A Caminho da Luz

sábado, 7 de abril de 2012

O verdadeiro poder

O verdadeiro poder
Era uma vez um jovem guerreiro famoso por sua invencibilidade.

Era um homem cruel e, por isso, temido por todos.

Quando se aproximava de uma aldeia, os moradores abandonavam suas casas, e fugiam para as montanhas, porque sabiam que ele não poupava nada, nem ninguém.

Certo dia, ele e seu exército aproximaram-se de uma aldeia na qual vivia um sábio ancião.

Todos os habitantes fugiram assustados, menos ele.

O guerreiro entrou na vila e, como de costume, incendiou casas e matou os animais que encontrou.

Logo chegou à casa do sábio, que permanecia em pé ao lado da porta de entrada, serenamente.

Quando eles se encontraram, o guerreiro impiedoso disse-lhe que seus dias haviam chegado ao fim, mas que, no entanto, iria lhe conceder um último desejo antes de passá-lo pelo fio de sua espada.

O velhinho, sem alterar o seu semblante, disse-lhe que precisava que o guerreiro fosse até o bosque e que ali cortasse um galho de árvore.

O jovem achou aquilo uma grande besteira, mas decidiu atendê-lo, entre gargalhadas e deboches.

Foi até o bosque e com um único golpe de espada cortou um galho de árvore.

"Muito bem." - disse o ancião, quando o guerreiro voltou - "quero saber agora se o senhor é capaz de recolocar este galho na árvore da qual o arrancou."

O jovem guerreiro entre gargalhadas, chamou-o de louco, respondendo-lhe que todos sabiam que era impossível colocar o galho cortado na árvore outra vez.

O ancião sorriu e lhe disse: "louco é o senhor, que pensa ter poder só porque destrói as coisas e mata as pessoas que encontra pela frente. Quem só sabe destruir e matar não tem poder. Poder tem aquele que sabe juntar, que sabe unir o que foi separado, que faz reviver o que parece morto. Poder tem aquele que produz, que cria, que mantém. Essa pessoa, sim, tem o verdadeiro poder."

Muitos são os que acreditam deter o poder porque atemorizam os demais, ou porque conseguem destruir o que encontram pela frente.

Acreditam-se poderosos porque são capazes de derrubar pessoas, destruir grandes obras e silenciar vozes.

Mas isso é um grande engano.

O verdadeiro poder não reside em arrasar existências e fazer cair por terra o trabalho dos outros.

Não se prova ter poder por meio da força bruta ou através de gritos e ameaças.

Isso demonstra, tão somente, grave desequilíbrio.

Desfazer o que outros produziram ou tentar abalar edificações morais, tão duramente estabelecidas, em nada auxiliarão o nosso próprio desenvolvimento.

Tantos são os que agem assim, crendo-se poderosos, iludindo-se e distribuindo dores ao longo de suas pegadas.

Por outro lado, tão poucos ainda são capazes de edificar, de construir, ou, ainda, de reerguer o que foi destruído.

Tão poucos se dispõem a persistir, a resistir diante dos vendavais das dificuldades. Estes, sim, possuem um poder realmente significativo.

Pense nisso!

Há muito a ser reconstruído.

Há muito mais, ainda, a ser feito.

Tantos caminhos aguardam para serem trilhados.

Há tantas tarefas a serem concluídas.

Há pontes de compreensão a serem construídas para superar os despenhadeiros da intolerância.

Há abrigos de solidariedade e de consolo a serem edificados para refugiar aqueles que sofrem.

O poder verdadeiro é o daquele que cria, que mantém, que reconstrói, não apenas um dia, mas todo momento, por toda uma vida.

Pense nisso!

TOLERA CONSTRUINDO

TOLERA CONSTRUINDO
Quanto mais violência no mundo, em torno de nós, mais alta a nossa necessidade de tolerância para que se lhe reduzam os impactos destrutivos.
Quanto puderes, nas áreas de ação que te digam respeito, amplia os teus investimentos de compreensão e paciência, na garantia da paz e da segurança onde estejas.
Certo companheiro terá faltado ao pagamento dessa ou daquela importância que te é devida.
Se não te encontras sob o domínio de necessidades prementes, compadece-te dele e aguarda mais tempo.
Terá ele sofrido tribulações que desconheces.
Na rua, possivelmente, alguém te dirigiu palavras injuriosas que te espancaram a sensibilidade.
Silencia em oração, pedindo à Divina Providência auxílio e entendimento, a beneficio daqueles que te agridam.
As pessoas que te insultam com certeza se comportam sob o jugo de sofrimentos que nunca experimentaste.
Determinado amigo se te atravessou na estrada, empalmando-te recursos para cuja aquisição definitiva te sacrificaste longamente.
Nada reclames.
Provavelmente, estará ele conturbado por débitos de resgate urgente que o fazem esquecer as alegrias e os deveres da amizade.
Pessoas particularmente querida te haverá deixado a sós, na execução de compromissos assumidos.
Não te revoltes e continua agindo e servindo.
Semelhante criatura esterá sob transtornos e dificuldades do sentimento e da vida, esperando-te a paciência e a bondade para não cair no posso da deliquência.
Compadece-te dos outros, auxilia-os quanto possas, ora e caminha adiante.
Nunca retribuas mal por mal.
Contribui com a tua parcela de amor para que o ódio desapareça.

Se os danos por ti sofridos, nessa ou naquela situação calamitosas, forem de tão grande porte que te inclines para qualquer providências punitiva, esquece o mal e perdoa os agravos mesmo assim, recordando que, em toda parte, se cumprem espontaneamente os processos da Justiça de Deus.
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Emmanuel
Chico Xavier



VISÃO ESPÍRITA DA PÁSCOA


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Eis-nos, uma vez mais, às vésperas de mais uma Páscoa. Nosso pensamento e nossa emoção, ambos cristãos, manifestam nossa sensibilidade psíquica. Deixando de lado o apelo comercial da data, e o caráter de festividade familiar, a exemplo do Natal, nossa atenção e consciência espíritas requerem uma explicação plausível do significado da data e de sua representação perante o contexto filosófico-científico-moral da Doutrina Espírita.
Deve-se comemorar a Páscoa? Que tipo de celebração, evento ou homenagem é permitida nas instituições espíritas? Como o Espiritismo visualiza o acontecimento da paixão, crucificação, morte e ressurreição de Jesus? Em linhas gerais, as instituições espíritas não celebram a Páscoa, nem programam situações específicas para “marcar” a data, como fazem as demais religiões ou filosofias “cristãs”. Todavia, o sentimento de religiosidade que é particular de cada ser-Espírito, é, pela Doutrina Espírita, respeitado, de modo que qualquer manifestação pessoal ou, mesmo, coletiva, acerca da Páscoa não é proibida, nem desaconselhada.
O certo é que a figura de Jesus assume posição privilegiada no contexto espírita, dizendo-se, inclusive, que a moral de Jesus serve de base para a moral do Espiritismo. Assim, como as pessoas, via de regra, são lembradas, em nossa cultura, pelo que fizeram e reverenciadas nas datas principais de sua existência corpórea (nascimento e morte), é absolutamente comum e verdadeiro lembrarmo-nos das pessoas que nos são caras ou importantes nestas datas. Não há, francamente, nenhum mal nisso. Mas, como o Espiritismo não tem dogmas, sacramentos, rituais ou liturgias, a forma de encarar a Páscoa (ou a Natividade) de Jesus, assume uma conotação bastante peculiar. Antes de mencionarmos a significação espírita da Páscoa, faz-se necessário buscar, no tempo, na História da Humanidade, as referências ao acontecimento.
A Páscoa, primeiramente, não é, de maneira inicial, relacionada ao martírio e sacrifício de Jesus. Veja-se, por exemplo, no Evangelho de Lucas (cap. 22, versículos 15 e 16), a menção, do próprio Cristo, ao evento: “Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes da minha paixão. Porque vos declaro que não tornarei a comer, até que ela se cumpra no Reino de Deus.” Evidente, aí, a referência de que a Páscoa já era uma “comemoração”, na época de Jesus, uma festa cultural e, portanto, o que fez a Igreja foi “aproveitar-se” do sentido da festa, para adaptá-la, dando-lhe um novo significado, associando-o à “imolação” de Jesus, no pós-julgamento, na execução da sentença de Pilatos.
Historicamente, a Páscoa é a junção de duas festividades muito antigas, comuns entre os povos primitivos, e alimentada pelos judeus, à época de Jesus. Fala-se do “pesah”, uma dança cultural, representando a vida dos povos nômades, numa fase em que a vinculação à terra (com a noção de propriedade) ainda não era flagrante. Também estava associada à “festa dos ázimos”, uma homenagem que os agricultores sedentários faziam às divindades, em razão do início da época da colheita do trigo, agradecendo aos Céus, pela fartura da produção agrícola, da qual saciavam a fome de suas famílias, e propiciavam as trocas nos mercados da época. Ambas eram comemoradas no mês de abril (nisan) e, a partir do evento bíblico denominado “êxodo” (fuga do povo hebreu do Egito), em torno de 1441 a.C., passaram a ser reverenciadas juntas. É esta a Páscoa que o Cristo desejou comemorar junto dos seus mais caros, por ocasião da última ceia. Logo após a celebração, foram todos para o Getsêmani, onde os discípulos invigilantes adormeceram, tendo sido o palco do beijo da traição e da prisão do Nazareno.
Mas há outros elementos “evangélicos” que marcam a Páscoa. Isto porque as vinculações religiosas apontam para a quinta e a sexta-feira santas, o sábado de aleluia e o domingo de páscoa. Os primeiros relacionam-se ao “martírio”, ao sofrimento de Jesus – tão bem retratado neste último filme hollyodiano ("A PAIXÃO DE CRISTO", segundo Mel Gibson) –, e os últimos, à ressurreição e a ascensão de Jesus. No que concerne à ressurreição, podemos dizer que a interpretação tradicional aponta para a possibilidade da mantença da estrutura corporal do Cristo, no post-mortem, situação totalmente rechaçada pela ciência, em virtude do apodrecimento e deterioração do envoltório físico. As Igrejas cristãs insistem na hipótese do Cristo ter “subido aos Céus” em corpo e alma, e fará o mesmo em relação a todos os “eleitos” no chamado “juízo final”. Isto é, pessoas que morreram, pelos séculos afora, cujos corpos já foram decompostos e reaproveitados pela terra, ressurgirão, perfeitos, reconstituindo as estruturas orgânicas, do dia do julgamento, onde o Cristo, separá justos e ímpios.
A lógica e o bom-senso espíritas abominam tal teoria, pela impossibilidade física e pela injustiça moral. Afinal, com a lei dos renascimentos, estabelece-se um critério mais justo para aferir a “competência” ou a “qualificação” de todos os Espíritos. Com “tantas oportunidades quanto sejam necessárias”, no “nascer de novo”, é possível a todos progredirem. Mas, como explicar, então as “aparições” de Jesus, nos quarenta dias póstumos, mencionadas pelos religiosos na alusão à Páscoa? A fenomenologia espírita (mediúnica) aponta para as manifestações psíquicas descritas como mediunidades. Em algumas ocasiões, como a conversa com Maria de Magdala, que havia ido até o sepulcro para depositar algumas flores e orar, perguntando a Jesus – como se fosse o jardineiro – após ver a lápide removida, “para onde levaram o corpo do Raboni”, podemos estar diante da “materialização”, isto é, a utilização defluido ectoplásmico – de seres encarnados – para possibilitar que o Espírito seja visto (por todos). Igual circunstância se dá, também, no colóquio de Tomécom os demais discípulos, que já haviam “visto” Jesus, de que ele só acreditaria, se “colocasse as mãos nas chagas do Cristo”.
E isto, em verdade, pelos relatos bíblicos, acontece. Noutras situações, estamos diante de uma outra manifestação psíquica conhecida, a mediunidade de vidência, quando, pelo uso de faculdades mediúnicas, alguém pode ver os Espíritos.
A Páscoa, em verdade, pela interpretação das religiões e seitas tradicionais, acha-se envolta num preocupante e negativo contexto de culpa. Afinal, acredita-se que Jesus teria padecido em razão dos “nossos” pecados, numa alusão descabida de que todo o sofrimento de Jesus teria sido realizado para “nos salvar”, dos nossos próprios erros, ou dos erros cometidos por nossos ancestrais, em especial, os “bíblicos” Adão e Eva, no Paraíso. A presença do “cordeiro imolado”, que cumpre as profecias do Antigo Testamento, quanto à perseguição e violência contra o “filho de Deus”, está flagrantemente aposta em todas as igrejas, nos crucifixos e nos quadros que relatam – em cores vivas – as fases da via sacra. Esta tradição judaico-cristã da “culpa” é a grande diferença entre a Páscoa tradicional e a Páscoa espírita, se é que esta última existe. Em verdade, nós espíritas devemos reconhecer a data da Páscoa como a grande – e última lição – de Jesus, que vence as iniqüidades, que retorna triunfante, que prossegue sua cátedra pedagógica, para asseverar que “permaneceria eternamente conosco”, na direção bussolar de nossos passos, doravante.
Nestes dias de festas materiais e/ou lembranças do sofrimento do Rabi, possamos nós encarar a Páscoa como o momento de transformação, a Vera evocação de liberdade, pois, uma vez despojado do envoltório corporal, pôde Jesus retornar ao Plano Espiritual para, de lá, continuar “coordenando” o processo depurativo de nosso orbe. Longe da remissão da celebração de uma festa pastoral ou agrícola, ou da libertação de um povo oprimido, ou da ressurreição de Jesus, possa ela ser encarada por nós, espíritas, como a vitória real da vida sobre a morte, pela certeza da imortalidade e da reencarnação, porque a vida, em essência, só pode ser conceituada como o amor, calcado nos grandes exemplos da própria existência de Jesus, de amor ao próximo e de valorização da própria vida.
Nesta Páscoa, assim, quando estiveres junto aos teus mais caros, lembra-te de reverenciar os belos exemplos de Jesus, que o imortalizam e que nos guiam para, um dia, também estarmos na condição experimentada por ele, qual seja a de “sermos deuses”, “fazendo brilhar a nossa luz”. Comemore, então, meu amigo, uma “outra” Páscoa. A sua Páscoa, a da sua transformação, rumo a uma vida plena.


sexta-feira, 6 de abril de 2012

Semana Santa


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Semana Santa



Esta semana, que a Igreja Romana considera santa, comemora-se a paixão e a morte de Jesus Cristo.

Essa fúnebre solenidade da paixão, dos sofrimentos e da morte de Jesus Cristo, ora se celebra em março, ora em abril.

Comemora-se sempre o seu nascimento no dia certo, 25 de dezembro, porém, a sua morte não é comemorada em dia, semana e mês certos.

Por decreto do Concílio de Nicéia, reunido no ano 325, o dia da Páscoa, do qual dependem todas as demais festas móveis do ano eclesiástico, deve ser celebrado no domingo depois da primeira lua cheia da primavera. É considerada pela Igreja Romana a maior solenidade do ano eclesiástico.

É muito estranhável e nada justifica essa resolução da Igreja naquele Concílio.

Na quinta-feira Jesus deveria ter realizado a última ceia pascal com os seus amados discípulos. E a Igreja ainda hoje comemora a solenidade da Páscoa, que o próprio Jesus, como judeu, celebrou e que não foi instituída absolutamente por Ele.

A Páscoa é uma antiga festa nacionalista dos judeus, em que celebravam a libertação de todo o seu povo do cativeiro egípcio, quando Moisés conseguiu a permissão do Faraó para abandonar as terras do Egito, emigrando do interior desse país em busca das Terras Sonhadas da Promissão.

A Páscoa é a festa da independência, da liberdade, da consolidação das instituições nacionalistas judaicas, da vitória espiritual da raça, alcançada por esse povo sofredor e admirável e de ânimo forte, que é o povo judeu, que, de escravo no Egito, passou a povo livre, tempos depois, nas terras sagradas da Palestina.

A Páscoa representa a passagem, quase a pé enxuto, do Mar Vermelho, de todo o heróico povo judeu conduzido pelo grande Moisés, quando emigrou do país onde vivia como escravo, perseguido, logo mais, pela poderosa cavalaria egípcia, que não o alcançou graças à maior enchente daquele Mar. Páscoa significa passagem. A Igreja de Roma alterou esta grande solenidade caracteristicamente judaica e incorporou-a às suas instituições humanas.

Nada tem a Páscoa de cristã.

Os espíritas não celebram a Páscoa, porque não são judeus, nem consideram esta semana como santa, porque não são católicos. Não jejuam, comendo apenas peixe. O jejum não é material, é espiritual. O peixe é um ser que tem tanto direito à vida como o boi, a galinha, o peru, o carneiro e o porco.

Os dias desta Semana são iguais aos da passada e aos da futura. Não queremos ter uma semana santa de comemorações materiais…

Desejamos santificar todos os dias do ano pela prática constante do bem, amando a Deus e ao próximo, tornando-nos sempre úteis aos nossos semelhantes, servindo-os e assistindo-os nas suas necessidades com emoção e desinteresse.

Todos os dias devem ser santos para o verdadeiro cristão.

Se o Cristo ressuscitou, se é Espírito e Vida, se está hoje mais vivo do que nunca em nossos corações, por que comemorar a sua morte, o seu sacrifício infamante na madeiro entre dois pecadores?

Se Ele foi grande na sua morte, foi maior na sua ressurreição e muito mais ainda na sua vida de pureza e de santidade, vida divina que todos devemos imitar.



Feliz Páscoa!




Feliz Páscoa!





Páscoa




Você já deve ter percebido, pelas prateleiras abarrotadas de ovos e coelhos de chocolate, que se aproximam os dias da Páscoa. Os meios de comunicação, em geral, não lhe deixariam esquecer tal data.

Se, no entanto, alguém lhe perguntasse o que é a Páscoa, você saberia responder? Qual a relação com ovos, coelhos e chocolates?

Tem-se notícias de que os israelitas, bem antes de Moisés, celebravam a Páscoa, sempre na primeira lua cheia da primavera, quando ofereciam à Divindade os primogênitos do seu rebanho.

A palavra em aramaico pashã, em hebraico pesah (pessach), significa a passagem. Segundos uns, do sol pela constelação do carneiro ou da lua pelo seu ponto mais alto. Nas línguas saxônicas o nome indica uma associação com o mês de abril, quando se comemorava a morte do inverno e a recuperação da vida, a chegada da primavera.

O sentido de passagem é relacionado no livro bíblico Êxodo. Foi na época da Páscoa que se deu a libertação do povo hebreu.

Cerca de quinze séculos antes de Cristo, depois de ter vivido cerca de quatro séculos no Egito, duramente tratado pelos faraós, conseguiu o povo de Israel abandonar para sempre a terra da escravidão. Naquela noite, os hebreus se serviram da carne assada de um cordeiro, pães ázimos, isto é, sem sal e fermento e alfaces amargas.

Em memória daquela noite, todo ano, pelo catorze de Nisan (o mês de abril), os chefes de família celebravam a Páscoa comemorando agora a libertação do cativeiro egípcio.

Os Evangelhos nos dão notícias da última ceia de Jesus com os Apóstolos justamente à época da Páscoa. A paixão, morte e ressurreição de Jesus coincidiram com essa festa.

Para os cristãos, a data deve lembrar a ressurreição do Cristo. Após a Sua morte na cruz, Ele se mostra vivo para os Apóstolos, discípulos e amigos.

Em corpo espiritual, Ele penetra em recintos fechados, aparece e desaparece, fala em tom breve. Seus discípulos sentem que já não é um homem. É, no entanto, o amigo que retorna para orientar, esclarecer.

Jesus voltou, indicando que a morte não existe, provando todas as Suas palavras, dando testemunho da Imortalidade. Paulo de Tarso, o Apóstolo dos Gentios, afirmava que se o Cristo não ressuscitara, vã seria nossa fé.

O costume de oferecer ovos como presente, nessa época, remonta aos antigos egípcios. Entre  nós, o costume foi trazido por missionários que visitaram a China.

Só que antigamente, eram ovos mesmo, de pata ou de galinha, coloridos e enfeitados, depois transformados em ovos de chocolates.

Para alguns historiadores, o coelho, por ser o animal que mais se reproduz, traduz antigos ritos da fertilidade.

Assim, a Páscoa para o cristão deve lhe trazer à memória o ensino vivo da Imortalidade, atestado pelo próprio Cristo.

Recordar Jesus, pois, Seus ditos e Seus feitos: eis a verdadeira comemoração da Páscoa.

Importante que nos libertemos de ritualismos, de cultos exteriores, que nos retardam o progresso. Só então o Reino de Deus fará morada em todos os corações, realizando-se a reforma íntima de todos os homens.


*   *   *


Os ovos de chocolate foram introduzidos no Brasil entre os anos de 1913 e 1920, por imigrantes alemães.

Foi a partir do século XVIII que se passou a incorporar o ovo de chocolate na comemoração da Páscoa.



CORAGEM

CORAGEM


Se o desânimo procura
Mergulhar-te na amargura.
Não olvides, meu irmão,
Que a vida por toda parte
É nova luz a buscar-te
Em doce renovação.

Na mágoa que te domina,
Repara a Bênção Divina
A brilhar, aqui e além...
Tudo é esperança e beleza
No trono da Natureza
Na glória do Eterno Bem...

Da noite estranha e sombria,
Assoma, envolvente, o dia
E a treva faz-se esplendor.
Do Inverno que dilacera,
Vem o Sol da Primavera
E o espinho revela a flor.

Da serra empedrada e feia,
Desce o regato que ondeia
Em generosa canção.
Do charco de baixo nível,
Desditoso e desprezível,
Ressurge o calor do pão.

Coragem! – recorda o ninho,
Suportando, de mansinho,
Toda a fúria do escarcéu;
E do além, tranqüila ao vê-la,
Coragem! – repete a estrela,
Sorrindo no azul do Céu.

Assim também, cada hora,
Trabalha, porfia e chora
Guardando a fé clara e sã!...
Padece mas busca a frente,
Lembrando constantemente
Que o dia volta amanhã.


pelo Espírito João de Deus - Do Livro: Poetas Redivivos, Médium: Francisco Cândido Xavier

Relações banalizadas

Relações banalizadas
No mundo moderno as comunicações operam-se com grande rapidez e eficiência.

Internet, televisão e cinema constituem instrumentos de difusão de informações e modos de vida.

Graças a eles se tem notícia do quão liberais estão os costumes.

Valores tradicionais são colocados em xeque.

A educação baseada na proibição dá mostras de periclitar.

Os jovens exercitam a sexualidade cada vez mais cedo.

Tabus caem e nada mais parece errado.

Segundo uma concepção que se generaliza, o importante é ser feliz.

Essa felicidade é identificada com a realização de sonhos e a obtenção de prazeres.

Entretanto, a vivência dessa nova cultura não parece proporcionar paz e plenitude.

Problemas psicológicos, como depressão e ansiedade, se alastram.

A troca constante de parceiros traz vazio e insatisfação.

Uma série de relações sem profundidade em nada contribui para o amadurecimento afetivo.

A ausência de compromisso sério torna banais os relacionamentos.

Em clima de banalidade, é impossível surgir uma afeição genuína e profunda.

A qualquer sinal de dificuldade, o rompimento surge como uma opção simples e fácil.

Pessoas tornam-se descartáveis nas vidas umas das outras.

A procura da felicidade torna-se um processo de infantilização.

Ao invés de serem identificados e resolvidos os problemas de uma relação, foge-se deles.

É como se os seres humanos se assemelhassem a eletrodomésticos.

Quando surgem problemas, um é facilmente substituído por outro.

Trata-se de uma triste característica que se incorpora na personalidade.

Gradualmente, optar pela solução mais fácil torna-se uma segunda natureza.

Ocorre que a solução mais fácil nem sempre é a mais honrosa.

Em questões morais, raramente agir com correção é fácil.

Caso se opte sempre pela facilidade, corre-se o risco de perder completamente as referências éticas.

De leviandade em leviandade, o homem se converte em um monstro egoísta e imoral.

As dores e os problemas dos outros deixam de ter qualquer importância.

O relevante é não se incomodar e seguir despreocupado.

Entretanto, ação gera reação.

Quem se permite desprezar, ferir e seguir adiante, gradualmente se vê isolado.

Contudo, a dor destina-se a desenvolver a sensibilidade e não poupa ninguém.

Todo mundo, mais cedo ou mais tarde, experimenta dificuldades e necessita de apoio.

Em épocas difíceis, de dor e desolação, um ombro amigo é um tesouro de inestimável valor.

Ciente disso, não se negue a apoiar quem precisa de você.

Não banalize suas relações e nem imagine que as pessoas são descartáveis.

Não tenha como meta de vida a despreocupação.

Descubra a ventura de estabelecer vínculos afetivos sólidos e profundos.

Permita-se partilhar os problemas dos outros.

Converta-se em alguém solidário e disposto a colaborar.

Quando surgirem problemas em uma relação, resolva-os, como adulto que é.

Talvez sua vida se torne um pouco menos despreocupada.

Mas ela ganhará em plenitude e maturidade.

O exercício da solidariedade e da compaixão o fará um ser humano melhor.

E, com certeza, ser digno e bom lhe proporcionará paz e alegria.

Pense nisso

quinta-feira, 5 de abril de 2012

ENFERMO INTELIGENTE



O enfermo no leito se encontra como onerado perante todos, abatido diante da vida. 
 
Parece um devedor sem remissão. 
 
É, pois, o instante de reagir, como doente inteligente, aceitando os fatos, sem que esses fatos o tornem um covarde.

Amigo enfermo, colocai-vos na posição de defesa, mas aquela que não entristece, que não reclama, que não revolta, que não inveja.
 
É a luta interna na vossa mente, renovando conceitos na base das recomendações do Cristo de Deus.

Se vos sentirdes aniquilado, compactuareis com as forças dessa natureza. 
 
Se a angústia vos ronda o coração e cederdes a essa opressão, estareis vos colocando ao lado do desânimo. 
 
Se os problemas morais invadem o vosso convívio, ateando fogo em vossos sentimentos, lembrai-vos de que o perdão e o amor são as melhores defesas, como água divina que apaga todas as investidas inferiores, na qualidade de combustível em chama.

A dor, de certo modo, é uma mensageira acessível à amálgama que se lhe queira dar. 
 
Já pensastes o quanto podeis ser útil, aquecido por ela? 
 
Aqueles que por amizade ou dever vos visitam, podem estar mais doentes que vós e, por vezes,
são impressionáveis ao ouvir a voz da vossa experiência. 
 
Se souberdes envolve-los na fé, na paciência, no amor, na esperança, na alegria, sairão dali fortalecidos, multiplicando a mensagem de ânimo onde quer que forem.

No leito, podeis meditar com mais eficiência nos próprios erros e corrigi-los, fazendo a mente sair da escuridão e instalando nela a luz, pela consciência. 
 
O enfermo inteligente, quando alia essa qualidade ao coração, é sobretudo uma alma introjetada, que encontra Deus em si mesmo, conhecendo a hora profética de arrancar o joio na abundante lavoura da mente, deixando o trigo maduro florescer como alimento para tudo e para todos.

Existe um amparo extraordinário nas horas das vossas provas difíceis.
 
 É a prece.

No entanto, é imprescindível saber fazê-la. 


Considerando que a súplica é um pedido do filho para o Pai, já pensastes quanto o genitor recebe, através do pedido, todo o carinho, toda a humildade, toda a fé, toda a gratidão e, acima de tudo, a esperança com alegria? 
 
Esse filho recebe mais, porque sabe dar de si mesmo e já granjeou experiências nos embates do
mundo.

Se por acaso vos encontrais no leito, com enfermidade de qualquer espécie, não abandoneis a fé e não desconfieis das Leis.
 
 Deus é justo, bom e misericordioso. 
 
A enfermidade é, pois, uma valorosa oportunidade de conhecer-vos a vós mesmos e entrardes no mundo íntimo, como operários de Deus. 
 
Vereis que o trabalho interno é mais profícuo.
 
Não peçais doenças. 
 
Todavia, se ela bater em vossa porta, não vos desespereis também. 
 
Nada ocorre por acaso.
 
 Milhares de olhos, como testemunhas de Deus, estão nos vendo.
 
 Milhares de ouvidos, como registros do Senhor, nos ouvem a todos.
 
 O Cristo é o nosso companheiro invisível, que nos segue, lado a lado. 
 
E, quando o discípulo estiver pronto Ele, o Mestre, aparecerá, frente a frente, porque dessa forma, não teremos mais vergonha da Sua magnânima presença.

A fé anula a dor e a dor, igualmente, desperta em nós a fé. 
 
Avancemos, pois, com Jesus e por Jesus em todas as direções que as nossas necessidades espirituais
acharem conveniente.
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João Nunes Maia 





O MUNDO EM QUE VIVEU KARDEC PARTE 1

Conte Comigo....

Conte Comigo....
Conte comigo, mesmo sem contar a mim tanta coisa que lhe pesa no coração, que lhe amargura e resseca o fundo d'alma.
Conte, nas horas mais abandonadas da vida, quando o olhar, vagando em derredor, só divisar deserto.
Conte comigo, mesmo sem vontade de contar com ninguém ou certo de que não vale a pena contar com mais ninguém, nesta vida.
Conte comigo, devagarinho, deixando que a boa vontade vá dizendo, sem nada forçar, à medida em que acreditar.
Conte, durante as agonias, que, de um tempo para cá, não deixam em paz seu cansado coração, pois o bom da vida consiste em encontrar um amigo.
Conte, nas horas inesperadas, quando as tempestades despregam repentinas e tombam por cima da sua cabeça triste.
Conte comigo, para re-aprender a cantar, durante a vida, e a viver de serenas e pequeninas felicidades.
Conte comigo, para eu ajudá-lo a ter rosto bom e quieto, ao menos na presença dos filhinhos menores, que vivem dos rostos abertos.
Conte, para auxiliá-lo no amargo carregamento da cruz.
Conte comigo, para ficar sabendo, de experiência, que há na vida muita coisa linda, coisa escondida, prêmio de quem se venceu na dor.
Conte, para triunfar, no ritmo vagaroso do dever, na cadência da paz diária, aprendendo a teimar com as teimas da vida madrasta.
Conte, que são largos os caminhos da vida, esperando os passos duplos de dois amigos que vão, na direção da conversa.
Conte comigo, para saber olhar ao alto, buscando a face de um Pai.
Conte, mesmo para não se entregar aos desânimos e desencantos, de quem anda cheia da vida, do começo ao fim.
Conte comigo, que venceremos juntos, anjo da guarda com seu pupilo.
Conte, que a vida tem ser bela, criando nós as belezas, de dentro para fora, obrigação do coração, missão da Fé.
Conte comigo, conte sempre, teimando com você mesmo, que não quer saber de mais nada, ofendido que foi, descrente que anda.
Conte quando, olhando para a frente, não sente vontade de andar; olhando para trás, tem medo do caminho que andou.
Conte comigo, para que tenha valor e beleza cada passo seu, cada dia da vida, cada hora dentro de cada dia.
Conte, conte mesmo, sabendo que Deus me deu a missão de fazer companhia aos desacompanhados corações dos homens.

Fazer Amor

Fazer Amor

    Fazer amor é muito mais do que a união de dois corpos ardentes. Falo da atração mútua de casais que se amam, não de aventura ou sexo eventual. Quando um casal apaixonado faz amor energias intrusas não entram no quarto. Ele fica totalmente protegido pelos bons espíritos. Há uma privacidade energética que imuniza os amantes das energias negativas.
    O Amor é uma energia poderosa.  Por que? Essa troca de carinho  depende da entrega de cada um. Não falo somente da entrega do corpo, mas da entrega d' alma. Troca de energia entre o homem e a mulher. Começa no pensamento, no âmago do espírito e o corpo faz o resto! São muitos sentimentos harmonizados que resultam no Amor.
   Fazer amor exige concentração e criatividade! É um fluir intenso de energias plenas que chegam ao clímax culminando na prazerosa sensação de orgasmo.
   Como está sua relação a dois? Se a relação a dois está desgastada e o desejo sexual pela pessoa amada  diminuiu ou desapareceu,  faça uma cuidadosa investigação das possíveis causas físicas e psicológicas. Na mulher: menopausa, tensão pré-menstrual, vaginismo, falta de lubrificação vaginal, distúrbios hormonais, depressão, diabetes, estress, entre outras. No homem: disfunção erétil, ejaculação precoce, distúrbios hormonais, estress, diabetes, etc. Causas físicas e psicológicas podem diminuir a libido. Procure um médico porque existe tratamento específico para cada caso.
  Se o desejo diminuiu muito é o momento de avaliar as causas. A rotina, excesso de trabalho, dificuldades financeiras podem colaborar para a falta de criatividade na vida sexual. Egoísmo, desinteresse e falta de amor pode ser a gota d ´água que permite a crise afetiva.
 O comportamento criativo, o afeto e  amor são o elixir para seu relacionamento. Temos que "fazer amor" todos os dias. Isso! Fazer amor! Atitudes amorosas, comportamentos amorosos em sua vida profissional, familiar atraem vibrações amorosas. Quando você é sinceramente generoso com alguém, desencadeia energias sutis que colaboram com a saúde do seu corpo e da sua mente. É como se você tomasse um banho de energia positiva! Tornará sua vida amorosa mais plena e feliz!
  Como você se comporta quando recebe uma visita importante ou muito querida em sua casa? Faz tudo para agradar essa visita, desde a recepção até as atitudes de carinho e amizade. O mesmo deve acontecer quando você ama alguém. Você sempre deve se surpreender com a presença da pessoa amada em sua vida. Trate-a sempre com a gentileza e a dedicação que você daria a alguém que faz muito tempo que não vê. O segredo é a admiração pelo outro, a gratidão por ele ter entrado em sua vida e ver o outro com "olhos de prosperidade"(expressão usada por uma terapeuta entrevistada no programa Ana Maria Braga em julho de 2004).
  Não é fácil "fazer amor" todos os dias, isto é, ter um comportamento amoroso e gentil diariamente com a pessoa amada. Nossos níveis emocionais variam muito de acordo com os estímulos externos como: poluição sonora, estress agudo, cansaço extremo, poluição visual. A mente constantemente sobrecarregada por lixo mental atrai energias pesadas e nocivas. Nossa  aura reflete uma cor carregada, espelhando nosso estado mental enfermiço. Um estado mental negativo pode  afastar as pessoas e  dificultar o seu relacionamento afetivo. Pequenos e grandes problemas. Decepções, enfim, o amor é algo muito dinâmico e sensível. Ele sofre a interferência dos nossos humores e sobressaltos emocionais. Quem consegue ficar apaixonado todos os dias pela pessoa amada? Ninguém. Nosso amor é humano, mas ainda é amor. No entanto, em alguns dias ele está mais cálido, noutros mais quente .... Certos dias, parece que ele murchou ou quase desapareceu. Você sente raiva da pessoa amada e até decepção. No entanto, se o sentimento que os  uniu  é forte o suficiente, não se quebra com as intempéries da vida. O saldo será sempre positivo se confiarmos na pessoa amada. Não devemos interpretar as crises com pessimismo. Tudo colabora para o fortalecimento da relação a dois. Alguns casos de amor não suportam as tempestades, as crises e problemas que surgem no dia a dia. Ruptura. Quebra. Rompimento. No entanto, devemos aprender com essas decepções e não perdermos a esperança de encontrar um novo amor.
Procure alguma forma de renovar suas energias. Discipline seus pensamentos e faça uma avaliação diária das suas atitudes. Só assim conseguirá o auto-conhecimento. Ele será muito útil no convívio com a pessoa amada, amigos e familiares.
  Deseja uma noite bem romântica com seu amor? Prepare-se!
    A concentração para um amor bem feito tem 3 fases: muito antes do amor, antes, durante e depois. Se você deseja um clima romântico e amoroso tem que estar romântico e amoroso. E esse clima de amor não surge na hora, como num estalo! Pode até surgir, mas se você se preparar para o amor como se ele fosse uma integração de alma e corpo, tudo fluirá melhor.


Pluralidade dos mundos habitados



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Pluralidade dos mundos habitados


“Há várias moradas na Casa de meu Pai” – João 14, 2.
O nosso conceito de que Deus fez a terra e tudo que nela há, o sol, a lua e as estrelas para nós é falso e é isto que vem nos deixando com idéias arraigadas não nos permitindo enxergar mais além. Esta visão é bastante egoísta e presunçosa, não há como admitir, nos dias de hoje, que Deus tenha criado tudo para o gozo, contemplação e delícia do ser humano, que na verdade não passa de mais um dos seres da criação divina, cuja diferença para com os animais é ter o raciocínio contínuo. Entretanto mostra, em algumas situações, mais irracional que os próprios animais. Para podermos nos situar, vejamos a grandeza do cosmo. Ao depararmos com sua magnitude chegaremos à conclusão de nossa extrema insignificância perante o Universo.
O cosmo conhecido tem por diâmetro 40.000.000.000 anos-luz. E para quem quiser mensurar o que representa este número, basta multiplicá-lo por 9.467.280.000.000 km, número este que equivale a um ano-luz. Ora, dentro desta extraordinária grandeza não há como pensar que somente a terra, talvez nem um minúsculo grão de areia neste contexto, tenha vida humana. A ciência avança gradativamente e algumas nações gastam fortunas para tentar captar sons de outras galáxias, instrumentos cada vez mais potentes e sensíveis são direcionados para o céu em busca do contato com inteligências extraterrestres. Pode até parecer ficção científica, mas é a nossa pura realidade nos dias de hoje.
Perguntaríamos: Dada a grandeza do cosmo com seus bilhões e bilhões de planetas porque pensar que apenas a terra teria vida? Não poderia Deus ter criado tantos planetas sem que tivessem alguma outra utilidade a não ser iluminar nossas noites escuras? Tem que haver forçosamente, dentro de um senso lógico, vidas em outros planetas. Para se ter uma idéia somente a Via Láctea possui cerca de 200.000 planetas semelhantes a terra. Se há vida na terra porque não poderia haver nestes outros planetas semelhantes ao nosso? Não podemos fugir desta grande possibilidade de que possa haver vidas em outros planetas.
Suponhamos que um homem é colocado num foguete e lançado à Marte, desce lá e se não vê vida humana não quer dizer necessariamente que não há vida em Marte, o que podemos afirmar é que em Marte não há vida igual ou semelhante à da terra. Poderia ocorrer, talvez, que a vida em Marte não seria captada pelos nossos sentidos, como por exemplo, numa gota d’água não enxergamos, a olho nu, os micróbios que nela vivem, mas se colocarmos esta gota diante de um microscópio veremos uma infinidade de seres vivendo nesta gota, ou seja, se tivermos um instrumento apropriado poderíamos deslumbrar com a vida naquele planeta.
E aí as palavras de Jesus, em João 14, 2, “há muitas moradas na casa de meu Pai”, parecem fazer sentido. Não estaria ele falando dos vários planetas habitados?
Preocupado com esta questão Allan Kardec questiona aos espíritos superiores, conforme consta do Livro dos Espíritos, o seguinte:
Pergunta 55 – Todos os globos que circulam no espaço são habitados?
Resposta – Sim, e o homem da terra está longe de ser, como crê, o primeiro em inteligência, em bondade e perfeição. Todavia, há homens que se crêem muitos fortes, que imaginam que somente seu pequeno globo tem o privilégio de abrigar seres racionais. Orgulho e vaidade! Julgam que Deus criou o Universo só para eles.
Pergunta 56 – A constituição física dos mundos é a mesma?
Resposta – Não, eles não se assemelham de modo algum.
Pergunta 67 – A constituição física dos mundos não sendo a mesma para todos, seguir-se-ão tenham organização diferentes os seres que os habitam?
Resposta – Sem dúvida, como para vós os peixes são feitos para viverem na água e os pássaros no ar.
Vamos descrever como seriam estes mundos de acordo com as informações dos espíritos superiores a Kardec.
Classificação dos Mundos
  1. Quanto ao grau de adiantamento ou inferioridade dos seus habitantes
    1. Mundos Inferiores – a existência é toda material, reinam as paixões, quase nula é a vida moral;
    2. Mundos Intermediários – misturam-se o bem e o mal, predominando um ao outro, segundo o grau de adiantamento da maioria dos que os habitam;
    3. Mundos Adiantados – a vida é por assim dizer toda espiritual;
  2. Quanto ao estado em que se acham e da destinação que trazem:
    1. Mundos Primitivos – destinados às primeiras encarnações da alma humana;
    2. Mundos de Expiação e Provas – onde domina o mal (Terra);
    3. Mundos de Regeneração – nos quais as almas ainda têm o que expiar, haurem novas forças repousando das fadigas da luta;
    4. Mundos Ditosos – onde o bem sobrepuja o mal;
    5. Mundos Celestes ou Divinos – habitações de espíritos depurados, onde exclusivamente reina o bem.
Os espíritos que encarnam em um mundo não se acham a ele presos indefinidamente, nem nele atravessam todas as fases do progresso que lhes cumpre realizar, para atingirem a perfeição.
Os mundos estão, também, sob a lei do Progresso.
Características dos Mundos

a) Mundos Inferiores

  • seres rudimentares;
  • forma humana sem beleza;
  • instintos, não há sentimentos de delicadeza ou de benevolência;
  • não tem noção do justo e do injusto;
  • a força bruta é a única lei;
  • carentes de indústrias e de invenções;
  • passam a vida na conquista de alimentos.

b) Mundos Superiores

  • forma humana, mais embelezada, aperfeiçoada e, sobretudo, purificada;
  • o corpo não tem a materialidade terrestre, não está sujeito às necessidades, nem às doenças ou deteriorações que predominância da matéria provoca;
  • sentidos mais apurados;
  • leveza do corpo permite locomoção rápida e fácil, deslizando pela superfície, usando apenas a vontade;
  • é rápido o desenvolvimento dos corpos e curta ou quase nula a infância;
  • vida mais longa do que na Terra;
  • a morte não causa pavor, é considerada uma transformação feliz;
  • a livre transmissão do pensamento;
  • relações amistosas entre os povos;
  • só a superioridade moral e intelectual estabelece diferença entre as condições e dá a supremacia;
  • a autoridade merece o respeito de todos, pois está estabelecida no mérito e na justiça;
  • amor e fraternidade prendem uns aos outros todos os homens;
  • possuem bens adquiridos mais ou menos por meio da inteligência;
  • o mal, nesses mundos, não existe;
  • os mundos felizes não são orbes privilegiados, visto que Deus não é parcial para qualquer dos seus filhos; a todos dá os mesmos direitos e as mesmas facilidades para chegarmos a tais mundos.

c) Mundos Regeneradores

  • servem de transição entre os mundos de expiação e os mundos felizes;
  • encontra neles a calma e o repouso, acabando por depurar-se;
  • sujeição às leis que regem a matéria;
  • libertos das paixões, isentos do orgulho, da inveja e do ódio;
  • ainda não existe a felicidade perfeita, mas a aurora da felicidade;
  • o homem lá é ainda de carne;
  • ainda tem de suportar provas, porém, sem as pungentes angústias da expiação.
O que isto tudo representa para nós?
  • explica de onde vêem os espíritos que reencarnam na Terra;
  • nos dá a certeza de, conforme o progresso individual, irmos aos mundos mais elevados ou o “reino dos céus”;
  • pouca significância do tempo em que estamos aqui na terra;
  • passagem para o 3º milênio, depuração da terra dos espíritos inferiores, que não desejam progredir e não querem que os outros progridam

Hóspedes

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Hóspedes



Convite é oportunidade para quem o formula.

O hóspede receberá o tratamento que se dispensa à família.

Nenhum amigo, por mais íntimo, tomará a liberdade de chegar à residência dos anfitriões, a fim de hospedar-se com eles, sem aviso.

Se a pessoa não é convidada a hospedar-se com esse ou aquele companheiro e precisa valer-se da moradia deles para certos fins, mesmo a curto prazo, não deve fazer isso sem consulta prévia.

Se alguém procura saber de alguém, quanto à possibilidade de hospedagem e não recebe resposta, procederá corretamente, buscando um hotel, de vez que o amigo consultado talvez tenha dificuldades, em casa que, de pronto, não possa resolver.

Um hóspede para ser educado não entra nos desacordos da família ou do grupo que o acolhe.

Em casa alheia, necessitamos respeitar os horários e hábitos dos anfitriões, evitando interferir em assuntos de cozinha e arranjos domésticos, embora seja obrigação trazer o quarto de dormir tão organizado e tão limpo, quanto possível.

Grande mostra de educação acatar os pontos de vista das pessoas amigas, na residência delas.

Na moradia dos outros, é imperioso ocupar banheiros pelo mínimo de tempo, para que não se estrague a vida de quem nos oferece acolhimento.

Fugir de apontamentos e relatos inconvenientes à mesa, principalmente na hora das refeições.

O hóspede não se intrometerá em conversações caseiras que não lhe digam respeito.

Justo gratificar, dentro das possibilidades próprias, aos irmãos empregados nas residências que nos hospedam, já que eles não têm a obrigação de nos servir.



André Luiz
Francisco Cândido Xavie

A OBSESSÃO

A OBSESSÃO


INFLUÊNCIAS ESPIRITUAIS:
Sofremos constantemente a influencia de Espíritos desencarnados no nosso pensamento segundo a afinidade que percebem nos nossos sentimentos.
Pode ocorrer não só de desencarnado para encarnado e com freqüência, encarnado para encarnado.

O QUE É A OBSESSÃO:
É a ação insistente que um espírito (encarnado ou desencarnado) exerce sobre outro.

GRADAÇÃO DAS OBSESSÕES:
A obsessão é gradativa e irracional.Começa sutilmente e aos poucos, vai ganhando espaço sobre a vítima,por meio de indução fazendo-a cometer pequenos erros, até o domínio completo de seus pensamentos. No estágio mais avançado , a vitima perde por completo a sua vontade.

TIPOS DE OBSESSÕES:
- Encarnado p/ Encarnado;

- Desencarnado p/ Desencarnado;

- Encarnado p/ Desencarnado;

- Desencarnado p/ Encarnado;

- Auto- Obsessão.


O QUE FAVORECE À OBSESSÃO: Pode ser  resultado de relações mal resolvidas em vidas passadas ou por Espíritos que se comprazem com o mal, só se instala mediante a a invigilância do obsediado que abre as portas para a instalação da obsessão através de seus sentimentos e emoções.

A ESCRAVIZAÇÃO DO PENSAMENTO: O pensamento é um agente de força. Pensamentos ruins intuídos pelos Espíritos quando aceitos podem levar a vitima até a subjugação.

PROCESSO OBSESSIVO / CONSEQÜÊNCIAS DA OBSESSÃO: Quando a pessoa mostra-se vacilante e insegura, ou entra na sintonia do ódio ,da mágoa abre portas para que o obsessor lentamente o conduza através do pensamento de forma constante.
Como consequência idéia fixa em determinada pessoa ou coisa, indução a não seguir tratamento adequado para determinada patologia agravando o estado orgânico da vitima, desanimo para o trabalho, conflitos entre pessoas queridas atrapalhando os relacionamentos, isolamento social, indução a agravamento de vícios, como drogas e álcool, fascinação no caso de médiuns ativos.


OBSEDIADO: É a vítima.

OBSESSOR: É um Espírito como nós,sujeitos a imperfeições, presos a sentimentos de ódio e mágoas de vidas anteriores e no caso de encarnado da vida atual, não consegue perdoar, persegue implacavelmente a vitima, não a tira  do pensamento e sempre que há oportunidade a induz a erros, coloca-o em posição desconfortável,  a expõe a crítica e a maledicência. 

MODO DE AÇÃO DO OBSESSOR: Atua nas brechas morais  e utilizando-se de todos os meios que lhe são favoráveis para cumprir sua meta.
Pode unir-se a outros espíritos no mesmo estado evolutivo para cercar a vítima de todos os lados.

Na verdade não existe vítima da obsessão, uma vez que o obsessor atua em conivência com os  pensamentos. Ao sentir um pensamento de raiva ou mágoa continua, desânimo sem nada aparente ( causa orgânica), tristeza profunda sem motivo, que imobiliza o nosso pensamento é necessário observar que algo está errado.

Os Centros Espíritas dispõe de tratamentos eficazes contra a obsessão, mas é necessário observar que depende da vontade do obsediado em querer se livrar se conscientizando de seu estado, ninguém consegue ajudar a quem não quer ser ajudado e insiste no erro.

Sintomas


* Depressão, angústia e tristeza.
* Pesadelos constantes.
* Tendência ao vício.
* Práticas mundanas.
* Agressividade além do normal.
* Abandono da vida social ou familiar.
* Ruídos estranhos à própria volta.
* Visão freqüente ou esporádica de vultos.
* Impressão de ouvir vozes.
* Manias e tiques nervosos

"Os sintomas que caracterizam a obsessão variam de caso para caso, desde simples efeitos morais, passando por manias, fobias, alterações emocionais acentuadas, mudanças na estrutura psíquica, subjugação do corpo físico, até a completa desagregação da normalidade psicológica, produzindo a loucura."


Cabe observar que nem todos os sintomas referidos a cima são necessariamente causas de obsessão.

ASSIM ORAVA GHANDI

ASSIM ORAVA GHANDI


Senhor…

Ajuda-me a dizer a verdade diante dos fortes
e a não dizer mentiras para ganhar o aplauso dos fracos.

Se me dás fortuna, não me tires a razão.

Se me dás o sucesso, não me tires a humildade.

Se me dás humildade, não me tires a dignidade.

Ajuda-me a enxergar o outro lado da moeda.
Não me deixes acusar o outro por traição aos demais,
apenas por não pensar igual a mim.

Ensina-me a amar aos outros como a mim mesmo.

Não deixes que me torne orgulhoso se triunfo,
nem cair em desespero se fracasso.

Mas recorda-me que o fracasso
é a experiência que precede ao triunfo.

Ensina-me que perdoar é um sinal de grandeza
e que a vingança é um sinal de baixeza.

Se não me deres o êxito, da-me forças para aprender com o fracasso.

Se eu ofender às pessoas, dá-me a coragem para desculpar-me,
e se as pessoas me ofenderem, dá-me a grandeza de perdoá-las.
Senhor , se eu me esquecer de ti , nunca te esqueças de mim.

Mahatma Gandhi


Sobre pastores e lobos...

Sobre pastores e lobos...

Pastores e lobos têm algo em comum: ambos se interessam e gostam de ovelhas, e vivem perto delas. Porém, pastores e lobos nos deixam confusos para saber quem é quem. Isso porque lobos desenvolveram uma técnica de se disfarçar em ovelhas interessadas no cuidado de outras ovelhas... mas  ainda assim são lobos!

No entanto, não é difícil distinguir entre pastores e lobos:

Pastores buscam o bem das ovelhas... lobos   buscam os bens das ovelhas!

Pastores vivem à sombra da cruz... lobos  vivem à sombra de holofotes!

Pastores choram pelas suas ovelhas... lobos  fazem suas ovelhas chorar!

Pastores têm fraquezas... lobos  são poderosos!

Pastores apaziguam as ovelhas... lobos  intrigam as ovelhas!

Pastores são ensináveis... lobos  são donos da verdade!

Pastores têm amigos... lobos  têm admiradores!

Pastores vivem o que pregam... lobos  pregam o que não vivem!

Pastores vivem de salários... lobos   enriquecem!

Pastores ensinam com a vida... lobos  pretendem ensinar com discursos!

Pastores sabem orar no secreto... lobos  só oram em público!

Pastores vão para o púlpito... lobos vão para o palco!

Pastores se interessam pelo crescimento das ovelhas... lobos se interessam pelo crescimento das ofertas!

Pastores apontam para Cristo... lobos apontam para a instituição!

Pastores sujam os pés nas estradas... lobos vivem em palácios e templos!

Pastores buscam a discrição... lobos se autopromovem!

Pastores usam as Escrituras como texto... lobos usam as Escrituras como pretexto!

Pastores confessam seus pecados... lobos expõem o pecado dos outros!

Pastores tem dons e talentos... lobos tem cargos e títulos!


Melhoria continua e burilamento - Forum Espirita

Melhoria continua e burilamento -

OS SINAIS DE RENOVAÇÃO



OS SINAIS DE RENOVAÇÃO
Ante a assembléia familiar, o Mestre tomou a palavra e falou, persuasivo: — E quando o Reino Divino estiver às portas dos homens, a alma do mundo estará renovada.
O mais poderoso não será o mais desapiedado e, sim, o que mais ame.
O vencedor não será aquele que guerrear o inimigo exterior até à morte em rios de sangue, mas o que combater a iniquidade e a ignorância, dentro de si mesmo, até à extinção do mal, nos círculos da própria natureza.
O mais eloqüente não será o dono do mais belo discurso, mas, sim, o que aliar as palavras santificantes aos próprios atos, elevando o padrão da vida, no lugar onde estiver.
O mais nobre não será o detentor do maior número de títulos que lhe conferem a transitória dominação em propriedades efêmeras da Terra, mas aquele que acumular, mais intensamente, os créditos do amor e da gratidão nos corações das mães e das crianças, dos velhos e dos enfermos, dos homens leais e honestos, operosos e dignos, humildes e generosos.
O mais respeitável não será o dispensador de ouro e poder armado e, sim, o de melhor coração.
O mais santo não será o que se isola em altares do supremo orgulho espiritual, evitando o contacto dos que padecem, por temer a degradação e a imundície, mas sim, aquele que descer da própria grandeza, estendendo mãos fraternas aos miseráveis e sofredores, elevando-lhes a alma dilacerada aos planos da alegria e do entendimento.
O mais puro não será o que foge ao intercâmbio com os maus e criminosos confessos, mas aquele que se mergulha no lodo para salvar os irmãos decaídos, sem contaminar-se.
O mais sábio não será o possuidor de mais livros e teorias, mas justamente aquele que, embora saiba pouco, procura acender uma luz nas sombras que ainda envolvem o irmão mais próximo...
O Amigo Divino pousou os olhos lúcidos na noite clara que resplandecia, lá fora, em pleno coração da Natureza, fez longo intervalo e acentuou:
— Nessa época sublime, os homens não se ausentarão do lar em combate aos próprios irmãos, por exigências de conquista ou pelo ódio de raça, em tempestades de lágrimas e sangue, porquanto estarão guerreando as trevas da ignorância, as chagas da enfermidade, as angústias da fome e as torturas morais de todos os matizes...
Quando o arado substituir o carro suntuoso dos triunfadores, nas exibições públicas de grandeza coletiva; quando o livro edificante absorver o lugar da espada no espírito do povo; quando a bondade e a sabedoria presidirem às competições das criaturas para que os bons sejam venerados; quando o sacrifício pessoal em proveito de todos constituir a honra legítima da individualidade, a fim de que a paz e o amor não se percam, dentro da vida — então uma Nova Humanidade estará no berço luminoso do Divino Reino...
Nesse ponto, a palavra doce e soberana fez branda pausa e, lá fora, na tepidez da noite suave, as estrelas fulgentes, a cintilarem no alto, pareciam saudar essa era distante...
pelo Espírito Neio Lúcio - Do Livro: Jesus no Lar, Médium: Francisco Cândido Xavier.

OHOMEM QUE MATAVA O TEMPO

OHOMEM QUE MATAVA O TEMPO


Aquelas respostas de Anselmo Figueiredo eram invariáveis.

Convocado à fé religiosa, o rapaz se desviava de qualquer consideração mais grave relativamente à vida. Filhos de pais devotados ao Espiritismo cristão, apesar da assistência carinhosa do genitor e dos comoventes apelos maternais, Anselmo afirmava sempre não haver atingido ocasião adequada.

No seu parecer, o pensamento religioso quadrava tão somente a pessoas avançadas em idade. Entendia que era preciso desperdiçar a mocidade, gastar energias, estontear-se no prazer e, depois, quando chegasse a perspectiva da morte do corpo, resolveria os problemas da fé. Considerava indispensável aproveitar a saúde, para atender a caprichos inferiores. Não permanecia na Terra? Que fazia a maior parte dos homens? Atendiam a desejos, através de comidas e bebidas, com os jogos e prazeres do tempo.

Falava-lhe o pai amoroso, de quando em quando:

— Anselmo, já não és mais uma criança frágil. Creio que deves refletir maduramente quanto ao nosso destino eterno.

— Ora, meu pai — replicava contrafeito —, lá vem o senhor com as histórias de religião. Tenha paciência, não lhe pedi conselhos. Quando tiver sua idade, talvez pense nisto. Este mundo é bastante miserável para que se não aproveitem os dias tão curtos da mocidade.

E, depois de gesto irritante, arrematava:

— É necessário matar o tempo.

De outras vezes, comparecia a generosa mãezinha no concerto:

— Meu filho, meu filho, repara que estamos na Terra de passagem somente. Vamos aprender as lições da fé. Jesus espera-nos sempre com o perdão aos nossos erros. Anselmo, meu querido, porque não freqüentas conosco a escola de iluminação espiritual? Seria isto prazer tão grande para tua velha mãe!... Encontraríamos juntos a fonte das águas eternas...

O moço esboçava um sorriso irônico, explicando-se:

— Mamãe, não sou eu criminoso, nem desviado. Creio sinceramente na existência de Deus; mas que quer a senhora? Estou jovem, preciso viver a única ocasião de alegrias na Terra. A senhora e papai estimam os estudos evangélicos, enquanto que eu dou preferência aos cassinos. Que fazer? Não temos culpa, no que concerne às diferenças de predileções. Além disso, como não pode deixar de reconhecer, o período aproveitável da existência é muito enfadonho. É necessário matar o tempo, mamãe!

A pobre matrona suspirava triste e a luta continuava.

Bancário, com remuneração excelente, Anselmo dissipava os vencimentos entre o jogo e os prazeres alcoólicos, comprometendo-se, por vezes, em vultosos empréstimos que o genitor era compelido a resgatar com sacrifícios. Se faltava dinheiro para as extravagâncias, flagelava o coração materno com observações ingratas. E, se os amigos da casa, em visita à família, recordavam ao imprevidente a solução dos problemas da fé, respondia irredutível:

— Que desejam vocês? Observo-lhes o esforço, mas não estimo as tendências religiosas. Admito que semelhantes impulsos chegam com a idade avançada, ou com a moléstia imprevista. Em sã consciência, coisa alguma exige de mim a manifestação religiosa propriamente dita. Não sou velho, nem sou enfermo. Conseqüentemente, minha conduta é outra. O homem normal e tranqüilo sabe matar o tempo. É o que faço sem perturbar a cabeça.

Após fitar a reduzida assembléia de amigos, como se enfrentasse multidões do mundo, de olhar dominador, Anselmo dirigiu-se ironicamente para uma velhinha simpática, exclamando:

— Que me diz a senhora, Dona Romualda? Acaso, não se aproximou do Espiritismo, em virtude de suas velhas cólicas? Teria pensado em religião antes disto?

A anciã humilde replicava, bondosa:

— Ah! sim, Anselmo, talvez tenhas razão.

— E o senhor, “seu” Manuel — dirigia-se o moço, atrevidamente, a um negociante idoso —, teria buscado o Espiritismo, se não lhe aparecessem as varizes e o reumatismo?

O interpelado, entretanto, que não tinha a paciência de Dona Romualda, respondia firme:

— Mas, meu amigo, é o caso de abençoar as enfermidades. Se é que está esperando por elas a fim de renovar atitudes mentais, formulo votos para que a Providência Divina o atenda breve.

O rapaz esboçava gesto de aborrecimento e dava-se pressa em sair para a rua, murmurando entre os dentes:

— Estou muito distante de tais perturbações e, até que venha ocasião apropriada, matemos o tempo.

De nada valiam observações dos genitores, conselhos amigos, convites fraternais. A qualquer aborrecimento comum, desdobrava-se Anselmo em palavras blasfematórias. Se advertido, mostrava enorme fecundidade por evitar raciocínios nobres, declarando-se em época inoportuna a qualquer cogitação de natureza espiritual. O bilhar, o pano verde, as aventuras do desejo menos digno lhe empolgavam a mente. Convidado inúmeras vezes pela bondade divina a traçar diretrizes superiores, com ao destino sagrado, Anselmo Figueiredo fugira a todas as oportunidades de iluminação íntima. Preferira as sombras espessas da ignorância a qualquer pequenino serviço de auto-educação. Sua ficha individual na Terra estava cheia de anotações inferiores: ociosidade, libertinagem, negação de atividades úteis. A qualquer interpelação carinhosa, vinha à baila o velho estribilho: não havia atingido o tempo próprio, sentia-se distante da realização espiritual, aceitava as verdades eternas; entretanto, declarava-se sem a madureza necessária ao trabalho da própria edificação. E assim, o filho do casal Figueiredo atingiu os quarenta e oito anos, sempre se sentindo demasiadamente jovem para aproximar-se do conhecimento divino. Vivera à moda de borboleta distraída, sumamente interessado em matar o tempo.

Contudo, a morte não podia esperar por Anselmo, como os amigos do mundo, e chegou o dia em que o imprevidente não conseguiu abrir as pálpebras do corpo, ingressando em trevas densas, que lhe pareciam infinitas. Percebeu sem dificuldade que não mais participava do quadro terrestre. Sentia-se de posse dos olhos, mas figuravam-se-lhe agora duas lâmpadas mortas. Chorou, pediu, praguejou. Não mais entes amorosos a convidá-lo para o banquete do amor. Não mais a ternura maternal. Todavia, quando o silêncio absoluto não lhe balsamizava as dilacerações da mente em febre, ouvia gargalhadas irônicas, indagações maliciosas e ditos perversos. Nada valiam lágrimas e rogativas. Semelhava-se a um cego perdido em região ignorada, sem família, sem ninguém. Nunca pôde retomar o caminho de casa, ansioso por ouvir agora a palavra dos pais, a observação dos amigos carinhosos. Anos passaram sobre anos, sem que o arrependido pudesse contar o tempo de amarguras.

Houve, porém, um dia em que, após angustiosa prece, entre lágrimas, se fez claridade súbita em sua longa noite. O penitente ajoelhou-se, deslumbrado. Alguém lhe visitava a caverna escura. De repente, na doce luz que se formara em torno, apareceu-lhe a amada genitora a fitá-lo, com extrema doçura.

— Mãe! minha mãe! — bradou o infeliz — socorre-me por piedade!...

Anselmo, em pranto, tentou alcançar a figura luminosa que o contemplava entristecida, mas debalde. A senhora Figueiredo, não obstante se fazer visível, parecia distante. O desventurado procurou correr para atingi-la, ansioso por se retirar das trevas para sempre. A mãezinha devotada, contudo, alçou a destra compassiva e falou emocionada:

— É inútil, por enquanto, meu filho! — Estamos separados pelo abismo que cavaste com as próprias mãos. Há mais de dez anos aguardava ansiosamente este encontro; mas, em que estado lastimável te vejo, filho meu!...

— Querida mãe! — clamou o mendigo de luz —, por que me esqueceu o Senhor do Universo? Abandonado de todos, sou um fantasma de dor, sem o auxílio de ninguém. Por que tamanho padecimento? Por quê?

Enquanto o desditoso arquejava em soluços convulsivos, a genitora esclareceu, triste:

— Deus nunca te esqueceu, foste tu que lhe esqueceste as bênçãos no caminho do mundo. Cuidaste apenas de matar o tempo e o teu tempo agora permanece morto. Trabalha para ressuscitá-lo, meu filho, procurando obter nova oportunidade de serviço, perante a bondade do Senhor. As lutas do coração desfazem as trevas que rodeiam a alma. Não esqueças a longa estrada que ainda tens a percorrer...

E, antes que Alselmo pudesse formular novas interpelações, a luz espiritual apagou-se devagarzinho, voltando a paisagem de sombras, a fim de que o imprudente do passado conseguisse acender a luz da própria alma, com vistas ao porvir.


pelo Espírito Irmão X - Do Livro: Pontos e Contos, Médium: Francisco Cândido Xavier