lei de seu destino se não renascer da água e do espírito. A reencarnação está claramente expressa nessas palavras, e Jesus repreende a Nicodemos ser mestre em Israel e desconhecer essas coisas. Quantos, entre nossos mestres contemporâneos, são passíveis da mesma censura! Há muitos que se contentam com a noção superficial da vida, e nunca se sentem tentados a olhar para o fundo! É tão fácil negar as coisas para fugir ao dever e ao trabalho de estud ar e compreender!
O positivista jamais encara o problema da origem, nem o dos fins; contenta-se com o momento presente e o explora da melhor maneira. Muitos homens, mesmo inteligentes, agem igual àquele. Por seu lado, o católico limita-se a crer no que manda a igreja, que faz da vida um mistério do começo ao fim, pondo-lhe alguns milagres no meio; e quando estas duas palavras são pronunciadas: milagre, mistério! Todos se inclinam, todos se calam, todos crêem. Por outra parte, os universitários só acreditaram, durante muito tempo, nos dados da experimentação. Para eles, tudo que não figurasse em seus programas era destituído de valor. Nunca os ídolos de Bacon tiveram tantos adoradores. A ciência oficial, também, há meio século vem apenas contribuindo com diminuto progresso para o pensamento moderno. Entretanto, o médico dos nossos dias, tão ligado, até então, aos sistemas materialistas da Escola, começa a sacudir o jugo; e é das fileiras da Medicina atual que saem os doutores mais autorizados e mais competentes do Espiritismo.
A próxima geração será mais feliz e ainda melhor dotada. Cresce uma mocidade, que não surge de nenhum pedagogismo e só se instrui na grande escola da Natureza e da consciência íntima. Esta será verdadeiramente a mocidade livre, isto é, independente de qualquer educação fictícia, de qualquer método empírico e convencional. Ela ouve as verdadeiras vozes; a voz interior, a voz subliminal do ser, a voz que explica o homem ao homem e resolve o teorema do destino com a clareza que lhe é possível. É para essa sociedade de amanhã que escrevo estas páginas; dedico-as aos iniciados e aos avisados, àqueles que, segundo a palavra do Mestre, têm olhos de ver e ouvidos de ouvir. Voltemos, pois, à lei circulatória da vida e do destino, isto é, à doutrina da reencarnação.
LÉON DENIS. O GRANDE ENIGMA
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MORTE E VIDA ALÉM TÚMULO
Todas as religiões e todas as filosofias têm tentado explicar a morte; bem poucas lhe têm conservado o verdadeiro caráter.
O Cristianismo divinizou-a; seus santos encararam-na nobremente, seus poetas cantaram-na por uma libertação. Entretanto, os santos do Catolicismo só viram nela as exonerações da servidão da carne, o resgate do pecado, e, por isso mesmo, os ritos funerários da liturgia católica espalham uma espécie de terror sobre essa peroração, aliás, tão natural, da existência terrestre.
A morte é simplesmente um segundo nascimento; deixamos o mundo pela mesma razão por que nele entramos, segundo a ordem da mesma lei.
Algum tempo antes da morte, um trabalho silencioso se executa. A desmaterialização já está começada. Poderiam verificá-la por certos sinais, quantos rodeiam o moribundo, se não estivessem distraídos pelos fatos externos. A moléstia goza aqui de papel considerável. Ela acaba em alguns meses, em algumas semanas, em alguns dias, apenas, o que o lento trabalho da idade havia preparado: é a obra de dissolução de que fala o Apóstolo Paulo. Essa palavra dissolução é muito significativa: indica nitidamente que o organismo se desagrega e que o perispírito se desliga do resto da carne em que estava envolvido.
Ninguém morre só, pela mesma forma que ninguém nasce só. Os invisíveis que o conheceram, que o amaram, que o assistiram aqui, em nosso orbe, vêm ajudar o moribundo a desembaraçar-se das últimas cadeias do cativeiro terrestre.
A desmaterialização está completa; o perispírito se desprende do invólucro carnal, que vive ainda algumas horas, talvez, de uma vida puramente vegetativa. Assim, os estados sucessivos da personalidade humana desenrolam-se em ordem inversa àquela que preside ao nascimento.
As Almas, por instinto infalível, vão para a esfera proporcionada a seu grau de evolução, à sua faculdade de iluminação, à sua aptidão atual de perfectibilidade.
As afinidades fluídicas conduzem-na, qual doce mas imperiosa brisa que impele um batel, para outras Almas similares, com as quais vai unir-se em uma espécie de amizade, de parentesco magnético; e assim, a vida, uma vida verdadeiramente social, mas de grau superior, reconstitui-se, tal qual outrora na Terra, porque a Alma humana não poderia renunciar à sua natureza. A estrutura íntima, sua faculdade de irradiação, lhe impõe a sociedade que merece.
As altas missões da Alma jamais cessam. Os Espíritos sublimes, que têm instituído e melhorado seus semelhantes na Terra, continuam em mundo superior, em quadro mais vasto, seu apostolado de luz e sua redenção de amor.
Conforme dissemos no início destas páginas, é assim que a História eternamente recomeça e se torna cada vez mais universal. A lei circulatória que preside ao eterno progresso dos Estados e dos mundos desenrola-se sem cessar em esferas e mundos cada vez mais engrandecidos; tudo recomeça no Alto, em virtude da mesma lei que faz tudo evolver no plano inferior. Todo o segredo do Universo aí está.
LÉON DENIS. O GRANDE ENIGMA

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

LIVRO ,,Um olhar sobre o Reino das Sombras,,,,,,,,,,,,,,,,,

PREFÁCIO
PELO ESPÍRITO ÂNGELO INÁCIO
Sombra e luz, escuridão e claridade. Essa realidade dupla forma o interior do ser humano, que
tenta negar-se a cada dia, enganando-se. A maioria das pessoas quer ser apenas luz. Recusam-se a
identificar a sombra que faz parte delas.
Religiosos de um modo geral falam de um lado sombrio, diabólico,
umbralino, como se esse lado escuro fosse algo externo, ruim, execrável. Até quando negar a
realidade íntima? Até quando adiar o conhecimento do mundo interno? Várias tentativas foram realizadas
para conscientizar o homem terreno de que as chamadas trevas exteriores são apenas o reflexo do
que existe dentro dele.
Luz e sombra são aspectos internos do ser e não representam necessariamente um lado ruim e
outro bom. A sombra não é pior do que a luz. Apenas faz parte de um equilíbrio universal ainda necessário
para a visão do homem terrestre. São dois pólos de uma verdade interna, mais profunda.
A sombra representa um aspecto transitório, porém necessário para o ser reavaliar-se ante os
apelos da vida e as lutas que o fizeram ser o que é. Essa transitoriedade em qualquer plano da vida é
uma etapa de aprendizado, adaptação, revisão dos valores adquiridos em lutas e desafios na grande
jornada interna, pessoal, íntima. Portanto, viver esse lado de forma mais plena, conhecer-se mais profundamente,
enfrentar-se sem mascarar-se talvez seja um caminho mais excelente — parafraseando o
apóstolo Paulo — do que aquele que as religiões do mundo vêm oferecendo e que se reflete em fugas
da realidade.
Quando é proposta a realização de uma excursão aos domínios das sombras, espera-se que haja
coragem para admitir que esse reino obscuro tem sua raiz dentro do próprio ser humano. Ele não existe
à parte ou em separado. É preciso reconhecer que a natureza do plano astral, da paisagem extrafísica é
apenas a exteriorização do mundo íntimo de cada um. Dessa forma, não há como descortinar a realidade
do astral inferior sem enfrentar-se, sem encontrar a si mesmo, em seu lado sombra, escuro e muitas
vezes renegado.
Esse mundo de trevas e escuridão é algo muito enraizado no ser humano; não é realidade extrahumana,
mas intra-humana. Se você evita conhecer-se, rejeitando que é simultaneamente sombra e luz,
não há razão para prosseguir nesta jornada de descobrimento interno.
Adentrar o umbral ou o astral é se obrigar a penetrar na própria sombra. Conhecer as estruturas
internas das falanges do mal é, sobretudo, conhecer a própria capacidade de esparzir escuridão em si e
em torno de si. Descer aos domínios das trevas e tomar conhecimento de seus métodos, de suas falanges,
de sua força talvez seja uma forma de se revelar — trazer à consciência a própria realidade. Admitir-
se, sem culpas e sem máscaras.
O passado humano é fixo e dependente de conceitos religiosos deturpados e castradores, que foram
amplamente difundidos e ainda estão arraigados no psiquismo, mesmo naqueles que afirmam rechaçar
atualmente qualquer crença. Isso faz com que o ser humano, principalmente aquele mais apegado
às questões religiosas, negue a verdade de sua sombra. Para muita gente, somos apenas luz. Quem
sabe tal atitude seja uma tentativa de multiplicar as máscaras que trazemos incrustadas na face do espírito?
Devido ao passado de ignorância, alimentada pela religião secular, ortodoxa e detentora do monopólio
cultural, infundiram-se no ser humano certos símbolos das sombras, que representam conceitos


moralistas de erro, pecado e desequilíbrio. São mecanismos que agem nas matrizes do pensamento, no
inconsciente1 .
Muitas pessoas, ao adentrar o mundo além da matéria, quer estejam desdobradas em espírito2,
quer através dos portais da morte, ficam inquietas e sentem-se prisioneiras de uma realidade tão implacável
que temem ou julgam haver sido injustiçadas. Dizem-se inteiramente boas, sem nenhuma sombra
moral ou ética que as possa comprometer; com freqüência, nesses momentos, declaram-se detentoras
de qualidades e virtudes prodigiosas. Mas a vida além do corpo é apenas uma extensão da vida interna
da alma. A estrutura e a organização das legiões do mal precisam ser visualizadas, conhecidas e pesquisadas
sem que nos escondamos por trás de máscaras de religiosidade ultrapassada. Afinal, toda relação
no universo se estabejece em bases de sintonia.
Convido-o a mergulhar comigo neste mundo além das aparências, muito além de sua bondade e
superlativa espiritualidade. Mas, coragem! É possível que no final dessa experiência descubra que o
mundo no qual imergimos não está simplesmente além das fronteiras da matéria, do corpo físico; poderá
estar também dentro de você, avançando sobre conceitos religiosos que mascaram sua vida e suas
sombras.
Penetre comigo nesse mundo das trevas, das sombras, conhecendo um pouco das legiões do mal.
Jamais se esqueça, porém, de que mal ou bem, trevas ou luz, sombra ou claridade fazem parte de você,
de mim, do universo.
Visitar o umbral ou estagiar nas regiões sombrias não representa necessariamente atraso espiritual
ou moral; muito pelo contrário. Lá é que se encontram, inclusive, os espíritos realmente iluminados e
abnegados, que renunciam às paragens celestes — seu habitat verdadeiro — para se localizar onde impera
o clamor daqueles que sofrem. Para a decepção dos que adotam idéias místicas e fantasiosas, "o
céu está vazio", como costumamos dizer por aqui.
Portanto, a jornada que ora se inicia pode representar muito para seu crescimento. Espero que
aquele que tem um compromisso mais intenso com os trabalhos espirituais possa apreciar em grau
muito maior aquilo que transcende as palavras deste livro, que está por trás das letras. Para esse leitor,
que é uma espécie de iniciado, eis aqui bem mais do que um livro com características semelhantes às
de um romance. É preparo para algo que, em breve, virá como alerta e alternativa para os povos da
Terra.
Belo Horizonte, MG, junho de 2006.
1 O próprio Allan Kardec, codificador do espiritismo, em diversos momentos alertou sobre as conseqüências nefastas da
religião quando vista e difundida sob o ângulo do dogmatismo, responsabilizando os adeptos que assim procedem até mesmo
pela incredulidade alheia: "A resistência do incrédulo, devemos convir, muitas vezes provém menos dele do que da
maneira por que lhe apresentam as coisas. A fé necessita de uma base, base que é a inteligência perfeita daquilo em que se
deve crer. E, para crer, não basta ver; é preciso, sobretudo, compreender. A fé cega já não é deste século [séc. XIX], tanto
assim que precisamente o dogma da fé cega é que produz hoje o maior número dos incrédulos, porque ela pretende imporse,
exigindo a abdicação de uma das mais preciosas prerrogativas do homem: o raciocínio e o livre-arbítrio. É principalmente
contra essa fé que se levanta o incrédulo, e dela é que se pode, com verdade, dizer que não se prescreve. Não admitindo
provas, ela deixa no espírito alguma coisa de vago, que dá nascimento à dúvida. A fé raciocinada, por se apoiar nos
fatos e na lógica, nenhuma obscuridade deixa. A criatura então crê, porque tem certeza, e ninguém tem certeza senão porque
compreendeu. Eis por que não se dobra. Fé inabalável só o é a que pode encarar de frente a razão, em todas as épocas da
Humanidade" (KARDEC, Alian. O Evangelho segundo o espiritismo, ed. FEB, 1944).
2 Conforme demonstra o espiritismo, é cotidiano observar o ser humano em atuação na dimensão extrafísica, enquanto
o corpo repousa, seja durante o sono ou não. Na atualidade, convencionou-se denominar esse estado como desdobramento
e quem está a ele submetido, desdobrado em espírito ou simplesmente desdobrado. Essa expressão será corrente
neste livro. (Saiba mais em KARDEC, Alian. O livro dos espíritos, parte n, cap. 8: Da emancipação da alma, especialmente
item 401 e seguintes. Diversas editoras.) É o mesmo que, em algumas outras denominações religiosas, identifica-se como
arrebatamento do espírito, que é a terminologia própria da Bíblia, verificada, por exemplo, no livro Apocalipse, de João
(ver Ap 1:9-10).

PALAVRAS DO MÉDIUM
POR ROBSON PINHEIRO
"Nunca lhe disse que seria fácil. Disse-lhe apenas que compensava."
Essas palavras, escritas por Everilda Batista, minha mãe, como conclusão de uma carta transmitida
pela mediunidade do saudoso Chico Xavier, em 1989, ainda hoje ressoam em minha alma. Agora,
porém, imerso na produção do livro Legião, elas ganham novo sentido e passam a ter uma importância
e um alcance muito mais profundos do que naquele dia em que as recebi das mãos do grande médium
de Uberaba.
Nenhum livro por mim psicografado foi produzido de forma tranqüila, serena e sem desafios.
Este livro jamais seria diferente.
Em meio a intenso ataque energético levado a efeito por certas entidades — embora sempre estivesse
amparado pelos benfeitores espirituais e pelo carinho dos companheiros de caminhada —, Ângelo
Inácio, o autor espiritual, procedeu à escrita do livro. Naturalmente você entenderá, caro leitor,
que um trabalho com este conteúdo não poderia passar despercebido por aqueles que não desejam o
progresso da humanidade.
Experimentando as dores de um período pós-cirúrgico complicadíssimo, eu ainda não conseguia
sentar-me. Todos os dias, deitado de bruços e muitas vezes com lágrimas nos olhos e um aperto tremendo
no coração, observava Ângelo Inácio, Joseph Gleber e Zarthú se achegando para amenizar as
dores através da psicografia. Na verdade, não havia propriamente diminuição das dores sentidas por
mim. Contudo, o fato de estar circundado pelos mentores, pelas imagens, experimentando os desdobramentos
conscientes e todas as emoções com as quais convivi durante os dois meses de psicografia,
acabou por amenizar a situação incômoda, que, aliás, perdura até o momento em que escrevo este
texto. Legião é, portanto, fruto de um parto espiritual, do qual participaram ativamente várias pessoas,
que trago para sempre na memória do meu coração.
Todo o conteúdo do livro foi sorvido e apreciado por mim e pela equipe de trabalho, tanto da
Casa dos Espíritos Editora quanto da Sociedade Espírita Everilda Batista, instituições irmãs. Mergulhamos
no projeto, de corpo e alma, durante todo o tempo da produção mediúnica, com intensidade e
dedicação incomparáveis. Na Casa dos Espíritos, o livro não é simplesmente recebido das mãos dos
benfeitores, sem maior envolvimento. Na Sociedade Espírita Everilda Batista, o grupo de médiuns participa
do aprendizado que encerra cada detalhe da narrativa. À medida que o livro é psicografado, ambas
as equipes vivenciam, como eu, os lances ali descritos, como se fosse necessária sua assimilação
por parte de cada um, no âmbito que lhe é peculiar, antes de levar o livro a público.
Sobre essa característica singular de nossa atividade, lembro-me ainda hoje das palavras do amigo
Joseph Gleber, dirigidas a mim quando psicografei Medicina da alma, meu (e dele) segundo livro a
ser lançado: "Terá que experimentar todo o conteúdo do livro em si mesmo, senão eu me envergonharia,
do lado de cá, de ter um médium que não provou o valor do próprio trabalho". Na época, quando o
livro dava entrada na gráfica, eu adentrava o cri, vítima de uma infecção que acabaria por me deixar 19
dias em coma e 30 quilos mais magro. Lá se vão quase 10 anos e mais 16 filhos — perdão, livros —
desde o longínquo mês de abril de 1997...
Quero deixar aqui registradas apenas as emoções, os sentimentos e a profunda gratidão aos espíritos
amigos, que têm demonstrado sua fidelidade incondicional à proposta de Allan Kardec e do Espírito
Verdade.
Embora os momentos desafiadores, somente conhecidos por mim e por aqueles mais íntimos que
me acompanham, devo a esses representantes do Pai o amparo e a assistência, que nunca me faltaram,
para o enfrentamento das graves questões que emergem diariamente, de dentro de mim, e que deman    dam tempo para ser solucionadas plenamente. À minha mãe e benfeitora Everilda Batista, meu carinho
pelo auxílio silencioso, porém perceptível, durante a psicografia de Legião.
Eis aqui o fruto de uma parceria com o plano espiritual que apresento a você, na esperança de que
lhe seja útil para reflexão e para ampliar sua visão a respeito da vida que prossegue além da vida.
Belo Horizonte, MG, agosto de 2006.

“EU" CONTRA "EU"

“EU" CONTRA "EU" 

Quando o HOMEM, ainda jovem, 
desejou cometer o primeiro desatino, 
aproximou-se o Bom-Senso e 
observou-lhe: 
¾  Detém-te! Por que te confias assim 
ao mal? 
O interpelado, porém, respondeu 
orgulhoso: 
¾  Eu quero. 
Passando, mais adiante, à condição 
de perdulário e adotando a 
extravagância e a loucura por normas 
de viver, apareceu a Ponderação e 
aconselhou-o: 
¾  Pára! Por que te consagras, desse 
modo, ao gasto inconsequente? 
Ele, contudo, esclareceu, jactancioso: 
¾  Eu posso. 
Mais, tarde, mobilizando os outros, a 
serviço da própria insensatez, recebeu 
a visita da Humildade, que lhe rogou 
piedosa: 
¾  Reflete! Por que não te compadeces 
dos mais fracos e dos mais ignorantes? 
O infeliz, todavia, redargüiu, colérico: 
¾  Eu mando. 
Absorvendo imensos recursos, 
inutilmente, quando podia beneficiar a 
coletividade, abeirou-se dele o Amor e 
pediu: 
¾  Modifica-te! Sê caridoso! Como podes 
reter o rio das oportunidades sem 
socorrer o campo das necessidades 
alheias? 
E o mísero informou: 
¾  Eu ordeno. 
Praticando atos condenáveis que o 
levaram ao pelourinho da desaprovação 
pública, a Justiça acercou-se dele a 
recomendar: 
¾  Não prossigas! Não te dói ferir tanta 
gente? 
O infortunado, entretanto, acentuou 
implacável: 
¾  Eu exijo. 
E assim viveu o Homem, acreditando- 
se o centro do Universo, reclamando, 
oprimindo e dominando, sem ouvir as 
sugestões das virtudes que iluminam 
a Terra, até que um dia, a Morte o 
procurou e lhe impôs a entrega do 
corpo físico. O desditoso entendendo 
a gravidade do acontecimento, 
prosternou-se diante dela e considerou: 
¾  Morte, por que me buscas? ¾  Eu quero - disse ela. ¾  Por que me constranges a aceitar-te? 
  gemeu triste. 
¾  Eu posso - retrucou a visitante. ¾  Como podes atacar-me desse modo? ¾  Eu mando. ¾  Que poderes te movem? ¾  Eu ordeno. ¾  Defender-me-ei contra ti — clamou o 
Homem, desesperado — duelarei e 
receberás a minha maldição!... 
Mas a Morte sorriu, imperturbável, e 
afirmou: 
¾  Eu exijo. 
E, na luta do "eu" contra "eu", conduziu-o 
à casa da Verdade, para maiores lições.
Irmão X