A Caminho da Luz

sábado, 5 de janeiro de 2013

Correta Visão da Vida


Correta Visão da Vida
Quando a criatura se resolve por diluir o véu da ignorância, que encobre a realidade da vida espiritual, começa a libertar-se da mais grave cegueira, que é a propiciada pela vontade.
Cegos não são apenas aqueles que deixaram de enxergar; senão todos quantos se recusam a ver, sendo piores os que fogem das evidências a fim de permanecerem na escuridão.
A vida, por sua própria gênese, é de origem metafísica, possuindo as raízes poderosamente fincadas no mundo transcendental, que é o causal. Expressando-se na condensação da energia, que se apresenta em forma objetiva, não perde o seu caráter espiritual; elo contrário, vitaliza-se por seu intermédio.
Quando a consciência acorda e as interrogações surgem, aguardando respostas, as contingências do prazer fugaz e sem sentido cedem lugar a necessidades legítimas, que são as responsáveis pela estruturação do ser profundo, portanto, imortal.
Simultaneamente, os valores éticos se alteram, surgindo novos conceitos e aspirações em favor dos bens duradouros, que são indestrutíveis, e passíveis de incessantes transformações para melhor, na criatura.
Desperta-se-lhe então a responsabilidade, e a visão otimista do progresso assenhoreia-se de sua mente, estimulando-a a crescer sem cessar. A sensibilidade se lhe aprimora e seu campo de emoções alarga-se, enriquecendo-se de sentimentos nobres, que superam as antigas manifestações inferiores, tais o azedume, a raiva, o ressentimento, a amargura, a insatisfação...
Porque suas metas são mediatas, a confiança aumenta em torno da Divindade e as realizações fazem-se primorosas, conquistando sabedoria e amor, de que se exorna a fim de sentir-se feliz.
*
Quando a criatura se encontra com a realidade espiritual, toda uma revolução se lhe opera no mundo interior.
Dulcifica-se o seu modo de ser e torna-se afável.
Tranqüiliza-se ante quaisquer acontecimentos, mesmo os mais desgastantes, porque sabe das causalidades que elucidam todos os efeitos.
Nunca desanima, porque suas realizações não aguardam apoio ou recompensas imediatas.
Identifica no serviço do bem os instrumentos para conseguir a perfeita afinidade com o amor, e doa-se.
Na meditação em torno dos desafios existenciais ilumina-se, crescendo interiormente, sem perigo de retrocesso ou parada.
Descobre no século os motivos próprios para a evolução e enfrenta-os com alegria, dando-se conta que viver, no mundo, é aprender sempre, utilizando com propriedade cada minuto e acontecimento do cotidiano.
Usa as bênçãos da vida, porém, não abusa, de cada experiência retirando lições que incorpora às aquisições permanentes.
Acalma as ansiedades do sentimento, por compreender que tudo tem seu momento próprio para acontecer; e somente sucede aquilo que se encontra incurso no processo da evolução.
Aprende a silenciar, eliminando palavras excessivas na conversação, e, logrando equilíbrio mental, produz o silêncio mais importante.
Solidário em todas as circunstâncias, não se precipita, nem recua.
Conquista a paz e torna-se irmão de todos.
*
Quando a criatura compreende que se encontra na Terra em trânsito, realizando um programa que se estenderá além do corpo, na vida espiritual, realiza o auto-encontro, e, mesmo quando experimenta o fenômeno da morte, defronta a vida sem sofrer qualquer perturbação ou surpresa, mergulhando na Amorosa Consciência Cósmica.
*
Certamente, pensando em tal realidade, propôs Jesus. - Busca primeiro o Reino de Deus e Sua justiça, e tudo mais te será acrescentado.
Despertar para a vida é imperativo de urgência, que não podes desconsiderar.
* * *
Da obra: Momentos Enriquecedores.
Divaldo Pereira Franco, Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

DECÁLOGO PARA MÉDIUNS

DECÁLOGO PARA MÉDIUNS
1- Rende culto ao dever.
Não há fé construtiva onde falta respeito ao cumprimento das próprias obrigações.
2 – Trabalha espontaneamente.
A mediunidade é um arado divino que o óxido da preguiça enferruja e destrói.
3 – Não te creias maior ou menor.
Como as árvores frutíferas, espalhadas no solo, cada talento mediúnico tem a sua utilidade e a sua expressão.
4 – Não esperes recompensas no mundo.
As dádivas do Senhor, como sejam o fulgor das estrelas e a carícia da fonte, o lume da prece e a bênção da coragem, não têm preço na Terra.
5 – Não centralizes a ação.
Todos os companheiros são chamados a cooperar, no conjunto das boas obras, a fim de que se elejam à posição de escolhidos para tarefas mais altas.
6 – Não te encarceres na dúvida.
Todo bem, muito antes de externar-se por intermédio desse ou daquele intérprete da verdade, procede, originariamente, de Deus.
7 – Estuda sempre.
A luz do conhecimento armar-te-á o espírito contra as armadilhas da ignorância.
8 – Não te irrites.
Cultiva a caridade e a brandura, a compreensão e a tolerância, porque os mensageiros do amor encontram dificuldade enorme para se exprimirem com segurança através de um coração conservado em vinagre.
9 – Desculpa incessantemente.
O ácido da crítica não te piora a realidade, a praga do elogio não te altera o modo justo de ser, e, ainda mesmo que te categorizem à conta de mistificador ou embusteiro, esquece a ofensa com que te espanquem o rosto, e, guardando o tesouro da consciência limpa, segue adiante, na certeza de que cada criatura percebe a vida do ponto de vista em que se coloca.
10 – Não temas perseguidores.
Lembra-te da humildade do Cristo e recorda que, ainda Ele, anjo em forma de homem, estava cercado de adversários gratuitos e de verdugos cruéis, quando escreveu na cruz, com suor e lágrimas, o divino poema da eterna ressurreição.
pelo Espírito Emmanel – Do livro: Espírito da Verdade, Médiuns: Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

RESPEITO MÚTUO


RESPEITO MÚTUO
Compadece-te dos que não pensam com as tuas idéias e não lhes encareces a vida em tua própria vida, afastando-os da senda a que foram convocados.
Chamem-se pais ou filhos, cônjuges ou irmãos, amigos ou parentes, companheiros e adversários, diante de ti, cada um daqueles que te compartilham a existência é uma criatura de Deus, evoluindo em degrau diferente daquele em que te vês.
Ensina-lhes o amor ao trabalho, a fidelidade ao dever, o devotamento à compreensão e o cultivo da misericórdia, que isso é dever nosso, de uns para com os outros, entretanto, não lhes cerres a porta de saída para os empreendimentos de que se afirmam necessitados.
Habituamo-nos na Terra a interpretar por ingratos aqueles entes queridos que aspiram a adquirir uma felicidade diferente da nossa, entretanto, na maioria das vezes, aquilo que nos parece ingratidão é mudança do rumo em que lhes cabe marchar para a frente.
Quererias talvez titulá-los com os melhores certificados de competência, nesse ou naquele setor de cultura, no entanto, nem todos vieram ao berço com a estrutura psicológica indispensável aos estudos superiores e devem escolher atividades quase obscuras, não obstante respeitáveis, a fim de
levarem adiante a própria elevação ao progresso.
Para outros, estimarias indicar o casamento que se te figura ideal, no campo das afinidades que te falam de perto, no entanto, lembra-te de que as responsabilidades da vida a dois pertencem a eles e não a nós, e saibamos respeitar-lhes as decisões.
Para alguns terás sonhado facilidades econômicas e domínio social, contudo, terão eles rogado à Divina Sabedoria estágios de sofrimento e penúria, nos quais desejem exercitar paciência e humildade.
Para muitos terás idealizado a casa farta de luxuosa apresentação e não consegues vê-los felizes senão em telheiros e habitações modestas, em cujos
recintos anseiam obter as aquisições de simplicidade de que se reconhecem carecedores.
Decerto, transmitirás aos corações que amas tudo aquilo que possuis de melhor, no entanto, acata-lhes as escolhas se te propões a vê-los felizes.
Respeita os pensamentos e afinidades de cada um e aprende a esperar.
Todos estamos catalogados nas faixas de evolução em que já estejamos integrados.
Se entes queridos te deixam presença e companhia, não lhes conturbes a vida nem te entregues a reclamações.
Cada um de nós é atraído para as forças com as quais entramos em sintonia.
E se te parece haver sofrido esse ou aquele desgaste afetivo, não te perturbes e continua trabalhando na seara do bem.
Pelo idioma do serviço que produzas, chamarás a ti, sem palavras, novos companheiros que te possam auxiliar e compreender.
Não prendas criatura alguma aos teus pontos de vista e nem sonegues a ninguém o direito da liberdade de eleger os seus próprios caminhos.
Se as tuas afinidades pessoais ainda não chegaram para complementar-te a tranqüilidade e a segurança é que estão positivamente a caminho.
E assim acontecerá sempre, porque fomos chamados a amar-nos reciprocamente e não para sermos escravos uns dos outros, porque, em princípio, compomos uma família só e todos nós somos de Deus.
(Francisco Cândido Xavier por Emmanuel. In: Irmão)

VIDA E SEXO (pelo Espírito Emmanuel),,,,DIVÓRCIO


DIVÓRCIO
O divórcio é lei humana que tem por objeto separar
legalmente o que já, de fato, está separado. Não é contrário à lei
de Deus, pois que apenas reforma o que os homens hão feito e só
é aplicável nos casos em que não se levou em conta a lei divina.
O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – Cap. XXII, Item 5
Partindo do princípio de que não existem uniões conjugais ao acaso, o
divórcio, a rigor, não deve ser facilitado entre as criaturas. É aí, nos laços
matrimoniais definidos nas leis do mundo, que se operam burilamentos e
reconciliações endereçados à precisa sublimação da alma.
O casamento será sempre um instituto benemérito, acolhendo, no limiar, em
flores de alegria e esperança àqueles que a vida aguarda para o trabalho do seu
próprio aperfeiçoamento e perpetuação. Com ele, o progresso ganha novos
horizontes e a lei do renascimento atinge os fins para os quais se encaminha. Ocorre,
entretanto, que a Sabedoria Divina jamais institui princípios de violência, e o
Espírito, conquanto em muitas situações agrave os próprios débitos, dispõe da
faculdade de interromper, recusar, modificar, discutir ou adiar, transitoriamente, o
desempenho dos compromissos que abraça. Em muitos lances da experiência, é a
própria individualidade, na vida do Espírito, antes da reencarnação, que assinala a si
mesma o casamento difícil que faceará na estância física, chamando a si o parceiro
ou a parceira de existências pretéritas para os ajustes que lhe pacificarão a
consciência, à vista de erros perpetrados em outras épocas. Reconduzida, porém, à
ribalta terrestre e assumida a união esponsalícia que atraiu a si mesma, eila
desencorajada à face dos empeços que se lhe desdobram à frente. Por vezes, o
companheiro ou a companheira voltam ao exercício da crueldade de outro tempo,
seja através de menosprezo, desrespeito, violência ou deslealdade, e o cônjuge
prejudicado nem sempre encontra recursos em si para se sobrepor aos processos de
dilapidação moral de que é vítima.
Compelidos, muita vez, às últimas fronteiras da resistência, é natural que o
esposo ou a esposa, relegado a sofrimento indébito, se valha do divórcio por medida
extrema contra o suicídio, o homicídio ou calamidades outras que lhes complicariam
ainda mais o destino. Nesses lances da experiência, surge a separação à maneira de
bênção necessária e o cônjuge prejudicado encontra no tribunal da própria
consciência o apoio moral da autoaprovação
para renovar o caminho que lhe diga
respeito, acolhendo ou não nova companhia para a jornada humana. Óbvio que não
nos é lícito estimular o divórcio em tempo algum, competindonos
tãosomente,
nesse sentido, reconfortar e reanimar os irmãos em lide, nos casamentos de

provação, a fim de que se sobreponham às próprias suscetibilidades e aflições,
vencendo as duras etapas de regeneração ou expiação que rogaram antes do
renascimento no Plano Físico, em auxílio a si mesmos; ainda assim, é justo
reconhecer que a escravidão não vem de Deus e ninguém possui o direito de torturar
ninguém, à face das leis eternas. O divórcio, pois, baseado em razões justas, é
providência humana e claramente compreensível nos processos de evolução
pacifica.
Efetivamente, ensinou Jesus: “não separeis o que Deus ajuntou”, e não nos
cabe interferir na vida de cônjuge algum, no intuito de arredálo
da obrigação a que
se confiou. Ocorre, porém, que se não nos cabe separar aqueles que as Leis de Deus
reuniu para determinados fins, são eles mesmos, os amigos que se enlaçaram pelos
vínculos do casamento, que desejam a separação entre si, tocandonos
unicamente a
obrigação de respeitarlhes
a livre escolha sem ferirlhes
a decisão.


CASAMENTO,,,,,,,,,,VIDA E SEXO (pelo Espírito Emmanuel)


CASAMENTO
Será contrário à lei da Natureza o casamento, isto é, a
união permanente de dois seres?
É um progresso na marcha da Humanidade.
O LIVRO DOS ESPÍRITOS – Questão 695
O casamento ou a união permanente de dois seres, como é óbvio, implica o
regime de vivência pelo qual duas criaturas se confiam uma à outra, no campo da
assistência mútua. Essa união reflete as Leis Divinas que permitem seja dado um
esposo para uma esposa, um companheiro para uma companheira, um coração para
outro coração ou viceversa,
na criação e desenvolvimento de valores para a vida.
Imperioso, porém, que a ligação se baseie na responsabilidade recíproca, de vez que
na comunhão sexual um ser humano se entrega a outro ser humano e, por isso
mesmo, não deve haver qualquer desconsideração entre si. Quando as obrigações
mútuas não são respeitadas no ajuste, a comunhão sexual injuriada ou perfidamente
interrompida costuma gerar dolorosas repercussões na consciência, estabelecendo
problemas cármicos de solução, por vezes, muito difícil, porquanto ninguém fere
alguém sem ferir a si mesmo. Indiscutivelmente, nos Planos Superiores, o liame
entre dois seres é espontâneo, composto em vínculos de afinidade inelutável. Na
Terra do futuro, as ligações afetivas obedecerão a idêntico princípio e, por
antecipação, milhares de criaturas já desfrutam no próprio estágio da encarnação
dessas uniões ideais, em que se jungem psiquicamente uma à outra, sem necessidade
da permuta sexual, mais profundamente considerada, a fim de se apoiarem
mutuamente, na formação de obras preciosas, na esfera do espírito.
Acontece, no entanto, que milhões de almas, detidas na evolução primária,
jazem no Planeta, arraigadas a débitos escabrosos, perante a lei de causa e efeito e,
inclinadas que ainda são ao desequilíbrio e ao abuso, exigem severos estatutos dos
homens para a regulação das trocas sexuais que lhes dizem respeito, de modo a que
não se façam salteadores impunes na construção do mundo moral. Os débitos
contraídos por legiões de companheiros da Humanidade, portadores de
entendimento verde para os temas do amor, determinam a existência de milhões de
uniões supostamente infelizes, nas quais a reparação de faltas passadas confere a
numerosos ajustes sexuais, sejam eles ou não acobertados pelo beneplácito das leis
humanas, o aspecto de ligações francamente expiatórias, com base no sofrimento
purificador. De qualquer modo, é forçoso reconhecer que não existem no mundo
conjugações afetivas, sejam elas quais forem, sem razões nos princípios cármicos,
nos quais as nossas responsabilidades são esposadas em comum.

COMPROMISSO,,,, AFETIVO VIDA E SEXO (pelo Espírito Emmanuel)


COMPROMISSO AFETIVO
O dever íntimo do homem fica entregue ao seu livrearbítrio.
O aguilhão da consciência, guardião da probidade
interior, o adverte e sustenta; mas, muitas vezes se mostra
impotente diante dos sofismas da paixão. Fielmente observado, o
dever do coração eleva o homem; porém, como determinálo
com
exatidão? Onde começa ele? O dever principia sempre, para
cada um de vós, do ponto em que ameaçais a felicidade ou a
tranquilidade do vosso próximo; acaba no limite que não desejais
ninguém transponha com relação a vossa.
O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – Cap. XVII, Item 7
A guerra efetivamente flagela a Humanidade, semeando terror e morticínio,
entre as nações; entretanto, a afeição erradamente orientada, através do
compromisso escarnecido, cobre o mundo de vítimas. Quem estude os conflitos do
sexo, na atualidade da Terra, admitindo a civilização em decadência, tãosó
examinando as absurdidades que se praticam em nome do amor, ainda não entendeu
que os problemas do equilíbrio emotivo são, até agora, de todos os tempos, na vida
planetária.
As Leis do Universo esperarnosão
pelos milênios afora, mas terminarão
por se inscreverem, a caracteres de luz, em nossas próprias consciências. E essas
Leis determinam amemos os outros qual nos amamos.
Para que não sejamos mutilados psíquicos, urge não mutilar o próximo. Em
matéria de afetividade, no curso dos séculos, vezes inúmeras disparamos na direção
do narcisismo e, estirados na volúpia do prazer estéril, espezinhamos sentimentos
alheios, impelindo criaturas estimáveis e nobres a processos de angústia e
criminalidade, depois de prendêlas
a nós mesmos com o vínculo de promessas
brilhantes, das quais nos descartamos em movimentação imponderada. Toda vez que
determinada pessoa convide outra à comunhão sexual ou aceita de alguém um apelo
neste sentido, em bases de afinidade e confiança, estabelecese
entre ambas um
circuito de forças, pelo qual a dupla se alimenta psiquicamente de energias
espirituais, em regime de reciprocidade.
Quando um dos parceiros foge ao compromisso assumido, sem razão justa,
lesa o outro na sustentação do equilíbrio emotivo, seja qual for o campo de
circunstâncias em que esse compromisso venha a ser efetuado. É dada a ruptura no
sistema de permuta das cargas magnéticas de manutenção, de alma para alma, o
parceiro prejudicado, se não dispõe de conhecimentos superiores na autodefensiva,
entra em pânico, sem que se lhe possa prever o descontrole que, muitas vezes, raia

na delinquência. Tais resultados da imprudência e da invigilância repercutem no
agressor, que partilhará das consequências desencadeadas por ele próprio,
debitandoselhe
ao caminho a sementeira partilhada de conflitos e frustrações que
carreará para o futuro. Sabemos que a Justiça Humana comina punições para os atos
de pilhagem na esfera das realidades objetivas, considerando a respeitabilidade dos
interesses alheios; no entanto, os legisladores terrestres perceberão igualmente, um
dia, que a Justiça Divina alcança também os contraventores da Lei do Amor e
determina se lhes instale nas consciências os reflexos do saque afetivo que
perpetram contra os outros. Daí procede a clara certeza de que não escaparemos das
equações infelizes dos compromissos de ordem sentimental, injustamente
menosprezados, que resgataremos em tempo hábil, parcela a parcela, pela
contabilidade dos princípios de causa e efeito. Reencarnados que estaremos sempre,
nesse sentido, até exonerar o próprio espírito das mutilações e conflitos hauridos no
clima da irreflexão, aprenderemos no corpo de nossas próprias manifestações ou no
ambiente da vivência pessoal, através da penalogia sem cárcere aparente, que nunca
lesaremos a outrem sem lesar a nós.


quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A ESTRANHA CRISE


A ESTRANHA CRISE
Pelo Espírito Emmanuel. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.
Livro Mãos Unidas. Lição nº 37. Página 118.
O mundo vem criando soluções adequadas para a generalidade das crises que o atormentam.
A carência do pão, em determinados distritos, é suprida, de imediato, pela superprodução de outras faixas de terra.
Corrige-se a inflação, podando a despesa.
O desemprego desaparece pela improvisação de trabalho.
A epidemia é sustada pela vacina.
Existe, porém, uma crise estranha - e das que mais afligem os povos - francamente inacessível à intervenção dos poderes públicos, tanto quanto aos recursos da ciência nas conquistas modernas.
Referimo-nos à crise da intolerância que, desde o travo de amargura, que sugere o desânimo, à violência do ódio, que impele ao crime, vai minando as melhores reservas morais do Planeta, com a destruição consequente de muitos dos mais belos empreendimentos humanos.
Para a liquidação do problema que assume tremendo vulto em todas as coletividades terrestres, o remédio não se forma de quaisquer ingredientes políticos e financeiros, por ser encontrado tão somente na farmácia da alma, a exprimir-se no perdão puro e simples.
O perdão é o único antibiótico mental suscetível de extinguir as infecções do ressentimento no organismo do mundo.
Perdão entre dirigentes e dirigidos, sábios e ignorantes, instrutores e aprendizes, benevolência entre o pensamento que governa e o braço que trabalha, entre a chefia e a subalternidade.
Consultem-se nos foros - autênticos hospitais de relações humanas - os processos por demandas, questões salariais, divórcios e desquites baseados na intransigência doméstica ou na incompatibilidade de sentimentos, reclamações, indenizações e reivindicações de toda ordem, e observe-se, para além dos tribunais de justiça, a animosidade entre pais e filhos, a luta de classes, as greves de múltiplas procedências, as queixas de parentela, os duelos de opinião entre a juventude e a madureza, as divergências raciais e os conflitos de guerra, e verificaremos que, ou nos desculpamos uns aos outros, na condição de espíritos frágeis e endividados que ainda somos quase todos, ou a nossa agressividade acabará expulsando a civilização dos cenários terrestres.
Eis por que Jesus, há quase vinte séculos, nos exortou perdoarmos aos que nos ofendam setenta vezes sete, ou melhor, quatrocentos e noventa vezes.
Tão só nessa operação aritmética do Senhor, resolveremos a crise da intolerância, sempre grave em todos os tempos.
Repitamos, no entanto, que a preciosidade do perdão não se adquire nos armazéns, por que, na essência, o perdão é uma luz que irradia, começando de nós.

ALGUÉM ESTÁ CONTIGO


ALGUÉM ESTÁ CONTIGO
Pelo Espírito Emmanuel. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.
Livro Algo Mais. Lição nº 34. Página 86.
Nunca estarás a sós...
Ante a névoa das lágrimas, quando a incompreensão de outrem te agite os sentimentos, lembra-te de alguém que sempre te oferece entendimento e conforto.
Ante a deserção de pessoas queridas, quando mais necessitavas de presença e segurança, pensa nesse benfeitor oculto que jamais te abandona.
Ante as ameaças do desânimo, nos obstáculos para a concretização de tuas esperanças mais belas, considera o amparo desse amigo certo que, em tempo algum, te recusa bom ânimo.
Ante a queda iminente na irritação, capaz de induzir-te à delinquência, refugia-te no clima desse doador de serenidade que te guarda o coração nas bênçãos da paz.
Ante as sugestões do desequilíbrio emotivo, suscetíveis de te impulsionarem a esquecer encargos que assumiste, reflete no mentor abnegado que jamais te nega defesa, para que usufruas a tranquilidade de consciência.
Ante prejuízos, muitas vezes acusados por amigos aos quais empenhaste generosidade e confiança, medita nesse protetor magnânimo que nunca te desampara e que promove, em teu favor, sempre que necessário, os recursos precisos à recuperação de que careças.
Ante acusações daqueles que se te fazem adversários gratuitos, amargurando-te os dias, eleva-te em pensamento ao instrutor infatigável que sempre te convida à tolerância e ao perdão.
Ante as crises da existência que te sugiram revolta e desespero, recorda o mestre da paciência que te resguarda constantemente na certeza de que não há problemas sem solução para quem trabalha e serve para o bem sem perder a esperança.
Ante os desgostos e contratempos que te sejam impostos pelos entes amados, não te emaranhes no cipoal das afeições possessivas, refletindo no companheiro que te ama desinteressadamente muito antes que te decidisses a conhecê-lo.
E quando perguntares quem será esse alguém que nunca te desampara e que te garante a vida, em nome de Deus, deixa que os teus ouvidos se recolham aos recessos da própria alma e escutarás o coração a dizer-te na intimidade da consciência que esse alguém é Jesus.

AMOR ONIPOTENTE


AMOR ONIPOTENTE
Pelo Espírito Emmanuel. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.
Livro Opinião Espírita. Lição nº 56. Página 182.
Na hora atribulada de crise, em que as circunstâncias te prostraram a alma na provação, muitos acreditaram que não mais te levantarias, no entanto quando as trevas se adensavam, em torno, descobriste ignoto clarão que te impeliu à trilha da esperança, laureada de sol.
Na cela da enfermidade, muitos admitiram que nada mais te faltava senão aceitar o lance da morte, contudo, nos instantes extremos, mãos intangíveis te afagaram as células fatigadas, renovando-lhes o calor, para que não deixasses em meio o serviço que te assinala a presença na Terra.
No clima da tentação, muitos concordaram em que apenas te restava a decadência definitiva, todavia, nos derradeiros centímetros da margem barrenta que te inclinava ao despenhadeiro, manifestou-se um braço oculto que te deteve.
Na vala da queda a que te arrojaste, irrefletidamente, muitos te julgaram para sempre em desprezo publico, entretanto, ao respirares, no cairel da loucura, recolheste íntimo apoio, que te guardou o coração, refazendo-te a vida.
Na tapera da solidão a que te relegaram os entes mais queridos, muitos te supuseram em supremo abandono, mas no último sorvo do pranto que te parecia inestancável, experimentaste inexplicável arrimo, induzindo-te a buscar outros afetos que passaram a enobrecer-te.
No turbilhão das dificuldades que te envolvam o dia, pensa em Deus, o Amor Onipresente, que não nos desampara.
Por mais aflitiva seja a dor, trará Ele bálsamo que consola; por mais obscuro o problema, dará caminho certo à justa solução.
Ainda assim, não te afoites em personalizá-lo ou defini-lo.
Baste-nos a palavra de Jesus que no-lo revelou como sendo Nosso Pai.
Sobretudo, não te importe se alguém lhe nega a existência enquanto se lhe abrilhantam as palavras nas aparências do mundo, quando pudeste encontrá-lo, dentro do coração, nos momentos de angústia. É natural seja assim.
Quando a noite aparece, é que os olhos dos homens conseguem divisar o esplendor das estrelas.

A Oração segundo André Luiz


A Oração segundo André Luiz


Todos nós sabemos o valor que a oração possui em nossas vidas, o próprio Mestre Jesus, em seu Evangelho, falou-nos de sua importância e nos ensinou como orar:

“Por isso vos digo: todas as coisas que vós pedirdes orando, credes que haveis de ter, e que assim vos sucederá”. (Marcos, XI:24)
“Quando vos apresentardes para orar, se tiverdes alguma coisa contra alguém, perdoai-lhe, a fim de que vosso Pai, que está nos Céus, perdoe também os vossos pecados. Se vós não perdoais, vosso Pai que está nos Céus, não vos perdoará também os vossos pecados.” (Marcos, XI:25,26)
“Quando orardes, não vos assemelheis aos hipócritas, que se comprazem em orar em pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam sua recompensa. Mas quando quiserdes orar, entrai no vosso quarto e, estando fechada a porta, orai ao vosso Pai em segredo; e vosso Pai, que vê o que se passa em segredo, vos recompensará. E quando orais, não faleis muito, como os gentios, que pensam ser pela multidão de palavras que serão atendidos. Não vos torneis, pois, semelhantes a eles, porque vosso Pai sabe do que necessitais antes de o pedirdes”. (Mateus, VI:5-8)

Vejamos então o que nosso querido André Luiz nos disse a respeito desse assunto em algumas de suas obras, psicografadas por Chico Xavier:

- Missionários da Luz: “A oração é o mais eficiente antídoto do vampirismo. A prece não é movimento mecânico de lábios, nem disco de fácil repetição no aparelho da mente. É vibração, energia, poder. A criatura que ora, mobilizando as próprias forças, realiza trabalhos de inexprimível significação. Semelhante estado psíquico descortina forças ignoradas, revela a nossa origem divina e coloca-nos em contato com as fontes superiores. Dentro dessa realização, o Espírito, em qualquer forma, pode emitir raios de espantoso poder. Os raios divinos, expedidos pela oração santificadora, convertem-se em fatores adiantados de cooperação eficiente e definitiva na cura do corpo, na renovação da alma e iluminação da consciência. Toda prece elevada é manancial de magnetismo criador e vivificante e toda criatura que cultiva a oração, com o devido equilíbrio do sentimento, transforma-se gradativamente, em foco radiante de energias da Divindade”.
- Entre a Terra e o Céu: “A prece, qualquer que ela seja, é ação provocando a reação que lhe corresponde. Conforme a sua natureza, paira na região em que foi emitida ou eleva-se mais, ou menos, recebendo a resposta imediata ou remota, segundo as finalidades a que se destina. Cada prece, tanto quanto cada emissão de força, se caracteriza por determinado potencial de freqüência e todos estamos cercados por Inteligências capazes de sintonizar com o nosso apelo, à maneira de estações receptoras”.
- Evolução em Dois Mundos: “Assim é que orar em nosso favor é atrair a Força Divina para a restauração de nossas forças humanas, e orar a benefício dos outros ou ajudá-los, através da energia magnética, à disposição de todos os espíritos que desejem realmente servir, será sempre assegurar-lhes as melhores possibilidades de auto-reajustamento, compreendendo-se, porém, que o amor consola, instrui, ameniza, levanta, recupera e redime, todos estamos condicionados à justiça a que voluntariamente nos rendemos, perante a Vida Eterna, justiça que preceitua, conforme os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus-Cristo, seja dado isso ou aquilo a cada um segundo as suas próprias obras, cabendo-nos recordar que as obras felizes ou menos felizes podem ser fruto de nossa orientação todos os dias e, por isso mesmo, todos os dias será possível alterar o rumo de nosso próprio roteiro”.
- Mecanismos da Mediunidade: “Daí resulta o impositivo da vigilância sobre a nossa própria orientação, de vez que somente a conduta reta sustenta o reto pensamento e, de posse do reto pensamento, a oração, qualquer que seja o nosso grau de cultura intelectual, é o mais elevado toque de indução para que nos coloquemos, para logo, em regime de comunhão com as Esferas Superiores. A mente centralizada na oração pode ser comparada a uma flor estelar, aberta ante o Infinito, absorvendo-lhe o orvalho nutriente de vida e luz”.

Maravilha, não é? Então, o negócio é esse, não importa se a oração é uma já pronta ou qualquer uma que sair da cabeça na hora, o mais importante é o sentimento de fé e esperança que sentimos ao realizá-la!

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

OS DRAGÕES - Compilação


OS DRAGÕES - Compilação

            Mediunidade não é virtude, é faculdade, valor mental. Ferramenta de trabalho e aprimoramento espiritual.
            Toda criatura que se expõe em qualquer atividade humana estará sempre sujeita a invasão, críticas e exageradas expectativas. A questão é como cada qual vai reagir perante tais condutas.
            Não há como abdicar do processo mental natural de julgar, expedir análise acerca das pessoas com as quais nos relacionamos. A questão capital nesse assunto é o apego que temos aos conceitos que acreditamos ser a verdade. A arrogância entra nesse passo, convertendo as suposições e os conceitos que fazemos do outro em um tribunal de sentença. E toda sentença determina uma ação. Quando nosso julgamento serve para cogitar sobre a conduta alheia e examinar nossa conduta perante alguém, ele cumpre sua função educativa. Mas habitualmente isso não ocorre.Quando sentenciamos, somos tomados pela prepotência de supor que não só sabemos as dificuldades que existem no íntimo dos outros, mas que também temos a solução para elas. Que faremos com a confissão alheia? Qual será a postura perante a confiança que o outro deposita em nós?  Usaremos de compaixão e psicologia para destacar as qualidades ou nos fixaremos nas derrapadas de quem nos franqueia a vida íntima? É preciso exercitar a fraternidade tecida na bondade, na discrição e na ternura da amizade que eleva, ao invés de rebaixar. Quando concentramos mais atenção aos defeitos e não aos valores de outrem, se paramos um minuto para examinar o defeito de alguém, nossos sentimentos se alteram, motivando a condutas e decisões, escolhas e palavras. Quando nos sentimos à vontade para julgar, conseqüentemente fixamos nossa mente em um ponto de vista sobre a conduta de alguém. Não existe julgamento indulgente. Se julgarmos, foi abolida a indulgência. Quando estacionamos o pensamento nesse minutinho de concentração, nossa língua começa a "coçar". Não resistimos, freqüentemente, ao apelo de destacar os defeitos do outro.
            Antes de conhecer o espiritismo, corríamos atrás de todas as imperfeições e hoje, apenas mudamos o curso da direção, corremos de todas as imperfeições.
            Falta amor nas relações espíritas. Amor suficiente para que os raios da compaixão e do carinho possam varrer as sombras que teimam em ensandecer nossas ações e, sobretudo, manter seca a fonte de afeto em nossos corações. Sem afeto, sem emoção, como amar? Uma vida sem emoção é uma rotina que retrata a falta de viço afetivo, brilho nos olhos e secura na palavra.
            Palavras de Isabel de Aragão, a "rainha santa de Portugal: "A tese das interferências trevosas sobre os esforços dos que foram agraciados com a luz espírita vem gerando uma cultura perigosa nesta década de 30. Começam a florescer algumas fantasias de perseguições espirituais adubadas por inconsistentes concepções que fogem à lógica e ao bom senso. Nisso reside a comodidade do homem de destacar a ação dos espíritos, no intuito de isentar-se da responsabilidade que lhe compete na educação de sua vida psíquica e emocional. Quanto mais forças emprestarmos às trevas, mais capacidade de ação encontrará os chamados "oponentes da causa", em razão da postura psicológica dos discípulos encarnados. Não existe responsabilidade unilateral nos processos de influência mental entre os mundos físico e espiritual. Existe interação, compartilhamento de aspirações e desejos".
            Não existe domínio sem aceitação, nem pressão sem sintonia. É totalmente injustificável a crença na força do mal sem escolha íntima e posicionamento mental propício. O resultado da invigilância dos espíritas começa a assolar a sementeira, com visões pessimistas e chavões que servem de ligação com as forças inferiores.
            Muitos estereótipos são criados, tais como: obsessores, inimigos espirituais, adversários da causa, encosto indesejável, falanges trevosas, forças contrárias, espíritos do mal. Até mesmo nós, aqui na erraticidade, temos nos valido de tais expressões por uma questão de comunicação com vocês no plano físico, embora não traduzam o mesmo sentido que toma conta de quantos regressaram do corpo para cá. Os chamados espíritos do mal são familiares queridos cujo tempo interrompeu nossos laços de amor.
            Somente com uma visão límpida de quem somos, através de um mergulho consciente nas profundezas de nós mesmos, seria possível conhecer nossas raízes espirituais, que se acham mais entrelaçadas com os "gênios do mal" do que imaginamos. Todos nós temos elos pretéritos com as ações da maldade organizada, conquanto isso não signifique impotência para escolher os caminhos na direção do bem e da luz.
            Os chamados vales da imundície e da maldade são extensões da família terrena, a parcela mais adoecida da humanidade. Em tese, representam o lado mais frágil de todos nós. Preparemo-nos ao socorro a esses filhos da amargura. A melhora espiritual do planeta depende dessa tarefa ingente. A esmagadora maioria dos desencarnados não é capaz de mensurar o quanto são dirigidos pelas forças provenientes da terra. Jamais poderemos cogitar de soluções definitivas para os dramas capitais da sociedade terrena sem a incursão salvadora nas raízes espirituais que alimentam as mais sórdidas idéias e sustentam a malícia nos sentimentos. Não existirá regeneração sem renovação do submundo astral, no qual estão plantadas as raízes da maldade, que alonga seus frutos indigestos como uma hera na face do planeta.
            A humanidade é composta de um grupo de almas cuja etapa evolutiva é marcada pela recente desvinculação do mal e da ignorância, nos quais muitos ainda, deliberadamente, permanecem. Nesse conceito global é imperioso avaliar a posição do espírito-espírita, sem a lente da ilusão.  Compete-nos edificar uma visão mais profunda sobre a velha questão filosófica: de onde viemos? Porque renascemos? Para onde vamos? Somente tomando consciência da nossa origem perceberemos que as trevas ou adversários são expressões de nós mesmos, frutos de nós próprios. Queiramos ou não, viemos desses sítios de dor e buscamos a luz. As forças contrárias que nos perseguem são extensões de nossa família espiritual. E somente quem se escraviza na vertigem de superioridade pode-se imaginar tão distante da condição dessas almas feridas e carentes de amor e orientação.
            Não somos atacados pelas trevas, viemos dela. Comungamos com ela.   Sendo assim, justo que sejamos procurados.
            (A respeito dos dragões)... vamos notar a presença do mal na terra, como organização social, a partir de 10.000 anos atrás. (...)O fundamento-base para reter o homem na inferioridade consiste em colocar o instinto como núcleo estratégico do atraso. Convencer o homem da terra que não vale a pena mudar de reino, subir o degrau do instinto para a razão. O prazer e a vida, nessa concepção decadente e astuta, residem em se manter na retaguarda dos cinco sentidos com total expressão dos interesses pessoais. (...) O símbolo inspirador destas falanges, fartas de perversidade, é o dragão, um retrato animalizado da força e do poder que essas criaturas adoecidas trazem no imo de si mesmas. Uma simbologia que lhes traduz o estado íntimo e seus propósitos. Sentiam-se répteis na condição do exílio (de Capela), mas criaram as asas do poder e o fogo da crueldade, expressos na figura do dragão, para manifestarem sua revolta e rebeldia ante a condição que foram colocados em um planeta prisional. Queriam distinção em relação aos aborígenes da terra, considerados um atraso na evolução por parte deles. Eram fracassados, mas podiam destruir.
            Em relação aos espíritas, arquitetam a exploração de velhas fragilidades armazenadas no psiquismo carregado de culpas e nos costumes morais aferrados ao orgulho.Não podendo exterminar o espiritismo, confundem. Jogam uns contra os outros. Que tática melhor e mais econômica poderia existir? As condutas mais prováveis de serem manipuladas neste vasto aspecto da vida moral são o preconceito, a inveja e a vaidade. O preconceito patrocina a intolerância, a ausência de alteridade, a incapacidade de prezar a diversidade humana. A inveja alimenta o sutil espírito de disputa que insufla o desprezo, a intriga e a animosidade. A vaidade, como filha predileta do orgulho, incensa o poder que abre espaços no sentimento humano para as extravagâncias da rigidez e da destruição do afeto por meio da exclusão silenciosa e envernizada."

            Quando queremos mudar verdadeiramente, no princípio nem nós sabemos o que ocorre. Há uma fase mais ou menos longa de tristeza dilacerante e confusão nas intenções. Somos todos espíritos arrependidos. Já não desejamos o mal. Ainda assim, não sabemos como construir todo o bem que gostaríamos de colocar em prática em nossa vida. Isso já é um grande avanço em nossa caminhada de tropeços e quedas. Todavia, é também um traço psíquico de enfermidade moral e tristeza. Não somos mais quem éramos, entretanto, não conseguimos ser quem gostaríamos. Vivemos um momento de "ausência de identidade psicológica". Por essa razão, um aluvião de correntes mentais similares será atraída para todo aquele que reencarnar na condição de espírita com legítimas aspirações de melhora espiritual.nao  sabia  é  !! Estar reencarnado nesse século na condição de depositários da luz do Espiritismo Cristão significa transportar dentro de si uma responsabilidade dilatada, referentemente aos destinos dos tempos novos da humanidade terrena. O corpo físico se impregna de substâncias rarefeitas produzidas pelo estado mental do espírito, criando o campo áurico que pode ser chamado de identidade vibratória. O arrependimento, se por uma análise é a manifestação psicológica da alma em busca de novos caminhos, por outro ângulo é também o estado psíquico de atração, colocando a mente em sintonia com todo o conjunto de vivências enfermiças típicas de quem busca o resgate de si mesmo.
            O que mais apresentamos para o serviço divino senão o arrependimento sincero? Somente a ilusão pode nos enfeitiçar com cantigas de grandeza espiritual. Se assim nos virmos, conseguiremos noções muito justas e motivadoras para a caminhada.Encontraremos nessa percepção condições para superar as mentiras do autoengano acerca de valores e virtudes que ainda não desenvolvemos.
            Quem amar mais o espiritismo que o seu próximo se enredará nas sutilezas das armadilhas emocionais das relações humanas. Equivocados com suas supostas missões, muitos corações serão difusores devotados dos ensinos, campeões da caridade social, estetas da palavra, mas quase sempre arrogantes na convivência. A pretexto de suas tarefas pela causa, podem se descuidar por meio da ação fascinadora do egoísmo, tais como: a indiferença para com os diferentes, a calúnia polida contra os esforços alheios, a inveja atordoante quando sentirem ameaça aos seus cargos e títulos, o apego a obras e realizações e, ainda, a intolerância para com as necessidades morais coletivas. Esse cenário emotivo é capaz de lançar qualquer pessoa, mais cedo ou mais tarde, nos vales sombrios da desmotivação, da frustração, da ansiedade, do desgosto, do abandono e da mágoa.
            A união será um dístico cantado e repetido, todavia, sentiremos quão grave desafio nos espera nesse sentido. Em princípio, essa união será chamada de unificação. Posteriormente, quando os homens espíritas descobrirem que esta é uma expressão por demais desgastada em seus significados, será eleita como meta de vida a fraternidade. E fraternidade é força ativa, promocional que se consolida no relacionamento. Ninguém é fraterno somente por sentir. Fraternidade é atitude.
            As pessoas fraternas deixam espraiar de seus olhos a cordialidade sincera, o acolhimento. As pessoas fraternas envolvem sem desejo de convencimento. A fraternidade extermina o medo ameaçador da perda, que nos faz perceber que somente tem o que perder quem se julga dono ou proprietário de algo. Somente sob o jugo da prepotência, podemos acreditar que o contato fraterno com as diferenças e com os diferentes pode ter um sentido de conivência e omissão com os ideais que esposamos. Todos temos o direito de escolher nossa forma de pensar e agir na seara do Cristo, mas a nenhum de nós cabe o direito, e muito menos o dever, de excluir, denegrir e diminuir no intuito de defender a doutrina.
            Nossa causa é o que propõe o evangelho, e ele propõe o amor. Nossa causa é o amor.
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            Se tivéssemos que resumir o que de mais graves carregamos em nós na condição de almas falidas, destacaríamos a doença da ilusão. Fantasia que temos acerca de nós mesmos; da importância que julgamos possuir. Sentimo-nos mais importantes do que realmente somos. Baseados nessa importância pessoal ilusória (orgulho), gestamos a indiferença, o preconceito, a descortesia, a calúnia, a inveja e todos os monstros morais que avassalam e atormentam as relações humanas, tornando-as palco de discórdias e conflitos intermináveis.
            É no relacionamento humano que nos revelamos. Se não temos uma percepção real de nós mesmos, projetamos nas convivências o conjunto dos hábitos, atitudes e sentimentos de conformidade com aquilo que imaginamos que somos. A ilusão, nesse sentido, é uma operação do pensamento alimentada pelo sentimento. Podemos estar esclarecidos que somos necessitados, entretanto, podemos sentir exatamente o contrário, num processo de defesa inconsciente contra o sentimento de inferioridade. Todo espírito arrependido tem como traço psicológico o sentimento de inferioridade: a sensação de incapacidade, vazio interior, que torna as pessoas mais suscetíveis.
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            Estamos perdendo a simplicidade da boa conversa e da amizade, que são substituídas por aparelhos organizacionais distantes do acolhimento afetivo. Muito estudo, muita norma, pompa, hierarquização e escassa convivência cristã. A doutrina é importante, e as pessoas nem tanto. Assim perdemos a simplicidade: nos movendo para atender interesses ilusórios e perdendo o foco essencial da vida, passando a lutar por aquilo que não é prioritário. Em outras palavras, perdemos a simplicidade toda vez que nos distanciamos da própria consciência, na qual estão escritas as Leis de Deus para a nossa paz e equilíbrio. Ausência de simplicidade é como se fosse um distanciamento do que é essencial, daquilo que clama a alma para ser feliz.
            Ao nos apegarmos aos mecanismos exteriores, que nos dão a sensação de segurança e progresso, abandonamos contato com o real e nos dedicamos ao imaginário. Quando em grupo, essa atitude de tornar as coisas mais complexas se fortalece ainda mais. No nosso estágio evolutivo, com raríssimas exceções, as estruturas de grupo são muito atrativas para o nosso egoísmo. É assim que facilmente os valores institucionais se tornam mais importantes que os valores humanos. É assim que o transitório chega a ser mais valorizado que o imperecível.
            Em resumo, abandonamos a simplicidade quando pensamos demais e amamos de menos.
            (Pergunta à Maria Modesto Cravo) "Qual a opinião da senhora sobre essas casas que crescem e ficam enormes? Já notei que, quanto maior, menos simplicidade. Quanto maior, mais problemas. Na medida em que crescem, desaparece a fraternidade." (R:) Tenho para mim que é o tamanho da tarefa que proporciona ou não os valores morais que devem norteá-la. Há casas pequenas com severos problemas de relacionamento. Quanto maior a tarefa, maior deverá ser a capacidade de conduzi-la. Portanto, quanto maior, mais responsabilidade, mais desafio, mais cobrança. Há tarefas de todos os tamanhos, e o maior problema dentro delas continua sendo nós mesmos. Aqui no sanatório somos dois a dirigir e um terceiro quando for necessário desempatar. Assim as coisas andam e não emperram.
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            A proposta original do evangelho, que também é a da doutrina, é que existam servidores, servos do Evangelho e do amor. Essa palavra merece toda atenção de nossa parte. Organizações que sirvam sem querer dominar. Homens que sirvam sem querer comandar. Servir, servir, servir e passar, recordando sempre, que a obra não nos pertence.
            Existem muitos trabalhando pela doutrina, sem estar fazendo nada por si mesmo. O impulso para obrar fora de si é muito intenso. É muito fácil nos envolvermos com a obra de fora e protelar a obra interna de liberação pessoal. Muitas vezes o que chamamos de trabalho não passa de movimento. Espíritos com carreira milenar de fascínio pela grandeza, com a qual buscamos dilatar a importância pessoal, facilmente podemos nos entregar aos braços da ilusão, fugindo dos verdadeiros compromissos conscienciais.
            Nossa missão é, a princípio, conosco mesmo. Na medida em que amadurecemos, tornamo-nos candidatos naturais a serviços mais amplos, de acordo com as habilidades e os pendores amealhados. Uma etapa destas fases de crescimento é a reparação conscencial. Raríssimos são os que reencarnam com missões coletivas que não sejam para reparar o passado. Por isso, muitas vezes fazemos o bem mais por motivos que atendem aos nossos reclames de registros de culpa que propriamente por amor legítimo.
            Uma das etapas do crescimento mais desafiadoras é a renovação das atitudes. Alguns parâmetros são convenientes para a nossa autoavaliação, tais como: mantemos espírito de desapego da obra que não nos pertence? Acolhemos com alegria aqueles que se aproximam para integrar o quadro de colaboradores? Estendemos a outros a chance que tivemos de conduzir as possibilidades? conseguimos ampliar o sentimento de humildade em reconhecer que precisamos mais da tarefa do que ela de nós? Estamos dando ouvidos fraternos às opiniões que nos chegam acerca dos destinos do trabalho? Conduzimos a tarefa tendo como objetivo nos tornarmos dispensáveis a ela, caso seja necessário?
            Os sábios guias, na questão 893 de O Livro dos espíritos, asseveram: "A sublimidade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal, pelo bem do próximo e sem pensamento oculto. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade".
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Por fim, cito esta mensagem de Emmanuel para uma reflexão final:
      "Lembrando o Codificador da Doutrina Espírita é imperioso estejamos alerta em nossos deveres fundamentais. Convençamos-nos de que é necessário:
Sentir Kardec;
Estudar Kardec;
Anotar Kardec;
Meditar Kardec;
Analisar Kardec;
Comentar Kardec;
Interpretar Kardec;
Cultivar Kardec;
Ensinar Kardec e
Divulgar Kardec.
    Que é preciso cristianizar a humanidade é afirmação que não padece dúvida; entretanto, cristianizar, na Doutrina Espírita, é raciocinar com a verdade e construir com o bem de todos, para que, em nome de Jesus, não venhamos a fazer sobre a Terra mais um sistema de fanatismo e de negação.
EMMANUEL
Página recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier
"Reformador", março de 1961,

CARTA DE ANO BOM


CARTA DE ANO BOM

Entre um ano que se vai
E outro que se inicia,
Há sempre nova esperança,
Promessas de Novo Dia...

Considera, meu amigo,
Nesse pequeno intervalo,
Todo o tempo que perdeste
Sem saber aproveitá-lo.
*
Se o ano que se passou
Foi de amargura sombria,
Nosso Pai nunca está pobre
Do pão de luz da alegria.
*
Pensa que o céu não esquece
A mais ínfima criatura,
E espera resignado
O teu quinhão de ventura.
*
Considera, sobretudo
Que precisas, doravante,
Encher de luz todo o tempo
Da bênção de cada instante.
*
Sê na oficina do mundo
O mais perfeito aprendiz,
Pois somente no trabalho
Teu ano será feliz.
*
Não esperes recompensas
Dos bens da vida terrestre,
Mas, volve toda a esperança
À paz do Divino Mestre.
*
Nas lutas, nunca te esqueça
Deste conceito profundo:
O reino da luz de Cristo
Não reside neste mundo.
*
Não olhes faltas alheias,
Não julgues o teu irmão,
Vive apenas no trabalho
De tua renovação.
*
Quem se esforça de verdade
Sabe a prática do bem,
Conhece os próprios deveres
Sem censurar a ninguém.
*
Ano Novo!... Pede ao Céu
Que te proteja o trabalho,
Que te conceda na fé
O mais sublime agasalho.
*
Ano Bom!... Deus te abençoe
No esforço que te conduz
Das sombras tristes da Terra
Para as bênçãos de Jesus.

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Casimiro Cunha

Chico Xavier
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ANO NOVO



Quando o desvelado orientador chegou ao Planeta, encaminhando o aprendiz à experiência nova, o lar estava em festa, na celebração do Ano Novo.

Musicas alegre embalavam a casa, flores festivas enfeitavam a mesa lauta. Riam-se os jovens e as crianças, enquanto os velhos bebiam vinhos de júbilo.

O devotado amigo abraçou o tutelado e falou:

- Nova existência, meu filho, é qual Ano Novo. Enche-se o coração das esperanças mais belas. Troca-se o passado pelo presente. Rejubila-se a alma na oportunidade bendita. Promessas divinas florescem no coração.

O tempo é o tesouro infinito que o Criador concede às criaturas. Não esqueças, todavia, que a concessão de um tesouro é titulo de confiança e toda confiança traduz responsabilidade. Tanto prejudica a obra de Deus o avarento que restringe a circulação dos valores, como o perdulário que os dissipa, olvidando obrigações sagradas.

O tempo, desse modo, é benfeitor carinhoso e credor imparcial simultaneamente. Na terra a maioria dos homens não chegou ainda a compreendê-lo.

Os ignorantes perdem-no.

Os loucos matam-no.

Os maus envenenam-no.

Os indiferentes zombam dele.

Os vaidosos confundem-no.

Os velhacos enganam-no.

Os criminosos perturbam-no.

Riem-se dele os pândegos.

Os mentirosos ridicularizam-no.

Os tolos esquecem-no.

Os ociosos combatem-no.

Os tiranos abusam dele.

Os irônicos menosprezam-no.

Os arbitrários dominam-no.

Os revoltados acusam-no.

Aproveitam-no os trabalhadores fiéis.

O tempo, contudo, meu filho, pertence ao Senhor e ninguém pode subverter a ordem de Deus.

É por isso que, ao fim da existência, cada um recebe conforme usou o divino patrimônio.

Vale-te, pois, da oportunidade nova, sem olvidares o dever, convicto de que ninguém falará ou agirá no mundo, em vão.

O homem precipita-se. O tempo espera. O primeiro experimenta. O segundo determina.

Se atingires a alegria de recomeçar, alcançarás, igualmente, o dia de acertar.

Lembra-te de que o tempo ensinará aos ignorantes.

Anulará os loucos.

Envenenará os maus.

Zombará dos indiferentes.

Confundirá os vaidosos.

Esclarecerá os velhacos.

Perturbará os criminosos.

Surpreenderá os pândegos.

Ridiculizará os mentirosos.

Corrigirá os tolos.

Combaterá os ociosos.

Ferirá os tiranos.

Menosprezará os irônicos.

Prenderá os arbitrários.

Acusará os revoltados.

Compensará os trabalhadores fieis.

Calou-se o venerável ancião.

Havia risos à mesa doméstica expectativa no candidato à reencarnação, sorrisos paternais no velhinho experiente.

O sábio abraçou novamente o discípulo e despediu-se rematando:

- Não te esqueças de que o tempo é generoso nas concessões e justo nas contas. Vai, porém, meu filho, e não temas.

Nesse instante, à maneira do homem, cheio de esperanças, que penetra o Ano Novo, o aprendiz reingressou na onda do nascimento.
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Irmão X
Chico Xavier